4. Resultater
4.1. Del 1 Derivatisering
Grandes áreas de terra do norte e sudoeste do Paraná foram ocupadas pela expansão da indústria cafeeira, nos anos 50. O estado tornou-se um dos principais centros de exportação do país e a lucratividade com impostos cresceu consideravelmente. Esse período coincidiu com o Centenário de Emancipação Política do Paraná e com o governo de Bento Munhoz da Rocha.
A principal proposta de governo de Munhoz da Rocha era a criação de marcos que assinalassem o centenário paranaense. Para isso, criou a
Comissão Especial das Obras do Centenário (CEOC), com o objetivo de
unificar o estado, usando a arquitetura corbusiana como expressão do progresso e imortalizar a importância política e econômica do Paraná desse período. Além do Teatro Guaíra, citado no capítulo anterior, o governador determinou a construção da Biblioteca Pública, que teria o papel de centralizar a cultura produzida no estado.
No plano urbanístico, o objetivo de Munhoz da Rocha era interligar a capital do estado às regiões Norte e Sudoeste. Nesse aspecto, é importante
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ressaltar que o polo da expansão cafeeira – particularmente a cidade de Londrina, que ficou então conhecida como Eldorado brasileiro – tinha pouca ou nenhuma identificação com Curitiba. Dois terços dos fazendeiros, no norte do estado, eram de São Paulo ou filhos de famílias Paulistas. Em termos geográficos, Londrina encontrava-se mais próxima da cidade de São Paulo do que de Curitiba. A ligação viária entre Londrina e São Paulo – fosse através da principal ferrovia, que cruzava o norte do Paraná, ou através da rodovia pavimentada em praticamente toda a sua extensão – era muito mais fácil do que o sinuoso caminho de ferro, que ligava Londrina a Curitiba, ou a precária estrada do Cerne.
Além da criação e melhoria da malha viária, interligando as diversas regiões do estado com a capital, Munhoz da Rocha defendeu a ideia, apresentada no plano urbanístico de Agache, da criação do Centro Cívico – conjunto arquitetônico que centralizaria os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do estado em um único lugar.
O Centro Cívico de Curitiba buscava, antes de qualquer coisa, o reconhecimento da importância do Paraná como um dos principais centros econômicos e políticos do país. Para uma obra com tamanha importância, optou-se por chamar arquitetos do “centro político e arquitetônico do país” – o Rio de Janeiro. Foi criada uma equipe formada pelos cariocas Olavo Redig de Campos, Flávio Regis e Sérgio Rodrigues, coordenada pelo arquiteto David Xavier de Azambuja – nascido no Paraná e professor da disciplina Planejamento de Obras, no Mackenzie.
As obras do Centro Cívico foram diretamente responsáveis pela atualização da indústria da construção civil de Curitiba, mas pouco ou nada fizeram pela integração do Estado. O alto custo das obras comprometeu todo o orçamento do governo, impossibilitando a construção das estradas, que ligariam Curitiba ao norte e sudoeste. Apesar do cultivo do café aumentar em progressão geométrica, o acúmulo de riquezas no estado, em 1955, uma mudança climática comprometeu 75% da safra cafeeira do estado. Como resultado, a arrecadação de impostos referentes à exportação do café também
caiu – e a redução drástica da verba prevista para a finalização dos projetos em andamento fez com que as obras fossem paralisadas.
Figura 9 - Centro Cívico, Palácio Iguaçu (1953): frente
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Figura 11 - Centro Cívico, Palácio Iguaçu (1953)
Apesar do projeto para o Centro Cívico de Curitiba não ter sido concluído de acordo com o previsto, a influencia da arquitetura modernista em obras de grande porte em Curitiba alterou a percepção de projeto arquitetônico dos curitibanos. Sob a alcunha de “estilo funcional”, móveis de linhas retas da fábrica Móveis Cimo começaram a invadir as casas da burguesia curitibana e residências de novo aspecto, construídas com o auxílio de financiamentos tornaram-se cada vez mais comuns nos bairros da cidade. A cidade, finalmente, começava a aceitar as novas formas da arquitetura modernista.
Essa mudança de visão permitiu que em 1953, Artigas projetasse a residência João Luís Bettega e apresentasse à cidade o estágio de desenvolvimento intelectual, técnico e ideológico da arquitetura de São Paulo. O projeto consistia em um volume único, de comprimento quatro vezes maior do que a largura, encostada do lado direito do lote. Esta implantação da residência permitiu que todos os ambientes ficassem voltados para noroeste, fachada com insolação abundante no inverno de Curitiba, e protegida do sol
durante os meses mais quentes. As fachadas foram tratadas de acordo com o pensamento que Artigas desenvolveu nos anos 50 – as elevações eram tratadas de forma mais ou menos igual, buscando a unidade de projeto, sem que houvesse uma valorização específica da fachada frontal. No interior, a sala com pé direito duplo articulava os dois pavimentos da residência: no inferior, sala de jantar e cozinha; no superior, os quartos. Outra característica inédita da obra de Artigas, em relação à arquitetura até então projetada em Curitiba, era a riqueza de percursos da residência. A partir do portão de acesso, duas rampas levavam à porta de entrada da residência, na lateral direita. A partir deste ponto, se poderia acessar a residência através do hall, ir para a área de serviço, nos fundos da residência, ou dirigir-se para o terraço, sobre a garagem. A partir deste terraço, uma escada levava, primeiramente, até à sala e, num segundo lance, até ao estúdio. Irã Dudeque, em seu livro Espirais de Madeira, escreveu sobre esse projeto de Artigas:
A maestria na concepção de percursos só pode ser compreendida através da experiência de caminhar através dos passeios arquiteturais criados por Artigas. Na arquitetura residencial de Curitiba, Artigas é imbatível neste quesito, o único concorrente possível da Residência Bettega é a Residência Niclevicz, que seria projetada quase um quarto de século depois, em 1975, pelo próprio Artigas18
18 DUDEQUE, Irã José Taborda. Espirais de madeira: uma história da arquitetura de Curitiba. São Paulo, Studio Nobel, 2001.
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Figura 12 - Residência João Luiz Bettega (1953)
Figura 14 - Residência João Luiz Bettega (1953): interior
Além deste projeto de Artigas, outras residências modernistas, projetadas por Lolô Cornelsen e Elgson Ribeiro Gomes, entre outros, foram construídas em Curitiba nessa época, mas sem causar tanto espanto à população, que já estava familiarizada com as linhas e tendências das obras do Centro Cívico.