A parte final da formação contou com o retorno às discussões da aplicação da sessão didática dos professores, com o intuito de verificarmos seu desempenho, erros e acertos, na visão de cada professor, e o encaminhamento de uma nova aplicação. O encontro do dia 22 de novembro foi destinado a essa atividade.
Essa parte de nossa pesquisa foi prejudicada em decorrência de um conjunto de fatores: (1) o calendário da escola, por conta do período de greve, muito restrito em datas para essa atividade; (2) o período de recuperação escolar, que limita a quantidade de aulas de cada professor; (3) o professor Wellington, que não era efetivo na escola e sim professor temporário, teve seu contrato encerrado.
O diálogo em torno da atuação docente, detalhado nas sessões anteriores que tratam das sessões didáticas nesta pesquisa, aponta para a necessidade de aprofundamento sobre o uso da pergunta e formalização do conceito de função na fase final da Sequência Fedathi. A reflexão com os professores com suporte nessas ideias conduziu para a necessidade de uma nova aplicação, no entanto, não foi possível a conclusão de nosso cronograma.
Posterior aplicação poderá ainda ser realizada pelos professores mediante um curso de aprofundamento a ser realizado por nós, entretanto, seus resultados não poderão mais ser expostos nesta pesquisa.
Com relação ao professor Wellington, antes de sua saída da escola, ainda tivemos uma conversa sobre a execução de sua sessão didática. Fizemos uma análise dos vídeos e do relatório produzido mediante o material coletado – planejamento da sessão didática, relatório final, vídeo da aula. Com isso, foi possível a nova aplicação, no entanto, em uma escola que não era nosso locus de pesquisa. O professor, que também atuava em uma outra escola, pôde aplicar sua sessão didática e produzir um novo relatório com seus resultados. Vale destacar a
noção de que a aprendizagem do professor nesta formação proporcionou seu trabalho de
conclusão do curso de Licenciatura em Matemática, conforme veremos adiante.
4.4.1 Indo além do curso de formação continuada
O emprego de metodologias de ensino deve ser incorporado à prática escolar, de modo que o professor possa atuar de modo natural, isto é, a integração de novas ideias deve ser consolidada à práxis, legitimando o fazer docente espontaneamente. Por conseguinte, destacamos, também, como resultado desta pesquisa, a indicação para a consolidação de práticas que relacionam o ensino de conceitos matemáticos mediante a proposta Sequência Fedathi.
A formação continuada que propusemos na escola Adauto Bezerra, ao inserir a Sequência Fedathi, buscava verificar as contribuições desta proposta no ensino do conceito de função. Assim, verificamos que o aprendizado ao longo da formação dos professores foi importante para a aplicação de uma sessão didática na qual o conteúdo era o conceito de função. Num caso particular, acompanhamos o professor Wellington, que vivenciou, após a formação continuada, uma experiência com a Sequência Fedathi em outra escola onde trabalhava.
Segundo ele, o uso de novas metodologias de ensino possibilita, ao professor de Matemática, novos horizontes para atuar nessa disciplina e promove a interação professor/aluno/saber. Nesse sentido, ampliando seus estudos e conhecimentos, desenvolveu a pesquisa intitulada A Sequência Fedathi no ensino de função quadrática: uma experiência com alunos da 9ª série do ensino fundamental cujo objetivo foi verificar as contribuições da Sequência Fedathi no ensino de função quadrática por meio da resolução de problema.
A sessão didática planejada pelo professor contou com a aplicação de cinco atividades distribuídas em três aulas e previu, em cada uma delas, muitos dos fundamentos da proposta Fedathi: acordo didático, plateau, pergunta, erro, por exemplo.
Aula 1 - O zero da função quadrática (Atividades 1 e 2). Aula 2 - O gráfico da função quadrática (Atividades 3 e 4).
É importante ressaltar que a vivência de cada uma das fases foi bastante detalhada em todas as atividades propostas. Na aula 1 (Quadro 20) o professor evidencia a participação dos estudantes na fase solução, na qual eles tiveram liberdade para expor os modelos desenvolvidos para cada atividade e, ainda, a possibilidade de interação com o grupo de alunos.
Quadro 20 – Atividades propostas na Aula 1
ATIVIDADES
AULA 1
Uma bola é largada do alto de um edifício e cai em direção ao solo. Sua altura h em
relação ao solo, t segundos após o lançamento, é dada pela expressão: h = 25t² +
625. Após quantos segundos do lançamento a bola atingirá o solo?
Em um retângulo, uma dimensão excede a outra em 4 cm. Sabendo que a área do retângulo é 12 cm², determine suas dimensões.
Fonte: Nascimento (2017)
De acordo com o professor Wellington, “essa metodologia possibilitou que os estudantes fossem mais participativos na sala de aula, uma vez que as discussões foram encorajadas e incentivadas pelo docente, fazendo o aluno ser fator primordial na aprendizagem” (NASCIMENTO, 2017, p.45).
Ao final da aplicação desta sessão didática, o professor verificou a melhora dos alunos no que tange a motivação e participação durante a aula, destacando os depoimentos de alguns estudantes que consideraram a aula mais dinâmica, permitindo discussões satisfatórias entre os alunos sobre o conteúdo ensinado.
Importante é afirmarmos que os conhecimentos acerca da proposta Fedathi foram assimilados e incorporados pelo professor em sua dinâmica escolar em situações que escapam a aplicação no formato de pesquisas – a que ele atuou como participante e que foi o próprio pesquisador.