3. Armand V
3.2. Analyse
3.2.1. Dekonstruksjon av fortellerstemmen og flerstemmigheten
Alguns teóricos da área valorizam a autoavaliação porque realizada pelos atores que melhor conhecem o funcionamento da organização, poderá ser mais capaz de traduzir toda a complexidade da realidade educativa. Outros, pelo contrário defendem a avaliação externa porque realizada por elementos exteriores à organização manifestam um maior
poderá ser mais objetiva. Parece-nos que esta discussão, hoje, não tem sentido, na media em que avaliação externa e autoavaliação são as duas faces da mesma moeda. Em vez de se excluírem, complementam-se 9.
A autoavaliação justifica-se, precisamente, pela própria existência da organização. Uma organização escolar, à semelhança das restantes, deve interrogar-se sobre da sua prática e corrigi-la se verificar que ela produz maus resultados (Meuret, 2002, p. 39). O mesmo autor continua, dizendo que para a realização desse trabalho os seus atores são os que estão melhor colocados para saberem o que se passa no estabelecimento de ensino e para decidirem as correcções a fazer. A autoavaliação é ainda importante porque deve permitir ao estabelecimento de ensino adaptar melhor o seu ensino à especificidade do seu público, assim como às variações que podem ocorrer no seu contexto, permitindo-lhe tornar-se numa “escola aprendente” (Meuret, 2002, p. 39). Aquela que é capaz de aprender com os resultados da sua própria experiência, corrigindo erros ou melhorar as boas práticas. Comungando desta linha de análise da autoavaliação, encontramos ESSI (2000) citado por Alaiz, Góis, & Gonçalves, (2003, p. 19), quando afirma que a auto-avaliação é o processo pelo qual uma escola é capaz de olhar criticamente para si mesma com a finalidade de melhorar posteriormente os seus recursos e o seu desempenho.
Afonso (2000) citado por Alaiz, Góis, & Gonçalves (2003, p. 19) apresenta três espécies de motivações para a implementação e desenvolvimento da autoavalição:
em primeiro lugar, permite melhorar o desempenho [das escolas] através da identificação de áreas mais problemáticas e da procura de soluções mais adequadas, o que facilitará o trabalho dos docentes e de outros profissionais;
em segundo lugar, (…) é um óptimo instrumento de marketing; a divulgação dos resultados junto da comunidade educativa (…) contribui para o reconhecimento público [da escola] e revela-se uma estratégia apropriada, não só para conseguir mais e melhores apoios, mas, também, para gerar maior procura da escola por parte dos potenciais interessados, entusiasmados com os resultados divulgados;
por último, permite [à escola] “gerir a pressão da avaliação externa institucional” quer antecipando a identificação dos seus ponto fracos [ou fortes] e delineando as estratégias adequadas de melhoria quer preparando as justificação/fundamentação das fragilidades identificadas pelos serviços de avaliação externa.
A última motivação apresentada justifica o afirmado acima, quando dizíamos que avaliação externa e autoavaliação são a face da mesma moeda, que em vez de exclusivas se complementam. A autoavaliação, porque implementada na escola e pela escola,
9 No mesmo sentido argumenta Clímaco (2005), quando afirma que as duas têm sido apresentadas
como vertentes de uma estratégia que consiste em pressionar as escolas para a melhoria, questionar a formação inicial dos professores e rever a organização e funcionamento das escolas.
consciente, motivadora, porque participada, e reflexiva, funciona, efetivamente, como um instrumento de autonomia e permite à escola afirmar-se como organização aprendente.
A autoavaliação tem, no entanto, um conjunto de características específicas que podem ser, de acordo com Alaiz, Góis, & Gonçalves (2003, p. 21), resumidas nos seguintes pontos:
é um processo de melhoria da escola, conduzido através quer a construção de referências, quer da procura de provas (…) para a formulação de juízos de valor; é um exercício colectivo, assente no diálogo e no confronto de perspectivas sobre o
sentido da escola e da educação;
é um processo de desenvolvimento profissional;
é um acto de responsabilidade social, ou seja, um exercício de civismo; é uma avaliação orientada para a utilização;
é um processo conduzido internamente mas que pode contar com a intervenção de agentes externos.
