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December Maaned samt Januar-December 1887, sammenlignet med tidligere Aar

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A associação atua no ramo de pescados, mariscos e crustáceos. O principal produto é o camarão que é beneficiado, dando origem a uma diversidade de subprodutos. Este pode ser comercializado in natura ou beneficiado com algumas opções para comercialização: camarão inteiro, sem casca (filé), com casca, mas sem a cabeça. Além disso, são vários os tipos de camarão: camarão pistola (camarões grandes); camarão espigão (barba comprida) e o camarão escolha (de cor rosa, sendo considerado, para elas, o verdadeiro camarão e o mais saboroso). Todos esses tipos são oriundos da pesca no mar. O camarão de água doce, pescado nos rios localizados na região, tem pouca expressividade no volume de vendas entre os componentes da associação. Serve muito mais como um produto complementar, até porque tem sido, cada vez mais, difícil a pesca desse tipo de marisco em grande quantidade. A degradação ambiental e a poluição dos rios têm auxiliado para a escassez do produto, sendo mais vendido no período de defeso. A produção do camarão em viveiros é pouco utilizada. É importante destacar que algumas cooperadas recorrem a esse tipo de marisco

por ocasião do defeso. O grande volume de camarão comercializado é oriundo do alto mar.

Desde o seu início que o grupo, em suas ações, traz algumas peculiaridades: funciona em um sistema híbrido, ou seja, em momentos coletivos e outros individuais. As etapas subseqüentes ilustram bem essa especificidade.

A primeira etapa dos processos de trabalho acontece com a compra dos mariscos. As mulheres se deslocam do povoado São José até o município de Pirambu. Nessa etapa, elas não utilizam o ônibus, deslocam-se em transportes de terceiros ou táxi154. Lá, compram os mariscos dos barcos que chegam do alto

mar. Neste momento, o processo de trabalho ainda acontece de forma individual, apesar de haver uma tendência natural de uma ajudar a outra, quando se faz necessário. Nas últimas discussões feitas nas reuniões, entre as associadas, tem sido vislumbrada a possibilidade de que a compra do camarão aconteça de forma coletiva, bem como têm sido feitas reflexões sobre as suas vantagens e desvantagens, mas são questões ainda em processo de amadurecimento. Quando da formação da associação, a compra individual do produto já era uma rotina.

Após a compra, as associadas retornam para o povoado e vão para o galpão fazer o beneficiamento do camarão. Começa aqui a segunda etapa do processo de trabalho. No galpão, o uso do espaço ocorre de forma coletiva e os equipamentos também são socializados, além da limpeza do local. Há uma tendência das marisqueiras se ajudarem mutuamente, ao término da tarefa, se uma ou outra ainda não concluiu o trabalho. Entretanto, cada uma é responsável pelo beneficiamento do camarão que comprou. O uso do espaço e dos equipamentos se dá de forma coletiva.

É o camarão o principal produto da associação. O seu beneficiamento passa por algumas etapas: inicialmente, procede-se a limpeza do marisco e a sua

154 É possível a utilização de veículos pequenos porque a quantidade de camarão comprado por cada uma das mulheres comporta nas malas desses veículos. Normalmente varia entre 100 a 200 quilos por semana. Algumas compram, inclusive, uma quantidade menor 50 kilos, outras uma quantidade maior. Depende muito da quantidade de feiras que freqüentam durante a semana, se possuem clientes além daqueles que compram na feira, se tem encomendas na semana, entre outros. Além disso, algumas não têm capital de giro suficiente para uma compra em maior quantidade.

seleção, a depender do tipo de beneficiamento que irá ser processado: camarão fresco/in natura e o camarão cozido.

Camarão fresco / in natura – depois de separado, passa pelo processo de higienização. Para sua conservação, é armazenado em frezzers ou recipientes com gelo até o momento da comercialização. Dependendo do tipo do produto que será oferecido à população, pode passar por etapas diferentes: o camarão fresco pode ser separado e vendido com a cabeça; pode ser vendido com ou sem a cabeça e ainda pode ser descascado e vendido como filé.

