Cada entidade hospitalar est´a associada a uma regi˜ao geogr´afica. O SNS divide Portugal Continental em 5 regi˜oes de sa´ude: LVT, Centro, Norte, Alentejo e Algarve. Cada regi˜ao n˜ao disp˜oe do mesmo n´umero de entidades hospitalares porque a populac¸˜ao tamb´em n˜ao est´a distribu´ıda uniformemente pelo pa´ıs. A Tabela 6.10 mostra o desempenho das entidades hospitalares, segundo os resultados agregados por regi˜ao do modelo I.
Tabela 6.10: M´edia da eficiˆencia BCC, desvio padr˜ao e eficiˆencia BCC m´ınima nos 4 anos de an´alise, por regi˜ao de sa´ude
2015 2016 2017 2018
M´edia DP1) M´ınimo M´edia DP1) M´ınimo M´edia DP1) M´ınimo M´edia DP1) M´ınimo
Norte 94% 9% 67% 95% 8% 73% 95% 10% 64% 95% 9% 67% Centro 88% 14% 61% 87% 14% 63% 86% 14% 61% 87% 15% 60% LVT 88% 8% 79% 88% 8% 79% 91% 8% 81% 93% 6% 83% Alentejo 88% 8% 80% 87% 9% 76% 82% 11% 70% 84% 13% 69% Algarve 100% - 100% 100% - 100% 100% - 100% 100% - 100% 1) DP: desvio padr˜ao
Como pode ser constatado, a regi˜ao do Algarve ´e aquela que, em todo o per´ıodo em an´alise, revelou ter melhor desempenho. Importa contudo referir que a regi˜ao de sa´ude do Algarve s´o tem, nesta amostra estudada, uma entidade hospitalar que a represente. Al´em disso, outros modelos testados (os da an´alise de cen´arios, referidos anteriormente e o Modelo T2, que ser´a referido na secc¸˜ao 6.6.2) apontam para um pior desempenho da unidade pertencente a esta regi˜ao (CHUA), o que fragiliza a teoria de desempenho de excelˆencia obtida nesta an´alise regional em particular. Com o segundo melhor desempenho est´a a regi˜ao Norte, em seguida est´a a regi˜ao LVT, depois dessa encontra-se a regi˜ao Centro e, por fim, com pior desempenho geral est˜ao as unidades hospitalares pertencentes `a regi˜ao do Alentejo. Trabalhos desenvolvidos no tema aferem como regi˜oes mais eficientes as zonas Norte e Centro e como menos eficientes as zonas do Alentejo e Algarve (Sim˜oes e Marques (2009), Guedes (2014), Figueiredo (2010) e Alves (2012)). Deve sublinhar-se que, comparativamente a esses trabalhos, o presente estudo poder´a estar a penalizar estas regi˜oes devido ao facto de estas inclu´ırem um maior r´acio “n´umero de ULS”/“n´umero de entidades hospitalares” do que a zona do Algarve e a zona de LVT, que n˜ao possuem
6.5 An´alise de Resultados dos Subgrupos Regionais
ULS.
As secc¸˜oes que se seguem analisam a eficiˆencia das entidades hospitalares de cada regi˜ao, isto ´e, para cada uma delas, foi considerado um novo modelo DEA.
