3.3 Variablene og måleinstrumenter
3.3.2 De grunnleggende psykologiske behovene
Entre tantos conceitos que apresentam conflitos para a gestão da escola, o conceito de cultura é um deles. Os diretores expressam que é difícil lidar com as pessoas que não têm cultura. Para eles, esse é um dos desafios da gestão. Estabelecer o diálogo com adolescentes, crianças e famílias empobrecidas tem sido o ponto de conflito na escola. Estar preparado para a compreensão das falas e manifestações dos diversos grupos da escola, inclusive os que têm menos acesso as condições básicas de vida, é desafio que se apresenta aos gestores da escola.
Se o pai não comparecer, tem que ter desdobramento, se ele não vem não tem desdobramento nenhum, salvo outro ano se matricular, o que é não deixa de ser uma política inclusiva passa a ser exclusiva, ai vai botar o cara pra fora da escola, o que não vai acontecer porque no outro ano ele vem, ainda reclamando que não foi comunicado, é até certo momento até com razão, porque a gente também na escola não tem algo, a gente tem iniciativas individuais, tem iniciativas de grupo, se você conhece o delegado da DCA, se conhece alguém e tal, se um grupo de professores se reúne e vai e quer ir à casa do aluno, quer chamar os pais, isso é uma coisa individual, é algo esporádico, não é algo institucional, tem que ser institucional, só que a gente tem algo perene, que funcione e ganhe credibilidade e respeito (D1).
Outro ponto que se apresenta é a pergunta sobre qual o papel da escola na vida dessas pessoas ditas ‘sem cultura’? Qual a relação que a escola estabelece com a comunidade na qual ela está inserida? O ponto de diálogo não está estabelecido e a comunicação que se estabelece é frágil.
É um caso pode ser de abandono, até de abandono, jogou na escola problema e não resolveu. A escola, matriculou, resolveu será que o aluno está vindo à escola, a gente manda informação, tem uma maneira regular de mandar informação pro aluno? Nós não temos. Será que a gente tem como comunicar os pais? Normalmente os telefones e endereços são atualizados, normalmente até eles fraudam o endereço para receber vale rural. Mora no Paranoá e dá o endereço da fazendinha pra receber vale rural. Então assim, é difícil falar com os pais. Não é fácil, eu acho que a gente também tem que ter uma maneira formal de obrigar a presença de pais na escola, em que se não permanecer, não vier, eu acho que deve ser notificado pelo Ministério Público (D1).
Partindo das falas dos diretores, é possível perceber que eles estão se referindo a modelos preestabelecidos para a comunicação. Os adolescentes também destacam a comunicação na escola. O sentimento percebido nas falas dos adolescentes é o de que a direção da escola não manifesta interesse em dialogar com eles. Que a fala deles parece não ter importância, então usam o recurso de impressionar, quebrando alguma coisa.
O debate com a direção nós não temos força. Não adianta os alunos falar: “nós unidos vamos conseguir”. Não adianta. Se você faz alguma coisa e tenta ir à direção eles marcam você e depois tudo o que acontece é culpa de você (GF4) .
O único jeito que a direção escuta os alunos é se eles quebrarem alguma coisa (GF2).
Para os diretores, os conflitos vivenciados na escola são gerados fora dela, na comunidade. Segundo eles, não há como a escola dar conta de conflitos que envolvem as relações sociais, políticas, econômicas e que acabam aparecendo nas relações entre os adolescentes na escola. As relações entre os estudantes quase sempre são pautadas pelos conflitos que não são resolvidos fora da escola. Essa percepção de que estamos fora demonstra o quanto há dualidade nas relações e nos entendimentos do papel social de cada um no todo da sociedade. A expressão de que os adolescentes trazem para dentro o que vivenciam lá fora é bastante ilustrativa nesse sentido de que a concepção de participação é de que as instâncias sociais estão justapostas e não tecidas juntas.
