Família: MELIACEAE Género: Azadirachta A. Juss.
Espécie: Azadirachta indica A. Juss. (Figura10)
Figura 10 - Azadirachta indica
(fotografia da autora).
Caracteres morfológicos
Árvore pequena ou médio porte, até 15-20 m de altura, perenifólia; tronco retilíneo, de ritidoma cinzento-escuro, fissurado; copa arredondada e densa.
Folhas alternas compostas, imparifoliadas, posicionadas na parte final dos ramos, até cerca de 36 cm de comprimento; pecíolo com 2 pares de glândulas na base; folíolos 8- 18, opostos ou subopostos, de peciólulo muito curto e espessado na base, limbo até cerca de 10 x 3 cm, ovado-lanceolado ou lanceolado-falciforme, ápice longamente acuminado, margem grosseiramente serrada, base assimetricamente truncada a acunheada, verde-escuro na página superior, verde-claro na inferior, glabro.
Flores odoríferas, poligâmicas (bissexuadas e masculinas no mesmo indivíduo), reunidas em numerosas panículas, axilares, mais curtas que as folhas; pedicelos muito delgados; cálice curto, com 5 lobos subcirculares; corola de 5 pétalas livres, com cerca
de 5 mm de comprimento, espatuladas, margem glandulosa, brancas; estames 10, com os filetes unidos num tubo estaminal um pouco mais curto que as pétalas, lobado no ápice, creme-pálido; ovário súpero, com 3 lóculos, estilete mais curto que o tubo estaminal, estigma capitado com 3 lóbulos.
Fruto drupáceo, até 2 cm de comprimento, elipsoidal, verde-amarelado de início, tornando-se avermelhado na maturação.
Carateres ecológicos
Espécie que cresce numa grande amplitude de condições, relativamente ao solo e temperatura.
Desenvolve-se melhor em áreas de clima tropical e subtropical, com solos profundos, arenosos, bem drenados, neutros ou levemente ácidos, e grande exposição à luz solar, mas tolera alguma amplitude destas condições.
Vive bem até 700 m de altitude, contudo desenvolve-se até 1500m.
Tem excelente tolerância à seca e temperaturas altas, mas não suporta solos encharcados, sombra prolongada e temperaturas abaixo de 4ºC.
Ocorrência
Não existe a certeza quanto à origem de A. indica, mas crê-se ser nativa da região asiática, Assam (Índia) - Bangladeche – Myanmar.
Atualmente encontra-se largamente cultivada e naturalizada em todas as regiões tropicais e subtropicais, como ornamental, árvore de sombra, controladora da erosão, produtora de madeira para construção, mobiliário e carvão e para fins medicinais.
Nomes vulgares
Amargosa, nem ou nim.
Propriedades e usos mais frequentes
A. indica é muito conhecida e cultivada na Índia devido as suas propriedades medicinais, sendo utilizada há mais de 4000 anos (Gurpreet et al., 2004). A sua aplicação tem sido extensiva às mais diversas áreas: medicina, cosmética, controlo de
pragas agrícolas e, mais recentemente, têm sido avaliados os seus efeitos em insetos vetores de agentes patogénicos (Dua et al., 2009).
Apresenta atividade em mais de 200 espécies de organismos, sendo várias espécies de lepidópteros, coleópteros homópteros, dípteros e heterópteros (Martinez, 2002). Existe referências à ação antifágica, reguladora de crescimento e esterilizante em nematóides, fungos, bactérias e alguns fitovírus, (Tabela 4), (Singh, 1996; Souza, 2002; Schmutterer, 1988).
Tabela 4 - Propriedades medicinais e atividades biológicas apresentadas por diferentes
partes de A. indica.
ATIVIDADE ORGÃOS REFERÊNCIAS
Anti-helmíntico Diferentes orgãos Costa, 2004
Antimicrobiano Folhas Shravan et al, 2011
Antioxidante Folhas e Flores Sithisarn et al, 2005
Anti VIH/SIDA Folhas Mbath et al, 2007
Antimalárica Casca e Folhas Isah et al., 2003
Inseticida Folhas, Frutos, Sementes e Casca
Gratz et al.,1989; Nathan et al., 2005 Okumu et al., 2007; Howard et al., 2009; Aremu et al., 2009;Caser et al.,
Knols, 2010; Ndionel et al., 2013
Fungicida Folhas Khajista et al., 2013
Bactericida Folhas Banerjee et al., 2013
I.7.4. Mentha pulegium
Família: LAMIACEAE Género: Mentha L.