Camarão cozido – após se proceder a higienização, o camarão é levado ao fogo para o cozimento. Nessa etapa, o uso adequado do fogo e do sal são, conforme informações das marisquieras, fundamentais para um bom resultado do produto. Além disso, existe toda uma técnica desenvolvida por elas que deixa o camarão com um aspecto e formato diferentes de outros que são comercializados nas feiras ou preparados nas residências. Segundo as associadas, a forma de misturar o produto, o tempo certo de cozimento, a quantidade de sal são fundamentais para dar um diferencial ao sabor, à textura e ao visual do camarão. Após cozido, ele pode ser comercializado nas seguintes modalidades/formas: Camarão cozido inteiro – após o cozimento, passa pelo processo de separação por tamanho, sendo, em seguida, embalados antes ou no local de vendas;

Camarão cozido sem a cabeça – esta forma de comercialização é obtida retirando a cabeça ou aproveitando os camarões que ficaram sem a cabeça durante o cozimento do produto, para ser vendido apenas o corpo do marisco; Camarão cozido descascado – esta é forma mais refinada de beneficiamento do camarão, uma vez que o produto passou por todos os processos anteriores. Retira-se a cabeça e descasca todo o marisco já cozido. É conhecido como filé cozido.

Com o produto já beneficiado, procede-se a comercialização, terceira etapa do processo de trabalho. Para tanto, mais uma vez, as marisqueiras se encontram coletivamente. Desta feita, para o uso do transporte que vai conduzi- las até as feiras livres, forma mais utilizada para a venda do produto. Esse transporte, o impulsionador inicial para a formação do grupo, continua sendo uma das formas de encontro coletivo. A sua administração e manutenção ocorrem sob a responsabilidade das associadas. Para isso, contribuem mensalmente, não só

com o pagamento das passagens mas também para o fundo de reserva da associação que serve, quando necessário, para a manutenção do veículo.

A venda do camarão também se processa de forma individual. Além das feiras, o produto também é vendido sob a forma de encomendas feitas por clientes. A ida à feira exige todo um preparo do produto: embalagem, acondicionamento em recipientes com gelo, ou mesmo sua acomodação em vasilhas grandes para a venda. Isso resulta numa quantidade razoável de peso que exige esforço físico e a ajuda das companheiras na hora de arrumar o produto no ônibus. A saída para as feiras ocorre ainda na madrugada, entre duas e três horas da manhã. As marisqueiras chegam por volta das quatro ou cinco horas, arrumam os produtos nas bancas e dão início às vendas. Normalmente, retornam para suas residências, a partir das 14 horas, recomeçando, no dia seguinte, todo o processo de beneficiamento do produto. No ônibus, quando todas estão reunidas, há um cuidado no sentido de pensarem um preço equivalente para a venda do produto, principalmente para não haver concorrência entre aquelas que participam das mesmas feiras. É interessante ressaltar que, mesmo sem utilizar qualquer cálculo estatístico, pela suas experiências, as mulheres do camarão sabem com tranqüilidade, chegar ao que elas chamam de um preço justo, de forma que não explorem o cliente, nem também sofram prejuízos. Esse preço depende muito de como se encontra o valor do marisco cobrado pelos donos dos barcos.

Essas etapas do trabalho que ainda acontecem de forma individual vêm sendo constantemente discutidas no grupo. Elas mesmas têm se manifestado sobre a possibilidade de experimentarem todos os momentos de forma coletiva. conforme relatos das associadas, há uma tendência de que as compras, beneficiamento e a venda aconteçam coletivamente. As últimas discussões caminham nesse sentido, com idéias de comercialização que vão além das feiras. O objetivo é ampliar a produção e vender o marisco diretamente a restaurantes, supermercados e outros. Além disso, têm sido feitos estudos pela UFS no sentido de agregar mais valor ao produto e um melhor aproveitamento das partes do marisco que, hoje, não são utilizadas.

Destaque-se que poucas associadas vendem também peixe. Neste caso, o processo é mais simples e exige apenas a conservação e acondicionamento

adequado dele em gelo ou frezzer. São vendidos com ou sem tratamento, mas as escamas só são retiradas no momento em que é realizada a compra pelo cliente e se, assim, ele desejar.

Outros momentos também têm significado um encontro coletivo das marisqueiras. São feitas reuniões periódicas, participam de cursos de capacitação, e, ainda, usufruem de um fundo rotativo existente na associação em que são feitos empréstimos, em casos de maior dificuldade financeira para a compra do marisco.

IMAGENS DA ASSOCIAÇÃO DAS MULHERES DO

CAMARÃO

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