5.2 Interviews og observationer
5.2.3 Hvordan oplever de ansatte relevansen af risikoarbejdet
5.2.3.1 De rejsendes feedback på Travel Security afdelingen
Somos herdeiros de um legado cultural que se propaga através do tempo. Entre a herança cultural, uma área do conhecimento que trata do pensamento do comportamento moral, estamos nos referindo à Ética. Ao longo da tradição acadêmica, compreendemos a importância de alguns pensadores para a constituição deste campo específico da Filosofia. Em Textos básicos de ética, Marcondes (2007) reporta-se à A República e Górgias de Platão, assim como, à Aristóteles em Ética a Nicômaco, e as idéias clericais de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino quanto ao livre-arbítrio, confissões e a suma
teológica, passando por outros nomes, entre eles, Spinoza, Hume, Kant, até
chegar a Moral e prática de si de Foucault. Esse legado constitui uma fração do que se tem produzido sobre Ética ao longo da História. Na seqüência, apresentaremos resumidamente alguns paradigmas que cercam esse legado. Para tanto, recorremos a Marchionni8 (2008).
Em Ética, a arte do bom (MARCHIONNI, 2008), é possível perceber a ética a partir de três grandes vertentes relacionadas à razão humana, a saber: Deus e religião (teísmo), Deus sem religião (deísmo) e nem Deus nem religião (ateísmo). Na perspectiva teísta, a razão Criadora é mãe da razão humana a partir dos códigos revelados do judaísmo, cristianismo e islamismo. No deísmo, a razão humana é parte da razão cósmica, muito comum nas filosofias cósmico-espiritualistas do Oriente e no Platonismo. Diferente da perspectiva ateísta edificada principalmente no Racionalismo iluminista-materialista.
Marchionni (2008) defende a ética como o Bom Sumo, ou seja, o bom supremo. Destacando outros paradigmas, o autor traz o Bom Sumo ora relacionado ao Criador, ora a Natureza habitada pelo Espírito, ora a Liberdade do homem. A essência dos diferentes modos de ver e de se mover no mundo,
8 Antonio Marchionni nasceu na Itália em 1944 e vive no Brasil desde 1974. Completou os estudos de Filosofia e Teologia na Universidade Urbaniana de Roma e de Letras clássicas na Universidade do Sagrado Coração de Milão. É mestre em Teologia pela PUC-SP e doutor em Filosofia pela Unicamp. Foi missionário e agente social na Amazônia. Professor de Teologia e de Ética nos Negócios na PUC-SP e professor de Filosofia Medieval e Teoria do Conhecimento na Unifai de São Paulo.
36
consiste na afirmação de condutas morais. Na seqüência, apresentaremos brevemente o que diz cada um desses paradigmas.
O Bom Sumo é o Criador parte da ética numa perspectiva religiosa,
organizada a partir de um Livro Revelado, por exemplo: Torá para os judeus, Bíblia para os cristãos e Alcorão para os islâmicos, ou seja, os livros sagrados das diferentes culturas religiosas. Seus adeptos crêem que o universo teve um Criador (MARCHIONNI, 2008).
O Bom Sumo é a Natureza habitada pelo Espírito é conhecida na
meditação, no ensinamento do guru (o iluminado). Seus adeptos crêem no Grande Todo e buscam a sintonia espiritual com a “Alma do Mundo”, designada nirvana; cultivam a idéia comum de que a matéria é habitada pelo espírito eterno. Constitui manifestações dessa forma do Bom Sumo no oriente o Hinduísmo, o Budismo, o Taoísmo, o Xintoísmo, o Confuncionismo, o Jainismo e o Sikhismo; e no ocidente, o Platonísmo, Estoicismo, Espinoza e Hegel (MARCHIONNI, 2008).
Em O Bom Sumo é a Liberdade do Homem tem na Ética Materialista seu principal paradigma. Seus adeptos crêem que só existe a matéria, suas regras de condutas não são pautadas em Livros sagrados, mas no fluir da razão humana, a partir do exercício das ciências. Compreendem as principais doutrinas desse paradigma o positivismo, o Epicurismo, o Marxismo, o Niilismo nietzschiano, o Freudismo, o Existencialismo e o Utilitarismo (MARCHIONNI, 2008).
O que podemos tomar essencialmente na produção de Marchionni (2008) é que o bom está posto como objeto da Ética. Destacamos que essa compreensão do bom como objeto da ética se dá na perspectiva da razão. Compreendemos assim, que, toda forma de expressão ética está diluída de alguma maneira no cotidiano da vida social na qual estamos inseridos.
Sem desconsiderar o que está posto na Ética tradicional, compreendemos que a essência dos diferentes modos de ver e de se mover no mundo, numa perspectiva moral, consiste na afirmação de condutas que ocorre no convívio social (MATURANA, 1995, 1997, 1998, 2001), (MATURANA; VERDEN-ZÖLLER, 2004), (MATURANA; REZEPKA, 2000). É importante que antes de apontarmos o entendimento ético que povoa os sentidos, a conduta e
37
a escrita dos atores sociais dessa pesquisa, façamos uma breve elucidação da compreensão da qual estamos partindo.
Morin (apud, ALMEIDA, 2005), aponta as unidades indivíduo-sociedade- espécie, natureza-cultura e individual-coletivo, para uma outra perspectiva de se pensar ética. Conforme ainda o autor acima, a articulação da história da vida com a história da cultura e da história individual de cada pessoa, constitui o espaço para se pensar a ética, porque “a ética se manifesta em nós e de forma imperativa, como exigência moral” (MORIN, apud ALMEIDA, 2005, p.1). Assim, a ética, na concepção moriniana, constitui-se como um campo de diálogos possíveis, entre natureza e cultura, e entre, indivíduo e sociedade. Constitui de forma interligada esse imperativo ético, uma fonte interior ao indivíduo, que se manifesta como um dever, uma externa constituída pela cultura, e por fim, uma fonte anterior, cuja origem corresponde a uma ordem biológica (ALMEIDA, 2005). Nesse sentido, iniciamos nossa reflexão sobre ética pensando na nossa condição, o entendimento de quem somos e de que forma estamos no mundo.
Nas diferentes vestes do conhecimento, por exemplo, Física, Filosofia, História, Antropologia, Sociologia e Biologia, o corpo é compreendido de diferentes formas, sobre a justificativa de dizer quem somos. Contudo, o que ocorre muitas vezes é a negação do que somos. Como ilustração e como exemplo, recorremos a Gaiarsa (1998, p.13) que nos mostra o homem freudiano: o mesmo não passa de “um terotoma (um tumor embrionário)”, uma vez que é percebido na redução das fases oral, anal e genital.
Em “Borboletas, homens e rãs”, Almeida (2002) insere uma reflexão sobre o percurso científico e os diferentes discursos que cindiram o entendimento de quem somos; reflexão esta que vai em busca do elo perdido entre corpo, natureza e cultura. As rupturas destacadas pela autora no texto são evidenciadas nas diferentes áreas do conhecimento e em seus variados recortes. Vejamos o fragmento citado a seguir.
Primaram em explicar a cultura, a sociedade e a condição humana de forma cindida e esquizofrênica, quase sempre isolando-as das contingências biológicas. Uma anatomia perversa esquartejou o sujeito: homo economicus, faber, um produto do passado, um singular étnico, um autômato simbólico, uma entidade mítica. Essas fraturas e ‘determinações em ultima instancia’ desenham um homem
38