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A vacinação é considerada a estratégia de controlo mais eficaz das epidemias e pandemias. Porém a produção e disponibilização de uma vacina específica nas fases iniciais de uma pandemia de gripe é pouco provável, embora alguns ensaios clínicos recentes sejam mais optimistas.

Como se referiu, na fase inicial de uma pandemia de gripe, e no período que antecede o seu início, é improvável que existam vacinas eficazes em quantidades suficiente para a vacinação generalizada da população, as quais têm que ser específicas para a estirpe que circular. Por outro lado, a produção de vacinas pode demorar vários meses após a identificação da estirpe pandémica.

Actualmente existem vários protótipos de vacinas produzidas a partir do vírus A(H5N1) que têm sido utilizados em ensaios clínicos, tendo já ocorrido diversas mutações relativamente ao vírus original e aos vírus em circulação na Ásia em 2003.

Dependendo da altura em que surgir a segunda onda pandémica, os cientistas e laboratórios podem já ter desenvolvido uma vacina segura e eficaz.

A OMS (2005), no contexto das acções estratégicas recomendadas para fazer face á ameaça da pandemia da gripe de origem aviaria, alicerça a sua estratégia, no “… retardar o aparecimento de um vírus pandémico e atrasar a sua propagação a nível mundial” de forma a “ganhar tempo para aumentar a provisão de vacinas”.

2.1.10.1. Vacinação sazonal (interpandémica)

A vacinação é uma das formas mais eficazes de controlo da gripe, mas a sua eficácia é reduzida no caso das estirpes virais que a compõem serem diferentes das circulantes. Assim, e tendo por base as estirpes virais que circula durante a época anterior (no caso do Hemisfério Norte, período que vai de Outubro a Janeiro/Fevereiro), a OMS emite em Fevereiro de cada ano as recomendações para a composição das vacinas contra a gripe da época seguinte. Após a emissão destas recomendações, segue- se um período em que são desenvolvidas e testadas diversas estirpes de vírus de elevada capacidade de crescimento potencialmente utilizáveis na produção de vacinas.

Com base na informação da OMS e dos seus 4 centros colaboradores, relativamente à capacidade de crescimento das estirpes virais, ás suas características antigénicas e ainda dados de estudos serológicos, a Agência Europeia do Medicamento (EMEA) emite as recomendações sazonais para a composição das vacinas, após o que são fornecidas as estirpes de referência aos produtores para produção das mesmas. As vacinas habitualmente utilizadas são vacinas inactivas, podendo ser de virião total, virião fragmentado, ou de antigénios de superfície (Inverno e Mota-Filipe, 2006).

Encontra-se descrita uma eficácia da vacina contra a gripe entre 70-90%, em indivíduos adultos, para vacinas contendo estirpes idênticas às circulantes (OMS, 2000). Como se referiu anteriormente, a vacina disponível no mercado é uma “vacina sazonal”, que não protege a população da infecção com um vírus emergente. Porém, segundo a DGS (2005), “... a sua aplicação deve ser recomendada, com o propósito de se minimizar as dificuldades de diagnóstico e o risco de recombinação entre vírus (nos casos de co-infecção com vírus humanos da gripe e vírus emergentes)”.

2.1.10.2. Vacinação específica (pandémica)

Enquanto a composição das vacinas interpandémica tem por base uma previsão das estirpes que irão circular na época seguinte, no caso da vacina pandémica essa previsão é impossível pelo facto de se desconhecer qual irá ser a estirpe (ou estirpes) pandémica.

Perante o desconhecimento da estirpe viral (e mesmo o subtipo) que originará a próxima pandemia, em 2005 a OMS, em colaboração com a indústria farmacêutica e as

autoridades reguladoras, introduziu procedimentos rápidos para o desenvolvimento de uma vacina pandémica assim como, foram desenvolvidas estratégias para aproveitar ao máximo o escasso antigénio da vacina, permitindo assim, que mais quantidades de vacina sejam produzidas, apesar dos limites de capacidade existentes. Logo que uma pandemia seja declarada, “… todos os fabricantes têm de passar da produção de vacinas sazonais para a produção de uma vacina pandémica” (OMS, 2005).

