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De fleste som utvikler symptomer vokser opp i vanlige familier

Kristin Schjelderup Mathiesen

7.1 De fleste som utvikler symptomer vokser opp i vanlige familier

Com propósito de construir conhecimento sobre o assunto estudado, foram realizadas leituras dos resumos dos principais trabalhos produzidos a respeito do ensino de Filosofia no ensino médio com intenção de aproximar a proposta da pesquisa à literatura já existente sobre o tema. De acordo com Lüdke & André:

Relacionar as descobertas feitas durante o estudo com que já existe na literatura é fundamental para que se possam tomar decisões mais seguras sobre as direções em que vale a pena concentrar o esforço e as atenções. (LÜDKE & ANDRÉ, 2013, p. 55).

Seguindo as orientações de Lüdke & André, evidenciamos que deveríamos aprofundar a revisão literária por meio de outros critérios que melhor ilustrassem as produções a respeito do tema. “Embora nem todos os autores concordem que seja

necessário um estudo aprofundado da literatura antes da fase final de coletas (Glaser e Estraus, 1980), a volta à literatura pertinente durante a coleta pode ajudar muito a análise”. (Lüdke & André, 2013, p. 55).

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior-Capes, (www.periodicos.capes.gov.br), o portal das revistas especializadas da SCIELO (www.scielo.br), a biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP (http://biblio.pucsp.br) e o site da biblioteca da Universidade de São Paulo USP (www.usp.br/sibi) foram locais virtuais em que fizemos levantamento a partir dos bancos de dados on-line. Mapeamos os temas recorrentes e alusivos ao ensino de Filosofia no nível Médio no período de 2005 a 2014. Esse primeiro recorte foi feito tendo em vista a reinserção do ensino de Filosofia, na gestão do secretário de educação Gabriel Chalita em 2005.

Com a intenção de categorizar a pesquisa por campo de concentração, recorremos ao Portal CAPES, utilizando as palavras-chave: “Ensino de Filosofia”; “Filosofia no Ensino Médio”; “Currículo de Filosofia”; “Aluno e Ensino de Filosofia”; “Aluno e currículo”. Por meio do portal, foram encontradas 12 teses de Doutorado e 45 dissertações de Mestrado que abordavam a temática do “Ensino de Filosofia”, sendo essas pesquisas realizadas em 24 Instituições de Ensino Superior diversas.

Dos demais trabalhos com temas relacionados ao ensino de Filosofia e ensino médio quarenta são oriundas do Programa de Educação: História Política e Sociedade e

uma do Programa de Psicologia da Educação encontradas na biblioteca da Pontifícia Universidade católica de São Paulo. Do total das 57 teses/dissertações encontradas a respeito do tema geral da pesquisa, nenhuma estava inserida em um programa de Pós- graduação em Filosofia. Considerando o local acadêmico a que se filia esta pesquisa, concentramos também a nossa busca na biblioteca da PUC/SP. Nela foram encontradas cinco produções que tratam sobre o tema do ensino de Filosofia no nível médio, sendo todas elas dissertações de mestrado.

Cabe aqui destacar a dissertação de mestrado de Maria Fernanda Alves Garcia Monteiro: O ensino de Filosofia no Ensino médio brasileiro: antecedentes e

perspectivas47.Nesse trabalho, a autora faz a leituras dos documentos que fundamentam

a presença do ensino de Filosofia e Sociologia no nível médio.

A pesquisadora Maria Helena Masullo (2012) do programa de Educação: Currículo da (PUC-SP) contribui com o debate a respeito do componente curricular Filosofia, ao pesquisar o tema sob o título: O Componente Curricular Filosofia e Seus

Professores no Ensino Médio da Rede Estadual de Educação de São Paulo48 (2012).

Nesse trabalho, a pesquisadora aborda: qual é o perfil dos docentes de Filosofia da escola pública do estado de São Paulo? O que eles pensam sobre a disciplina que lecionam? Quais as dificuldades por eles enfrentadas e como as superam? A autora analisa também o contexto no qual se desenvolve a atuação dos professores de Filosofia no nível médio da rede estadual paulista e as consequências advindas da inserção obrigatória da disciplina. Também relevante para entender o componente curricular Filosofia da rede estadual paulista é a tese, de Valter Martins Giovedi, intitulada O

Currículo Crítico-Libertador como Forma de Resistência e de Superação da Violência Curricular49 (2012). O autor propõe um conceito crítico para analisar a realidade da

escola: violência curricular, recorrendo ao currículo crítico-libertador e às suas categorias teórico-práticas, como alternativas, no sentido de resistir e de superar as práticas desumanizadoras inerentes ao currículo hegemônico das escolas públicas estaduais paulistas.

Os resultados menos frequentes correspondem às buscas por “Currículo e Filosofia”, “Aluno e Ensino de Filosofia” e “currículo e aluno”. Mesmo com a inversão das palavras-chave durante a busca não foi possível identificar um resultado sólido. Na expectativa de ampliar a busca tivemos acesso ao aplicativo WebQualis, a partir do

47http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=13179. Acesso em 06/10/2014. 48http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=14357 . Acesso em 05/10/2014. 49http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=15351). Acesso em 07/10/2014.

