5. Discussion
5.2 Defining prostate cancer death – Paper II
O que aqui queremos considerar como o “retrato da minoria cigana”, tem de ser enquadrado, por um lado, no que se verifica a nível mais alargado, isto é, noutros países da Europa e, por outro, num contexto que funcione como pano de fundo de modo a sustentar a realidade social portuguesa onde se encontra, também imersa, a minoria cigana, como tantos outros grupos minoritários.
Questionando-nos a nível das classes sociais, como se considera o grupo da minoria cigana? Giddens (2004) faz referência ao termo “subclasse”. Diz este autor que este termo é utilizado “para descrever o segmento da população localizado no fundo da estrutura de classes” (p.299). Giddens faz uma caracterização sumária deste tipo de grupo, dizendo que os “membros da subclasse têm níveis de vida significativamente mais baixos do que a maioria das pessoas na sociedade” (idem). Que também se caracterizam por viverem em condições precárias, são marginalizados pela maioria da sociedade e votados à exclusão social.
Assim, agarrando a ideia de Giddens, podemos considerar como subclasse esta minoria étnica.
Face à questão do trabalho, segundo as definições de Bourdieu (1979), estes seriam designados por “pequenos comerciantes”. Almeida, Costa e Machado, (1990) categorizam, a minoria cigana, a nível do trabalho que desenvolvem, como “pequena burguesia independente”. Machado (2002) reforça estes atributos ou categorias, considerando que estamos em presença de feirantes “legalizados” com responsabilidades civis.
Para o presente trabalho, teremos em consideração o enquadramento acima descrito sendo nosso interesse classificar os ciganos do ponto de vista teórico como “trabalhadores independentes” de acordo com as características dominantes desta minoria étnica. No entanto, tal decisão não pretende descurar as restantes teorias de suporte e os seus contributos, mas apenas atribuir uma pertença de classe.
Também interessa ter presente as características daquilo que temos como formas de escolarização, contempladas na lei como um direito previsto e aplicado junto da população em geral.
Sobre a forma como a escola é vista em alguns países da Europa, os trabalhos de Liégeois (1987, 1989, 1994, 2001) sobre a minoria cigana em relação à problemática da escola, merecem a nossa atenção, uma vez que é um autor que vem dando alguns contributos para o entendimento das dinâmicas escolares e familiares dos ciganos.
Num panorama internacional podemos constatar que as escolas têm sido afastadas das comunidades ciganas (Liégeois, 1994). Este facto verifica-se em Portugal, mas também em muitos outros países europeus como em Espanha, França, Alemanha, etc, em que as crianças ciganas possuem baixos níveis de escolaridade e uma taxa de absentismo e abandono escolar bastante elevada.
Embora se verifiquem casos isolados de indivíduos escolarizados pertencentes a grupos de etnia cigana, o Relatório síntese elaborado para a Comissão Europeia tem dados que revelam a existência de ciganos alfabetizados desde há muito tempo, mas consideram que uma boa parte se enquadra naquilo que se pode chamar autodidacta. É assim uma vez que para esta minoria étnica a realidade escolar apenas entrou no seu quotidiano há poucos anos, razão pela qual ainda não é prática efectiva e corrente para todos os seus elementos (Liégeois, 1994:83- 84).
Liégeois, considera que a educação escolar está institucionalizada e foi concebida com base nas atitudes, comportamentos e valores, da sociedade dominante. Diz este autor que isto “choca” com a educação cigana em particular, que não foram tidas em linha de conta os ideais e a filosofia de vida do cigano, originando daí um desajuste e falta de identificação com o que é transmitido na escola, fracassando a escolarização desta minoria. Este facto, até aos dias que correm, é difícil de superar.
Mais refere este autor que em muitos destes países a cultura cigana é vista como um “handicap mental”, resultando daí um estigma, por um lado para os ciganos, e uma categorização, por outro, feita pelo poder dominante. A título de exemplo, na Alemanha a etnia cigana chegou a ser tida como diferente ao ponto de as crianças ciganas serem integradas em turmas de educação especial, porque entram na categoria de “deficiência mental” (Liégeois, 1994, 1998).
Da revisão de literatura, Casa-Nova (2006:162)3 diz o mesmo, fazendo referência a Ruiz e Schlambach (2004). Segundo esta autora, verifica-se, que na Alemanha há uma forma de lidar com a cultura cigana, transformando a diferença cultural em deficiência. Este fenómeno parece estar um pouco generalizado em alguns países da comunidade europeia. Pois as crianças desta minoria frequentam escolas “diferentes”da maioria.
Em Portugal, este facto não se verifica. O que se verifica, isso sim, segundo a afirmação de Casa-Nova (2006:162) é que as atitudes que as crianças desenvolvem na escola, significam “a vulnerabilização da criança num meio que, não lhe sendo hostil, é desconhecido e ameaçador,
na medida em que não funciona segundo as regras que conhece”, o que reflecte a dificuldade em desenvolver relações e a adaptação fora do seu contexto sociocultural.
Desta breve exposição, parece-nos que o “retrato da minoria cigana” não sofreu as mudanças que permitam dizer que há aproveitamento em “massa” dos recursos escolares. Vamos ver o que se passa mais concretamente em Portugal. Assim, para uma análise mais detalhada, desdobramos este capítulo em dois pontos: sobre a realidade que traz ao de cimo as questões do insucesso e sucesso escolares em Portugal, onde se procuram de uma forma mais sintética os momentos e valores que marcam estas duas questões e, um outro ponto, onde procuramos caracterizar a minoria étnica cigana, dando maior atenção às relações que se desenvolvem entre a família e a escola.