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Nesta categoria apresentamos a análise das contribuições concernentes à Educação relacionadas à formação do professor de AV, no tocante ao que os sites têm disponibilizado de conteúdos sobre o tema, bem como políticas que envolvam cursos online, presença de jogos e atividades interativos para alunos e outros materiais que podem contribuir para a prática pedagógica. As subcategorias são: 1 - Cursos online; 2 - Materiais didático- pedagógicos para professores de AV; 3 - Materiais acadêmicos e científicos; 4 - Materiais didático-pedagógicos para alunos de AV, 5 - Outros materiais, outras mídias; 6 - Contribuição didático-pedagógica.

3.1 Cursos online: o site oferece cursos e/ou atividades educativas na modalidade online para os envolvidos no processo didático-pedagógico, os professores de AV e os alunos?

Como forma de extensão das políticas propostas nas instituições físicas vinculadas aos

sites que abordam a arte, é relevante a oferta de cursos online para professores e alunos, contribuindo para o processo didático-pedagógico. Torna-se uma ferramenta eficaz na divulgação e conhecimento do acervo e dos conteúdos obtidos na instituição física e no próprio site, ampliando as possibilidades de aprendizagem com fins educativos.

Os sites analisados não oferecem cursos online e/ou atividades pedagógicas. O MAB divulga a oferta de atividades educativas para o público infantil na instituição física, mas não aborda a concepção ou a prática utilizada para a proposição dessas atividades.

Em nenhum âmbito o site MAFRO-UFBA apresenta cursos, apesar de constar em seus objetivos a difusão e a socialização de informações sobre seu acervo através de cursos e exposições e comunicar que possui um Programa Educativo. Pela importância dada a este setor nos objetivos do MAFRO-UFBA, seu site poderia conter o que está sendo realizado neste sentido, mesmo que as ações façam parte da instituição física.

O site FPV não aborda cursos, mas divulga as oficinas presenciais para crianças. São oficinas oferecidas nas diversas áreas da arte, da cultura, do esporte e da inclusão digital. Há breve explicação sobre as atividades de algumas oficinas. Já o site CA, na opção “Agenda” divulga alguns cursos, como palestras, seminários, especialização e de formação continuada,

bem como eventos relativos à Lei 10.639/2003. Os eventos não são da instituição, que apenas divulga tais ações.

Nenhum site registra o desenvolvimento de cursos e/ou atividades educativas na web que visem promover o conhecimento das culturas afro-brasileiras e africanas e suas manifestações artísticas e culturais para professores e alunos de AV. Os sites poderiam colaborar para que a o processo de ensino-aprendizagem ampliasse suas possibilidades sobre este tema, potencializando as ações da Lei 10.639/2003. Este nicho ainda não foi descoberto por estas instituições, que poderiam inscrever-se em editais e fazer intercâmbios com outras entidades vislumbrando esta possibilidade. Dentre as entidades que poderiam fixar parcerias, estão os sistemas educacionais de gestão nos diversos níveis federativos (Municipal, Estadual e Federal) e os níveis de ensino da Educação Infantil, da Educação Básica e do Ensino Superior no que diz respeito aos Cursos de Licenciatura em Artes Visuais.

O MAB é vinculado à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. O MAFRO- UFBA vincula-se à Universidade Federal da Bahia, através do Centro de Estudos Afro- Orientais (CEAO). A CA e a FPV têm como parceiras diversas entidades ligadas à pesquisa e ao ensino, bem como patrocinadores de seus projetos, no caso da FPV. Isso denota que poderiam haver articulações no sentido de estabelecer intercâmbios entre as entidades e as instituições para a promoção e a execução de proposições de cunho educacional.

Observamos que os sites analisados divulgam as ações de suas respectivas instituições físicas, que são de grande relevância no tocante ao resgate e à preservação de todo o repertório cultural e artístico afro-brasileiro e africano que lhes é disponível. A crítica é no sentido de estender esse propósito para o campo da web de modo que todo professor de AV que tiver interesse em aprofundar-se na temática, possa realizá-lo através dos sites, independente da região geográfica em que resida ou de recursos financeiros. Os sistemas de ensino também podem investir nesse tipo de formação, pois otimizaria custos e o professor de AV teria a opção de realizar cursos online tanto no espaço escolar ou outro órgão de ensino, como em sua casa, na modalidade Educação a Distância (EaD).

