3. Metode
3.5 Datainnsamling
Também na década de 1840, começou a circular, em São Luís, O Progresso: Jornal Político, Literário e Comercial. O jornal veiculou entre 1847 e 1862, mas só existem disponíveis para pesquisa cópias de exemplares até 1853. Era impresso na Tipografia Maranhense, à Praça do Palácio, casa n. 10; seguidamente na Rua do Egito, n. 20, por A. J. da Cruz. Este foi o primeiro jornal diário da província, a partir de 1847, antes disso, circulava duas ou três vezes por semana. De acordo com Joaquim Serra (2001, p. 32), em 1857, O Progresso “foi substituído pela Imprensa, que saía três vezes por semana. Reapareceu em março de 1861, redigido por Antônio Henriques Leal, e sessou de todo sua publicação em 1862”. Ainda segundo Joaquim Serra (2001, p. 32), em relação aos aspectos políticos, O Progresso “pregava ideias liberais e defendia a administração Franco de Sá”. Os redatores deste jornal foram: Fábio Reis, Teófilo de Carvalho, Pedro Nunes Leal, Carlos Fernando Ribeiro, José Joaquim Ferreira Vale e Antônio Rego. Neste jornal circulavam notícias oficiais, romances-folhetins, poesias, anúncios, notícias locais, do Brasil e do exterior, contos, biografias, economia, religião, transportes.
47 Descobrimos nesta pesquisa que este fragmento é do romance Os Mistérios da Inquisição, que circulou no jornal O Progresso, em 1847, como veremos nesta tese.
Possuía três colunas, ainda assim, no Folhetim existiam apenas duas, sem fio separador, onde as obras eram publicadas como se fossem reproduções de livros abertos, sem capa, nem folha de rosto. Dessa forma, o jornal criou o modo de publicação que denominamos de jornal-livro, mencionado antes neste capítulo. A palavra Folhetim também não aparecia, mas os redatores se referiam a ele como um modo de publicação da prosa de ficção, em avisos como o seguinte, em que os romances publicados no Folhetim do jornal O Progresso eram anunciados como prêmios, em 1847, para os assinantes do periódico que pagassem um ano adiantado. Seriam entregues no suporte livro, impressos cuidadosamente em bom papel. Era mais uma forma que o jornal encontrou para atrair assinantes e cobrir os gastos com a produção do periódico. Lançar no suporte livro uma obra que terminou de circular no jornal, de acordo com Barbosa (2007), significa também uma demonstração do reconhecimento da “soberania absoluta desse gênero [romance]” (BARBOSA, 2007, p. 82). O aviso a que nos referimos, neste parágrafo, é o seguinte:
Aos Senhores Subscritores,
Aquelas pessoas que assinarem para este jornal, por espaço de um ano, e pagarem adiantada a importância da assinatura, terão direito a receber um exemplar das reimpressões de cada romance que nesse ano se tiver publicado como Folhetim do jornal, sendo estas reimpressões feitas com todo o esmero e no melhor papel (O Progresso, 16 abr. 1847, n. 73, p. 1, grifo nosso).
Esse jornal continuava se reinventando, porque neste mesmo ano, começou a circular diariamente, mas como era o primeiro com essa periodicidade, em São Luís, seus redatores demonstravam-se ressabiados, visto que, embora o periódico já circulasse dessa forma, perto do fim do ano de1847, publicaram diversas vezes um aviso em que o anunciavam como diário somente no próximo ano. Com a circulação diária do jornal, objetivavam pagar o excesso de despesas e facilitar a cobrança das assinaturas. Informaram os valores das subscrições e reafirmaram a distribuição gratuita dos romances que circulariam no Folhetim, impressos no suporte livro, para quem assinasse o periódico por um ano. Até agora, nesta pesquisa, este foi o jornal que mais se comunicava com seu público, a quem se dirigia, frequentemente, na primeira página, informando as novidades e decisões da instituição.
Nesse jornal, encontramos três traduções de romances: Quitança à meia noite, de Paul Féval (1816-1887), Os Mistérios da Inquisição, de M. V. de Féreal (Victorine Germillan) e Os infortúnios de um inglês, de Paul de Kock (1793-1871). O primeiro circulou de 5 de janeiro de 1847, n. 3 a 23 de julho de 1847, n. 143. Foram quatro partes, divididas em vinte e
três capítulos e um epílogo, intercalados com poesias e um Relatório da Assembleia Legislativa do Maranhão.