Chelimsky e Shadissh (1999) citados por com Alaiz, Góis, & Gonçalves (2003) apresentam três perspetivas da autoavaliação:
a perspectiva da prestação de contas – que está diretamente relacionada com os movimentos de descentralização, de delegação ou transferência de competências para as escolas numa ótica de autonomia. Através dela, a administração educativa exerce algum controlo sobre o que se passa nas escolas. Com efeito, a autonomia exige a prestação de contas numa lógica de transparência da acção da escola. Apesar da lógica da prestação de contas estar mais associada à avaliação externa, as escolas, interna e externamente, são impelidas a justificar os resultados dos alunos, a discrepância de classificações internas entre disciplinas e de resultados internos e externos.
a perspetiva da produção do conhecimento – que procura aprofundar o conhecimento acerca das diferentes dimensões da escola. As informações assim recolhidas podem ser úteis a todos os seus elementos desde alunos, professores até ao órgão de gestão que, a partir do conhecimento assim produzido, poderá providenciar a elaboração de planos de intervenção ou de melhoria.
a perspetiva do desenvolvimento – segundo a qual se pretende reforçar a capacidade da escola no planeamento e na implementação do seu processo de melhoria, partindo dos resultados da autoavaliação desenvolvida por todos os atores da escola. A autoavaliação deve ser, pois, um processo social onde todos devem participar. Só assim se favorece o sentimento de pertença a uma comunidade, a criação de
consensos sobre os objectivos do estabelecimento de ensino, reforça a coesão dos professores ao serviço desses objectivos e incrementa o sentimento de responsabilidade dos alunos e dos respectivos pais (Meuret, 2002, p. 41).
MacBeath (1999) citado por Alaiz, Góis, & Gonçalves (2003) acrescenta a este rol a
perspetiva política. Efetivamente, a qualquer atividade avaliativa subjaz uma intenção
política, na medida em que o desenvovlimento de processos de autoavaliação, muitas vezes, têm interesses específicos associados quer seja por parte da administração central quer seja por parte da própria instituição escolar. Neste sentido, os resultados do processo, não sendo inocentes, poderão servir para influênciar todos os que a eles tenham acesso.
Sem retirar importância a nenhuma das perspetivas enunciadas, valorizamos a que se prende com a do desenvolvimento pessoal e organizacional. Achamos que o grande contributo da autoavaliação é aquele que se prende com a possibilidade de criar conhecimento organizacional para que, a partir dele, se possa planear um plano de ação e de intervenção na organização que venha desenvolver os aspetos positivos encontrados e corrigir aqueles que não foram tão bem conseguidos. Como afirmam Alaiz, Góis, & Gonçalves (2003, p. 113) é, portanto, na mobilização dos resultados que reside a utilidade da auto- avaliação.
A autoavaliação nas escolas portuguesas só adquiriu caráter de obrigatoriedade a partir da publicação da Lei nº 31/2002, de 20 de dezembro, que no seu artigo 6.º apresenta os referenciais de aplicação da mesma:
grau de concretização do projecto educativo e modo como se prepara e concretiza a educação, o ensino e as aprendizagens das crianças e alunos, tendo em conta as suas características específicas;
nível de execução de actividades proporcionadoras de climas e ambientes educativos capazes de gerarem as condições afectivas e emocionais de vivência escolar propícia à interacção, à integração social, às aprendizagens e ao desenvolvimento integral da personalidade das crianças e alunos;
desempenho dos órgãos de administração e gestão das escolas ou agrupamentos de escolas, abrangendo o funcionamento das estruturas escolares de gestão e de orientação educativa, o funcionamento administrativo, a gestão de recursos e a visão inerente à acção educativa, enquanto projecto e plano de actuação; sucesso escolar, avaliado através da capacidade de promoção da frequência escolar e dos resultados do desenvolvimento das aprendizagens escolares dos alunos, em particular dos resultados identificados através dos regimes em vigor de avaliação das aprendizagens;
prática de uma cultura de colaboração entre os membros da comunidade educativa.
A importância da autoavaliação reside, pois, na possibilidade de criar conhecimento organizacional. Partindo desse conhecimento, as lideranças da escola devem providenciar
a elaboração e implementação de planos de melhoria organizacional para que a prestação do seu serviço se torne mais eficaz. É, precisamente, esta temática que abordaremos no ponto seguinte.