3.2 Materiais didático-pedagógicos para professores de AV: o site fornece materiais específicos para a formação de professores de AV ou materiais que podem ser adaptados para este fim?

A web, e mais especificamente neste caso os sites, deve levar em consideração que, cada vez mais se tornam fontes de acesso que contribuem para o processo de ensino-

aprendizagem. São possibilidades que reduzem custos e que tem alcance em qualquer tempo e espaço, estando o professor conectado com a web. Para isso, podem investir em materiais que ofereçam formação inicial e/ou continuada ao professor de AV, mesmo que individual e espontânea (sem fins obrigatórios, como a exigência da instituição de ensino na qual trabalha). Também podem elaborar materiais em consonância com outras esferas do poder público (sistemas educacionais ou outros órgãos), privado (empresas e instituições culturais) e grupos que fazem parte de organizações não governamentais que estejam dispostos a contribuir com uma educação que considera as TIC importantes no espaço escolar e na formação dos cidadãos contemporâneos.

O site MAB possui um material em formato audiovisual, abordado no tópico 2.3, composto de cinco vídeos de curta duração, produzidos em parceria com a Revista Nova Escola e outros três vídeos. Os cinco primeiros vídeos abordam o acervo do MAB, intitulando-se: 1 - África, Diversidade e Permanência; 2 - Artes Plásticas; 3 - História e Memória; 4 - Religiões Afro-Brasileiras; 5 - Trabalho e Escravidão. O site ainda hospeda outros três vídeos intitulados: “Águas Exposição Intro” (visita guiada de uma exposição), “Auto da Paixão” (gravação de uma peça teatral) e “Almir Mavignier: Docugrafias” (documentário sobre o artista e a respectiva exposição). Os vídeos sobre o acervo do MAB são apresentados por educadores da instituição, que abordam os objetivos e o o acervo do museu, tecendo reflexões acerca de alguns objetos em consonância com a contribuição e a influência cultural afro-brasileira no país. Os vídeos servem de importante fonte de conhecimento para o professor de AV, pois abordam todos os elementos que envolvem a trajetória do negro no Brasil, desde sua chegada, no século XVI, aos dias atuais, com a permanência de práticas culturais afro-brasileiras nos modos de ser e de estar dos brasileiros.

O site MAFRO-UFBA possui um conjunto de materiais em PDF, relacionados ao acervo da instituição, com a finalidade de dar continuidade aos conhecimentos apreendidos pelos estudantes e professores que realizaram uma visita in loco, porém, não consta o material completo constituído de quatro volumes, dois para o professor e dois para o estudante. O “Material do Estudante-Setor África” repete os demais links que possuem os títulos dos outros materiais, nos quais deveriam constar: “Material do Estudante-Setor Afro-Religiosidade”, “Material do Professor-Setor África” e “Material do Professor-Setor Afro-Religiosidade”. Esse conjunto de materiais de apoio segue a classificação do MAFRO-UFBA, dividido em dois setores, segundo o seu acervo: Setor África e Setor Afro-Religiosidade, que tem como intuito apresentar ao leitor um complemento acerca das informações obtidas na visitação à instituição física.

Após contato com o site via e-mail, foram enviados a esta pesquisadora os dois materiais do professor referentes aos supracitados que não constam no site, faltando ainda acesso ao Material do Estudante-Setor Afro-Religiosidade, do qual não obtivemos acesso. A falha de indexação dos três materiais no site ainda não foi corrigida, mas a pessoa que respondeu o email avisou que será providenciada a correção70.

