Os fatores internos que compõem o DO permitem o reconhecimento dos pontos fortes e fracos do empreendimento envolvendo o bambu, permitindo o aprimoramento dos módulos de gestão em vigor, a inserção de outras, caso sejam somente implícitas ou inexistentes de modo a incentivar a busca de informações que favoreçam uma gestão mais efetiva que permita o planejamento e a tomada de decisões em busca de vantagens competitivas que extrapolem o ambiente interno do empreendimento, fortalecendo-o enquanto ator de uma cadeia produtiva e de um APL.
Os fatores externos mostram que de um lado existem diversas oportunidades para o desenvolvimento e crescimento do empreendimento e um vasto campo a ser explorado por instituições que possam colaborar com pesquisas, troca de informações e conhecimento, pois se trata de um modelo sustentável econômica, ambiental e socialmente. E de outro lado, existem diversos entraves de mesmo peso que dificultam este desenvolvimento, como o preconceito à Agricultura Familiar, à Economia Solidária e ao cultivo do bambu, como mostra o Quadro 21.
Quadro 20- Matriz SWOT do Diagnóstico Organizacional da Associação Viverde
Ajuda Atrapalha
Fatores internos
FORÇAS (Strengths) FRAQUEZAS (Weaknesses) Área disponível para plantio do bambu;
Galpão com oficina e equipamentos próprios e emprestados;
Potencial para desenvolvimento e produção de novos produtos; Sustentabilidade no processo de
produção, sem desperdícios;
Oportunidade de trabalho para jovens e demais pessoas sem a necessidade de saída do meio rural;
Motivação e confiança no empreendimento;
Modelo de gestão atrativo;
Acesso ao conhecimento e capacitação de universidades;
Histórico de prêmios e concursos em parceria com universidade.
O plantio ainda não é feito nas nos lotes do assentamento;
A localização da cidade de Perderneiras/SP, por estar distante dos grandes centros comerciais do Estado de São Paulo, encarece os custos de logística;
Poucos fornecedores; Poucos consumidores; Ainda há poucos associados; Motivação e confiança;
Marketing deficiente para definição do perfil do consumidor,
posicionamento no mercado, precificação e canais de vendas eficientes;
A renda gerada pelo EES ainda é modesta;
Grande dependência de políticas públicas.
Fatores externos
OPORTUNIDADES (Opportunities) AMEAÇAS (Threats) Potencial brasileiro para plantio de
diversas espécies de bambu, tanto nativas como as inseridas;
Poucas áreas plantadas para a exploração comercial;
Mercado interno carente, que necessita de importações;
Mercado externo, como substituto da madeira, que possuir um mercado bilionário;
Modelo de gestão igualitário;
Promoção social: geração de emprego e renda;
Poucos empreendimentos que trabalham com bambu;
Poucos grupos de pesquisa cadastrados no CNPq;
Desenvolvimento de novos produtos, antes importados
Bancos Comunitários.
Taxas de juros altas; Baixo incentivo à pesquisa; Disputa entre universidades pelo
conhecimento das potencialidades do material (não há uniformidade para a pesquisa de determinadas espécies, já que são mais de 1200 espécies);
Baixo depósito de patentes; Poucas políticas públicas para a
Economia Solidária e Bambu; Poucos programas de crédito e
financiamento que contemplam o bambu;
A Lei 12.484 do PNMCB desde 2011 ainda não progrediu; Preconceito sociocultural em
relação à Agricultura Familiar, à Economia Solidária e aos usos do bambu.
Fonte: da autora
Também foram analisadas as Cinco Forças de Porter, que consistem na Rivalidade entre os concorrentes, ameaça de novos entrantes, ameaça de Substitutos, Poder de barganha dos fornecedores e clientes, como explicam os itens a seguir:
Rivalidade entre os concorrentes: no setor do bambu não a rivalidade, não se apresenta muito significativa, devido ao pequeno número de produtos de bambu produzidos no Brasil. Algumas empresas importam produtos de BLC com finalidade de revestir superfícies ou confeccionar mobiliários. Essa importação ocorre porque há poucos plantadores que exploram comercialmente o material por desconhecer seu potencial, porque o que mais se encontra no país são plantadores de árvores de madeira de reflorestamento, como eucalipto e pinus; e também porque são raros os equipamentos específicos para usinar o bambu, e os existentes são adaptações dos utilizados para madeira.
