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Decision-makers, Foreign Policy, and Foreign Policymaking

The Essence of Foreign Policy Analysis (I):

6.2 Decision-makers, Foreign Policy, and Foreign Policymaking

Os visitantes britânicos foram esplendidamente recebidos por todas as terras onde estiveram, não se registando “uma só mancha na fidalguia do sentimento algarvio.”15

Nas vésperas da sua chegada, no domingo 23 de Fevereiro, realizou-se no Teatro Circo de Faro uma conferência proferida por Emílio Costa, membro da Sociedade Propaganda de Portugal, subordinada ao tema “Turismo e sua influência”.

13 O Sul – 23/02/1913. 14 O Ocidente – 28/02/1913. 15 O Algarve – 02/03/1913.

Deu ênfase ao aspecto económico do turismo, dando, como exemplo, a Suíça, a Itália e a Noruega que “anualmente recebem milhões de francos provenientes dos ricos viajantes estrangeiros”.16 Frisou a importância

de dotar o país de boas condições de acolhimento, em matéria de hospedagem, viação, restauração e outros problemas que se prendem com o turismo.

No dia seguinte, cerca das cinco horas e meia da manhã, chegavam à estação de caminho de ferro de Portimão, os visitantes ingleses. A esperá-los encontrava-se o Presidente da Comissão Municipal Administrativa de Portimão, António Dias Machado, António Teixeira Biker, do núcleo de propaganda daquela vila e os membros da Comissão de recepção, Corte Real, Bívar Weinholtz e José Pearce d’Azevedo, também cônsul inglês, e Luís Mascarenhas, representante da Imprensa Algarvia. Com os ingleses vinham Jaime Pádua Franco, um dos principais obreiros desta visita da Sociedade Propaganda de Portugal, Henrique Taveira, o Eng. Manuel Roldan, natural do Algarve, Vasconcelos Leone e Carlos Bramas, todos dirigentes da entidade organizadora. Faziam, ainda, parte da comitiva, o Dr. Amadeu Ferreira de Almeida, representando o ministro dos Negócios Estrangeiros e Joshua Benoliel (1873 – 1932), o famoso repórter fotográfico da Ilustração Portuguesa. Vinham, igualmente, no comboio os três músicos, César Leiria, Manuel Silva e Aroldo Silva, que a entidade organizadora convidou para tocarem durante o jantar de Portimão e na sessão solene que se lhe seguiu. Depois dos cumprimentos e da distribuição pelos automóveis que a Sociedade Propaganda de Portugal enviou para o Algarve, dirigiram-se para o Hotel Viola, a fim de tomarem o pequeno-almoço, onde foram recebidos por muita gente, com aplausos e vivas. Antes de partirem para Monchique, os ingleses quiserem ir ver a Praia da Rocha, tendo ficado muito agradados com a beleza natural da praia. Em Monchique eram esperados pelas autoridades locais, porém, devido ao mau tempo que se fez sentir na noite anterior, não foi possível realizar o passeio à Foia, não obstante o expressivo número de burros colocados à disposição dos membros da comitiva.

A próxima paragem foi em Lagos, onde chegaram por volta das 13 horas, tendo sido recebidos por membros da Câmara, comissão de recepção e muita população que enchia por completo as ruas da cidade. O almoço teve lugar na casa do capitão Bento Formosinho 16 O Sul – 02/03/1913

Figura 10 Amadeu Ferreira de Almeida (1876 – 1966). Natural de Faro, foi Diplomata de carreira e escritor. Foi destacado para acompanhar oficialmente esta visita, em representação do Ministro dos Negócios Estrangeiros.

de onde se avistava o panorama da baía de Lagos, que muito agradou aos ingleses. Depois dos brindes e troca de palavras amistosas, foram visitar os sítios da Piedade, Santo Estêvão, Praia da Luz e Escola Industrial, regressando novamente ao Hotel Viola, na Praia da Rocha, onde foi servido um esmerado jantar para cerca de 50 pessoas: “nesta segunda refeição, sobre a mesa, por entre as iguarias, predominavam os doces de especialidades algarvias e viam-se as conservas oferecidas pelo Sr. João Júdice Fialho que mandou preparar algumas especiais para apresentar aos estrangeiros, foi também servida água das Caldas de Monchique, ofertada pelo Sr. Manuel Franco Guerreiro.”17

Houve troca de lembranças, fizeram-se brindes, e depois foram para o teatro barraca da vila, onde foram recebidos pelas pessoas que já se encontravam na sala, com muitos aplausos. Subiu ao palco o Dr. Amadeu Ferreira de Almeida Carvalho para uma conferência, começando por dirigir palavras muito simpáticas à Sociedade Propaganda de Portugal e aos seus dirigentes, referindo-se de uma forma muito elogiosa a Jaime Pádua Franco, natural de Portimão e principal organizador da vinda dos jornalistas ingleses ao Algarve. Falou, numa primeira parte em português, sobre as belezas e os encantos da região e do seu aproveitamento turístico. Depois de uma breve pausa, retomou o seu discurso em inglês, abordando

fundamentalmente aspectos

históricos que ligam os dois países, Portugal e Inglaterra. Terminou lançando vivas aos dois países, ao 17 O Algarve – 02/03/1913

Figura 11 e 12Fotos do ilustre fotógrafo da Ilustração Portuguesa Joshua Benoliel. Jornalistas ingleses em Monchique.

