4. Discussion
4.1 Dead wood
Educativo Marista.
A Categoria 4 está dividida em quatro subcategorias: Rotatividade de pessoal limita o trabalho; Importância do gestor no processo educativo e tempo de permanência dele na instituição; Professores com tempo integral na escola seria o ideal para implementar a proposta marista; e, Necessidade de reter talentos e de cuidar das pessoas.
5.2.4.1 Subcategoria: Rotatividade de pessoal limita o trabalho
Todos os 10 entrevistados dessa categoria se manifestaram sobre a rotatividade de pessoal, o que pode sugerir uma forte preocupação de todos em relação a esse fato. Dizem que a rotatividade é um entrave, que ela é um problema e que preocupa, limita e prejudica o trabalho e a caminhada das escolas. Percebem que há casos em que foram feitos grandes investimentos nas pessoas e quando acreditavam que poderiam disponibilizar de todo o seu potencial, essa pessoa tomava outros caminhos, em alguns casos por iniciativa própria e em quase todos por iniciativa da instituição.
“Com certeza, [...] principalmente, na área pedagógica, nós iniciamos todo um trabalho e tem retrabalho quando tem a troca. E, para nós gestores, é muito complicado, porque tu começa um trabalho e aí tu tem todo um cuidado com a pessoa também que está ali [...]”. (S1)
“Muito. [...] a gente já fez uma caminhada, já houve um estudo, a gente coloca verba nisso, para palestrantes externos, traz gente de Brasília, qualifica o professor e ele sai. E aí, a gente tem que começar todo o trabalho de novo [...]”. (S2)
“A rotatividade ela preocupa, sim”. (S3)
“[...] a gente forma esse profissional não só tecnicamente, a gente forma esse profissional muito fortemente na filosofia marista. [...] os maristas formam, quando a gente está prontinho, entrega para o outro. (S4)
Os entrevistados referem que isso limita e muito o trabalho, como prejudica a continuidade de um trabalho, ainda mais quando se trata de implementação de uma nova proposta educativa. Percebem que a alta rotatividade de pessoal e também dos gestores pode enfraquecer a causa, pois se perde a sequência de um planejamento e um determinado ritmo de caminhada.
“[...] a rotatividade acaba prejudicando este aspecto, porque toda vez que um entra, tu tem que fazer alguns estudos para que eles possam continuar a caminhada que os outros estavam travando. [...] a rotatividade, [...] não só a rotatividade de demissão, eu falo daqueles que atuam em várias instituições [...]”. (S5)
“Limita bastante, limita bastante mesmo, porque quando você está com o profissional treinado, formado e ele sai da tua instituição, você tem que recomeçar esse trabalho novamente”. (S6)
“Sem dúvida nenhuma, há alta rotatividade, não aquela que eu diria habitualmente normal e necessária, para oxigenar. [...] Realmente, é um problema a ser [...] minimizado [...]”. (S7)
“Então, ainda é um pouco complexo. A rotatividade ainda é um problema. [...] Então, ainda eu penso que é realmente relevante essa discussão e é um problema que precisa ser equacionado, pois limita o trabalho e prejudica o andamento do projeto [...]”. (S9)
Outros entrevistados entendem que a rotatividade tem aspectos positivos e negativos, mas pode ser um caminho de renovação e de oxigenação da instituição.
“A rotatividade de pessoas, na verdade, tem o seu ponto positivo e o seu ponto negativo. O seu ponto positivo, é que traz sangue novo para empresa”. (S2)
“[...] Mas veja bem, a rotatividade ela tem que acontecer, de alguma forma, ela precisa acontecer para [...] não envelhecer e oxigenar a entidade”. (S7)
“A rotatividade natural, a pessoa que se aposentou, tem muito tempo de casa, essa é esperada. O ciclo continua. Mas eu diria hoje que um processo seletivo mal realizado, que implica numa rotatividade mais acelerada, isso seria ruim para nossa proposta”. (S10)
5.2.4.2 Subcategoria: Importância do gestor no processo educativo e tempo de permanência dele na instituição
Os respondentes entendem que é importante ter gestores que permaneçam por mais tempo em uma determinada escola, pois cada um imprime o seu ritmo, sua qualidade e seus diferenciais. A acolhida e a permanência por mais tempo do gestor pode gerar mais vínculos e resultados melhores.
