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3. Metode

3.2 Forskningsdesign og metode

3.2.2 Datainnsamling

Através do diálogo expressamos quem somos, o que buscamos; através do diálogo nos constituímos, nos relacionamos com os outros seres à nossa volta e com eles experimentamos

as possibilidades do viver, no exercício da “pronúncia do mundo, para a sua transformação” (FREIRE, 2004, p. 166). O diálogo é condição para que se realize a ação conjunta, para que surja a co-laboração, atributo de sujeitos, possibilitando que estes se voltem para a realidade problematizando-a, desvelando-a, exercendo “uma análise crítica sobre a realidade problema” (FREIRE, 2004, p. 167). O diálogo pressupõe amor ao mundo e aos seres humanos, humildade, fé nos homens, confiança, esperança e criticidade (FREIRE, 2004, p. 79-83), requisitos que se materializam no cotidiano, como exemplifica Simião.

[...] às vezes, você, por ser um profissional, acha que o que você impõe tem que tá sempre colocado no coração da pessoa. Mas, às vezes, você também tem que se colocar na pessoa dela, você vai entender, tem que entender as dificuldades, tem que entender a postura, tem que entender se você vai afrontar ela ou não com palavras. Eu acho que você tem que saber lidar com os dois pensamentos, com o seu e o do próprio educando. (Simião)

Reconhecer as diferenças entre educador e educando implica num processo mais amplo de reconhecimento das diferenças humanas e do respeito que cada pessoa merece receber na expressão dessas diferenças. Implica na compreensão de que há que se buscar saber o que o outro pensa, e construir juntos um consenso possível. Adriza demonstra este movimento apontando as formas como trata a discordância dos educandos frente a alguma atividade proposta por ela.

[...] Tem dia que eu chego na sala que os meninos não tão a fim de ler texto, não tão a fim e eu vejo que eles não tão. Eu não vou tentar obrigar eles, não vou empurrar aquilo à força. Eles falam: “Ah, deixa eu jogar, deixa...” Eu tento fazer acordo com eles, eu tento falar: “A gente faz isso, depois cês jogam”, entendeu?, pra as duas partes estarem satisfeitas, porque não é bom ninguém fazer uma coisa contra a sua vontade, os meninos se sentirem forçados a estarem aqui na sala, forçados a fazer coisas que eles não querem. E às vezes quando eles... sento com eles e falo: “Tá bom, o que está acontecendo? Porque que não... ninguém quer fazer nada? Então não vamos fazer”. Agora nem sempre é assim, né, do gosto deles. Eu tento colocar o que é a minha opinião e o que é que é o propósito da atividade e também respeitando a opinião deles, né? [...] (Adriza)

A educadora aponta diversas possibilidades de ação frente à oposição dos educandos em relação à proposta apresentada. Tais possibilidades incluem tanto acordos que atendam parcialmente à solicitação dos educandos, quanto o atendimento integral dessa solicitação ou ainda a sua negação total. Adriza demonstra o que entendo ser o fundamental da sua abordagem dialógica: a partir da garantia da expressão das posições e motivos de cada um, buscar conjuntamente encaminhar a situação, percebendo que cada momento deve ser analisado na sua particularidade, que não existe uma diretriz única de ação. Neste processo se considera o momento dos educandos, incluindo o significado da atividade para eles; se considera o propósito da atividade no contexto daquele grupo; e se considera a leitura que a educadora realiza da atividade que planejou e da situação apresentada pelos educandos.

Estar em diálogo, mais do que o uso de palavras, é uma postura que envolve a disponibilidade para fazer juntos, no respeito mútuo. O diálogo pode se expressar de diversas formas, inclusive nas brincadeiras, aspecto muito presente em ambas as atividades observadas. Comentando sobre como vê o papel da brincadeira durante a atividade, Simião diz:

Dependendo da situação ela pode ajudar até mesmo pra ele [o educando] não ficar uma pessoa monótona, uma máquina movendo outra máquina, mas pra haver também uma comunicação, que eu acho que isso é importante. Até mesmo no meio dessas brincadeiras acontece de um querer saber se o outro é mais capacitado, se o outro já tá lidando mais com a situação e... e surge uma brincadeira de um querer ser melhor do que o outro. A gente acaba argumentando que não é assim, você tem que exercer com paciência, alcançar a qualidade, não querer ser melhor do que ninguém, pra que num... num perca, né, a... a virtude da Tecelagem que é te capacitar e não produzir pessoas que querem ser superior às outras, mas que todos possam alcançar a mesma meta de ser um profissional. (Simião)

A brincadeira surge, a partir das palavras do educador, como promotora de comunicação e afirmação de humanidade, estratégia usada pelo educando para escapar da automatização, para não terminar se transformando numa máquina, extensão do tear. Propicia também oportunidade para os educandos trocarem idéias e se perceberem no processo de aprendizagem em curso.

A sabedoria popular afirma que “é brincando que se diz a verdade”, e percebe-se que nas brincadeiras de querer ser melhor que o outro se encontram expressões de competição entre os educandos, traço comum numa sociedade que não oferece lugar para todos, na qual é preciso ser o melhor para garantir alguma perspectiva positiva de futuro. Tomando a brincadeira competitiva como mote, Simião traz à cena outra concepção, na qual a qualificação de cada um deve se refletir no crescimento coletivo, indicando uma perspectiva contrária à dos modelos opressores individualistas.

A perspectiva apontada por Simião encontra eco no que afirma Silva (2003, p. 181) acerca do sentido da educação entre africanos e afro-descendentes, ou seja, considera educação como “processo de ‘construir a própria vida’”, ocorrendo em relações diversificadas nas quais se efetuam transmissões relativas a experiências vividas, visões de mundo, conhecimentos desenvolvidos. A construção da própria vida, no entanto, só adquire sentido quando não objetiva apenas o crescimento individual do aprendente, mas contribui para o fortalecimento da comunidade da qual se faz parte. “Só se torna educado quem se vale da educação para progredir no tornar-se pessoa, o que implica fazer parte de uma comunidade” (SILVA, 2003, p. 186).

O diálogo é condição imprescindível para a co-laboração (FREIRE, 2004, p. 165), o fazer juntos, justamente porque ao propiciar um encontro de sujeitos evidencia o caráter

relacional e interdependente destes sujeitos, marcando as relações entre educandos e educador(a) como também entre os educandos.

O exercício do diálogo permite que o outro seja percebido com suas diferenças, nas suas ações e contradições, abrindo possibilidades para que cada um se perceba e ao outro, pergunte, busque respostas, critique e seja criticado. Esta atitude de reconhecimento e aceitação do outro e de si mesmo, por isso, não significa estagnação, mas a compreensão de que mudanças verdadeiras só ocorrerão na medida em que os sujeitos consigam perceber criticamente a realidade em que estão sendo e a si próprios.

6.3. Buscar a coerência do próprio comportamento, mantendo contato com sua