Passadas as eleições de 1945, uma nova forma de disputa começava a ser travada internamente na UDN. No plano federal, com o seu imenso prestígio político, José Américo representava o partido, embora não perdesse de vista as ações e acordos políticos estabelecidos no seu Estado. No plano estadual, o deputado federal Argemiro de Figueirêdo procurava manter o
103 O quadro contendo os resultados das eleições de 1945 para os cargos de Senador e Deputado Federal encontram-
se no ANEXO M, p.283.
104 Em março de 1945 o prefeito da cidade de Campina Grande, Verginaud Wanderley, renuncia o cargo que ocupava
desde 1941, rompendo com o ex-interventor Ruy Carneiro, seu antigo aliado político. Verginaud alia-se a União Democrática Nacional (UDN) - que estava, nessa época, sob a liderança do ex-ministro José Américo de Almeida e do ex-interventor Argemiro de Figueirêdo – e passa a encabeçar o movimento americista em Campina Grande. Entretanto uma pergunta surge: por que Verginaud rompe com Ruy Carneiro e alia-se a José Américo? A resposta a essa pergunta surgirá décadas depois (1980) quando Verginaud concede uma entrevista ao jornalista Josué Sylvestre. Ele afirma que a causa maior do rompimento estaria relacionada à divulgação - nos bastidores da política da época - de uma possível ligação entre Ruy Carneiro e Argemiro de Figueirêdo (ex-interventor), dessa forma a prefeitura de Campina Grande acabaria nas mãos do seu maior rival político. O fato é que essa aliança, entre Ruy e Argemiro, jamais se efetivara e Verginaud continuou do lado de José Américo. Mais informações sobre esse assunto vide SYLVESTRE, Josué.Lutas de vida e de morte; fatos e personagens da História de Campina Grande (1945/1953).
seu “curral eleitoral” em Campina Grande105 que já era um núcleo eleitoral de extrema importância naquela época, abrigando cerca de 20.000 eleitores.
Durante o ano de 1946106, várias reuniões e encontros foram realizados entre os líderes da UDN na tentativa de chegar a um acordo em torno do nome do candidato a governador para as eleições que se aproximavam. Com o intuito de manter-se informado sobre as articulações políticas que se desdobravam internamente na UDN paraibana e de amenizar os efeitos de sua ausência, José Américo – que estava vivendo no Rio de Janeiro há algum tempo – delegou a Plínio Lemos a incumbência de estabelecer e organizar os diversos diretórios americistas espalhados nos municípios do Estado. Essa mesma atribuição foi dada por Argemiro a João Agripino, já que aquele, eleito deputado federal em 1945, precisava se ausentar constantemente do Estado.
Esse quadro de instabilidade política entre as lideranças locais apresenta- se claramente nas eleições para Governador do Estado. (...) A UDN dividida entre as lideranças de José Américo e Argemiro de Figueiredo, cindiu-se em duas alas distintas, a americista e a argemirista, cabendo à ala argemirista a preponderância no interior do partido (CITTADINO, 1998, p.44).
Essa espécie de bi-polarização não foi positiva para o partido, pois segundo João Agripino, um dos representantes do argemirismo no Estado:
O partido tinha que ter um chefe, o chefe era uma pessoa (...) com esse sentimento da chefia, essa preocupação da chefia, a UDN da Paraíba ficou tendo dois chefes, que lamentavelmente não se entendiam na época. (...) Um morava em Campina Grande, outro no Rio de Janeiro. Isso dificultava muito as coisas. (apud CAMARGO, 1984, p.396)
105 Embora fosse o maior e mais importante núcleo econômico do estado da Paraíba durante esse período, veremos
que as práticas ligadas ao coronelismo continuaram atuando efetivamente em Campina Grande e nos municípios e distritos circunvizinhos. Conquanto suas conseqüências – políticas, sociais e econômicas – atinjam toda a vida política do Estado, “(...) o ‘coronelismo’ atua no reduzido cenário do governo local. Seu habitat são os municípios do interior, o que equivale a dizer os municípios rurais, ou predominantemente rurais; sua vitalidade é inversamente proporcional ao desenvolvimento das atividades urbanas, como sejam o comércio e a indústria. Conseqüentemente, o isolamento é fator importante na formação e manutenção do fenômeno” (LEAL, 1975, p.251). Mais informações sobre a atuação desses “coronéis” na região de Campina Grande e em toda a Paraíba, vide SYLVESTRE, Josué.