6.5.1 Modelo R1 - Regi˜ao do Norte
O modelo considerado com o objetivo de avaliar o desempenho das entidades hospitalares per- tencentes `a Regi˜ao de Sa´ude do Norte (modelo R1) considerou como vari´aveis input a totalidade dos profissionais de sa´ude e o n´umero de camas. A totalidade dos profissionais de sa´ude foi agregado para que o n´umero de vari´aveis do modelo respeitasse pelo menos uma das regras de ouro (mencionadas na secc¸˜ao 5.3). Como vari´aveis output, e com o cuidado de atender a pelo menos uma das regras de ouro, foram considerados o n´umero de doentes sa´ıdos ajustado ao ICM e o n´umero de consultas externas. Assim, as cirurgias foram desconsideradas porque o impacto da sua remoc¸˜ao, segundo testado no modelo I, ´e residual. Tamb´em as urgˆencias foram exclu´ıdas por v´arios motivos, primeiramente porque o Instituto Portuguˆes de Oncologia do Porto Francisco Gentil (IPOP) n˜ao presta esse servic¸o e considerou-se pertinente a sua avaliac¸˜ao como unidade que pertence `a Regi˜ao de Sa´ude do Norte e porque, muito embora a sua remoc¸˜ao traga algum impacto no ´ındice de eficiˆencia, como verificado no cen´ario 5 da an´alise de sensibilidade ao modelo I, foi considerado um mal menor perante o cen´ario de a sua inclus˜ao levar `a violac¸˜ao das regras de ouro sugeridas por Banker et al. (1989). Bogetoft e Otto (2012) referem que, ainda que as regras de ouro sejam meras sugest˜oes, o seu cumprimento s˜ao os requisitos m´ınimos para que o modelo fornec¸a resultados razo´aveis (sem excesso de DMU eficientes). A Tabela 14 que consta do Apˆendice C mostra os resultados de eficiˆencia da abordagem BCC e eficiˆencia de escala que apenas avalia as 15 entidades hospitalares da Regi˜ao de Sa´ude do Norte (modelo R1). A Figura 6.4 apresenta a evoluc¸˜ao da eficiˆencia BCC de cada uma das unidades inclu´ıdas no modelo R1.
Figura 6.4: Evoluc¸˜ao da eficiˆencia BCC no modelo R1
A m´edia de eficiˆencia das 15 unidades, por ano, de 2015 a 2018, foi de 85%, 85%, 87% e 88%, respetivamente. Foi revelada uma melhoria do desempenho, isto ´e, no ano de 2015, 20% das unidades foram consideradas eficientes e, em 2018, esse valor subiu para 40%.
Como pode ser constatado pela Tabela 14 que consta do Apˆendice C ´e o CHTS a entidade hospitalar que ao longo de todo o per´ıodo da an´alise apresenta uma eficiˆencia global, revelando um desempenho ´otimo. Tamb´em o CHUP se mostrou uma entidade de desempenho ´otimo registando uma eficiˆencia global nos 3 primeiros anos de an´alise, obtendo uma eficiˆencia local no ano de 2018. O CHUSJ demonstrou uma eficiˆencia global nos dois primeiros anos de an´alise, revelando posteriormente uma eficiˆencia local. O IPOP revelou tamb´em uma eficiˆencia global nos 3 ´ultimos anos em an´alise. Al´em destes, o HSOG e o HSMM revelaram uma eficiˆencia global apenas nos anos de 2017 e 2018, respetivamente. As restantes entidades hospitalares revelaram ser ineficientes. A entidade hospitalar com pior desempenho demonstrado foi a ULSN que em todos os anos estudados n˜ao registou uma eficiˆencia superior a 50%. Vale ainda a pena destacar o crescimento positivo e expressivo do ´ındice de eficiˆencia do HSMM que, em 2015, indica 79% e em 2018 atinge a j´a referida eficiˆencia t´ecnica global. A Tabela 22 que consta do Apˆendice D identifica as potenciais melhorias que cada unidade considerada ineficiente deste subgrupo poderia ver na sua produc¸˜ao. A ULSN surge como a unidade que, tanto em consultas externas como em doentes sa´ıdos, poderia ter duplicado a sua produc¸˜ao em todos os anos considerados. Agora, ignorando as ULS, tamb´em o HML poderia ter realizado mais metade da produc¸˜ao, em consultas externas e doentes sa´ıdos, do que realizou. De igual modo, o CHMA poderia ter registado mais cerca de metade dos doentes sa´ıdos nos quatro anos analisados.
6.5.2 Modelo R2 - Regi˜ao do Centro
O modelo considerado com o objetivo de avaliar o desempenho das entidades hospitalares perten- centes `a Regi˜ao de Sa´ude do Centro considerou as mesmas vari´aveis que o modelo R1. A Tabela 15 que consta do Apˆendice C mostra os resultados de eficiˆencia segundo a abordagem BCC e a eficiˆencia de escala que apenas avalia as 9 entidades hospitalares da Regi˜ao de Sa´ude do Centro (modelo R2). A Figura 6.5 apresenta a evoluc¸˜ao da eficiˆencia BCC de cada uma das unidades inclu´ıdas no modelo R2.