Como a estratégia de publicação do periódico era o jornal-livro e não existem cópias das edições que começariam o romance, conseguimos identificá-lo somente no sexto exemplar, em que terminou o prólogo, visto que escreveram o título do romance ali: “Quitança à meia noite. Fim do prólogo” (O Progresso, 13 jan. 1847, n. 9, p.1).
O anonimato de autor foi resolvido, quando descobrimos que esse romance circulou também no Diário do Rio de Janeiro: Folha Política Literária e Comercial, com o título de Quitação de meia noite, em 1860. Neste periódico, descobrimos que o autor era Paul Féval, porque o jornal trazia essa informação. Quanto ao tradutor continuou anônimo, uma vez que no jornal carioca mencionou-se apenas que a trasladação foi confiada a “uma hábil pena” (Diário do Rio de Janeiro, 1860, n. 2, p. 2). Como veremos mais adiante, Antônio Rego foi o tradutor desse romance publicado no periódico maranhense, além disso, no próprio jornal O Progresso existe a informação de que seus redatores detinham os direitos da tradução dessa obra no Brasil. Será que o Diário apropriou-se da versão de Antônio Rego e trocou apenas o título? Aparentemente não, porque, embora existam inúmeros trechos em que os termos foram apenas trocados por sinônimos, encontramos algumas divergências em outros. Dessa forma, seriam duas traduções diferentes, no entanto muito semelhantes. A imagem seguinte é da página do jornal O Progresso em que identificamos o romance:
Figura 31 - Rodapé em que se identifica o romance Quitança à meia noite (O Progresso, 13 jan. 1847, n. 9, p. 1)
Fonte: http://www.memoria.bn.br/
O segundo romance veiculado no jornal O Progresso foi Os Mistérios da Inquisição. Deste soubemos logo o título, em vista de um comunicado que os redatores divulgaram para os subscritores, informando o fim de Quitança à meia noite e que em breve publicariam Os Mistérios da Inquisição. Nesse comunicado, afirmaram ainda que traduziam os romances publicados nesse periódico e eram os detentores dos direitos dessas traduções no Império. Embora se declarassem tradutores, não informavam os nomes de quem de fato exercia essa função.
Aos subscritores,
Hoje termina a publicação do romance Quitança à meia noite; e brevemente principiaremos a publicar no Folhetim Os Mistérios da Inquisição, de M. Féreal.
Declaramos que não consentiremos na reprodução destas traduções — que são propriedade nossa — dentro do Império (O Progresso, 23 jul. 1847, n. 143, p. 1, grifo nosso).
Segundo Sacramento Blake (1883, p. 318), quem traduziu Quitança à meia noite e Os Mistérios da Inquisição, bem como o Mendigo Negro, de Paul Féval, também publicado nesse jornal, mas indisponível atualmente, foi Antônio Rego. Ainda no verbete de Sacramento
Blake (1883)sobre O Progresso, consta que este foi o primeiro jornal do Maranhão a criar o espaço Folhetim. Quanto a esta informação, discordamos, pois, nesta pesquisa, constatamos que o primeiro periódico a apregoar prosa de ficção dessa forma foi o Jornal Maranhense, em 1841, conforme mencionamos, neste capítulo da tese. A seguir consta um trecho do verbete de Sacramento Blake (1883):
— O Progresso. Maranhão, 1847 a 1857, in-fol. — com A. do Rego e A. T. de Carvalho Leal. Foi a primeira publicação que a província do Maranhão teve, em que começaram a publicar-se folhetins em rodapé, sendo aí impressos os romances traduzidos por A. do Rego: Os Mistérios da Inquisição, de Féreal; Quitança à meia-noite, e O Mendigo Negro, de Paul Féval (SACRAMENTO BLAKE, 1883, p. 318).
A publicação de Os Mistérios da Inquisição e de outras Sociedades Secretas de Espanha teve que esperar, porque o jornal necessitou veicular a Lei Regulamentar das Eleições. Ato explicado pelos redatores, com este aviso: “Antes de principiarmos a publicar Os Mistérios da Inquisição, julgamos acertado dar a Lei Regulamentar das Eleições, em folhetim, para comodidade dos leitores, notados os atos do governo que a ela se refere” (O Progresso, 24 jul. 1847, n. 144, p. 1). Em nove de agosto de 1847, n. 155, começou a propagação do romance de Féreal, no mesmo estilo de Quitança à meia noite. Como existe cópia do exemplar que começou a veiculação do romance, observamos que o título da obra vinha do lado direito do Folhetim, sugerindo que a leitura das colunas deveria começar por esse lado, assim como em Quitança à meia noite em que também percebemos isso pela numeração das páginas. No dia seguinte, começou um novo romance Os infortúnios de um inglês, de Paul de Kock, portanto O Progresso estava publicando dois romances, ao mesmo tempo.
