Antes de definir o universo e a amostra, é importante que seja definida qual será a unidade de amostragem do estudo. Nesta pesquisa a unidade de amostragem foram os indivíduos que em algum momento de sua vida estiveram envolvidos na atividade de criação de uma nova empresa, ou seja, empreendedores.
Espera-se que os resultados da pesquisa sejam relevantes para os empreendedores brasileiros. De acordo com Greco et al (2011 p. 15), existiam no Brasil em 2011 aproximadamente “27 milhões de adultos entre 18 e 64 anos que estão envolvidos na criação ou já administraram um negócio próprio”, ou seja, que são ou já foram empreendedores no Brasil.
No entanto, diante da impossibilidade de realizar uma pesquisa que representasse todos os empreendedores brasileiros, optou-se neste estudo por realizá-la com indivíduos cadastrados em um portal de negócios (www.planodenegocios.com.br) na internet que oferecia
informação sobre empreendedorismo e plano de negócios. O portal existe desde o ano 2000, com 15 anos de atuação e acesso totalmente gratuito. Neste período se tornou uma das principais referências em língua portuguesa (especialmente para brasileiros) para empreendedores que procuram informações sobre empreendedorismo e ferramentas para o desenvolvimento de planos de negócios. Nesse período formou uma base de dados que conta com mais de 130.000 usuários cadastrados, dos quais aproximadamente 30% estão ou já estiveram envolvidos na criação de um novo negócio. Sendo assim, a população do presente estudo são os empreendedores cadastrados no referido website. Segundo Hair et al (2005 p.239) “A população alvo é o grupo completo de objetos ou elementos relevantes para o projeto de pesquisa.”.
Uma vez que não seria viável coletar dados de todos os indivíduos dessa população, buscou- se definir uma amostra para ser realizada a pesquisa. Hair et al (2005 p.237) entendem que “uma amostra é um subconjunto relativamente pequeno da população”. O processo de seleção dos indivíduos que fariam parte da amostra pode ser probabilístico ou não-probabilístico (HAIR et al, 2005 e SAMPIERI et al, 2006). Para Sampieri et al (2006 p. 254) “Escolher uma amostra probabilística ou não probabilística depende dos objetivos do estudo, tipo de pesquisa e da contribuição que se pensa fazer com ela.”. Na presente pesquisa, levando-se em conta os objetivos e as limitações, optou-se por utilizar a amostra não-probabilística. Segundo Hair et al (2005), essa forma de amostragem usa métodos subjetivos para selecionar os elementos da amostra, o que não permite que os resultados sejam generalizados para a população-alvo, mas “Isso não significa que amostras não probabilísticas não devem ser utilizadas. De fato, em algumas situações, elas podem ser a alternativa preferível” (HAIR et al 2005 p. 246).
Definido o método que seria utilizado para fazer a amostragem, buscou-se entender como selecionar os elementos que fariam parte da amostra. Para Sampieri et al (2006 p.254), “Nas amostras não-probabilísticas, a escolha dos elementos não depende da probabilidade, mas sim das causas relacionadas com as características da pesquisa ou de quem faz a amostra.”. Para a seleção da amostra foi usado o critério de conveniência. Para Hair et al (2005 p. 247) esse critério “[...] envolve a seleção de elementos de amostra que estejam mais disponíveis para tomar parte no estudo e que podem oferecer as informações necessárias.”.
Nesta pesquisa foi efetuado um primeiro corte entre todos os indivíduos da base de dados com a finalidade de utilizar apenas aqueles que correspondiam ao público-alvo de interesse para
responder ao questionário. O corte visou a excluir os indivíduos que nunca participaram do processo de criação de uma empresa, ou seja, não podem ser considerados empreendedores para os objetivos desta pesquisa. Para tanto, existia uma afirmação na introdução do questionário orientando para que ele fosse respondido somente por quem já possuiu ou é atualmente proprietário de uma empresa, como pode ser visto no apêndice 1.
Como benefício da amostragem por conveniência, foi possível realizar um estudo com um grande número de respondentes, porém não será possível generalizar os resultados deste estudo para a população nem principalmente para todos os empreendedores brasileiros. Segundo Hair et al (2005) os indivíduos selecionados por essa forma podem ser diferentes da população alvo, assim não é possível generalizar.
A pesquisa foi enviada para todos os usuários cadastrados no referido portal. Foi enviada via e-mail com a solicitação para que fosse respondido um questionário armazenado em um servidor independente. Foram enviados dois e-mails para toda a base de usuários, o que resultou em 467 respondentes, dos quais 10 foram excluídos após análise da existência de outlier multivariado, resultando em 457 casos válidos. Os outliers eram compostos de indivíduos que indicaram sempre o mesmo valor da escala em todas as questões de determinada seção da pesquisa, o que demonstrava que não responderam com veracidade às questões.
A amostra com 457 casos é adequada para a realização das análises. Segundo Barclay et al (1995) apud Hair et al (2013) a amostra mínima para realizar a PLS deve ter dez vezes o maior número de indicadores formativos utilizados para medir um único constructo, sendo assim é possível afirmar que a amostra mínima para o presente estudo seria de 80 casos, número bastante inferior aos 457 casos apresentados.
Esse tamanho de amostra respeita também a amostra mínima proposta por Cohen (1992) apud Hair et al (2013), segundo o qual, quando existem 8 variáveis para o mesmo constructo, como o presente estudo, para se obter, com nível de significância de 1% e R² mínimo de 0,10, a amostra mínima deve ter 238 casos, menos que os 457 casos apresentados. É possível afirmar, portanto, que o tamanho da amostra utilizada atende ao tamanho mínimo sugerido pelos diferentes autores, dos menos aos mais criteriosos.