Nacionalismo & Coronelismo: fatos e personagens da História de Campina Grande e da Paraíba (1954-1964).
Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.
106 Segundo Osvaldo Trigueiro, no início da campanha para Governador, em 1946, José Américo já era cogitado
como um candidato de peso por sua projeção nacional e penetração popular, sendo o seu nome proposto, na época, por João Agripino. Mais informações sobre esse assunto, vide MELO, Oswaldo Trigueiro de Albuquerque de A. José Américo de Almeida. In: Galeria paraibana. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB/Conselho Estadual de Cultura, 1998.
Deve-se ressaltar ainda o fato de que tanto José Américo quanto Argemiro recuaram diante de uma possível candidatura isolada, pois ambos temiam uma derrota para oposição.
Diante dessa divisão interna do partido, a candidatura de um desses líderes ao Governo do Estado era inviável pois envolvia um razoável risco de derrota e significaria, em última análise, a cisão do partido à medida que a outra ala não apoiaria a candidatura lançada (CITTADINO, 1998, p.44).
A “unidade” fragilmente mantida em torno do partido só teria vida até a decisão do nome daquele que iria enfrentar o PSD nas eleições para Governador do Estado: o jurista Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo, candidato único do partido.107 Tal decisão aumentou ainda mais o desafeto entre José Américo e Argemiro de Figueirêdo haja vista que o primeiro pretendia lançar a candidatura do seu genro, Alcides Carneiro – que já era o candidato do PSD –, para Governador, estabelecendo-se, a partir daí, uma possível aliança entre os americistas/udenistas e o PSD, ação essa que não logrou êxito. Dessa forma, mesmo sem o apoio de José Américo, o nome do ex-prefeito de João Pessoa, Oswaldo Trigueiro – que ocupou o cargo por apenas um ano, durante a interventoria de Argemiro – estava definido. Segundo o próprio Oswaldo Trigueiro, o partido vivia dias tensos, “(...) dividido entre dois chefes que não se entendiam diretamente” (MELLO, 1988, p.139). O que restava da ala americista em João Pessoa ficou sob a batuta de Virgínio Veloso Borges108 que atuava na região do município de Santa Rita. Apesar de continuar na UDN, o afastamento de José Américo do partido seria inevitável e irreversível.
Na reta final da campanha, Luis Carlos Prestes lança um manifesto aos companheiros do PCB em apoio à candidatura pessedista de Alcides Carneiro. A notícia trouxe enorme preocupação às hostes udenistas. Prevendo uma derrota nas eleições que se aproximavam, Argemiro lança a sua última cartada: aliar-se ao PTB. No último momento estabeleceu-se uma aliança com Epitácio Cavalcanti Sobrinho – o Epitacinho – “(...) pelo qual o PTB paraibano se aliaria à UDN, na disputa do governo estadual, e o seu chefe supremo viria à Paraíba para, em praça pública, manifestar o seu apoio ao candidato udenista” (MELLO, 1988, p.140).
107O fato de José Américo ter preterido a campanha do seu genro, não apoiando a candidatura de Oswaldo Trigueiro,
causou a ruptura total entre esses dois. Sobre esse assunto ver MELO, Oswaldo Trigueiro de Albuquerque de A. José Américo de Almeida. In: Galeria paraibana. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB/Conselho Estadual de Cultura, 1998.
108 Em sociedade com o seu irmão, Manoel Veloso Borges, fundou a Fábrica de Tecidos Tibirí no município de
Santa Rita. Maçom, conservador e elitista, ocupou os cargos de Deputado Estadual, Federal e Senador pela Paraíba em 1954 (com 101.871 votos), atuando por muito tempo com “mão de ferro” naquela região.
A promessa seria cumprida e, na noite do dia 11 de setembro de 1947, Oswaldo Trigueiro recebe o apoio decisivo e inesperado109 do ex-ditador Getúlio Vargas – Senador eleito em 1945 – quando este compareceu ao gigantesco comício realizado em João Pessoa, mais precisamente no Parque Solón de Lucena (Lagoa). Para a surpresa da multidão que compareceu ao comício e, principalmente, para os pessedistas de plantão, Getúlio discursou a favor da campanha do candidato da UDN, reforçando em grande medida a aliança entre essa legenda e o PTB.
