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DC FROM SS PATIENTS MAY HAVE HIGHER ENDOCYTIC CAPACITY THAN DC FROM HEALTHY CONTROLS

4. RESULTS

4.1 DC FROM SS PATIENTS MAY HAVE HIGHER ENDOCYTIC CAPACITY THAN DC FROM HEALTHY CONTROLS

ser transportado aos seus compradores, em Itarema/CE.

Fonte: Cavalcante, 2011. Fonte: Cavalcante, 2014.

Dessa forma, e de um modo geral, percebe-se que as atividades de produção e as de comercialização de coco estão intrinsicamente interligadas, não podendo, portanto, ser apreendidas em separado, já que a produção pressupõe imediatamente a comercialização desses frutos, que por sua vez pressupõe o consumo. Pode-se dizer o mesmo dos espaços nos quais essas atividades são realizadas, que estão também profundamente interligados, visto que, como assevera Santos (1985), nenhum espaço está isolado dos demais: os espaços de produção, armazenamento, distribuição, comercialização e consumo fazem parte de uma mesma totalidade que deve ser apreendida em conjunto. Assim como as relações estabelecidas entre produtores, trabalhadores, atravessadores e agroindústrias, que se dão pari passu à realização da produção e da comercialização de coco.

4.4 ORGANIZAÇÃO DAS AGROINDÚSTRIAS DO COCO

Outros agentes de suma importância também inseridos no circuito espacial da produção de coco no Ceará são as empresas agroindustriais, responsáveis por realizar o processamento

industrial dos frutos. Com a reestruturação produtiva do setor do coco no Brasil observamos uma rápida multiplicação dessa tipologia de empresas, motivada sobretudo pela expansão do consumo de água de coco envasada, conforme já relatamos no capítulo 2. E esse processo é também observado com bastante vigor no Ceará, onde estão localizadas algumas das mais importantes empresas do ramo do coco do país e onde notamos a instalação de novas empresas a cada ano, que passam também a investir na produção agrícola dos frutos.

Na sequência apresentamos algumas características das sete principais agroindústrias em atuação no Ceará, a saber: Ducoco, Paragro, Adel Coco, Monteiro Cocos, Edcoco, Itcoco e Dicoco, localizadas nos seis municípios elencados para a realização dos trabalhos de campo. Iremos focar nos aspectos históricos, produtivos e comerciais de cada uma delas, esboçando, mesmo que de maneira não aprofundada, uma breve caracterização de seus circuitos espaciais produtivos e de suas formas de atuação165. Essas empresas devem ser entendidas, antes de mais nada, enquanto “organizações, atores coletivos capazes de realizar um fim particular, cujas ações se dão de forma indissociável dos sistemas técnicos presentes no território”, segundo afirma Xavier (2003, p. 285).

A Ducoco, como já abordamos em capítulos anteriores166, é a principal empresa em atuação no setor cearense de coco. Oficialmente fundada em 1982, desde 1979 essa empresa agrícola vinha investindo na produção dos frutos, que eram revendidos para outras empresas de alimentos. Mas somente em 1982 é lançada a marca “Ducoco”, e a empresa passou a investir também no ramo industrial, inaugurando, através de financiamentos oriundos da Sudene e de outras instituições financeiras, sua primeira indústria, no município de Itapipoca, ainda hoje em funcionamento. Esse foi o início da história dessa empresa cearense que se tornaria, em pouco tempo, uma das maiores do país.

Há de se destacar que a Ducoco é um empreendimento familiar, tocado inicialmente por empresários locais ligados à família Pinheiro, fundadora e administradora da empresa até hoje. Nossos levantamentos indicam que essa família, além de atuar no ramo agroalimentar, sempre atuou também em instituições financeiras e que já possuiu alguns bancos ao longo dos anos167. Entre esses bancos de propriedade de família Pinheiro podemos citar o Banco Central do

165 Os aspectos relacionados à estrutura fundiária e à compra dos frutos por parte dessas empresas serão abordados

apenas no próximo capítulo.

166 Apesar de já termos apresentado várias características inerentes à Ducoco, cabe aqui analisarmos mais afundo

algumas delas, diante da sua importância no contexto produtivo do coco no Ceará.

167 Constatamos que os proprietários da Ducoco são os mesmos proprietários desses bancos ao comparar os nomes

Nordeste, o Banco Mercantil do Ceará e o Banco Mercantil do Crédito, já extintos, além do Banco Pine e do Banco Brickell, ainda em atuação.

