2. Physically-based simulation of biological tissues 1. Constraints for Soft Tissue Modeling
2.2. Deformable Tissue Models
Ao escolher a presente instituição escolar, denominada Instituto Santa Catarina de Sena no período supracitado, tive a oportunidade de conhecer a realidade institucional e as ações educativas desenvolvidas pelas missionárias italianas que fizeram parte do processo de ensino-aprendizagem, a priori, de meninas pobres, órfãs e desvalidas. E que mais tarde, houve a necessidade de se agregar à educação de meninas desvalidas à de meninas elitizadas que viviam na capital paraense. Realidades distintas, mas que fizeram parte do contexto social republicano, compreendendo-o por meio das ações dos sujeitos e de suas práticas. Nesse sentido, a partir da política de modernidade que se instalava no Brasil e, particularmente em Belém, a palavra “civilidade” se tornou sinônimo de boas maneiras, urbanidade, doutrinamento, instrução, polidez e boa educação que, por sua vez, também estavam imbricadas no universo educacional saviniano.
Para subsidiar a análise das fontes desta pesquisa, elegeu-se a matriz teórica da História Cultural de Roger Chartier, uma vez que as evidências das práticas e representações que envolvem este estudo estão ancoradas nos documentos que lhe deram suporte. Assim sendo, observa-se que a História Cultural, entendida por Chartier (2000) como fundamentação de um possível diálogo com a História das Instituições Educativas, como percurso interpretativo e como uma instituição escolar, produz sua história que estão vinculadas às práticas educativas associadas a uma representação de sociedade que se desejava atingir naquele momento específico do passado.
Assim, a representação que se tem das práticas e das experiências vividas estabelece uma relação direta com o uso da linguagem de forma ampla, como veículo entre os sujeitos produtores e receptores da cultura no âmbito social que, de certo modo, está respectivamente concatenado ao “modo de fazer” e ao “modo de ver” a cultura. Diante disso, é imprescindível esclarecer o que são práticas culturais, que por conceituação “são práticas comuns, através das quais uma sociedade ou um indivíduo vivem e refletem sobre sua relação com o mundo, com os outros e com eles mesmos”, (CHARTIER, 2009, p. 34). Logo, Barros (2005) destaca que:
São práticas culturais não apenas a produção de um texto ou uma modalidade de ensino, mas também os modos como, em uma dada sociedade, os homens falam e se calam, comem e bebem, sentam-se e andam, conversam e discutem, morrem ou adoecem, tratam seus loucos, ou abrigam e recebem seus estrangeiros (BARROS apud CHARTIER, 2005, p. 131).
Diante do exposto, entende-se que o homem é condicionado a viver em um mundo plural, onde a subjetividade está presente na forma de apropriação de suas verdades e conceitos. Parte-se da necessidade humana de produzir sua própria cultura, onde o texto está articulado com a representação cultural, política, social, histórica do período que o Instituto Santa Catarina de Sena estava inserido. Nesse aspecto, “a história cultural tal como a entendemos, tem por principal objeto identificar o modo como em diferentes lugares e momentos uma determinada realidade social é construída e pensada dada a ler” (CHARTIER, 2000, p. 16-17).
Sob a ótica da História Cultural, o referido historiador conceitua representação:
Desta forma, pode-se pensar uma história cultural do social que tome por objeto a compreensão das formas e dos motivos – ou, por outras palavras, das representações do mundo social – que, à revelia dos atores sociais, traduzem as suas posições e interesses objetivamente confrontados e que, paralelamente, descrevem a sociedade tal como pensam que ela é, ou como gostariam que fosse (CHARTIER, 2000, p. 19).
Sobre apropriação, Chartier (2000) define que:
A apropriação, tal como a entendemos tem por objetivo uma história social das interpretações, remetidas para as suas determinações fundamentais (que são sociais, institucionais, culturais) e inscritas nas práticas específicas que as produzem. Conceder deste modo atenção às condições e aos processos que, muito concretamente, determinam as operações de construção de sentido (na relação de leitura, mas em muitas outras também) é reconhecer, contra a antiga história intelectual, que as inteligências não são desencarnadas, e, contra as correntes de pensamento que postulam o universal, que as categorias aparentemente mais invariáveis devem ser construídas na descontinuidade das trajetórias históricas (CHARTIER, 2000, p. 26-27).
por outro lado, esta história deve ser entendida como o estudo dos processos com os quais se constrói um sentido. Rompendo com a antiga idéia que dotava os textos e as obras de um sentido intrínseco, absoluto, único – o qual a crítica tinha a obrigação de identificar –, dirige-se às práticas que, pluralmente, contraditoriamente, dão significado ao mundo. Daí a caracterização das práticas discursivas como produtoras de ordenamento, de afirmação, de divisões; daí o reconhecimento das práticas de apropriação cultural como formas diferenciadas de interpretação (CHARTIER, 2000, p. 19-27).
A partir dessa analogia, compreende-se que considerar um objeto como produto histórico criado pelo homem é assumir que eles possuem representações diferenciadas conforme o contexto nos quais elas estejam inseridas. Para tanto, os diferentes tipos de texto são considerados objetos culturais a serem analisados e explorados como fonte explanatória nesta pesquisa, a qual se deteve em mapear as fontes escritas e orais extraídas ao longo deste estudo, porque o ato de ler um texto, segundo Chartier (1990):
decifrar um sistema de pensamento consiste, pois, em considerar conjuntamente essas diferentes questões que constituem na sua articulação, o que pode ser considerado como próprio objeto da história intelectual (CHARTIER, 1990, p. 65).
Assim, munida das fontes documentais do Instituto Santa Catarina de Sena e utilizando Roger Chartier como suporte teórico-metodológico, por se apropriar da história cultural que tange ao uso das práticas e representações como objeto de análise historiográfica desta pesquisa, conduziu-se à leitura e releitura das fontes em um solo fértil de significações. Não obstante, é importante ressaltar que as pessoas se relacionam e dinamizam-se, compartilhando e produzindo conhecimento na incursão das práticas na sociedade, visto que estas se perpetuam nela como parte de sua cultura. Em complemento Chartier (1990) sinaliza que:
As percepções do social não são de forma alguma discursos neutros: produzem estratégias e práticas (sociais, escolares, políticas) que tendem impor uma autoridade à custa de outros, por elas menosprezadas, a legitimar um projeto reformador ou a justificar para os próprios indivíduos, as suas escolhas e condutas (CHARTIER, 1990, p. 17).
Sob o aspecto educacional, a História Cultural está introduzida no estudo do Instituto Santa Catarina de Sena como uma instituição escolar do início do século XX. Os apontamentos feitos no decorrer da pesquisa dialogam com os objetivos de análise do
objeto, pois estudar uma instituição requer estudar não somente a escola como um espaço qualquer, mas sim compreender as práticas e suas representações as quais estão inseridas no escopo cultural dos grupos sociais que manipulavam os discursos direcionados aos seus interesses, legitimando sua forma de domínio e poder no âmbito social, político, econômico e cultural.
Entender uma instituição escolar em uma determinada conjuntura sociocultural é interpretar as narrativas que desvelam a identidade dela e dos sujeitos ali inseridos, logo a partir da história Cultural, o espaço educacional é responsável por práticas com finalidade de educar e modelar os corpos e mentes dos indivíduos para formar um caráter social irretocável. Em virtude disso, tais práticas são resultados das representações e das necessidades dos homens.