Ninguém esperava pelo desfecho e, até à parte final do discurso, muita gente esperava que Getúlio mandaria votar em Alcides Carneiro. Por isso a reação foi de desespero. Os pessedistas vaiaram o ex-Presidente e promoveram distúrbios e arruaças, que perturbaram o sossego da Capital por algumas horas (MELLO, 1988, p.140).
No dia 19 de janeiro de 1947, realizaram-se as eleições110 para Governador, Senador, Suplente de Senador e Deputados Estaduais111. Oswaldo Trigueiro vence e elege-se Governador da Paraíba com um total de 80.368 votos em todo o Estado, seguido por Alcides Carneiro que obteve 69.683 votos, uma diferença de 10.685 votos. Para a terceira vaga de Senador112, recém criada, elegeu-se José Américo113 – curiosamente candidato único a vaga – com 104.477 votos
109 Inesperado pelo fato da UDN ter participado ativamente na campanha pelo fim do Estado Novo e a favor da
deposição de Getúlio Vargas do poder. Por isso, o apoio do PTB à candidatura udenista só foi divulgada quando o ex-ditador chegou a João Pessoa. Segundo relato do próprio Oswaldo Trigueiro: “A minha surpresa foi maior que a dos pessedistas. Por um lado, eu não fora avisado da vinda de Getúlio à Paraíba. Por outro, não fui consultado previamente a respeito do entendimento havido entre as seções estaduais da UDN e do PTB. (...) Mas é óbvio que nada tinha a opor a manobra política, realizada em meu favor. Se tivesse sido previamente consultado, a ela teria dado plena aquiescência” (MELLO, 1988, pp.140 e 141). Esse apoio getulista a candidatura de Oswaldo Trigueiro não foi bem visto pela UDN nacional, que só perdoou a “heresia” por que esse conseguiu se eleger governador.
110Curiosamente essa não foi a primeira eleição do ano de 1947. Nesse mesmo ano já havia ocorrido, no dia 23/03,
eleições suplementares para o cargo de Deputado Estadual em oito municípios paraibanos: Campina Grande, Catolé do Rocha, Esperança, João Pessoa, Misericórdia, São João do Cariri, Santa Rita e Mamanguape. Mais informações ver o sítio www.tre-pb.gov.br (Data da consulta: 26/05/2010 – Hora: 12:08 min.).
111 As tabelas com os resultados das eleições de 1947 para os cargos de Governador, Senador, Suplente de Senador e
Deputados Estaduais encontram-se no ANEXO N – QUADRO 10 deste trabalho, p.284.
112 Um fato inusitado e nunca antes registrado na política paraibana envolveu a figura de José Américo no decorrer
da campanha de 1947. Além do governador e dos deputados estaduais deveria ser eleito mais um senador – além de outros dois já eleitos em 1945 –, vaga essa recentemente criada pela Constituição de 1946. Na luta por essa vaga, tanto a UDN quanto o PSD brigavam para ter José Américo, o ex-candidato à Presidência da República, em 1937, como o terceiro senador em suas chapas. “O resultado disso foi que, durante a campanha, os oradores dos dois partidos antagônicos se esbofavam por demonstrar que José Américo era o candidato do seu partido e não do partido adversário” (MELO, 1998, p.105). Embora não tenha se pronunciado sobre tal situação, nem mesmo desobrigado qualquer um dos dois partidos, José Américo é eleito senador pela UDN, tomando posse do cargo no dia 06 de março de 1947.
113 Durante os três anos em que esteve à frente do cargo, José Américo manteve relações fraternais com o então
governador Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo, não fazendo críticas aos atos de sua administração nem publicamente, nem pessoalmente. Mais informações sobre esse período, vide MELO, Oswaldo Trigueiro de
em todo o Estado; recebendo só em Campina Grande 9.736 votos, mais do que os dois candidatos a Governador haviam recebido nesta mesma cidade durante o pleito (Oswaldo Trigueiro com 7.736 votos e Alcides Carneiro com 5.506 votos).
Embora José Américo usasse da prerrogativa de ser candidato único ao Senado Federal pelo Estado paraibano, as eleições de 1947 comprovaram a sua alta popularidade não só na maior parte do Estado, como também na cidade de Campina Grande que era na época “dominada” politicamente pela ala argemirista da UDN. Apesar de não ter alcançado o seu objetivo maior – que era aliar as duas maiores chapas em torno da candidatura do seu genro –, José Américo sai como um dos grandes vitoriosos com ampla aceitação em toda a Paraíba. Outra curiosidade está relacionada ao fato de que todos os suplentes de Senador eleitos nesse período possuíam ligações políticas com José Américo: Carlos Pessoa (UDN), suplente de José Américo, Antônio Pereira Diniz (PSD), suplente de Wergniaud Wanderley, e Epitácio Pessoa C. de Albuquerque (PTB), suplente de Adalberto Ribeiro.