Figura 14Entrada em Faro sob um arco de triunfo com a palavra «Welcome». À frente seguia o carro da comissão organizadora.

que a assistência correspondeu

delirantemente. Seguiu-se o

Concerto com os músicos atrás mencionados.

No dia 25 de manhã, António Teixeira Biker fez uma espécie de visita guiada às praias, “mostrando- lhes aquele encantamento de penedos, furnas, galerias e rochas abruptas que faziam o pasmo e a admiração dos visitantes.”18 Foram,

na mesma correnteza, visitar uma das fábricas de conservas do Sr. Fialho, em reconhecimento e gratidão pela forma como aquele empresário cooperou no sucesso da estadia dos ingleses em Portimão.

A esta hora já Faro estava toda engalanada para receber os ilustres visitantes estrangeiros. O tempo da viagem entre as duas cidades demorou mais que o previsto, devido ao mau estado de conservação da estrada. O Vice-cônsul inglês em Faro e Tavira, Cândido Pereira Santos, o advogado António Miguel Galvão, José Teodoro Coelho Júnior e Vidal Belmarço, membros da Comissão de Recepção e o Dr. Artur Águedo foram receber a comitiva ao Patacão. À entrada de Faro, foi colocado um arco de triunfo, ornamentado com flores e verdura, encimado com a palavra ‘’Welcome’’. A comitiva chegou por volta das treze horas e meia, com cerca de uma hora e meia de atraso. A recebê-los estava a Filarmónica Artistas de Minerva e uma enorme multidão de pessoas que gritavam freneticamente ‘’Viva a Inglaterra’’, ‘’Viva o Povo Inglês’’, ‘’Vivam os nossos visitantes’’. Quando passaram o arco, a Tuna Académica de Faro e a Filarmónica Artistas de Minerva tocaram o Hino Inglês seguido de A Portuguesa. 18 O Algarve – 02/03/1913

Figura 13Chegada a Lagos da comitiva.

Dirigiram-se para o Governo Civil onde foram recebidos pelo Governador Civil, Dr. Adelino Furtado e restantes autoridades, indo de seguida para o Club Farense onde foi servido um almoço, fornecido pela casa Bijou de l’Avenue de Lisboa.

De início, um sexteto sob a regência do maestro Rebelo Neves tocou o Hino Inglês. No fim da refeição, trocaram-se brindes, tendo o Dr. António Galvão proferido um brilhante discurso em inglês, saudando o Rei Jorge V de Inglaterra e Manuel de Arriaga, como símbolos dos dois países aliados. Agradeceu Mr. Figher, em tom caloroso, referindo-se à forma simpática como estava a decorrer a visita, às relações de amizade entre os dois povos, salientando “as festas que lhes têm sido feitas, estando imensamente penhorados para com o povo português.” Falou depois o Governador Civil, em francês, o Sr. Vasconcelos Correia, Vice-Presidente da Sociedade Propaganda de Portugal, o Sr. Cândido dos Santos, vice-cônsul inglês, que ofereceu a todos um livrinho da sua autoria sobre o Algarve em língua inglesa e, por fim, o Dr. Ferreira de Almeida, também ele natural de Faro, onde não vinha há 18 anos, conforme frisou na altura, secretário da Embaixada em Londres e representante do Ministro dos Negócios Estrangeiros. Com muitos Vivas a Inglaterra e Portugal e ao som da música, terminou esta simpática festa.

Seguidamente, dirigiram-se a pé para o Museu Marítimo, estando a Rua de Santo António bem enfeitada com colchas nas janelas e muito povo na rua. Visitaram a Alameda, observaram o panorama da cidade a partir de Santo António do Alto, e de carro foram para Estoi, onde viram cuidadosamente as ruínas de Milreu e o jardim do Visconde de Estoi, com muitas aclamações do povo e foguetes. Regressaram às 18 horas ao Club Farense onde tomaram chá, tendo partido para Olhão, por volta das 19 horas, e dali para Lisboa.

CONCLUSÕES

O Algarve durante anos e anos esteve esquecido e abandonado à sua sorte, por razões históricas e geográficas, não obstante as suas riquezas naturais, o labor e a pujança das suas actividades comerciais e industriais. A sua ligação ferroviária ao resto do País, embora tardia, veio dar um novo alento e uma nova esperança, no sentido de ser dada uma atenção especial que até aqui lhe tinha sido negada. Com a implantação da República, uma nova época, mais promissora, se perspectivou para a região. A realização do IV Congresso

SAUDAÇÃO

AOS ILUSTRES JORNALISTAS INGLESES O comércio todo veste-se de gala, E no mais nobre empenho não hesita; Cada qual se anima e no outro se iguala P’ra bem receber esta visita! Sede, pois bem vindo ó povo Londrino, À cidade de Faro que é amiga vossa! E vereis agora se alguém nos vence No fraterno amor, ou igualar-nos possa! Oh! Cidade de Londres, terra da beleza! Onde bem só casa a doce liberdade Com os mil encantos da alta natureza Aqui te saudamos da melhor vontade Da forma mais simples e bem portuguesa Num grandioso abraço de fraternidade!