“Na questão do gestor também. Porque cada gestor que passa, imprime sua marca. [...] Então, é fundamental que se tenha, que se qualifique o gestor e que se mantenha esse gestor por um bom tempo. Evidentemente, se ele estiver respondendo à proposta.[...]”. (S2)
“É importante pensar nisso, mas estamos pensando também no cuidado com essas pessoas, para que eles possam ficar mais tempo conosco e a acolhida em sentido de permanência. É importante, quero continuar a dedicar a minha vida aqui”. (S4)
Os respondentes também trazem preocupações com a correta escolha dos gestores e dos educadores. Tem que avaliar o perfil da pessoa, ver se está apta a exercer a função e se tem preparo e capacidade para tal.
“Têm pessoas que, às vezes, é bom que não fiquem mesmo nas escolas, é verdade. [...]”. (S1)
“Esses gestores tem que ser olhados com carinho. E ao escolher esses gestores, tem que ter um cuidado”. (S1)
“É como eu disse, a gente se faz gestor dentro da unidade e não é sempre que a gente consegue encontrar o gestor”. (S9)
“Então, nós precisamos de pessoas que realmente façam o trabalho acontecer [...]. Mas é verdade sim que os gestores tem que ser capacitados”. (S1)
“Então, é preciso essa capacitação para esse ser marista, ela seja prioridade, certo”. (S3)
“Por outro lado, nós temos muitos educadores, tanto professores, quanto do quadro técnico, que optam por essa escola e que ficam anos conosco, se aposentam e, às vezes, continuam trabalhando dentro da instituição [...]”. (S4)
“Por um outro lado, as vidas, as nossas vidas, elas se confundem com a vida e com o tempo da instituição”. (S7)
Os pesquisados se manifestam também dizendo que há muitas pessoas altamente comprometidas com as instituições, de modo que confundem as suas próprias vidas com a da instituição que os acolheu.
5.2.4.3 Subcategoria: Professores com tempo integral na escola seria o ideal para implementar a proposta marista
“O professor que está mais tempo aqui dentro, percebe-se no dia-a-dia aqui na escola, que ele se sente mais envolvido, é mais comprometido, valoriza muito mais a
instituição, procura conhecer mais e conhece mais, defende mais junto as famílias, propaga mais a importância do nosso instituto dentro da comunidade”. (S1)
“É nós poderíamos avançar com maior rapidez, se a gente tivesse um quadro mais fidelizado e com horas integrais. Aí, seria o sonho de consumo de qualquer gestor”. (S2)
“Nós temos que ter uma base melhor aí, pessoas com formação específica da gestão dentro das escolas, precisamos arremedar uma série de outras questões, como carga horária, como a questão dos benefícios, das oportunidades de pesquisa”. (S9)
Três dos pesquisados entendem ser importante que os gestores e educadores tenham mais horas de trabalho em um mesmo estabelecimento pois geraria mais vínculos, comprometimento e possibilidade de trabalhos diferenciados e facilitaria a implementação da proposta educativa.
5.2.4.3 Subcategoria: Necessidade de reter talentos e de cuidar das pessoas
Os entrevistados referem que é necessário cuidar das pessoas e reter os talentos. Por isso, deve-se investir nas pessoas, especialmente naquelas que se embebem do carisma e da proposta educativa marista.
“[...] a gente está pensando muito fortemente na retenção destes talentos. A gente tem esse turn over [...] nas escolas, temos uma retenção bem importante, mas a gente está preocupado com estes que estão nos deixando e indo em busca de outros espaços”. (S4)
“Pelo lado da gestão, eu vejo como uma grande riqueza, quando nós temos o colaborador por muitos anos conosco”. (S10)
Na opinião dos pesquisados seria importante ter projetos específicos para reter esses talentos, de modo que se tenha uma espécie de plano de carreira, o que possibilitaria mais tempo de estudo, pesquisa e de dedicação ao trabalho em um mesmo estabelecimento.
“E [...] a melhor resposta para que isso aconteça cada vez menos [...] é investir internamente, investir nos talentos, investir em pessoas, que possam cuidar
e formar outras pessoas. Investir em pessoas que queiram receber esse insumo de formação”. (S7)
“Perde para outras oportunidades onde ele tenha um pouco mais de carga horária, uma carga horária de pesquisa, um plano de carreira, mais benefícios e isso realmente cria uns hiatos assim na aplicação do projeto. [...] é um problema ainda, conjuntural, que mexe com professor, com colaboradores”. (S9)