No ano de 1947, ainda realizaram-se eleições para Prefeito114 e Vice-Prefeito, configurando-se uma espécie de declínio acentuado do poderio udenista nas duas principais cidades do Estado da Paraíba: João Pessoa (capital) e Campina Grande. Entretanto o poderio udenista ainda se manteve na maior parte dos municípios, ou seja, em 28 dos 41 municípios que compunham o Estado, sobretudo nas regiões do sertão e do curimataú.
Em Campina Grande, Argemiro de Figueirêdo aposta as suas “fichas” no seu cunhado, o major Veneziano Vital do Rego, para Prefeito. Na tentativa de concretizar o seu projeto maior – que era tornar-se Governador do Estado, sucedendo o seu amigo e correligionário Oswaldo Trigueiro – Argemiro deveria antes eleger o seu candidato naquela região, mantendo assim o seu “curral” eleitoral. Conseguir colocar um homem de confiança como Prefeito do município de maior importância econômica do Estado, o segundo em termos de contingente eleitoral, seria o primeiro passo para a alcançar o executivo paraibano.
Para vice-prefeito da chapa udenista, Argemiro indica o nome de José de Brito, “(...) um comerciante, industrial e banqueiro, vitorioso homem de negócios, bastante ligado naturalmente às classes empresariais, mas distanciado do povo e conhecido somente no âmbito de suas relações Albuquerque de A. José Américo de Almeida. In: Galeria Paraibana. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB/Conselho Estadual de Cultura, 1998.
114 As tabelas contendo os nomes dos Prefeitos eleitos nos 41 municípios paraibanos, os partidos que estavam
atrelados e as respectivas cidades – durante a terceira eleição do ano de 1947 – se encontram no ANEXO O – QUADRO 11 deste trabalho, pp.285, 286.
comerciais” (SYLVESTRE, 1982, p.105). Na verdade, ao indicar o nome de José de Brito, Argemiro realizava duas ações em uma: além de indicar o nome de um grande amigo e aliado fiel, ele mantinha ao seu lado o principal mantenedor financeiro das campanhas udenistas naquela região.
Embora essas indicações partissem de um dos principais chefes do partido no Estado, a UDN estava dividida e muitos partidários de Argemiro viam com desconfiança o candidato à prefeitura anunciado por ele. Essa desconfiança estava relacionada principalmente ao fato de que Veneziano nunca havia ocupado um cargo político, era um militar e desconhecia, até certo ponto, o metiér da política campinense. O primeiro a reagir contra foi o ex-deputado federal Acácio de Figueirêdo, irmão de Argemiro, que fez de tudo para que a decisão fosse revogada. Observando que o chefe da UDN não iria ceder às suas pressões, Acácio ameaçou afirmando que o embate entre os dois chegaria aos meios de comunicação da época. Não se intimidando com a pressão do irmão, Argemiro continuou insistindo na candidatura de Veneziano.
Aos poucos, outros correligionários e amigos passaram a romper com Argemiro e com a UDN, aliando-se ao grupo adversário, o PSD. Outro importante correligionário que também abandona o partido foi o seu cunhado, Agripino Agra. Diante de tantos protestos, Argemiro pensou em candidatar-se a prefeito, mas a idéia fixa de concorrer a governador do Estado nas eleições que se aproximava, o fez recuar.
Decidido a continuar com a campanha de Veneziano e percebendo que as brigas internas do partido estavam pondo em risco os seus planos, Argemiro apela para o povo de Campina Grande semanas antes do pleito. Através de um documento intitulado “Manifesto do Deputado Argemiro de Figueiredo ao Povo de Campina Grande”, divulgado no dia 11 de setembro de 1947, ele procura demonstrar quais foram as “verdadeiras” razões – pessoais e políticas – que o levaram a indicar o seu cunhado115.
