1 INNLEDNING
1.2 Premisser for arbeidet
1.2.7 Datagrunnlag
O principal responsável pela poluição sonora nos centros urbanos é o ruído emitido pelo tráfego de veículos, gerando vários impactos negativos, como danos à saúde e à qualidade de vida da sua população. Ilustração 22.
Ilustração 22 - Trajetória de propagação sonora. Fonte: CNOSSOS-EU, 2012.
Segundo SCHAFER, uma pesquisa ampla elaborada em 1971, na cidade de Vancouver, constatou que:
“O ruído do tráfego é a mais significativa fonte de ruído de todos os tempos. Descobriu-se que, durante o dia, o ruído do tráfego local era responsável por 40% de todas as fontes de ruído, enquanto o tráfego distante constituía cerca de 12%. À noite os valores correspondentes eram de 30% e 26%”. (SCHAFER, 2011. p. 262).
O ruído rodoviário é gerado pelo fluxo dos veículos nas vias. Sua composição é complexa, pois há vários tipos de fontes emissoras e de condições locais que contribuem para a geração desse tipo de ruído. São fatores preponderantes na emissão do ruído rodoviário:
Os vários tipos de veículos: automóveis, caminhões leves e pesados, ônibus e motocicletas;
Os vários tipos de motor: de combustão a diesel ou a gasolina, ou segundo a capacidade do cilindro do motor e a potência;
O perfil topográfico e os pontos de parada comuns (cruzamentos e paradas de ônibus) que obrigam os motoristas a acelerar ou frenar, emitindo ruídos característicos do comportamento do motor, dos freios e do atrito com a via; O atrito dos pneus com a superfície de rolamento;
As buzinas e sirenes.
O nível de intensidade sonora emitida pelo tráfego de veículos em uma via, sem considerar a velocidade dos mesmos, é proporcional a quantidade de veículos em circulação no local (Josse, 1975), e pode ser calculado pela fórmula:
Onde:
L = nível de intensidade sonora Q = número de veículos por hora
d = distância da borda da calçada ao observador
Porem a fórmula acima deve ter seu valor corrigido de acordo com alguns fatores que devem ser aplicados conforme o volume de veículos pesados, a inclinação da via e a velocidade média dos veículos. Tais fatores são expressos nas tabelas apresentadas a seguir:
Tabela 2 - Inclinação longitudinal de via (em porcentagem). Fonte: JOSSE, 1975.
Tabela 3 - Velocidade de circulação do tráfego. Fonte: JOSSE, 1975.
Na condição de veículos esparsos, as fontes emissoras estão distantes entre si, e o ruído se propaga a partir de cada veículo, em todas as direções, como uma semiesfera em torno da fonte. Para os veículos em movimento contínuo ou parados em um congestionamento, as fontes se somam ao longo do eixo da via, atuando como se a fonte fosse linear e, portanto, gerando uma forma de propagação semicilíndrica.
Para diminuir os efeitos nocivos do ruído urbano, o projeto SILENCE recomenda um conjunto de medidas para se evitar ou reduzir o ruído na fonte. Para o caso de ruído de tráfego, a atuação na fonte seria a diminuição do ruído gerado pelo motor, assunto que será tratado no capítulo seis desta dissertação, destinado ao estudo das fontes de ruídos – emissão.
Os meios de transporte fazem parte da vida moderna nos centros urbanos. O uso de veículos automotores contribui para o deslocamento das pessoas e de mercadorias, contribuindo também para o desenvolvimento econômico e social. Porém, em contrapartida, o tráfego rodoviário, mais especificamente, gera problemas nocivos
tanto à saúde quanto ao meio ambiente, configurando-se como um dos maiores causadores de tais danos à saúde. Um dos problemas associados ao transporte é o ruído gerado pelos motores a combustão, que emitem ruído de baixa ou de alta frequência, dependendo do fluxo do tráfego. Os ruídos de baixa frequência são imperceptíveis ao ouvido humano, porém esse tipo de som afeta silenciosamente a saúde humana ao longo dos anos, o que será tratado no capítulo cinco, que versa sobre o impacto do ruído no ser humano.
A lei 8583/95, Ruídos Urbanos e Proteção do Bem Estar e do Sossego Público, diz respeito ao limite do nível do ruído:
“§ 4º - quando o nível de ruído proveniente de tráfego, medido dentro dos limites reais da propriedade onde se dá o suposto incômodo, vir a ultrapassar os níveis fixados por esta lei, caberá à secretaria municipal do meio ambiente articular-se com os órgãos competentes, visando à adoção de medidas para eliminação ou minimização dos distúrbios sonoros”. O ruído de fundo produzido pelos automóveis também é tratado pelos autores (DUBOIS; RAIMBAULT, 2005: Apud RUOCCO, 1974; ATTENBOROUGH et al., 1976),
“Um dos motivos que mudaram o meio ambiente urbano é o aumento do fluxo de tráfego. O uso generalizado de motores que geram os sons de baixa frequência, resultando em ruído de fundo permanente e contínuo”.
Segundo BELDERRAIN (1995), em seu artigo “Ruído de tráfego: Avaliação e análise de um caso prático”, publicado no SOBRAC 95,
A emissão do ruído de tráfego varia de acordo com o volume de tráfego, a porcentagem de veículos passados no fluxo total, a velocidade média dos veículos e o tipo de tráfego (fluxo livre ou interrompido). Uma vez gerado o ruído, o campo sonoro resultante vai depender de uma série de condições de propagação, que são afetadas por considerações geométricas, tais como: alinhamento da rodovia, topografia local, espalhamento de obstáculos e reflexão devido à presença de edifícios e outras superfícies.
As características fundamentais do ruído de tráfego são: espectro de variação temporal. O seu espectro típico, em geral apresenta mais componentes de baixa frequência, quando o tráfego é urbano, e mais componentes em alta frequência, quando o tráfego é livre. Sua característica é importante porque a percepção do ouvido humano e as medidas de controle de ruído são dependentes da frequência do som. Como o ruído de tráfego é fluente, é preciso determinar a
história temporal do ruído, analisando as variações de curta duração e, principalmente, as de longa duração, as quais dependem das condições do tráfego (lento, fluente, etc.) e da porcentagem de veículos pesados no fluxo total. (BELDERRAIN,1995 p. 37-38)
De acordo com NIEMEYER; SLAMA (1998), o ruído de tráfego invade os centros urbanos, mascarando e destruindo a identidade sonora dos ambientes, tanto dos espaços públicos como dos privados, dificultando a compreensão da comunicação verbal. A perda dessa referência sonora leva também à perda do vínculo de familiaridade e confiança no local, podendo configurar-se como um dos fatores que colaboram para o stress associado ao ambiente urbano.