Com circulação simultânea de duas obras no modo jornal-livro, o rodapé virou um imbróglio, uma vez que só era possível distinguir os romances pela numeração das páginas e pelas histórias. Nessa mistura ainda acrescentou a biografia de Paul de Kock. Os infortúnios de um inglês terminou dia 24 de agosto, n. 166; e Os Mistérios da Inquisição continuaram sozinhos até 20 de setembro de 1847, n. 185, quando começaram a dividir o espaço com várias poesias, anônimas e, às vezes, sem títulos. Ora reinando sozinho, ora se revezando com poesias, biografia e outro romance, observamos Os Mistérios da Inquisição até 31 de dezembro de 1847, n. 257, sem conclusão. Provavelmente tenha continuado no ano seguinte, contudo não existem mais cópias desses jornais. O romance propalava no rodapé do periódico, em duas colunas, separadas por muito espaço; com numeração alternada ou
contínua das páginas, na parte superior de cada uma, tornando possível encaderná-lo no formato brochura; o título apareceu somente no primeiro dia de veiculação, seguido pelo início do primeiro capítulo, na mesma página; além disso, o jornal omitia a palavras “Folhetim” e “Continua”; ou seja, o romance circulou no modo jornal-livro. Na imagem seguinte consta o início do romance Os Mistérios da Inquisição e de outras Sociedades Secretas de Espanha.
Figura 32 - Os Mistérios da Inquisição no jornal O Progresso (9 ago. 1847, n. 155, p.1)
Fonte: http://www.memoria.bn.br/.
O jornal O Porto-Franco propagou de 25 junho a 31 de dezembro de 1849. Foram 87 edições, impressas na Tipografia de J. A. G. de Magalhães. Seus redatores eram João Bernardino Jorge Júnior e Henrique Roberto Rodrigues. Publicava-se quinze vezes no mês. Durante a existência desse jornal, circulou em seu rodapé, o romance Saturnino Fichet ou A Conspiração de la Rouaire, de Frédéric Soulié. Com o fim da circulação do periódico, a obra ficou incompleta.
O modo de circular prosa de ficção, nessa folha, era o jornal-livro semelhante ao que ocorria no jornal O Progresso: vinha no rodapé, sem a denominação de Folhetim; parecendo a uma cópia de livro, que ora seria lido da coluna direita para a esquerda, ora da coluna
esquerda para a direita, e ainda com as páginas salteadas, aspecto constatado pela numeração das páginas que apareciam na parte superior de cada lado do rodapé; com o diferencial de que no jornal O Porto-Franco os rodapés ocupavam a metade das páginas e eram impressos em fonte igual à do corpo do jornal, dessa forma, o escrito ganhava mais destaque no periódico, circulava por maior período e tornava-se mais apelativo. O prólogo desse romance inicia-se logo após o título da obra.
Essa forma de propagação dialoga perfeitamente com D. F. McKenzie (1999), a respeito dos recursos tipográficos, que de acordo com o teórico, formam um sistema interpretativo, capaz de suscitar, juntamente com os sinais verbais, leituras informativas relentes para decisões editoriais, bem como para o julgamento do leitor a respeito do trabalho de um autor. No caso das publicações dos jornais-livros, inferimos que a intenção era tornar a prosa de ficção veiculada nos jornais maranhenses semelhante ao suporte livro, tanto no formato quanto na durabilidade, quebrando a efemeridade dos jornais, visto que as obras circulavam prontas para serem encadernadas como livros, assim durariam mais que os periódicos.
Do romance Saturnino Fichet ou A Conspiração de la Rouaire encontramos no Google Books uma tradução do francês para o espanhol, de 1847, em Madrid, com o título alterado para Aventuras de Saturnino Fichet, formada por quatro volumes. A imagem seguinte apresenta a obra no suporte jornal.