O Material do Professor-Setor África (UFBA, Centro de Estudos Afro-Orientais, 2005b) evidencia sua finalidade de servir de suporte para os professores que realizam visitas à instituição física com seus alunos. Também é subsídio para a implementação da Lei 10.639/2003 através do planejamento do professor e da escola, como um desafio constante em implantar de forma efetiva no currículo escolar os conteúdos pertinentes à história e às culturas afro-brasileira e africana. Aborda as formas de organização social e política das sociedades africanas, bem como o papel da arte; um mapa social e étnico com destaque para os povos representados no acervo; fotografias de oito objetos do acervo e respectivos exercícios de leitura de imagem e informações.

Ilustração 36: Material do Professor-Setor África, do MAFRO-UFBA

Fonte: UFBA, CEAO (2005b).

Nele o mapa da África é utilizado com os grupos étnicos que representam o acervo do MAFRO-UFBA, fazendo com que o professor de AV perceba que o continente africano constitui-se de vários povos, com distintas manifestações artísticas e culturais, ressaltando “a

grande diversidade que há na África, com o objetivo de questionar os estereótipos que repre- sentam o continente como um só bloco indiferenciado.” (UFBA, CEAO, 2005b, s/ p.).

Ilustração 37: Mapa da África - grupos étnicos representados na exposição do MAFRO-UFBA

Fonte: UFBA, CEAO (2005b).

O material coloca a questão do pensamento europeu, no fim do século XIX, que categorizou os grupos humanos em raças segundo o fenótipo, para justificar a dominação dos povos africanos, e que hoje estes conceitos já foram superados. No entanto, ainda é utilizado o termo raça do ponto de vista político, social e econômico para designar a situação desigual entre brancos e negros.

São explicitados no material, diversos setores da atividade humana em separado, deixando claro que no pensamento e na vida dos africanos da África tradicional estas relações não são estanques, mas convivem interrelacionadas, caracterizando a africanidade. Trata do indivíduo, da família e da ancestralidade com suas formas de organização e hierarquia, em que a família pode possuir até cinco gerações vivas, diferenciando-se do núcleo familiar ocidental, constituído principalmente dos pais e filhos. Trata da força vital, no Brasil, do axé, como um princípio dinâmico existencial em todos os seres. Esta força tem sua fonte primeira no Criador, depois os homens divinizados, os ancestrais de linhagens, os homens vivos (os mais velhos, principalmente) e todos os animais, vegetais e minerais.

Os ritos de iniciação como passagens de uma fase da vida para a outra constituem uma preparação para o desempenho de certos papéis sociais e de pertença a um determinado grupo étnico. A relação que os povos africanos têm com a terra é a de que eles pertencem a terra e não o contrário. Por isso a questão de propriedade privada não era considerada até pouco tempo atrás, pois prezam o convívio harmonioso com a natureza e os ancestrais. As atividades do trabalho são divididas entre os homens e as mulheres, com rituais que envolvem o sagrado, pois possuem relação com a transformação da natureza, que é tratada com todo o respeito.

A centralização de poder e a formação de chefias e reinados africanos também são abordados, porém, relacionados a povos que passam a produzir excedentes agrícolas e que vivem em mais de uma linhagem familiar em aldeias próximas, formando-se feiras e centros de compra e venda em que a base econômica da sociedade deixa de ser autossuficiente e passa a ser constituída de trocas comerciais, dando origem às cidades. Com o tráfico de escravos, ocorre uma dissolução desses poderes, porém não conseguem acabar com as formas básicas de organização social.

O material também aborda as origens dos povos que vieram escravizados para o Brasil, classificando-os em dois grandes grupos, os sudaneses e os bantos, apontando diferenças entre a escravização ocidental com fins mercantilistas e a que existia em alguns povos africanos. Expõe a história dos bantos, englobando vários povos constituídos de um grupo linguístico complexo, que deram origem às religiões afro-brasileiras e aos quilombos.

A arte africana exposta no MAFRO-UFBA é tratada no material, no sentido já abordado em capítulo anterior, de que não possui conotação decorativa, mas utilitária, e que não pode ser considerada “primitiva”, como era analisada do ponto de vista etnológico e antropológico. Na África contemporânea, os objetos de arte feitos pelos africanos tradicionais ainda têm essa característica funcional, mas passam a ser chamados de arte por seus povos e constituem uma forma de comercialização, mostrando a dinamicidade e autenticidade da arte africana.