Mas continua ocorrendo porque a violência que tem na escola, da violência grave, ela está relacionada a violência da comunidade. Se a comunidade é violenta você tem alunos em grupo de risco que praticam assalto e tal, depois daquele dia, por exemplo, ocorreu com um aluno que continua aqui e que tinha acabado de assaltar a van pouco antes da entrada e entrou na escola e pronto (D1).
O olhar a partir da complexidade questiona essa forma de entender os processos sociais e aponta para a compreensão do todo e das partes no mesmo movimento.
Assim, podemos imaginar os caminhos que permitiriam descobrir, em nossas condições contemporâneas, a finalidade da cabeça bem-feita. Tratar-se-ia de um processo contínuo ao longo dos diversos níveis de ensino, em que a cultura científica a cultura das humanidades poderiam ser mobilizadas. Uma educação para uma cabeça bem-feita, que acabe com a disjunção entre as duas culturas, daria capacidade pra responder aos formidáveis desafios da globalidade e da complexidade na vida quotidiana, social, política, nacional e mundial (MORIN, 2001, p 33).
A percepção de que é nas dobras das vivências que os conflitos acontecem e há possibilidade de encaminhamentos de possíveis aprendizagens e soluções a partir dos próprios conflitos. As relações estabelecidas entre os professores e estudantes são ilustrativas nesse sentido, pois acabam revelando o contexto em que cada um se coloca para fazer o processo educativo. O conflito surge nas relações entre as pessoas, da mesma forma que o entendimento e a aprendizagem sobre os conflitos acontecem também na relação.
Os professores mostram-se desmotivados para o trabalho que devem desenvolver. Fica a impressão de que eles não estão cientes de seu papel e de como fazer o processo educativo que é de sua responsabilidade. O entendimento quanto às questões sociais e dos processos que são possíveis na educação está fora das falas do grupo de diretores. Para eles, não há saída de resolver problemas sociais graves como a violência e a falta de valorização da escola. A não identificação da origem dos problemas como a violência, por exemplo, traz a sensação de que tudo está sem solução e que os problemas que a escola enfrenta são insolúveis.
Costa (1995) descreve a importância de utilizar os próprios recursos da comunidade para resolver os conflitos. Para o autor, os estudos de metodologias de resolução de conflitos são necessários, pois as situações em que se encontram as escolas, na maioria das vezes, são situações novas e peculiares que exigem certo esforço para a compreensão da parte dos educadores.
Um exemplo dos problemas que a escola aponta são as dificuldades de aprendizagem. Essa é uma das fontes de conflitos na escola, e aqui há uma contradição, pois uma das funções da escola é desenvolver aprendizagens. A escola vive, hoje, uma série de dificuldade que antes não eram apontadas. Isso por conta do avanço de pesquisas e de aprimoramento de métodos e técnicas para melhoria da aprendizagem. Onde está o problema, acredita-se que aí também reside a solução, porém nas falas dos diretores é possível perceber que não estão conseguindo pensar em conjunto a fim de encontrar soluções para os problemas vivenciados na escola. O desenvolvimento da aprendizagem exige que os educadores estejam continuamente preparados para esse processo, pois a realidade muda e é preciso contemplar
dados da realidade para efetivar processos de aprendizagens com significado para os estudantes. “Os professores já levaram tantas chibatadas no lombo que não acreditam mais em uma coisa, então não ficam receptivos, acham que é mais alguma coisa e é mais uma coisa sim e se não mudar e tal” (D1).
Para os diretores, as dificuldades de aprendizagens, que hoje são possíveis de serem nomeadas, acabam sendo a fonte de conflitos. Há resistência em buscar alternativas para as questões que se apresentam na relação professor-estudante. As muitas dificuldades que hoje são nomeadas vêm acompanhadas de soluções e alternativas de superação, porém não é essa a percepção dos diretores entrevistados. Para eles isso se constitui fonte de conflito. Como compreender isso? De onde vem essa postura, que foi construída e que se mostra como barreira intransponível?