Figura 33 - Início de Saturnino Fichet ou A Conspiração de la Rouaire (O Porto-Franco, 25 jun. 1849, n. 1, p. 1)
A Revista Universal Maranhense: Ciências - Agricultura - Indústria - Literatura - Belas artes - Notícias e Comércio circulou entre maio de 1849 e abril de 1850, em doze edições, entre dezesseis e vinte e seis páginas cada, com numeração contínua, chegando ao total de 196 laudas. Apresentava duas colunas, com um espaço considerável entre as linhas, e um fio grosso separando-as. Essa forma dá um aspecto rarefeito ao periódico, tornando a leitura mais rápida. Todas as matérias já constavam no índice da primeira edição, a exemplo do Jornal de Instrução e Recreio, confirmando que ela também foi compilada e encadernada como um livro, assim como ocorria com diversos jornais do Brasil e de outros países.
Muitos de seus redatores eram os que formavam a Associação Literária Maranhense, como Alexandre Teófilo de Carvalho Leal, Antônio Rego, Augusto Frederico Colin, Carlos Chidloi, D. J. Monteiro, Fábio Alexandrino Carvalho Reis, Gregório T. O. Maciel da Costa, João Antônio de Carvalho Oliveira, Frederico José Correia, João Nunes de Campos, Joaquim Norberto de Sousa e Silva, J. C. de Menezes e Souza Júnior, José Jauffret, Antônio Gonçalves Dias, José Joaquim Ferreira do Valle, Manoel de Araújo Porto-Alegre, Manoel Pereira da Silva, Raimundo José Ferreira Vale, Antônio Henriques Leal, entre outros (A Revista Universal Maranhense, 1850).
A Revista Universal Maranhense apresentava as sessões: Conhecimentos Úteis, Parte Literária, Belas-Artes, Notícias e Comércio. Essa forma eclética segundo a introdução desse periódico era para alcançar o maior número possível de leitores e de escritores, objetivando circular por um longo período, ao contrário de outros periódicos, que pereceram por falta de matérias, em vista de tratarem unicamente das literárias, como aconteceu com O Arquivo, “que morreu quando se achava mais rico de assinantes, só por lhe falecerem recursos propriamente literários, único de que se ocupava” (Revista Universal Maranhense, 1º maio, 1849, n. 1, p. 1). Os redatores da Revista Universal, eram praticamente os mesmos do jornal O Arquivo, por isso citaram-no sem ressalvas, todavia, constatamos que este era predominantemente literário, não totalmente, uma vez que difundiu mais escritos literários, porém veiculou grande quantidade de obras científicas, como podemos observar, por exemplo, no primeiro exemplar, que trouxe nove escritos na sessão Literatura e cinco na sessão Ciências.
A escassez de matérias pode ter sido uma das causas do fim do jornal O Arquivo, mas não a única, em vista de no comportamento desses redatores transparecer uma inquietação, que os encorajava a fechar um jornal com, em média, um ano de circulação e lançar outro. Foi assim com o Jornal de Instrução e Recreio (1845), encerrado inexplicavelmente com um ano de apregoação. Em seguida, criaram O Arquivo (1846), encerrado da mesma forma. Com o
fim deste jornal, a Associação Literária Maranhense se desfez, mas seus redatores permaneceram colaborando em alguns periódicos. Em 1849, muitos desses jornalistas uniram- se e criaram a Revista Universal Maranhense. Para que esta revista não deixasse de circular precocemente, também em sua introdução constava que sua abrangência atingiria diversos grupos sociais, como poetas, romancistas, comerciantes, lavradores, matemáticos, moralistas, críticos, autores. Esse tipo de periódico já existia em outros lugares, mas poucos maranhenses tinham acesso, então a Revista supriria essa necessidade. A citação seguinte mostra as intenções da abrangência de público da Revista Universal Maranhense e o espaço que pretendia ocupar:
Esta [Revista Universal Maranhense] pelo contrário dá lugar a variedade de gostos e estudos — ao poeta como ao romancista, ao comerciante como ao lavrador, ao matemático como ao moralista, ao crítico como ao autor. Todos os escritores acharão um lugar para as matérias do seu gosto e do seu estudo; todos os leitores acharão matérias de utilidade ou recreio.
Assim esperamos não franquear no meio da carreira, com tais recursos e meios.
Muitos jornais existem no mundo, que se ocupam de tais matérias; porém poucos são os que os podem alcançar entre nós, e a Revista Universal Maranhense substituirá essa falta em grande parte (Revista Universal Maranhense,maio, 1849, n. 1, p. 1).
A estratégia, porém, não evitou que esse periódico também deixasse de funcionar com um ano de circulação, e sem justificativas, pois na última edição, mencionaram apenas o término do ano, não da Revista: “Com este número finaliza o primeiro ano desta publicação” (Revista Universal Maranhense, 15 abr. 1850, n. 12, p.1), criando uma expectativa de que continuaria a circular, mas isso não aconteceu.