Em seguida, a partir de imagens do acervo do MAFRO-UFBA, o material sugere ao professor que faça perguntas aos alunos, de modo a aprofundar os conhecimentos presenciados na visitação. Esse material pode ser aproveitado pelo professor de AV, a fim de entender a visão dos povos africanos tradicionais no tocante as formas de pensamento, de organização familiar, social, econômica e religiosa, bem como, os povos que para o Brasil vieram e as suas influências na cultura brasileira. Os objetos de arte trazem um suporte para o

professor de AV compreender essas questões, apropriando-se de um conteúdo pertinente à história dos povos africanos tradicionais que contribuíram na constituição do Brasil.

Ilustração 38: Tecido aplicado do Daomé, Etnia Fon, República Popular do Benin

Fonte: UFBA, CEAO (2005b)

O Material do Professor-Setor Afro-Religiosidade (UFBA, Centro de Estudos Afro- Orientais, 2006), igualmente tem a finalidade de complementar a visitação realizada no MAFRO-UFBA, bem como colaborar na implementação da Lei 10.639/2003, contribuindo para a elaboração do planejamento do professor no que confere ao ensino interdisciplinar da história e cultura afro-brasileira. O material trata especificamente do Candomblé como instrumento de preservação da história e da memória afro-baiana, com fotografias de quinze objetos da exposição e respectivas leituras de imagens.

Ilustração 39: Material do Professor-

Setor Afro-Religiosidade, do MAFRO-UFBA

A afro-religiosidade é exposta no material através do Candomblé, sugerindo ao professor relativização e postura ética ao tratar de tema tão delicado, devido ao preconceito construído em nosso país. O Candomblé segundo UFBA, CEAO (2006) é uma religião que preserva o meio ambiente e representa uma herança cultural e patrimonial histórica do povo negro da Bahia. O material afirma que o currículo escolar brasileiro possui referenciais que dão suporte para o professor trabalhar com a diversidade cultural, colaborando na desconstrução da visão do “[...] outro e sua cultura como algo folclórico, congelado no tempo e no espaço, petrificado e exótico” (UFBA, CEAO, 2006, s/p.), mas que fazem parte da constituição da identidade nacional, e particularmente da identidade negra, enquanto formas de resistir à opressão cultural europeia.

O currículo escolar é enfatizado pelo material no tocante à Lei 10.639/2003 a fim de verificarmos a própria concepção curricular, com conceitos tidos como “universais” oriundos dos grupos culturais dominantes e no sentido de pensarmos os conteúdos, a forma como se aprende, a quem se destina o ensino e a sua finalidade, possibilitando pluralizar a educação, criando uma convivência escolar que respeite todos os sujeitos e oportunize situações de aprendizagem em igualdade para todos (UFBA, CEAO, 2006).

O material afirma que antes de o Brasil ter políticas de valorização e preservação do patrimônio imaterial quanto aos saberes culinários, medicinais, linguísticos e artísticos, os terreiros de Candomblé já valorizavam esses saberes, cultivando-os e reavivando a todo o momento a diversidade dos cenários culturais. Hoje, laboratórios farmacêuticos e centros de pesquisa apropriam-se de tais saberes com fins econômicos e os utilizam em formas mais elaboradas para o tratamento da saúde ou outros fins. Isso denota que os conceitos que denominavam os povos africanos de sociedades primitivas não se sustentam diante da demanda que surge sobre esses saberes milenares e do valor a eles conferido nos dias atuais.

Também é enfocada no material a oralidade presente nas sociedades africanas e os recursos de apoio à transmissão oral como códigos e símbolos utilizados nos objetos de arte, nas escarificações, nos adornos, nos instrumentos musicais, entre outros. A musicalidade é uma das características que impregnou o modo de vida brasileiro, o que confere a corporeidade brasileira fortemente ligada à forma como os africanos tratam o corpo, desvinculados de culpa, mas vista como transcendental, evocando o divino em um ciclo de união entre corpo e mente. No Candomblé não há distinções entre o sagrado e o profano,

como a concepção cristã impõe aos fiéis, nem preconceito sobre etnia/raça, gênero, orientação sexual, classe social ou outro fator que imponha rígidas condutas moralistas.