Portal Periódicos Capes50.Por meio dele, realizamos consulta dos periódicos de

Educação e de Filosofia, em que pretendíamos identificar a presença de artigos científicos referentes ao ensino de Filosofia no ensino médio. Um dos textos que encontramos no Portal CAPES é a produção de Pedro Gontijo e Erasmo Baltazar Valadão: Ensino De Filosofia No Ensino Médio nas Escolas Públicas no Distrito

Federal: História, Práticas e Sentidos em Construção. Nesse texto, os autores tratam o ensino de Filosofia na escola pública a partir da formação do professor e abrem margem para discussão sobre a importância da Filosofia na formação média. Outra contribuição relevante é oferecida pelo texto do professor Antônio Joaquim Severino (2010):

Formação política do adolescente no Ensino Médio: a contribuição da Filosofia51, em

que é destacada a importância da formação política e existencial do aluno do ensino médio.

Nos últimos oito anos, vem crescendo a preocupação com a disciplina por parte de pesquisadores brasileiros. Com a obrigatoriedade do ensino de Filosofia nas escolas públicas de nível médio, cresceu também o número de publicações referentes a esse tema e que retratam a trajetória da luta para implantação do currículo de Filosofia obrigatório e gratuito. Se levarmos em consideração o tempo decorrido desde a inclusão do ensino de Filosofia no currículo nacional, pode-se afirmar que as produções sobre o tema são recentes. Entre as produções a respeito de tema, as que abordam o ensino de Filosofia, a partir da perspectiva dos alunos, ainda são poucas, pois, na maioria dos casos, as preocupações a respeito do ensino de Filosofia ainda estão centradas, principalmente, no modo do ensinar e pouco no ato de aprender.

Fazer pesquisa sobre ensino de Filosofia implica ter uma noção sobre a natureza desse tema e o seu lugar na aprendizagem dos alunos. Para uma aprendizagem possível, é necessário que haja um conteúdo específico, que dê conta do ensino esperado. No caso da Filosofia, a partir da sua obrigatoriedade, surgiram também muitos materiais didáticos. Esses materiais são recomendados, muitos deles adquiridos pelo Programa Nacional de Livro Didático (PNLD) para complementar os conteúdos esperados pela proposta curricular Filosofia, mesmo que o testemunho dos professores do Ensino Médio apontem para certa limitação, inclusive pela forma como o currículo e os materiais didáticos são compreendidos pelo aluno. Além das limitações apontadas pelos

50O Aplicativo Coleta de Dados CAPES é um sistema informatizado desenvolvido com o objetivo de coletar informações dos cursos de mestrado, doutorado e mestrado profissional integrantes do Sistema Nacional de Pós-Graduação. (Disponível em: <http://www.capes.gov.br/avaliacao/coleta-de-dados>. Acesso em: 19.março.2014.)

professores devemos considerar outros aspectos para que a transposição do conteúdo seja possível. Nas palavras de Rocha:

Podemos conceber, de um lado, um conjunto de conteúdos, a “matéria”, como se diz; esses conteúdos são organizados mediante algum critério: do simples ao complexo, pela cronologia, etc. De outro lado, temos o estudante, equipados com seus esquemas conceituais. Esses esquemas conceituais são determinantes para lógica de sua aprendizagem. (ROCHA, 2008, pp. 106,107)

A apropriação da abordagem filosófica por parte do aluno não está vinculada à quantidade de livros didáticos ou materiais pedagógicos disponíveis. Do ponto de vista do professor, apesar da disponibilidade do material didático e de seguirem as orientações curriculares do estado, há quem afirme não ter encontrado os meios necessários que possam fazer, dos recursos disponíveis, condições para uma aprendizagem filosófica satisfatória.

Portanto, trata-se de pensar pedagogicamente a Filosofia e, particularmente, didaticamente, enfocando as operações que efetivem uma aprendizagem. Este requisito é raramente satisfeito nos muitos trabalhos sobre ensino de Filosofia e os vários textos didáticos disponíveis. (ROCHA, 2008, p. 105).

Mesmo que existam livros didáticos adequados e orientações curriculares e pedagógicas bastante claras e divulgadas, o desempenho da aprendizagem de Filosofia está muito aquém dos bons materiais disponíveis.

Por meio da razoável quantidade de materiais didáticos e orientações existentes sobre o ensino de Filosofia, fica clara uma preocupação com a questão pedagógica da própria Filosofia e o método de ensino dessa disciplina. Isso nos possibilita a seguinte questão: com o material pedagógico disponível poderíamos garantir um aprendizado que possibilitasse o pensar filosófico e garantisse a autonomia dos alunos como sujeitos críticos? De acordo com Gelamo, podemos responder o seguinte:

O mesmo tipo de aprendizagem ocorre com o pensamento: não há como aprender a pensar utilizando uma cartilha de 10 passos de como aprender a pensar, e não se passa a pensar melhor com um manual dos 10 passos para se pensar bem. O método não garante o pensamento, mas apenas regula a faculdade, enquadrando-as na repetição de formas de pensar. Neste sentido, não há método para se aprender a pensar, há apenas um adestramento das faculdades em razão da repetição de fórmulas. (GELAMO. 2009, p. 95)

Não queremos, a partir da afirmação de Gelamo (acima), dizer que não há possiblidade de ensinar Filosofia a partir dos manuais ou dos livros de metodologia de ensino da disciplina. O que apresentamos é a ideia da complexidade quanto ao ensino de Filosofia nas escolas públicas. Essa complexidade não aparece nos documentos oficiais que se preocupam com as normatizações que asseguram o ensino de Filosofia e não em sua relação com os mesmos materiais didáticos e recursos pedagógicos que são

produzidos para sua aprendizagem. Por isso mesmo, assim como devemos pensar o material didático e os recursos pedagógicos a partir do perfil do aluno que irá aprender Filosofia, devemos buscar também, nos documentos legais, o lugar que ocupa o ensino de Filosofia na formação do aluno de nível médio.