Comentamos que alguns jornais maranhenses deixavam de circular por escassez de matérias, falta de dinheiro, mas também por causa da inquietação e da vaidade dos colaboradores que os incentivavam a criarem e fecharem periódicos, a procura de novas aventuras jornalísticas, literárias; ou na busca incessante de atingir cada vez mais leitores. Comparando com o século XXI, essa “matança” dos jornais do século XIX assemelha-se aos programas de televisão que desaparecem e ressurgem, com algumas mudanças, na tentativa de sobreviverem na mídia.
Outros motivos para a extinção dos periódicos surgiram no reclame veiculado no jornal Ordem e Progresso, de 16 de fevereiro de 1861, n. 9, p. 4, que tinha como objetivo comunicar o reaparecimento do jornal A Verdadeira Marmota. Seriam “a indolência e lassidão que geralmente ataca[m] os jornais recreativos nessa província” (Ordem e Progresso,
16 fev. 1861, n. 9, p. 4). Na verdade, existiam jornais efêmeros em todo o país. A figura seguinte é o anúncio a que nos referimos neste parágrafo.
Figura 34 - A Verdadeira Marmota – anúncio (Ordem e Progresso, 16 fev. 1861, n. 9, p. 4)
Fonte: http://www.memoria.bn.br/.
Na Revista Universal Maranhense circularam três traduções de prosa de ficção: As Mulheres Célebres, do escritor português João Antônio de Carvalho e Oliveira (1806-1872), em três edições, na sessão Parte Literária, essa obra também circulou no periódico A Revista, em 1850, conforme vimos, nesta tese, o que significa que era um escrito preferido pelos leitores; José Juan, o pescador de pérolas, anônimo, foi propalada em cinco edições, mas na sessão Notícias, o que mostra ainda a falta de clareza entre Literatura e realidade, porém, essa insegurança já era pequena, dado que esta foi a única prosa de ficção que estava fora da sessão adequada. O romance O Bravo foi a outra obra publicada na Revista Universal.
O Bravo, do norte-americano Feenemore Cooper (1789-1851), com tradução de Antônio Rego, identificada no início da obra, foi o destaque da prosa de ficção nesse periódico. Circulava na sessão Parte Literária, com o gênero romance em destaque, antes do título. Aparecia no corpo do jornal, em letras semelhantes às que compunham as demais matérias; ocupava em média cinco páginas por dia, de seis edições do jornal. Dividia a sessão com outros escritos e, quando estes eram poesias, O Bravo ficava em seguida. O gênero
romance, o título da obra, assim como o nome do tradutor, eram repetidos no início de cada dia de circulação. O nome do tradutor também se repetia todos os dias. Antônio Rego identificar-se na tradução, pode ter sido um fato encorajado pelo grande sucesso das traduções que ele fez antes para o jornal O Progresso, sobretudo do romance Os Mistérios da Inquisição, de Féreal, sendo que agora a disposição da tradução apresentava linearidade, ou seja, não recorria ao jornal-livro. Na Revista Universal Maranhense, Antônio Rego publicou também a tradução de Preleções de Medicina Homeopática, de Leon Simon. Nesta imagem encontra-se o início de O Bravo no periódico em estudo:
Figura 35 - O Bravo na Revista Universal Maranhense (1º maio, 1849, n. 1, p. 10)
Fonte: http://www.memoria.bn.br/.
O jornal O Estandarte: Folha Política e Industrial circulou entre 1849 e 1855, impresso na Tipografia Bem-te-vi, de José da Silva Maia, por Manoel Pereira Ramos, na Rua da Estrela, n. 53, em São Luís. Não veiculou prosa de ficção, mas apregoou o artigo “Prática
sobre a história e o romance”, um relevante escrito sobre a percepção do romance e da História no século XIX, no Maranhão, que circulou na sessão Variedades, subseção Mascarada, em 29 de janeiro de 1855, n. 7. Os artigos da Mascarada apresentavam títulos longos, formados por expressões separadas por pontos. No mesmo escrito eram tratados assuntos diversos, referentes a cada “título” anunciado49. Nesse escrito consta que os
romances, antes de 1855, eram vistos como algo sem importância, ou como muito perigosos. Não obstante, o autor advertiu que não havia motivos para isso, porque a visão drástica do