Com a alta do dólar e das taxas de juros para importação, aumentam os custos das empresas e, consequentemente o preço para o consumidor. Com isso, se torna necessário importar menos, fortalecer a marca da empresa, agregando valor aos seus produtos e da sustentabilidade, podendo melhorar até as condições para possíveis exportações. As empresas que estiverem com canais de distribuição e clientes bem definidos, têm maiores chances de fidelizar seus consumidores;
Ameaça de novos entrantes: Neste momento a ameaça de novos entrantes é relativamente baixo, primeiro porque a China está vivenciando um momento de desaceleração da economia, segundo porque existem dificuldades que exigem conhecimento do plantador de bambu ou de quem confecciona produtos de bambu, barrando aqueles que não podem assumir riscos de investimento. Há que se vencer preconceitos para que alguém disponibilize ou adquira uma área para tal finalidade. O que pode acontecer são artesãos independentes confeccionarem produtos;
Ameaça de produtos substitutos: O bambu é um substituto da madeira para aplicações, como na indústria moveleira e civil, entretanto, a madeira já tem seu mercado consolidado, sendo este um setor lucrativo tanto para a exportação, como para a importação. É comum no Brasil grandes áreas plantadas com madeira de reflorestamento, como pinus e eucalipto com finalidade para a indústria moveleira, biomassa e de papel e celulose;
Poder de barganha dos fornecedores: Os fornecedores de equipamentos são os mesmos que os da madeira, o que de certa forma, equiparam os custos para investimentos. Porém existem equipamentos específicos para usinar bambu, entretanto, devem ser importados, aumentando os custos, assim os existentes no Brasil são adaptações dos equipamentos para madeira. Outro fator relevante para o
poder de barganha dos fornecedores, no caso de comprar bambu, é a logística, que pode elevar os custos, tornando muitas vezes, a aquisição inviável;
Poder de barganha dos clientes: Existem dois perfis de clientes que consomem produtos em bambu. Primeiro são aqueles que possuem uma visão sobre sustentabilidade do material, do processo e da economia solidária, e que estão dispostos a pagar preços mais altos; segundo são aqueles que têm o gosto pessoal pelo artesanato e o associam ao baixo preço. Com isso, é necessário verificar com cautela os canais de venda e utilizar diferentes estratégias para diferentes produtos para alcançar êxito.
De acordo com as análises é possível observar que existem deficiências dentro do empreendimento que precisam ser resolvidas para que o empreendimento se mantenha vivo, e dentre elas estão:
Não plantar bambu: embora a PNMCB não tenha progredido, os membros da Associação Viverde dispõe de uma área de terra que pode ser explorada com o cultivo do bambu. O fato da UNESP ajudar na capacitação, com ferramentas e também com projetos de pesquisa, a mesma pode oferecer mudas para o plantio. Levando em consideração que após o plantio, o bambu pode ser cortado pela primeira vez após 2 ou 6 anos, dependendo da espécie, sua exploração comercial demandará de um tempo. E quanto mais tempo demorar a plantar o bambu, mais tempo levará para ter matéria-prima própria. Ou seja, mesmo que o PNMCB tenha progressos para ajudar na exploração do bambu, o resultado do plantio se dá no longo prazo;
Poucos fornecedores: considerando que a matéria-prima seja somente a doada pela UNESP, um empreendimento não deve estar restrito somente a um fornecedor, porque caso haja alguma forma de impedimento deste tipo de fornecimento, novos fornecedores deverão ser desenvolvidos, o que demanda tempo, investimentos e confiança por parte do fornecedor;
Poucos consumidores: estar restrito a feiras esporádicas e ser fornecedor de apenas uma rede de supermercado dificulta o desenvolvimento do empreendimento. A partir do momento em que há esforços para a venda, gera-se uma demanda que precisará ser atendida. E quanto mais se atende a essa demanda, mais confiança e credibilidade o empreendimento ganho no mercado. Existem tecnologias gratuitas que podem ser exploradas, como a internet por meio de aparelho celular, como as
redes sociais que permitem a criação de uma página para o comércio de produtos, e ainda nestas redes, pode-se estabelecer a comunicação entre fornecedor e cliente; Dependência de políticas públicas: as políticas públicas facilitam o acesso a formas
de promover um empreendimento, entretanto, é preciso ir além, quebrar paradigmas, se libertar da dependência, ser inovador e buscar meios alternativos, capazes de promover o desenvolvimento;
Motivação e confiança: esta é a deficiência central e mais importante, porque tudo depende e acontece por meio de pessoas. Mesmo que haja poucos membros no empreendimento, e estes membros se empenharem em sanar as deficiências citadas acima, certamente haverá maior confiança e melhor visibilidade sobre o trabalho desempenhado. Isso fará com que os jovens do assentamento desenvolvam interesse, se solidarizem com o objetivo do empreendimento e passem a se dedicar às atividades, em busca de emprego e renda sem a necessidade de ir até o centro urbano.
Assim, quanto maior o envolvimento e a motivação, maiores as chances de se expandir com o empreendimento e explorar as oportunidades que são visivelmente apresentadas nas análises de SWOT e nas Cinco Forças de Porter.
8 PROPOSTA DE MODELO DE GESTÃO PARA EMPREENDIMENTOS DA