Del II: Metode for oppgaven
4.5 Datainnsamling og behandling
A necessidade de caracterizar os sujeitos advém da conceituação de prática docente assumida neste estudo. Se toda prática docente reflete um processo complexo de apropriação e construção que ocorre no entrecruzamento de biografia pessoal, história das práticas sociais e educativas, todo professor recorre a certos saberes adquiridos ao longo de sua experiência profissional, apreendidos em sucessivos momentos de sua vida pessoal ou estudantil (ROCKWELL; MERCADO, 1988; SALGUEIRO, 1998)
O perfil das formadoras foi construído coletando-se dados que englobaram as variáveis: idade, sexo, religião, etnia, estado civil, titulação acadêmica, tempo de profissão, tempo de trabalho na FAE/UEMG, participação em instituição política ou em partidos e associações de categorias profissionais, de modo a se obter uma dimensão histórica da vida pessoal, profissional e estudantil desses sujeitos.
Essas informações foram obtidas por meio de entrevistas, levantamento feito nos arquivos do CSFP/FAE/UEMG e complementadas com um questionário preenchido pelas formadoras, com o objetivo de verificar, além das categorias anteriormente apontadas, a titulação no momento de entrada no CSFP e no momento atual, a participação em palestras, seminários, simpósios e cursos feitos durante a realização do CSFP, e se o formador se dedicava apenas ao CSFP ou o conciliava com outras atividades.
Pode-se definir questionário como “um conjunto de perguntas, previamente estabelecidas, que ordena o raciocínio do entrevistado por uma lógica que atende, antes de mais nada, às necessidades da pesquisa na coleta de informações” (GONÇALVES; PARAÍSO, 1997, p. 10).7 O questionário aplicado (Anexo A) foi tecnicamente elaborado tendo em vista diferentes ângulos sobre os quais deviam apoiar-se os estudos que visavam à construção do perfil de professores, restringindo-se aos limites desta pesquisa, e à caracterização do grupo de formadoras.
A construção do questionário permitiu refletir sobre a pertinência de certos campos de
investigação.8 Como esses campos já aparecem em outros instrumentos que visam à
construção de um perfil de professores, decidimos, inicialmente, examinar alguns desses questionários para verificar até que ponto os respectivos ordenamentos de perguntas, apresentados por eles, poderiam ser validados, nesta pesquisa, considerando-se o grupo diferenciado de professores universitários. Assim, examinamos os questionários elaborados por: a) Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais (GAME) da UFMG, na construção do perfil das professoras das séries iniciais do ensino fundamental das escolas estaduais de Minas Gerais; b) Rocha (1996), em sua pesquisa sobre o perfil das professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Belo Horizonte; c) Lacerda (1999), na sua
7 Perfis em Questão – apresentação do Questionário da Pesquisa sobre o Perfil das Professoras das Séries Iniciais
do Ensino Fundamental das Escolas Estaduais de Minas Gerais – autoria de Luiz Alberto Gonçalves e Marlucy A Paraíso, em 1997 – GAME/UFMG.
8 Campos de investigação, conforme MARCONI & LAKATOS (1990), são conjuntos mais ou menos coerentes
de informações interligados, foi em função desses compôs que se procurou construir uma série encadeada de questões.
pesquisa sobre as práticas culturais dos professores da Universidade Estadual de Minas Gerais.
A partir da análise realizada, foi construído um questionário que permitiu mapear o perfil sócio-econômico e cultural das formadoras com o qual buscamos os aspectos determinantes da carreira docente: trajetória escolar, experiências profissionais, nível sócio- econômico, condições familiares e inserção sócio-cultural. Procuraram-se informações que pudessem indicar possíveis relações entre o período de desenvolvimento do CSFP e a formação continuada das formadoras, a carga horária de trabalho à época, e a inserção em órgãos de participação colegiada ou de pesquisa. Supõe-se que este contexto de vida teve influências significativas nas formas pelas quais o projeto de formação foi concebido e construído.
A versão final do questionário teve a seguinte ordenação dos campos de investigação: I) Dados Pessoais, II) Vida Familiar, III) Trajetória Escolar, IV) Experiências Profissionais, V) Inserção sócio-cultural. Nos três primeiros campos, propuseram-se, logo de início, questões simples e diretas, que abarcam dados mais objetivos. Portanto, há uma predominância de questões fechadas, embora se tenha incluído duas questões abertas que permitiram refletir sobre a formação continuada das formadoras.
Nos dois últimos campos, procedeu-se de maneira inversa: ao introduzir um número maior de questões abertas, procurou-se abarcar a diversidade de experiências e de inserções sócio-culturais do grupo. Aí o questionário pôde oferecer pistas que permitiram o estabelecimento de relações entre as práticas de vivências pessoais e as práticas pedagógicas de implementação da proposta.
Após o pré-teste foram acatadas as sugestões de reelaboração de algumas questões, visando à sua melhor compreensão ou incluindo aspectos que pudessem corresponder às diferentes possibilidades de respostas.
No campo de investigação da trajetória escolar incluíram-se questões que permitissem examinar as possíveis convergências ou incongruências na trajetória estudantil das formadoras, e que ajudassem a compreender suas representações sociais e práticas acerca da formação de professores. Ainda nesse campo de investigação, incorporam-se questões que as incitaram a falar sobre suas expectativas e seus planos quanto à carreira profissional, quanto à procura do estabelecimento e a possíveis relações com o período de desenvolvimento do
projeto, ou seja: se os desafios enfrentados na implementação da proposta de formação instigaram ao investimento no próprio desenvolvimento profissional.
No campo de investigação das experiências profissionais, dois aspectos foram considerados: a experiência das formadoras nos anos iniciais do ensino fundamental e a formação de professores. Como esta era uma das exigências do processo de seleção dos formadores, foi necessário verificar se pode ter contribuído na compreensão e no trato de questões sobre a sala de aula, problematizadas pelas alunas.
A introdução do campo de investigação “inserção sócio-cultural”, no questionário, se justificou por dois aspectos: primeiro, a construção de um perfil das formadoras que as concebesse como mulheres e cidadãs, integradas em um contexto cultural. Segundo, a constatação da importância atribuída às atividades nomeadas pelas formadoras como “ampliação do universo cultural das alunas” ao longo do processo de formação. Isso nos levou a levantar a seguinte questão: as suas experiências e vivências sócio-culturais teriam influenciado os modos como as formadoras conceberam e organizaram o processo de formação? Pretendeu-se evidenciar o pressuposto básico, que forneceu suporte para a elaboração do questionário, de que as experiências prévias, a história profissional, o contexto institucional, a inserção sócio-cultural compõem um quadro de comunicação e socialização no qual se originam as representações sociais – que são compartilhadas – e inerentes a um dado contexto.