Os desenvolvimentos na produção de vacinas pandémicas conduziram no início de 2007 à submissão, para apreciação pela EMEA, de dois dossiês de vacinas pandémicas (EMEA, 2007). Ambos seguiram o procedimento recentemente instituído ao nível da Agência Europeia, de avaliação e aprovação de um ”core dossier” pandémico em período interpandémico. A esta etapa seguir-se-á, em caso de pandemia, uma aprovação rápida da vacina pandémica (alteração das estirpes). Este processo é baseado na produção de uma vacina “mock-up”, vacina que tem o mesmo conteúdo em antigénios, o mesmo adjuvante e igual forma de administração (Inverno e Mota-Filipe, 2006). O objectivo deste procedimento é o de agilizar o processo de autorização das vacinas em caso de pandemia. Existem actualmente em desenvolvimento 31 vacinas de diferentes tipos (inactivas com antigénios de superfície, de virião total, de virião fragmentado, e vivas atenuadas), com produção em sistema celular ou recorrendo á forma tradicional (em ovos embrionados), (EMEA, 2007; DGS, 2007).

As vacinas de virião total foram as primeiras vacinas inactivas a ser desenvolvidas. São seguras e bem toleradas, tendo uma eficácia de 60 a 90% em crianças e adultos (DGS, 2007).

Fruto dos esforços conjuntos, tanto das organizações de saúde, como dos laboratórios de investigação, em Abril de 2007, a FDA e a EMEA, registaram a primeira vacina humana contra a gripe aviaria, produzida pelos Laboratórios Sanofi- Pasteur, com o nome comercial de Focetria. De facto, trata-se de um “protótipo”, a utilizar exclusivamente pela OMS, EU, FDA, após a declaração oficial de pandemia (EMEA, 2007; FDA, 2007). Os estudos efectuados demonstraram que 21 dias após a segunda administração da vacina 86% dos participantes que receberam a vacina apresentavam níveis de anticorpos que os protegeriam contra H5N1 (EMEA, 2007). No entanto, segundo a FDA (2007), a vacina é bem tolerada e a administração de duas doses de 90 microgramas, desenvolve anticorpos que se espera que possam reduzir o risco de influenza pandémico em 45% dos indivíduos dos 18 aos 64 anos.

2.1.10.3. Vacinação antipneumocócica

Na ausência de uma vacina capaz no começo de uma pandemia, o Dutch Health

Council recomenda a vacinação dos grupos de elevado risco com a vacina contra o

pneumococo, a qual assume-se como uma vacina para prevenir as infecções invasivas causadas por Streptococcus pneumoniae, uma das possíveis complicações da gripe por

influenza. (Genugten et al., 2003). A mesma autora assume que 50% das

hospitalizações e mortes de influenza relacionada com a pneumonia serão causadas por infecções invasivas provocadas pelo pneumococo, assumindo que a vacina teria uma eficácia 64%.

Shapiro et al. (1991), avaliando a eficácia da vacina polivalente antipneumocócica, estima que esta se situe entre os 29% e os 66%.

No entanto, Doyle et al. (2006), num estudo efectuado tendo por base a preparação da República Francesa contra uma eventual pandemia de gripe, estima a eficácia da vacina contra o pneumococo em 5% tendo em consideração a redução do número de internamentos e o número de óbitos

Em Portugal não se conhecem estudos efectuados nesta área, contudo a Dra. Graça Freitas, responsável pela Divisão de Doenças Transmissíveis da Direcção Geral de Saúde, em Setembro de 2005, afirmou ao Jornal Público de 27/5/2005, que “... a vacinação antipneumocócica dos adultos pode vir a tornar-se pertinente face a um quadro pandémico de gripe”.