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No que diz respeito a formação de técnicos em mecânica na mesorregião metropolitana de Belém, o Campus Belém do IFPA, oferece curso nas modalidades Técnico Integrado ao Ensino Médio, PROEJA, e subsequentes. Desses nos interessa para o presente estudo o curso de Técnico Mecânico do PROEJA.

Inicialmente vamos verificar o perfil definido pela Instituição, no curso, bem como o perfil exigido pela empresa, onde se realizou a entrevista. O perfil do técnico em mecânica do Campus Belém, deve estar de acordo com o proposto no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos. Segundo o Catálogo, o técnico em mecânica

Atua na elaboração de projetos de produtos, ferramentas, máquinas e equipamentos mecânicos. Planeja, aplica e controla procedimentos de instalação e de manutenção mecânica de máquinas e equipamentos conforme normas técnicas e normas relacionadas à segurança. Controla processos de fabricação. Aplica técnicas de medição e ensaios. Especifica materiais para construção mecânica. (MEC, CATÁLOGO NACIONAL DE CURSOS TÉCNICOS, 2009)

Em matéria publicada pelo jornal O LIBERAL, no dia 03/10/2011, Caderno PODER, sobre convênio firmado entre a empresa Vale e o Instituto Federal do Pará, para implantação do curso de mecânica em município paraense, está expresso o perfil do profissional exigido pela empresa

A Vale e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), assinam hoje, um convênio de cooperação para

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implantação de cursos técnicos em mecânica nas cidades onde a Vale mantém suas operações. O objetivo é contribuir com a formação e qualificação de novos profissionais para o mercado de trabalho. A assinatura do convênio será realizada às 09 horas, na reitoria do IFPA, na Avenida Almirante Barroso.

(...)

O curso Técnico em Mecânica oferecerá formação integrada abrangendo técnicas e conhecimentos específicos sobre a área. Os alunos aprenderão a planejar, aplicar e controlar procedimentos de instalação e de manutenção mecânica de máquinas e equipamentos conforme normas técnicas e normas relacionadas à segurança, bem como controlar processos de fabricação e aplicar técnicas de medição e ensaios. (O LIBERAL, Poder, 2011)

Como podemos observar, o perfil do técnico em mecânica é o mais amplo possível e voltado para a indústria. Propõe a formação de um profissional flexível e polivalente, atuando em várias áreas, desde a elaboração de projetos, até a especificação de materiais, condizente com as exigências do novo processo produtivo capitalista. Podemos observar a proximidade existente com o perfil proposto pelo MERCOSUL Educativo para a área da indústria.

A partir deste acordo, os técnicos de nível médio da Área da Indústria, formados pelos sistemas educativos do MERCOSUL, respondem ao Perfil profissional genérico que apresenta competências nas funções de projetar, operar, montar, instalar, manter e administrar. (MERCOSUL EDUCATIVO, 2005, p. 15)

Logo, o perfil profissional na concepção mais recente diz respeito a um conjunto de competências e habilidades exigidas para o exercício de uma determinada profissão. Partindo desse pressuposto, foi perguntado à entrevistada do RH, que perfil profissional é exigido pela empresa para admissão de profissionais na área de mecânica. Obtivemos com resposta:

Profissional que tenha habilidades para exercer as mais variadas funções na área da mecânica de automóveis. Este profissional pode ter certificação de técnico em mecânica ou não. Alguns funcionários foram admitidos sem essa certificação, porém passaram por treinamentos, aperfeiçoamentos e atualizações que lhes deixaram aptos a colaborar com a empresa. (Responsável pelo RH da EMPRESA).

