O processo de globalização, vivido nos últimos anos, trouxe velocidade e aumento no nível de informações e novos conhecimentos, levando as instituições de ensino a buscarem formas de se adaptarem a este novo contexto, fazendo com que a globalização econômica impulsione a necessidade da internacionalização acadêmica.
Atividades internacionais sempre foram inerentes às instituições de ensino desde seus primórdios, por isso de uma maneira meritória são chamadas de universidades. Um dos papeis da Universidade é convergir e conectar o conhecimento desenvolvido em todos os países do mundo.
A adoção da internacionalização no Ensino Superior deve ser uma das maneiras das IES se adaptarem ao mundo globalizado, na mesma linha de reação que países e empresas respondem aos impactos do fenômeno da globalização como forma de sobreviverem neste espaço competitivo.
Conceituar internacionalização no Ensino Superior não é uma tarefa simples e definitiva, pois, é um conceito amplo com vários aspectos relacionados. Importante distinguir que uma coisa é o conceito de internacionalização, outra coisa é como ela se realiza que é por meio de algumas modalidades e atividades de internacionalização, e isto não é conceito.
Internacionalização no Ensino Superior deve ser um processo simbiótico que envolva o ambiente externo (geográfico), pois, tem relação com atividades entre países que visam à geração e transmissão de conhecimentos e interno pois, envolvem aspectos estratégicos relacionados à sua missão. Deve se realizar de forma transversal por toda organização, tendo para cada uma delas objetivos diferentes: acadêmicos ou mercadológicos.
No Ensino Superior brasileiro, a internacionalização é um processo recente que envolve política educacional e suscita debates em relação as suas concepções e consequências, pois, da mesma forma que em outros países a sua adoção implica em resultados educacionais e culturais com possíveis reflexos econômicos e políticos, para o Ensino Superior no Brasil.
A Constituição Brasileira, no seu capítulo III, que trata sobre Educação, art. 207, determina que “as universidades gozam de autonomia didático científica, administrativa e gestão financeira e patrimonial e obedecerão ao principio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
Entende-se que, em curto espaço de tempo, a Internacionalização será a quarta função inerente às funções das Universidades. Recomenda-se que a internacionalização passe a ser parte do projeto institucional da IES.
Desta forma, a internacionalização passa a ter duas características: uma como parte integrante do projeto institucional e outra como sendo característica transversal passando por todas as áreas da IES, assim integra-se a dimensão internacional às atividades universitárias, de uma forma geral, não como apêndice, mas como parte integrante do projeto universitário sendo prioridade da política e integrante de sua missão. Não deve ser, portanto, um fim em si, mas um instrumento
indispensável para cumprir os objetivos estratégicos que emanam da missão de cada universidade.
Pode-se elencar uma vasta gama de atividades para caracterizar a dimensão internacional das universidades. As atividades internacionais são realizadas através da mobilidade discente e docente, de programas com dupla titulação, cursos conjuntos, incorporação de uma universidade a um grupo de educação internacional, enfim a lista é grande de possibilidades de atividades de internacionalização, pesquisa e atualizações curriculares entre outras.
Notadamente, em relação aos conteúdos tratados nos currículos em uma economia global baseada no conhecimento, deve-se ter uma atenção especial aos mesmos, pois devem refletir como perfil profissiográfico desejado, as competências e aptidões necessárias para se atuar em um mundo cada vez mais conectado.
A inserção internacional pode trazer a alunos, professores e gestores o contato com novos conhecimentos, novas habilidades, novos comportamentos que lhes permitam atuar de maneira mais eficaz em contextos multiculturais, um ganho evidente do processo de Internacionalização, desde que haja cooperação e não competição entre universidades.
A internacionalização deve promover o crescimento e reconhecimento das diferenças culturais de cada país. Pode-se através da internacionalização garantir a melhoria da qualidade dos programas de ensino pesquisa e extensão e promover inserção das instituições no contexto mundial de educação.
Com base nos autores pesquisados, sugere-se, a seguir, um constructo de conceito para Internacionalização do Ensino Superior, onde destacam-se os elementos de Estratégia, Ensino e Pesquisa, Qualidade Acadêmica e Mobilidade.
Internacionalização é um conceito abrangente que pode ser aplicação em inúmeras áreas. No Ensino Superior que passa por um momento de crescimento de demanda no Brasil, deve ser adotado como um processo a ser desenvolvido por instituições de ensino. Processo que prevê trocas de caráter cultural entre distintos
países com objetivo de transmissão de conhecimentos de forma colaborativa visando o desenvolvimento das competências interculturais dos participantes para atuação diferenciada em ambiente global.