Muito complicado porque os professores eram ameaçados, a direção constantemente, convidava a polícia para fazer segurança, teve um período que até mesmo a polícia não pode sair dentro dessa escola. Malandro armado em cima do muro, então os alunos gostariam de aprender, mas não tinham aquela vontade, eram prejudicados porque os malandros atrapalhavam, não podiam fazer atividades na quadra porque jogavam ovos, jogavam pedras, roubavam as bolas. Aqui já teve vários roubos nessa escola, porque era muito difícil mesmo, muito mesmo (D3).
Da mesma forma, acontece em relação aos estudantes que apresentam deficiências físicas. Para os diretores, o fato de os adolescentes terem deficiência é fonte de conflito. Fica a idéia de que todos esperam por situações perfeitas e processos lineares, não conseguindo conviver com as dificuldades que surgem. Mas será que existe perfeição? De onde vem essa idéia de perfeição que acaba definindo a ação do professor independente do que ele está vendo á sua frente?
De alunos novos, de idade e série defasada, porque com 15 anos tem que esta lá no Ensino Médio e ainda estão de 5ª a 8ª série, porque eles têm direito a aceleração, então acho que tudo isso contribuiu muito pra esse ano tá bem assim complicado em relação aos outros anos que tinha dado uma melhorada, esse ano já está meio complicado a violência (D4).
Os adolescentes relatam que se sentem humilhados pelo fato de que colegas com alguma deficiência física ou dificuldade de aprendizagem são vítimas de deboche e ironia na escola. Manifestam que não sentem o cuidado da escola para com eles. “Quando eu vim pra cá, eu sou deficiente de uma perna, aí eu não ando muito bem, aí: “ai que não sei o quê, sua perna torta... que não sei o quê”. Eu não tenho culpa de ser assim” (GF1).
Os diretores entendem que o conflito surge porque os estudantes não possuem as informações básicas da convivência humana e a convivência no meio escolar. A falta de respeito com os professores está presente no dia a dia da escola. No entendimento deles, essa falta de civilidade acaba impedindo o trabalho que a escola precisa fazer. Os professores reclamam que passam a maior parte do tempo pedindo silêncio e tentando separar brigas entre os adolescentes e que com isso não conseguem trabalhar o conteúdo.
Os professores ficam descrentes, porque na medida em que você não tem uma estrutura dentro da sala, não tem silêncio, por exemplo, respeito, autoridade, tem situações de violência uma aula que é de 50 minutos, um professor gasta 20, 30 minutos pedindo silêncio, botando ordem, então ele não consegue desenvolver as atividades pedagógicas, isso cansa muito, fica frustrado, fica desanimado (D1).
É uma constante as reclamações de todos na escola por um ambiente de respeito e tranqüilidade. Ao final das etapas de estudos, sentem a frustração de não terem feito quase nada, pois o contexto de tumultos constante não permite que a sala de aula tenha um ambiente propício para o ensino. Esse é um relato recorrente da parte dos diretores. Os adolescentes não percebem o efeito da escola em suas vidas.
Os professores só dão dever. É copiar, copiar, copiar. Tem castigo. Também tem problema dos professores. Se a gente chega na direção e diz que o professor fez isso, eles dizem: “a culpa é sua”. A direção acoberta muito os professores. No ano passado tinha uma professora que não explicava a matéria. A gente ia lá a direção e eles não ligavam (GF3).
Os adolescentes acabam vivenciando na escola, de forma concreta, o que é a sociedade, ou seja, não há espaço para eles na sociedade e, na escola, não acontece a acolhida das falas deles e isso acaba não possibilitando a construção do diálogo, que é expressão de violência e a negação da construção do sujeito a partir do seu meio. Nesse sentido, é importante perceber que a questão da cultura é construção e desconstrução constante.