Passados os primeiros anos de adaptação e inserção no mercado de coco, a década de 1990 representou a fase de expansão e reestruturação da Ducoco, através da aquisição e incorporação de empresas concorrentes e da desconcentração espacial de suas atividades. Em 1994 foram adquiridas as fazendas e a unidade industrial da Cocesa (Cocos do Ceará), uma importante empresa do setor e de posse do ex-governador Adauto Bezerra, e já em 1997 foi a vez da aquisição também das fazendas e da unidade industrial da Menina, a maior empresa cearense do ramo do coco da época e que pertencia ao então governador Tasso Jereissati, além da Frutop, produtora de sobremesas, ainda em operação, também de propriedade de Tasso, adquirida juntamente com a Menina168. Com essas três aquisições a Ducoco conseguiu se firmar como uma das mais importantes empresas do setor do coco.

Completando essa fase de reestruturação, em 1995 é inaugurada na cidade de São Paulo a sede administrativa da empresa, até hoje em atividade na região da Avenida Paulista, como também uma pequena unidade de processamento dos frutos, extinta com a inauguração da plana industrial de Linhares (ES), em 2007. Além de duas fábricas, hoje a Ducoco conta ainda com sete fazendas produtoras de coco, localizadas em Itapipoca, Itarema e Camocim. Segundo informou um diretor de produção da empresa, atualmente 100% dos frutos colhidos nessas fazendas da Ducoco são secos; já os frutos verdes utilizados na fabricação de seus produtos são todos adquiridos com inúmeros fornecedores.

Além de adquirir o coco verde com esses fornecedores, sejam eles produtores sejam atravessadores169, a Ducoco trabalha com empresas parceiras, responsáveis por garantir o fornecimento de coco ralado e de água de coco, já processada e pronta para o envase. Dentre as empresas que fornecem água de coco destacam-se a Edcoco, a Dicoco e a Cocar (do RN), e receberá água de coco também da Litorânea (em instalação em Paraipaba). A Ducoco compra ainda coco ralado da Adel Coco e da Monteiro Coco, além de toda a produção da Cohibra. Assim, nota-se que, apesar de atuarem no mesmo segmento e na mesma região, essas empresas atuam como subsidiárias da Ducoco, que controla tais atividades.

O portfólio dessa empresa conta atualmente com quase 100 produtos distribuídos nas marcas Ducoco, Menina e Frutop, como leite de coco, coco ralado e água de coco, além de óleo

168 Todas essas informações foram obtidas com o diretor de produção da Ducoco, em entrevista realizada nas

instalações da empresa em Itapipoca, em abril de 2014.

169 A relação da Ducoco com esses produtores e atravessadores que a fornecem coco verde será analisada apenas

de coco, isotônicos, sucos de frutas acrescidos de água de coco, e também sobremesas em geral, como gelatinas, pudins, manjares e quindins e, ainda, alguns tipos de chás, o que demonstra que a produção da empresa vai muito além de produtos oriundos do coco. A Ducoco dominava, em 2007, 40% do mercado de produtos derivados do coco, 20% do mercado de água de coco e 23% do mercado de sobremesas semiprontas do Brasil170, atuando principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

De acordo com os diretores de produção entrevistados, atualmente 70% de todo o faturamento da Ducoco advém apenas da água de coco envasada, seja ela exportada e/ou consumida no mercado nacional, quantidade que aumenta a cada ano. Esses diretores informaram ainda que a Ducoco está envasando 150 mil litros de água de coco por dia, sendo necessárias 12 toneladas de frutos verdes diariamente para atender essa importante demanda. Por ano, a Ducoco está processando um total aproximado de 40 milhões de frutos (dados de 2013), enquanto em 2003 essa quantidade não passava dos 4 mil.

A agroindústria de Itapipoca171 (foto 45 e imagem 16) é responsável pelo primeiro processamento de toda a matéria-prima produzida pela Ducoco à base de coco. Na unidade é processado um total de 360 mil frutos por dia, o que gera, junto com as demais atividades, aproximadamente 700 empregos diretos, que chegam aos 1.048 se somados os empregos indiretos e os trabalhadores rurais que atuam nas fazendas, conforme informaram os diretores da empresa. Devemos ressaltar que essa unidade da Ducoco de Itapipoca é a maior e mais importante agroindústria localizada na região Norte do Ceará, representando um grande impacto na economia do município e dessa região.

Foto 45 – Entrada da unidade industrial Imagem 16 – Vista panorâmica da unidade da Ducoco em Itapipoca/CE. industrial da Ducoco em Itapipoca/CE.

Fonte: Cavalcante, 2014. Fonte: Divulgação Ducoco, 2010.

170 Fonte: http://goo.gl/ea0BgA, Jornal O Povo – “Ducoco investe em modernização”, matéria do dia 24/09/07 e

acessada em 28/08/11.

171 Representantes da secretaria de agricultura de Itapipoca, por nós entrevistados, informaram que a Ducoco

instalou sua unidade industrial nesse município, em 1982, devido aos importantes incentivos fiscais que recebeu, a presença de uma mão de obra barata e abundante e a grande disponibilidade de matéria-prima.