115 A possibilidade de sair candidato a prefeito foi uma idéia ventilada pelo próprio Argemiro, como havíamos
colocado anteriormente; entretanto, ocorre que nesse documento o chefe udenista não deixa transparecer a população de Campina Grande que a sua intenção maior era concorrer às eleições para o Governo do Estado, que se realizariam em 1950. Abaixo elencamos os dois principais motivos da sua não candidatura, expostos no documento: 1º Atribui a recusa de sua candidatura aos amigos líderes do partido em outras regiões do Estado que afirmavam serem imprescindíveis os seus serviços à Paraíba em esfera federal; 2º Ao povo é atribuída a vontade de continuar sendo o representante de Campina Grande no plano nacional: “Eu teria o direito de atirar-me espontaneamente até a obscuridade, mas, nunca o de estrangular a vontade do povo que me governa” (SYLVESTRE, 1982, p.81) O fato é que Argemiro escondia, até certo ponto, o seu plano mais ambicioso: ser eleito Governador pelo voto direto. Décadas depois, em entrevista ao jornalista Josué Sylvestre, o líder udenista deixa claras as motivações pessoais que o levaram a defender cegamente a candidatura do seu cunhado. Segundo o relato, um episódio fatídico estava prestes a acontecer na residência de Argemiro, pouco tempo depois da morte do Presidente João Pessoa, em 1930. Um grupo
No início do documento, Argemiro afirma que os candidatos do partido são “(...) todos dignos da confiança do eleitorado conterrâneo” (SYLVESTRE, 1982, p.81); porém, ainda no mesmo parágrafo, ele deixa claro – em letras garrafais – o nome de sua preferência (VENEZIANO VITAL DO RÊGO) sem ao menos citar o nome dos outros candidatos da UDN que pleiteavam o cargo. Assume com total parcialidade a indicação do seu cunhado e “amigo fiel”, rechaçando possíveis vozes discordantes dentro do partido.
Importante frisar que o verdadeiro motivo da não candidatura de Argemiro para prefeito de Campina Grande, indubitavelmente, foi o sonho de tornar-se Governador nas próximas eleições (1950). Argemiro já havia ocupado o cargo de Governador do Estado – através do voto indireto – no ano de 1935. Instaurado o Estado Novo – através do golpe encabeçado por Getúlio Vargas no dia 10 de novembro de 1937 – ele continuou no poder ocupando, a partir de então, o cargo de Interventor Federal, uma indicação direta do Palácio do Catete.
Ser eleito, através do voto direto, figurava como o maior desejo político almejado por Argemiro. Em um dos seus manifestos, ainda durante a campanha para prefeito de Campina Grande, o chefe udenista deixa clara tal pretensão.
Já esclareci, em comícios públicos, o verdadeiro significado da campanha em que estamos empenhados. Não estão em jogo simplesmente candidatos aos postos eletivos municipais. A LUTA É MAIS SÉRIA! O que Campina vai julgar, a 12 de OUTUBRO, É O MEU PRÓPRIO DESTINO POLÍTICO”.
Já o afirmei: a minha terra irá lavrar uma sentença histórica. Ela, ou terá de sustentar-me para que eu possa servi-la, ou terá de jogar-me ao ostracismo definitivo, como homem inútil aos interesses do seu progresso e do seu futuro. – Este é que é o dilema (SYLVESTRE, 1982, p.76).
A campanha para prefeito na cidade de Campina Grande “fervia” e as divergências internas na UDN enfraquecia o seu imenso poder naquela região. O pequenino PSD campinense – até certo ponto inexpressivo diante do partido rival – planejava uma candidatura de oposição em cima da desunião udenista. Os líderes pessedistas, Ruy Carneiro e José Joffily, vislumbravam uma possível e inesperada vitória.
Problemas internos não eram vivenciados apenas pela UDN, o PSD campinense também experimentava desse dissabor entre os seus próceres. Havia uma “richa” interna entre dois de manifestantes liberais tentou invadir a sua casa a procura de José Agra, parente de Argemiro, acusando-o de ser um dos traidores do movimento “perrepista”. Foi nessa hora que Veneziano montou guarda no quintal da casa evitando, junto com outros parentes e amigos, a invasão.
importantes membros e ex-prefeitos de Campina Grande, decorrente do período de suas administrações: Antônio Coutinho e Severino Procópio.
Diversas cartas partiam dos correligionários para Joffily e Ruy a fim de solicitar-lhes providências no sentido de conter os ânimos mais exaltados. Essa preocupação fica clara na carta, enviada no dia 28 de abril de 1947, a Ruy Carneiro por um importante campinense, Nestor do