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Datagrunnlag

1 INNLEDNING

1.2 Premisser for arbeidet

1.2.5 Datagrunnlag

As práticas litúrgicas da CB que incluem a cura e o exorcismo não se restringem à sua sede mundial em Brasília, mas estendem-se à suas filiais, espalhadas pelo Brasil e fora dele, recebendo tanto o acolhimento do povo necessitado, quanto a repulsa de autoridades que veem nelas o curandeirismo e a exploração da fé pública, como foi o

96 Disso dou testemunho: conheci Marisete quando ainda paralítica. Mais tarde ela e seu marido tornaram- se meus alunos num curso de teologia.

caso da CB em Maringá, no Norte do Paraná, denunciada pelo jornal Folha de São Paulo:

No começo, a instalação da CB num espaçoso prédio da Av. Piratininga, quase no centro de Maringá, não foi levada muito a sério. Para muitos, tratava-se de mais uma igreja nova, dessas que surgem da noite para o dia e pouco tempo depois desaparecem por falta de seguidores. No entanto, menos de um anos depois de estar em funcionamento, a CB começou a apresentar um desafio para as autoridades locais, e está sendo objeto da maior polêmica na cidade, envolvidos tanto pessoas simples como o padre e o próprio bispo diocesano Dr. Jaime Luiz Coelho.

Milagres

O motivo principal da preocupação dos religiosos e das autoridades policiais é de que, apesar de muito grande, o prédio alugado pelo Miss. Miranda Leal, para o funcionamento da CB, acabou tornando-se pequeno, tal o volume de gente simples que aparece em Maringá, vindas dos mais distantes pontos do país. Essa gente simples e analfabeta e sofredora vem à procura dos milagres de M.L. que já estão ficando conhecidos bem longe do Estado. Como bom comerciante ML não faz nada de graça: cobra pelos milagres. Mas isto não preocupa os seus seguidores, muito mais interessados na cura do que no preço. O “missionário” contratou horários nobres nas emissoras de rádio e televisão no Paraná onde divulga sua capacidade milagreira. Na TV o comercial da CB mostra uma foto do Pr. em ação e uma vista geral do público assistente de uma sessão missionária, além de uma parede do prédio onde centenas de muletas estão dispostas dando a entender que foram deixadas pelos que receberam a graça da cura.

Inquérito

A exploração popular começou a ser alvo de inquérito por moradores da cidade, principalmente porque o uso dos meios de comunicação usados pelo missionário produziu efeito tão extraordinário que está sendo difícil até transitar pela Avenida Piratininga, no trecho onde se instalou a CB ou “A Tenda dos Milagres” como é chamada pelos seus freqüentadores. O Deputado Federal Walber Guimarães (PMDB), derrotado nas eleições do ano passado em Maringá quando disputou o cargo de Prefeito Municipal, declarou que a estada desse suposto missionário na cidade é maléfica à cidade porque o povo está sendo explorado. “... o missionário me procurou algumas vezes em troca de apoio, mas eu sempre recusei o apoio de padres ou pastores... mas sei e outros políticos que ele acabou apoiando na campanha (...) suas exigências eram absurdas”. O político deu a entender que grandes quantias estavam envolvidas na proposta de Miranda Leal. O vereador José Maria Bernardelli do MDB afirmou que “na abertura dos trabalhos legislativos “Irei denunciar as explorações maléficas da crendice popular do pseudo missionário Alécio Miranda Leal perpetra diariamente. Não podemos permitir que o povo acossado pela crise venha a pagar com seus suados tostões os milagres que não existem. Vamos solicitar também à Receita Federal que investigue também o recolhimento do Imposto de Renda deste cidadão. Apenas um vereador procurou até agora para defender o vendedor de milagre, justamente por haver feito, juntamente com Miranda Leal o misterioso acordo político denunciado e recusado pelo candidato a Prefeito Walber Guimarães. O defensor é vereador também do PMDB, Tércio Hilário de Oliveira que confirmou inclusive ter sido procurado pelo missionário e aceito depor em seu favor na Delegacia de Polícia onde o Delegado Durval de Oliveira pretende apurar tudo o que ocorre de ilegal na CB. Disse vereador que vai lutar para defender com todas as forças o missionário quando o assunto chegar à Câmara.

55 Disse: “Com o conhecimento bíblico que eu tenho não vai ficar ninguém em pé naquela casa: eu arrebento tudo”, afirmou. Esse vereador que, sempre que possível, diz na Câmara em altos brados vangloriar-se por ter sido o analfabeto que foi o Secretário de Educação e Cultura desse município foi mais incisivo no seu depoimento à CB aduzindo: “Vou dizer uma coisa para vocês, quando estávamos disputando uma vaga na Câmara, esse camarada colocou ombros conosco...”.97

A justificativa para esses desatinos, que provocam uma reação contrária da sociedade, é que, com o crescimento rápido e grande da igreja, são obrigados a se valerem da “mão-de-obra” de alguns obreiros que têm fé, são usados em milagres, mas que não tiveram tempo para um preparo adequado antes de saírem a campo. De qualquer forma, os líderes da CB estão mais interessados nos resultados práticos da obra do que nos eventuais escândalos que ela possa causar em alguma localidade. A direção da CB diz que sempre entra na situação, seja para trocar o obreiro, ensiná-lo ou mesmo puni-lo, quando é o caso, mas também alega que, na maioria das vezes, tudo não passa de ato persecutório. Do mesmo modo como perseguiram os apóstolos de Cristo, hoje isso ocorre com os pregadores do Evangelho. Quanto à questão do dinheiro, alegam que não cobram jamais pela cura ou por oração feita nesse sentido. Pedem, sim, como parte rotineira da sua liturgia, como as demais igrejas o fazem. Nunca se passa um culto sem que façam campanhas financeiras veementes porque precisam de muito recurso para manter a obra e para fazê-la crescer. “Se não fosse essa ousadia, não teríamos crescido tanto” – alega o Missionário Sérgio Affonso da Silva.