António Augusto dos Santos Gil Faro 25-02-19131

Internacional de Turismo que se realizou em Lisboa, em Maio de 1911, despertou nos algarvios a vontade e a necessidade de participarem no processo de desenvolvimento da incipiente indústria do turismo, porque se entendia que esta parte do território era a que melhores condições reunia para ser apelidada de região do turismo. Tinha condições climatéricas, de luz e sol sem comparação, praias de uma beleza única e todo o Algarve era um jardim. Embora lhe faltassem os meios fundamentais para o turismo: alojamento digno, vias de comunicação em bom estado, um comboio rápido que ligasse o Algarve à capital do País e todo um conjunto de infra-estruturas necessárias ao turismo.

Foi, desse modo, que em 1913, a Sociedade Propaganda de Portugal patrocinou a visita de uma comitiva de jornalistas ingleses, numa acção de marketing, avant la lettre, para falarem e escreverem lá fora bem do nosso País. Nessa ordem de ideias, “do pouco que puderam ver no seu rápido passeio e do trato que tiveram com portugueses, alguma coisa porventura, terá influído em seu espírito para destruir más impressões que tivessem pelo muito mal que lá fora se tem propalado a respeito do nosso País, nos últimos tempos.”19 Foram recebidos principescamente

pelas autoridades e população portuguesa, viram o que se lhes quis mostrar, o melhor que tínhamos. Para que “ao regressarem aos seus nevoeirentos países - estamos certos – os senhores turistas, hão-de sentir, por vezes frémitos de saudade do lindo País encantado que deixaram – lindo país de misticismo e heroísmo, de sonho e lenda…”.20

De qualquer modo, esta iniciativa da Sociedade Propaganda de Portugal, a par de muitas outras desenvolvidas, foi extremamente positiva para o Algarve e para o País, porque deu a conhecer no estrangeiro as nossas belezas naturais e riquezas artísticas, no início de uma longa caminhada que conduziu à posição que, hoje, possuímos no contexto do turismo internacional.

19 O Ocidente – 10/03/1913 20 O Ocidente – 28/02/1913

MENU DO ALMOÇO

oferecido aos jornalistas ingleses, no Club Farense, no dia 25 de Fevereiro de 1913, fornecido pela Pâtisserie Bijou de l’Avenue de Lisboa.

CHAUD

Petite vol-au-vent à la Maréchale Grenadins de veau truffés Croquettes de poulet aux champignons

Rissoles de crevettes à la Victoire FROID

Dindonneaux truffé aux cressons Jambon de Praga à la gelée Petits pains farcis de Strasbourg Sandwiches mélangées ENTREMTS

Fruits frais de saison au naturel Surprises au chocolat

Gourmandises surfines à la Portugaise

Petits fours à la Parisienne Feuilletages à la gelée parfums divers

Amandes pralinées

Bombons et dragées de Paris Pâtisserie fine assortie VINS

Café et liqueurs

Figura 16Grupo de raparigas que serviu o almoço no Club Farense.

BIBLIOGRAFIA

Publicações periódicas

Algarve (O), 1911, 1912, 1913. Capital (A), 1913.

Heraldo (O), 1913.

Ilustração Portuguesa (A), 1911, 12, 13. Ocidente (O), 1912, 1913.

PORTUGAL ILUSTRADO – GRANDE ÁLBUM DE TURISMO - EDIÇÃO DA REVISTA “Terras de Portugal”, n.º 1, 1927.

Sul (O), 1912, 1913

Livros

BRITO, Sérgio Palma, Notas sobre a evolução do VIAJAR E A FORMAÇÃO DO TURISMO, 2 volumes,

Lisboa, Medialivros, 2003.

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA, Lisboa – Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada.

GUIA DO VIAJANTE EM PORTUGAL E SUAS COLÓNIAS EM ÁFRICA, Lisboa, Empresa Nacional de Navegação, 1907.

LEAL, Carlos de Sousa, Algarve, Lisboa, Livraria Profissional, 1917.

MESQUITA, José Carlos Vilhena, A VIAGEM – Uma outra forma de Turismo na perspectiva do

conhecimento histórico, Faro, Universidade do Algarve, 1986.

90 Anos de Turismo em Portugal – Conhecer o Passado, Investir no Futuro, Lisboa, 2001.

PINA, Paulo, Portugal, o Turismo no século XX, Lisboa, Lucidus, 1988.

Viajar, Viajantes e Turistas à descoberta de Portugal no tempo da I República, Lisboa, Turismo de Portugal, 2010.

ANEXO