O Hospital Universitário de Brasília, HUB, conta com serviços materno-infantis de atenção a bebês considerados de risco e suas mães e isso tem lugar atualmente em espaços da Maternidade e também do Ambulatório de Desenvolvimento da Pediatria do HUB. A Maternidade envolve o Banco de Leite; o Centro de Obstetrícia que atende as gestantes e as
parturientes, daí ser composto por espaços de atendimento e centro cirúrgico e o Berçário, onde permanecem gestantes com gravidezes consideradas de risco; nos alojamentos conjuntos ficam recém nascidos e mães que aguardam a alta hospitalar e mães de bebês de risco que acompanham os filhos no centro ou unidade de tratamento intensivo neonatal, CTI ou UTI, que está inserido no espaço do berçário, ao qual só têm acesso os pais da criança e equipe multiprofissional. Todos esses centros localizam-se muito próximos uns aos outros, facilitando o acesso das pessoas entre esses espaços dentro da Maternidade, que fica numa ala do térreo do hospital universitário.
Em casos de bebês considerados de risco ao nascer, há inicialmente, internação na UTI neonatal do berçário da Maternidade por um período médio de quatro a dez semanas, de acordo com as condições que envolvem a criança. Nesse tempo, suas mães permanecem no berçário, alojadas com outras mães que estão na mesma condição, ou seja, aguardando a possibilidade do bebê deixar a incubadora, ou em condição de permanência com o filho no alojamento conjunto, aguardando a alta hospitalar. Após a alta da maternidade, os bebês e suas mães vão para casa, mas são acompanhados durante um ano no Ambulatório de Desenvolvimento, que fica em outro prédio do hospital, em consultas que são agendadas em intervalos variados de tempo, dependendo das necessidades consideradas pelas equipes que atendem os bebês.
A parte inicial da pesquisa de campo, ou seja, os primeiros contatos e os convites feitos às possíveis participantes da pesquisa foram realizados no espaço institucional da Maternidade e do Ambulatório da Pediatria do Hospital.
Com as participantes selecionadas para fazer parte do estudo, passamos a realizar encontros constantes durante três meses no quarto de número 107, onde ficavam alojadas as mães de bebês de risco. Esse espaço foi utilizado até que a última mãe participante da pesquisa recebesse alta com seu bebê.
O quarto 107, que fazia parte da unidade de neonatologia do hospital, também chamado pelas pessoas da maternidade de “quarto da mãe nutriz”, abrigava, como dissemos, mães de bebês de risco, na grande maioria dos casos por nascerem prematuros e com baixo peso, que ficavam esperando a possibilidade dos bebês saírem das incubadoras e poderem permanecer junto com eles, nesse mesmo quarto. Neste quarto de alojamento
conjunto4, havia quatro leitos disponíveis, cada qual com um criado para guardar os pertences das mães e um bercinho para o bebê quando este viesse ficar no alojamento junto com ela. Havia um banheiro coletivo e comumente uma televisão, levada por uma das mães.
No período em que realizávamos a pesquisa, foi colocada uma mesa circular no centro do quarto com quatro cadeiras. O que motivou essa modificação no ambiente foi tanto uma vontade de pessoas da equipe em disponibilizar às mães um espaço para que elas realizassem ali atividades, refeições, etc, como a iniciativa de uma das mães (não participante efetiva do estudo) de continuar freqüentando o alojamento conjunto uma vez por semana, mesmo após sua alta hospitalar e a do bebê, para ensinar artesanato para as demais mães que permaneceram alojadas.
Não havia estímulos visuais nas paredes do quarto até momentos antes de encerrarmos a pesquisa, quando as mães do alojamento, ao terminarem sua produção de um quadro de fotos, decorado com uma técnica de biscuit ensinada pela amiga de quarto voluntária, o fixaram na entrada do quarto. Essa produção foi incentivada por pessoas da equipe multiprofisssional.
A entrevista inicial foi realizada numa pequena sala de reuniões do berçário, que tinha cadeiras universitárias e um quadro branco, sem janelas e outros estímulos visuais. Alguns encontros de conversação informal aconteceram no hall do Ambulatório com mães que estavam de alta e aguardavam a consulta de seus filhos. A reunião de grupo, por acontecer no período em que todas estavam de alta, foi realizada numa sala do Ambulatório.
Finalmente, a última etapa, relacionada a momentos de conversação, observação e construção do instrumento envolvendo fotos das mães, aconteceu na própria casa das colaboradoras do estudo.
4 No Brasil, o alojamento conjunto foi oficialmente instituído pelo Ministério da Saúde a partir de 1993 como um sistema hospitalar em que o recém nascido, logo após o nascimento, permanece ao lado da mãe, num mesmo ambiente, até a alta hospitalar. Klaus e Kennel são considerados os pais do alojamento conjunto, por terem colocado em questão a separação mães-filhos nas maternidades, sob a hipótese de interferência no estabelecimento de vínculos. Além dos benefícios psicológicos, o alojamento conjunto favorece a prática do aleitamento, facilita a detecção de sinais de risco para a criança e estimula o contato da mãe com os profissionais de saúde, propiciando ocasiões mais freqüentes de trocas de informações.
3.3. As participantes da pesquisa
A constituição do grupo de colaboradoras da pesquisa se deu a partir de convites a mães de bebês de risco atendidas tanto no Ambulatório como no berçário da maternidade do Hospital Universitário de Brasília. Foram contatadas inicialmente vinte mães, sendo que onze delas já estavam em fase de alta com seus bebês com atendimento no Ambulatório. Nove delas estavam em situação de hospitalização de seus bebês, aguardando a melhora e alta deles. Esse grupo mostrou-se mais disponível e motivado para participar da pesquisa. Dessa forma, optamos por trabalhar com essas mães, já que o critério de inclusão das participantes na pesquisa, referia-se exatamente à uma maior motivação e disponibilidade para participar, o que de acordo com Gonzalez Rey (2002, 2005) pode contribuir na qualidade da informação a ser construída junto às participantes, na perspectiva da pesquisa qualitativa assumida.
Dentre essas nove mães que mostraram maior interesse em participar da pesquisa, foram convidadas e incluídas cinco delas, obedecendo mais uma vez ao critério da motivação e disponibilidade. Duas eram mães pela primeira vez, o que também foi assumido como sendo de interesse para a pesquisa.
As participantes receberam nomes fictícios atendendo ao compromisso de anonimato assumido na pesquisa. Demais colaboradores eventuais da pesquisa, como cônjuges, profissionais do setor de atendimento, outras mães do próprio alojamento conjunto, assim como os bebês, não receberam esse tratamento, sendo referidos por letras, de forma aleatória.
Foi pedido às cinco mães selecionadas para fazer parte efetiva do estudo, que assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 3), o que também lhes forneceu informações sobre o mesmo; sobre a pesquisadora; sobre sua livre participação na pesquisa e possibilidade de desistir dela no momento que assim decidissem e sobre o sigilo da sua participação a ser mantido.