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In document Både prosjektleder og personalleder? (sider 54-58)

A coleta de dados ocorreu quando o investigador chamou o sujeito a cooperar e participar do estudo e explicou a sua relevância social e psicológica para o estudo. A partir de uma entrevista fenomenológica, o pesquisador procura, por meio da sua linguagem, com sua experiência consciente que desvela a essência do estudo. Ela se dá nesse encontro entre este indivíduo que sabe alguma coisa e vai descrevê-la ao pesquisador que deseja conhecê-la, e que tem a intenção de estudar, envolvendo aí uma intersubjetividade que permite partilhar compreensões, interpretações e comunicações (AMATUZZI, 2004; FORGHIERI, 1993; MARTINS; BICUDO, 1989).

Esse instrumento de fazer pesquisa procura compreender a experiência vivida, apreendendo o entrevistador o discurso do entrevistado “na sua intencionalidade própria e constitutiva, ou seja, naquilo que ele pretende efetivamente dizer” (AMATUZZI, 2004). Torna-se possível ao pesquisador encontrar um sentido para essa experiência que lhe permita integrá-la em sua totalidade psíquica, existencial e espiritual, ampliando assim sua saúde e seu recurso de enfrentamento pelas necessidades e exigências da vida.

A pesquisa foi iniciada com uma aproximação aos pacientes com câncer e em tratamento ambulatorial, quando nos apresentamos e explicamos o objetivo do estudo. Foi realizada a entrevista aberta em um único encontro, com a seguinte questão norteadora: Como o sr/ sra. está vivendo este momento de sua vida? A partir daí buscamos ampliar e aprofundar as respostas dos pacientes com outras questões que foram necessárias e relevantes para o tema em estudo (MARTINS; BICUDO, 1989) (ANEXO C).

Os pacientes puderam falar livremente, no seu tempo necessário, expondo suas vivências. Foi adotada uma postura cuidadosa, empática e compreensiva, para proporcionar aos pacientes e aos profissionais de saúde sentirem-se livres para expressarem seus medos, angústias e conflitos frente à situação de doença.

É papel do pesquisador aprimorar estas atitudes. É esta postura do investigador que define a maneira como o conhecimento vai ser compreendido, pois a imparcialidade completa do seu mundo-vida é praticamente impossível. O pesquisador não é apenas presença física, ele é humano e carrega os seus valores e vivências. Então, é preciso estar atento a estas atitudes onde ocorre uma comunhão, com o outro, um compartilhar, e assim é possível apreender e compreender o paciente no seu modo de ser no mundo em que habita (MARTINS;

BICUDO, 1989). Quando necessário, foi sugerido para o paciente com câncer procurar o serviço de psicologia do Hospital.

O pesquisador utilizou, além de questões preestabelecidas, também as seguintes intervenções sugeridas por Erthal (1994): inquisitiva, continuação, refletora de vivências emocionais, como por exemplo, “Fale mais sobre isso”, “Como se sente frente a isso?”, “Como foi isso?” “Como está vendo isso?” Procurei favorecer aos pacientes o alívio de sentimentos, ao possibilitar ventilá-los. Em alguns momentos, respondia com gestos não verbais, como forma de transmitir apoio, e retomava a questão inicial, quando necessário.

O mesmo procedimento foi feito com os profissionais de saúde. A pesquisadora se aproximava, explicava o objetivo do estudo e iniciava a entrevista com a pergunta “Como o sr. percebe a questão da religiosidade e da fé para os pacientes com câncer? Como o sr. vê a fé na sua vida? Foram feitas também pontuações e intervenções no decorrer da fala dos profissionais para ampliar e aprofundar as suas respostas com outras questões, quando fossem necessárias e relevantes para o estudo (ANEXO D).

Logo após cada entrevista, quando possível, era feita a transcrição no computador, evitando a perda das expressões não verbais dos pacientes e dos profissionais de saúde, assim como outras informações importantes para o estudo eram registradas. Todos os participantes convidados aceitaram livremente participar do estudo (ANEXO E e F).

No entanto, para a análise compreensiva não foram utilizadas todas as entrevistas. Não é preestabelecida a definição do número de entrevistas a serem realizadas, tanto para os pacientes como para os profissionais de saúde. As entrevistas cessam quando o pesquisador percebe nelas a convergência de temas, falas comuns aos entrevistados. As divergências também são consideradas, tendo em vista o objetivo do estudo.

7 ANÁLISE FENOMENOLÓGICA DAS VIVÊNCIAS DOS PACIENTES COM

CÂNCER E PROFISSIONAIS DE SAÚDE À LUZ DE STEIN

Dentro do método fenomenológico, uma modalidade de pesquisa qualitativa em Psicologia, apresentamos algumas etapas que irão nos auxiliar na análise fenomenológica dos discursos sobre as vivências dos colaboradores desta pesquisa. O referencial de análise fenomenológica baseada nas propostas de Giorgi (1978), Martins e Bicudo (1989), Forghieri (1993) e Valle (1997) constituem os seguintes momentos:

• Fazer uma leitura geral cuidadosa de cada entrevista para ter uma visão do todo;

• Reler cada entrevista, quantas vezes for necessário, para encontrar falas reveladoras da interrogação inicial do pesquisador, que aparecem como evidências da experiência vivida e, assim, chegar às unidades de significado. É importante mencionar que na abordagem fenomenológica a trajetória do estudo é “disparada” pela interrogação do pesquisador. É através desta que se definem os procedimentos, os sujeitos e os caminhos para a análise dos dados e sua interpretação;

• Diante das afirmações significativas de cada sujeito, ter uma postura imaginativa e reflexiva para expressar o que se intui dentro delas mesmas. É preciso ter claro que os recortes selecionados mostram a disposição, a atitude e a expectativa do pesquisador;

• Buscar as convergências e as divergências dessas unidades de significado e constituir as categorias temáticas que devem expressar o significado da religiosidade para os pacientes com câncer, bem como os profissionais de saúde atribuem significado à religiosidade de seus pacientes.

• Por último, diante do que se desvelou ao pesquisador, é feita uma síntese descritiva para mostrar a compreensão que a pesquisadora teve dos pacientes com câncer e dos profissionais de saúde frente ao tema religiosidade/espiritualidade.

Utilizam-se, também, algumas reflexões de Forghieri (1993)28 nessas etapas

de compreensão dos discursos dos sujeitos deste estudo. O pesquisador deve ficar atento a dois momentos essenciais, ao fazer a análise. Primeiramente, o pesquisador deve manter uma postura de abertura para a vivência que deseja estudar e, assim, obter, de modo espontâneo e experiencial, o contato com a

28 Forghieri(1993) é uma das pioneiras estudiosas, na Psicologia, em trabalhar com pesquisas

mesma. Nesse momento, é preciso que o pesquisador suspenda seus conhecimentos a priori sobre a vivência e, se esforce para abandonar sua conduta intelectualizada. É fundamental que manifeste sua percepção, sua intuição, as sensações e sentimentos para que se forme uma compreensão geral, intuitiva e pré- reflexiva da vivência do sujeito.

O segundo passo é o pesquisador procurar se distanciar da vivência, para que possa fazer uma reflexão sobre aquela compreensão intuitiva, quando pretende captar e descrever um sentido para a vivência. Forghieri (1993) afirma que estes dois momentos ocorrem ao mesmo tempo em nossa experiência original e são reversíveis. Não tem separação deles, apenas se dá ênfase de um ou do outro. Por mais rigor que alcance, será a visão subjetiva obtida pelo pesquisador em relação ao fenômeno observado. Portanto, a experiência original pura é perdida no momento da entrevista.

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