Figura 6.5: Evoluc¸˜ao da eficiˆencia BCC no modelo R2
Como pode ser constatado o CHL, o CHUC, o HDFF e o IPOC s˜ao as unidades que apresentam ao longo dos 4 anos de an´alise uma eficiˆencia global. As entidades hospitalares restantes demonstraram ser ineficientes. Como j´a seria expect´avel, e havia sido revelado nos resultados no modelo I, as ULSG e
6.5 An´alise de Resultados dos Subgrupos Regionais
ULSCB foram as unidades de pior desempenho em todo o per´ıodo estudado. A ULSG revelou ser a pior em todos os anos, tendo um ´ındice de eficiˆencia a oscilar entre os 54% e os 61%. Por sua vez a ULSCB registou desempenhos entre os 63% e os 71%.
As oportunidades de melhoria das unidades ineficientes podem ser consultadas na Tabela 23 do Apˆendice D. `A excec¸˜ao das ULS que consistentemente surgem com uma melhoria potencial de mais de metade da sua produc¸˜ao, as restantes unidades apresentam uma melhoria potencial, em doentes sa´ıdos e consultas externas, n˜ao superior a 21%.
6.5.3 Modelo R3 - Regi˜ao de Sa ´ude de Lisboa e Vale do Tejo
O modelo considerado com o objetivo de avaliar o desempenho das entidades hospitalares perten- centes `a Regi˜ao de Sa´ude LVT considerou as mesmas vari´aveis que os modelos R1 e R2. A Tabela 16 que consta do Apˆendice C mostra os resultados de eficiˆencia segundo a abordagem BCC e a eficiˆencia de escala que apenas avalia as 10 entidades hospitalares da Regi˜ao de Sa´ude LVT (modelo R3). A Figura 6.6 apresenta a evoluc¸˜ao da eficiˆencia BCC de cada uma das unidades inclu´ıdas no modelo R3.
Figura 6.6: Evoluc¸˜ao da eficiˆencia BCC no modelo R3
Como pode ser constatado ´e o Instituto Portuguˆes de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPOL) a entidade hospitalar que ao longo de todo o per´ıodo da an´alise apresenta uma eficiˆencia global, revelando um desempenho ´otimo. Tamb´em o CHULN e o CHULC revelaram um ´otimo desempenho traduzido por uma eficiˆencia local em todos os anos da an´alise (reconhecida igualmente pelo estudo do Tribunal de Contas (2011)). A m´edia de eficiˆencia, segundo uma abordagem BCC, nos anos de 2015 a 2018 foram de 88%, 86%, 84% e 83%, respetivamente, revelando um decr´escimo gradual, por´em pouco expressivo. As unidades com pior desempenho neste subgrupo foram o CHBM, o CHS, o HDS e o CHMT. Estas quatro unidades, segundo os dados da Tabela 24 que consta do Apˆendice D, poderiam ter registado uma produc¸˜ao, no que se refere ao n´umero de doentes sa´ıdos e n´umero de consultas externas de mais cerca de metade do que registaram. Talvez este fen´omeno possa ser explicado pelo facto de estas serem as unidades mais afastadas da capital, neste grupo, e que por esse motivo tenham um volume de trabalho e heterogeneidade de casos, comparativamente `as restantes, que n˜ao lhes permita uma melhor otimizac¸˜ao
de determinados processos.
6.5.4 Regi˜oes do Alentejo e Algarve
Julgou-se interessante e pertinente analisar a eficiˆencia das entidades hospitalares pertencentes `as Regi˜oes de Sa´ude do Alentejo e Algarve, por´em a pequena amostra que totaliza 5 entidades hospitalares compromete a robustez da t´ecnica e impossibilita o respeito pelas regras de ouro (mencionadas na secc¸˜ao 5.3) de implementac¸˜ao, pelo que a sua an´alise foi desconsiderada.