Espécie: Mentha pulegium L. (Figura 11)
Figura11 - Mentha pulegium
Carateres morfológicos
Planta herbácea vivaz, fortemente aromática, com estolhos enraizando nos nós, caules prostrados a eretos, de secção quadrangular, por vezes avermelhados, mais ou menos estriados pilosos.
Folhas oposto-cruzadas, pecíolo curto até 6 mm, limbo até cerca de 6 x 3 cm, ovado a elítico, elítico-oblongo a obovado, ápice obtuso a arredondado, margem inteira ou com cerca de 6 pares de dentes curtos, base arredondada, puberulento, 3-4 pares de nervuras bem evidentes.
Flores numerosas, dispostas em inflorescências compostas de verticilastros axilares, subtendidos por brácteas foliáceas; cálice bilabiado, 5-dentado, hirsuto e conspicuamente nervado; corola fracamente bilabiada, pilosa, 4-lobada, lilacínea; Estames inseridos sobre o tubo da corola, quase iguais, exsertos; ovário súpero, 4- loculado, estilete exserto, estigma bífido.
Fruto formado de 4 mericarpos.
Carateres ecológicos
M. pulegium requer, para viver, locais húmidos ou ocasionalmente inundados, valas, charcos, lagoas, margens de cursos de água, represas ou açudes, todos os locais de condições semelhantes de climas temperados ou temperados quentes. Embora se desenvolva em solos arenosos, argilosos e pesados, com pH variável, de ácidos, neutros a alcalinos, soalheiros ou em semi-sombra, apresenta preferência por solos ácidos com humidade permanente ou temporária.
Ocorrência
Espécie natural de quase toda a Europa (excetuam-se algumas regiões no norte), Norte de África, toda a Macaronésia e Sudoeste da Ásia.
Em Portugal tem ocorrência natural.
Atualmente encontra-se largamente cultivada e naturalizada em todas as regiões temperadas e subtropicais.
Nomes vulgares portugueses
Nomes vulgares cabo-verdianos
Vergamota (Santo Antão).
Propriedades e usos mais frequentes
O OE da planta aromática M. pulegium tem na sua constituição principalmente: a pulegona, a mentona, a isomentona e a piperitona (Monteiro et al., 2007) entre outras cetonas e o limoneno. Os órgãos aéreos, vegetativos e reprodutivos encontram-se cobertos por indumento que inclui tricomas glandulares e não glandulares. Os OEs são produzidos nos tricomas glandulares (Monteiro et al., 2007).
Mentha pulegium, vulgarmente conhecido como poejo, é um condimento emblemático da gastronomia do Alentejo (Póvoa, 2008), sendo também particularmente apreciada em Trás-os-Montes (Carvalho, 2010). É muito popular em Portugal devido ao famoso licor preparado com as inflorescências, o licor de poejo. O uso tradicional desta espécie centra-se em usos alimentares e na medicina tradicional. Nesta é usada a infusão das partes aéreas para combater constipações, gripes, tosse, facilitar a digestão, cólicas gastrointestinais e abrir o apetite.
O seu cultivo destina-se, essencialmente, a fins industriais, para extração do seu óleo usado em aromaterapia, saboaria, inseticidas e obtenção de mentol.
A Tabela 5 apresenta referências de alguns estudos de atividade de óleos essenciais e extratos de diferentes órgãos desta planta quer na medicina tradicional, quer como fungicida, bactericida e inseticida.
Tabela 5 - Propriedades medicinais e atividade biológica de M. pulegium.
Propriedades medicinais e atividade biológica Referências
Antiséptico, Tratamento de problemas respiratórios, Tuberculose e da cólera
Zargari, 1990 Antiflatulento, carminativo, expetorante, diurético,
antitússico, emenagogo
Carvalho, 2010; Newall et al., 1996 Antiespasmódico, sedativo, estimulante, febrífugo,
antihelmíntico, facilitador do parto, antidispéptico Monteiro et al., 2007, Manez et al., 2008 Tratamento de doença digestivas, da vesícula e dos
rins Gruenwald et al., 1998
Citotóxico Shirazi et al., 2004
Antioxidante El-Ghorab, 2006, Mata et al., 2007
Antimicrobiano Mahboubi & Haghi, 2008, Jazani et al., 2009 Fungicida, inseticida Choi et al., 2003
Pavlidou et al., 2004;
Conceição, 2008; Pavela, 2008;
Kumar et al., 2011; Benayad et al., 2012 Acaricida Rim & Jee, 2006;Veeraphant et al., 2011