Vários aspectos podem ser observados na resposta da empresa. Primeiro o caráter da polivalência — habilidade para exercer as mais variadas funções, profissional

102 qualificado. É recorrente a questão da exigência de um profissional flexível, com conhecimentos diversos, com competências adquiridas, podendo exercer sua mobilidade, desenvolver várias atividades no processo produtivo. Outro aspecto muito curioso é a exigência ou não da certificação — o que importa é o capital humano, o conhecimento prático para desenvolver as funções às quais for destinado. Caso o indíviduo não seja portador de certificação, a empresa treina, aperfeiçoa, ou atualiza, de acordo com as necessidades do momento. Essa é outra característica dos mercados capitalistas globalizados. Foi perguntado ainda se há profissionais em condições de assumir tal tarefa (condizente com o perfil apresentado). A entrevistada respondeu que,

Sim. A empresa consegue encontrar profissionais que atendam suas necessidades, tenham estes, certificação ou não. A Wolksvagem oferece cursos de aperfeiçoamento e atualização profissional. (Responsável pelo RH da EMPRESA).

Quando foi perguntada de onde se originam esses profissionais (alunos técnicos de IF ou isso não conta), respondeu:

A ampla maioria dos profissionais que têm certificação são procedentes do SENAI. (Responsável pelo RH da EMPRESA).

Bem, como a própria empresa declarou, a questão da certificação não tem muito peso na hora de escolher o profissional, isso não conta. Mas o fato da maioria dos profissionais contratados pela empresa, com certificação, ser do Sistema “S” (SENAI), indica que existe algum tipo de articulação entre empresas e Sistema “S”. Por isso quando foi perguntado à empresa se há articulação entre a empresa e o IFPA visando ajustar a formação dos egressos de seus cursos às necessidades da empresa, a entrevistada afirmou:

Não há articulação entre a empresa e o IFPA. Essa articulação seria interessante tanto para a empresa quanto para os egressos do IFPA, porém o IFPA nunca fez nenhum contato com a empresa. O SENAI, por sua vez, criou um canal de comunicação com a empresa, que sugere que o IFPA crie uma ferramenta semelhante para propiciar uma articulação entre as partes. Ainda assim, pela baixa oferta, muitas vezes a empresa tem a necessidade de recorrer a empresas

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especializadas em consultoria para encontrar o profissional desejado. (Responsável pelo RH da EMPRESA).

A resposta da empresa nos remete à fala do gestor do Campus Belém/IFPA quando foi perguntado sobre qual a relação dos cursos com o mercado de trabalho. Inicialmente enfatizou que tipo de empresa requer os cursos técnicos: grandes empresas estabelecidas na região. São as necessidades das grandes indústrias que motivam a oferta de curso técnico. Ressalta que tais empresas exigem qualificação e qualidade no resultado da formação, e, muitas vezes investem na realização de cursos pela Instituição.

Dessa forma, existe a ausência de uma relação empresa-escola, de forma que os técnicos formados possam ser direcionados para as empresas locais, e não só para as grandes empresas. Observe que existe a necessidade dessa relação por parte da empresa — seria interessante — principalmente pela falta do profissional desejado, quando existe a necessidade de contratar. Esse aspecto revela que existe consonância entre o perfil requerido pela empresa, e o construído no Campus Belém do IFPA.

E em relação ao PROEJA, o IFPA tem curso de Mecânica (PROEJA). Indagamos se havia no quadro de funcionários (da empresa) egressos do curso Proeja do IFPA e em caso de existência, se estes estão atuando na sua área de formação. Perguntamos ainda como os funcionários são capacitados na empresa.

Não há nos registros do Departamento de Recursos Humanos da empresa nenhum egresso vindo do IFPA. (Responsável pelo RH da EMPRESA).

A resposta da empresa, certa forma, reflete a realidade dos cursos do PROEJA do Campus Belém, pois, a turma que iniciou sua formação no ano de 2007, deveria ter saído em 2011. Devido a vários problemas, de falta de professor para completar as disciplinas, lançamento de notas em atraso, dentre vários outros, a certificação de alguns alunos só foi possível ser feita no primeiro semestre de 2012.

2.4. A relação das ocupações técnicas com os cursos do Campus Belém/IFPA.