Deve ser uma das formas de atingimento da missão institucional tendo como característica ser parte integrante da estratégia da instituição com foco na adequação organizacional da estrutura para atendimento das demandas de internacionalidade, sendo, necessariamente, transversal a todo estrutura.
Prioritariamente, deve ter objetivos acadêmicos com foco no ensino e na pesquisa como forma de ampliação do leque de conhecimento entre as IES. Admite- se, contudo, certo viés mercadológico para as IES privadas, por serem empresas de prestação de serviço que precisam manter seus negócios em um mercado concorrencial, porém com enfoque na qualidade do ensino.
A realização efetiva da internacionalização para transmissão de conhecimentos se dá através da cooperação internacional em diversas atividades como programas de mobilidade, projetos de pesquisa, cursos, programas de dupla titulação entre outros.
Estratégia: Assume-se a colaboração dada por Juan Sebastian (2004), que trata a internacionalização como a introdução da dimensão internacional na cultura e na estratégia da Instituição. Contribui-se, para este elemento, avaliando-se que o Brasil está no estágio inicial de sua internacionalização do ensino superior, assim as IES que estão neste processo, devem necessariamente ter este foco em sua estratégia, porém impulsionada de forma endógena e não de forma reativa ao mercado, deve ter objetivos claros e estrutura própria para atender as atividades inerentes do processo.
Internacionalizar-se, sob a perspectiva da estratégia, significa uma transformação no interior da IES visando adequar-se aos desafios do mercado sempre com vistas ao favorecimento e construção de conhecimentos de forma simbiótica além de suas fronteiras e necessariamente com a adoção de uma gama de atividades de internacionalização.
A internacionalização deixa de ser algo externo à vida acadêmica, passando a fazer parte da agenda de decisões estratégicas dos principais dirigentes institucionais.
Ensino e Pesquisa, Qualidade Acadêmica: Assume-se a colaboração vinda de Knight e de Wit (1999), Jesús Sebastian (2004) Rudzki (1998) e Gagel-Ávila (2003), visto que estes autores dão ênfase aos aspectos de ensino e pesquisa que a internacionalização deve trazer a instituição de ensino. Contribui-se neste elemento que a decorrência principal para o processo de internacionalização é que através de sua ênfase no ensino e na pesquisa a qualidade acadêmica seja o principal objetivo a ser alcançado.
Alerta-se, neste ponto, para o raciocínio que trouxe Ferreira (2010), quando citou que internacionalização corresponde à cooperação acadêmica e a transnacionalização segue preceitos da lógica de mercado.
Nestes termos, a qualidade acadêmica deve sobrepor a uma tendência mercantil de aproveitar a grande demanda pelo Ensino Superior e o potencial de crescimento deste segmento de mercado. As IES devem, portanto, estar atentas para não cair na tentação de um processo de educação transnacional, aquelas somente direcionadas ao lucro.
Para prevalecer a qualidade, as escolhas estratégicas devem ser intencionalmente pela inserção internacional em acordos de cooperação em ensino e pesquisa que possam trazer a estudantes, professores e gestores, conhecimento e competências necessárias para atuar em um mundo cada vez mais conectado.
A qualidade acadêmica, a ser perseguida pelas IES, trará um processo virtuoso na medida em que propicia a atração de melhores estudantes aos seus campi, atração de pesquisadores estrangeiros renomados, atratividade para parcerias com universidade de prestígio entre outros benefícios.
Mobilidade: É uma das primeiras atividades da internacionalização tanto que era uma das características das primeiras Universidades Europeias. Atualmente continua sendo o elemento chave das IES para realização da internacionalização,
principalmente em nível discente. Esta afirmação tem respaldo na literatura em Altbach e Knight (2007) quando afirmam que uma das quatro formas de internacionalização é a individual, que é o intercâmbio independente realizado pelos alunos que arcam com os custos financeiros.
As instituições de ensino ainda mensuram seu sucesso de internacionalização através de número de estudantes ou docentes em mobilidade. A mobilidade não deve ser a principal característica da internacionalização. Porém muitas instituições ainda estão nesta primeira etapa. Sugere-se que a etapa seguinte seja atenção maior aos aspectos de internacionalização que envolva o ensino e a pesquisa. No ensino que pode ser refletivo em alteração nas estruturas curriculares. Na pesquisa que deve estar refletida através do nível de parcerias e acordos de cooperação para este fim.