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Nesse grupo de indicadores, o primeiro item é o da abrangência geográfica. Deve ser levado em conta que a maioria das organizações pesquisadas tem por objetivo promover sua missão junto a toda a população, sem nenhuma restrição quanto a local. No entanto, foram encontrados casos como, por exemplo, o do Grupo Pela Vidda que atua exclusivamente na cidade do Rio de Janeiro. Por esse motivo, a importância do indicador é relativa aos objetivos de expansão territorial de cada uma das organizações.

No que diz respeito ao número atual de funcionários da organização, o entendimento é o de que é um indicador que reflete, em parte, as condições da organização de crescer, inovar, mobilizar pessoal em novas atividades, executar um maior número de projetos e atingir seus objetivos programáticos. Esse indicador foi considerado de importância relativa porque, em alguns casos, como solução para o problema de pessoal reduzido, a organização pode adotar uma estratégia de estabelecimento de parcerias ou recorrer a voluntários.

Assim, devemos também examinar os dados sobre o número de voluntários sensibilizados e capacitados para atuar nos projetos das organizações. Essa informação é uma boa indicação da capacidade institucional de mobilizar a sociedade civil para participar de suas atividades e atuar no cumprimento de sua missão. Ao juntar-se a uma dessas organizações como voluntário, as pessoas se tornam participantes de seus projetos, membros da organização e promotores de seus ideais. Deve ser reconhecido que em alguns casos é necessário o dominar determinados conhecimentos técnicos,

dispor de muito tempo livre ou atuar em atividades fora de sua localidade de residência, o que, neste caso, pode dificultar ou mesmo impossibilitar a atuação de um corpo voluntário.

Finalmente, nesse grupo de indicadores, o objetivo aqui é estudar também o número atual de projetos. Esse dado é um demonstrativo da capacidade da organização de coordenar diferentes ações simultâneas, alocar pessoal em múltiplas tarefas e intermediar negociações com diferentes financiadores e parceiros.

O CDI está presente hoje em dia em 19 estados e 30 cidades do Brasil e ainda em outros oito países. A organização reduziu sua presença, em comparação com 2003, quando esteve em 20 estados e 38 cidades no Brasil e em 11 outros países. No entanto, a sua abrangência ainda é superior a das outras organizações pesquisadas.

O modelo de gestão adotado pelo CDI faz uso de uma estrutura bastante reduzida, com apenas 26 funcionários no seu escritório matriz. Essa questão chama a atenção, principalmente, se consideramos o número de 965 escolas em funcionamento. Entretanto, a organização conta com uma rede de 30 escritórios regionais que apóiam as atividades de implantação, supervisão e assessoria às escolas. Esses escritórios devem seguir a missão e o projeto pedagógico do CDI - matriz, ainda que funcionem como cooperativas e tenham total autonomia administrativa e financeira. A organização conta igualmente com um grande número de voluntários (1.500), o que ajuda a compor a estrutura necessária para a realização de todas as suas atividades. Não foi possível analisar a performance do CDI em relação ao número de projetos, pois a organização

não computa essa informação.

O Grupo Pela Vidda tem por objetivo atuar apenas na cidade do Rio de Janeiro, o que limita por principio a sua expansão geográfica. No que diz respeito ao número de funcionários (13), os resultados do grupo podem ser considerados excelentes, principalmente, se comparados com organizações de maior porte como o CIEDS e a São Martinho, no que diz respeito, por exemplo, ao número de beneficiados diretos (tabela 8.8). Junto com os funcionários, a organização contou com o apoio, no ano de 2004, de um grupo de 90 voluntários, o que também pode ser considerado um bom resultado, levando-se em conta que a atuação do Grupo Pela Vidda está restrita à cidade do Rio de Janeiro.

Em relação ao número de projetos, o Grupo Pela Vidda considera que existem três grandes empreendimentos, e a partir deles, diversas linhas de ação são desenvolvidas. Na verdade, através das entrevistas verificou-se que a organização funciona como se o número de projetos fosse muito maior, não importando os números oficiais.

Quanto à abrangência geográfica, a São Martinho não tem nenhuma restrição, mas seus projetos e atividades têm se limitado ao estado do Rio de Janeiro. A organização tem uma estrutura parecida com a do CIEDS e conta hoje com 231 funcionários, instalados no seu escritório central e em suas diversas unidades como: as casas de residência, o núcleo comunitário etc. Além disso, a São Martinho tem atualmente um grupo de 30 voluntários atuando nos seus projetos. A organização tem 11 projetos em execução, um número que parece adequado à estrutura e à experiência verificados nesta pesquisa.

Historicamente, o Pró-Natura tem trabalhado em todo o território brasileiro e em alguns outros países. Entretanto, a redução do número de seus projetos e os recentes cortes orçamentários resultaram num encolhimento de sua abrangência geográfica. Com uma estrutura bem reduzida, parecida com a do Grupo Pela Vida, o Pró-Natura conta hoje em dia com uma equipe de oito funcionários, responsável por todos os seus projetos e atividades administrativas. No entanto, os dados demonstram (tabelas 8.8, 8.9 e 8.10) que o Grupo Pela Vidda consegue resultados muito melhores. Diferentemente das outras organizações pesquisadas, o Pró-Natura informa não ter nenhum voluntário neste momento. A organização relata também que, atualmente, apenas dois projetos estão sendo executados, o que ajuda a explicar as suas dificuldades financeiras e administrativas. O pequeno número de funcionários, o fato de não contar com voluntários e a redução da abrangência geográfica têm impacto direto no baixo número de projetos.

Já o CIEDS, após um início de atividades focado no estado do Rio de Janeiro, vem expandido sua abrangência geográfica, chegando a outros estados do Brasil, como Minas Gerais, Pará e Sergipe. A organização relata interesse em continuar aumentando sua presença em outras áreas do país. O crescente número de funcionários (400 atualmente) reforça essa postura, ainda que muitos deles estejam alocados diretamente nos projetos em execução, e não nos escritórios da organização. O CIEDS relata a capacitação de 25 voluntários no ano de 2004, para atuar em seus projetos, resultado ainda pequeno quando comparado com o de outras organizações como o CDI e o Grupo Pela Vidda (tabela 8.9). Destacamos também o crescente número de projetos, chegando a 19, compatível com a estrutura e a proposta de expansão da organização.

Deve ser ressaltada também a atuação de voluntários nos conselhos consultivos e/ou deliberativos das organizações pesquisadas. Muitas vezes constituídos por voluntários com vasta experiência profissional em diversas áreas de interesse institucional, esses conselhos colaboram para a reflexão crítica em diversas áreas da organização.

Tabela 8.9 Indicadores gerais: Grupo B

Situação atual

Organização Abrangência

geográfica Funcionários Voluntários Projetos

CIEDS Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Sergipe 400 120 19

São Martinho Cidades do Rio de

Janeiro e Niterói 231 30 11 CDI Brasil: 30 cidades em 19 estados Exterior: 8 cidades em 8 países 26 1.500 ND Pró-Natura Brasil 8 ND 2 Grupo Pela Vidda Cidade do Rio de Janeiro 13 90 3

Fonte: elaborada pelo autor.