A arte sacra afro-brasileira é apontada no material através do acervo afro-brasileiro do MAFRO-UFBA, que se constitui de três tipos de objetos: símbolos materiais envolvidos nos cultos dos orixás, voduns e inquices, representações dos orixás, e objetos em memória e homenagem às autoridades do culto dos orixás, voduns e inquices (UFBA, CEAO, 2006, s/p.). Dentro deste espectro que envolve o Candomblé, o material traz imagens do acervo tecidas à luz do diálogo com as simbologias existentes na afro-religiosidade brasileira para que compreendamos a arte contida no acervo.

Ilustração 40: Exu, Madeira Cedro, de Carybé, s/d e abordagem teórica

Fonte: UFBA, CEAO (2006).

Ambos os materiais possuem estrutura semelhante, trazendo conteúdos, imagens e exercícios de leitura dessas imagens, passíveis de apropriação pelo professor de AV, que tem diante de si uma fonte importante para sua formação e, a partir do estudo e da análise, pode aprofundar seus conhecimentos seguindo os objetivos e os encaminhamentos propostos.

O professor de AV pode utilizar como ponto de partida os objetivos destinados à ação educativa do museu, sugeridos nos materiais supracitados em suas investidas teóricas e como proposição para a prática cotidiana escolar. Igualmente pode criar outras proposições para seu uso.

Segundo um dos materiais abordados (UFBA, CEAO, 2005b), a ação educativa que deu origem aos materiais tem o intuito de privilegiar a construção de uma visão da África positiva em substituição aos estereótipos veiculados pela mídia e praticados na escola, e pode divulgar a história dos africanos e afrodescendentes, suas visões de mundo, suas formas de organização social, presentificadas nos objetos em exposição que o material enfoca como também colaborar no combate à intolerância religiosa, valorizando a diversidade cultural. Com estes, materiais o professor de AV pode realizar estudos e ter um suporte teórico que subsidia sua prática e que potencializa a utilização do site MAFRO-UFBA.

Com os atuais estudos ampliados sobre o tema de África, Brasil, e suas consonâncias, citamos a coleção História Geral da África71, patrocinada pela UNESCO, que contribui para a elevação da cultura afro como grande formadora da cultura e identidade brasileiras. E as interrelações com a educação podem ser ampliadas a uma tônica que faz com que o professor de AV amplie seu repertório acerca deste vasto campo e desconstrua visões e atitudes estereotipadas.

Outro material pertinente para a formação do professor de AV no site MAFRO-UFBA diz respeito a um catálogo de exposição temporária (sem data) em PDF, intitulado “O mundo do Assobá Gravador Hélio de Oliveira”72. O material não está voltado para o processo didático-pedagógico, porém é possível ser utilizado para esse fim. Trata da apresentação em forma de textos e imagens do trabalho artístico do gravador Hélio de Oliveira, artista negro que retratou em suas gravuras os elementos e simbologias do mundo afro-religioso do Candomblé numa época em que Salvador não voltava seus olhares para o universo afro- baiano, e que, não obstante, tinha seu trabalho reconhecido por estudiosos e especialistas na área. O material possui uma biografia do artista, no contexto artístico da Bahia e do Brasil na época em que esteve em contato com a arte e sua produção, nas décadas de 1950 e 1960, como também imagens de doze obras que fazem parte do MAFRO-UFBA, dentre as cinquenta gravuras que o artista deixou como legado de seu trabalho. O material pode ser utilizado pelo professor de AV a fim de conhecer a biografia e a poética de um artista afro-

71 A coleção História Geral da África foi construída por vários africanos especialistas no assunto contando a história do continente, a partir de suas perspectivas, no intuito de desmistificar estereótipos, reconstruindo a historiografia africana. Em 1964 tinha início essa jornada e em 1988 e 1990 foi editada em inglês, francês e árabe. Quase 30 anos depois, a coleção foi revista e ampliada, sendo disponibilizada em português através do apoio da UNESCO no Brasil e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do