2. Ordinære barnehager
2.2 Driftstilskudd
2.2.1 Datagrunnlag for driftstilskuddet
A língua portuguesa, mais especificamente a variante do Português Brasileiro (doravante PB), tem sofrido grandes mudanças ao longo dos séculos, mas esta
diferença latente entre a variação do PB com relação às formas do Português Europeu (doravante PE) tem sido mais bem observada durante o século XX, levando muitos linguistas a argumentar a favor de duas gramáticas distintas, sugerindo que estes dois sistemas linguísticos têm-se distanciado um do outro em diversos aspectos.
Para muitos, uma das maiores mudanças ocorreu no padrão aceito pela língua portuguesa como uma língua pro-drop, pondo em xeque o uso ou não de um pronome nulo na posição de sujeito, já que a língua dispõe de morfemas específicos para cada conjugação verbal, dando um status único ao pronome nulo. Um considerável corpo de trabalhos desenvolvidos nos últimos trinta anos (TARALLO, 1987; PAREDES SILVA, 1988; DUARTE, 1996, 2000, 2003; CAVALCANTE E DUARTE, 2008) tem mostrado que o PB, quando comparado ao PE e com outras línguas pro-drop, como o espanhol e o italiano, exibe uma preferência pelo uso de um pronome pleno em sentenças finitas com categorias foneticamente realizadas desde a década de 1950, principalmente, quando o sujeito é de categoria definida. Além disso, o PB tem mostrado uma evolução na realização de objetos nulos (CÔRREA, 1991; GALVEZ, 1996; NUNES, 1996; CYRINO, DUARTE E KATO, 2000), induzindo, assim, à crença de que o PB está desvalorizando a realização de um sujeito nulo, preferindo o uso de pronomes nulos na posição de objeto, contrapondo-se ao PE que, preferencialmente, realiza a variação da posição de pronome nulo de maneira completamente oposta ao percebido atualmente em PB.
De forma bastante contundente, para muitos estudiosos da Sociolinguística (DUARTE, 1996, 2000, 2003; HOLMBERG, NAYADU E SHEEHAN, 2009), o aumento na ocorrência de sujeitos plenos é diretamente relacionado a (i) o aparecimento de novas formas pronominais e (ii) a rápida e crescente simplificação que a morfologia verbal do PB tem sofrido.
De fato, a mudança que se observa no Português do Brasil, que parece estar evoluindo de uma marcação positiva para uma marcação negativa dentro do parâmetro ‘pro-drop’, coincide com uma significativa redução ou simplificação nos paradigmas flexionais. (DUARTE, 1996, p.107).
Entendendo melhor a situação da evolução de concordância verbal e das formas pronominais do PB, estão representados abaixo na Tabela * os três paradigmas de conjugação do verbo “amar”.
Quadro 2 – Evolução das formas pronominais e do paradigma verbal em PB (adaptada de CAVALCANTE E DUARTE, 2008, p.54)
Observando o quadro acima, podemos notar que o PB evoluiu de um sistema com seis formas distintas (paradigma 1) para o uso de apenas quatro (paradigma 2) devido à substituição dos pronomes “tu” e “vós” por “você” e “vocês”, respectivamente. Estas duas formas pronominais, por sua vez, parecem ter entrado em uso por serem gramaticalmente considerados pronomes de tratamento, dando margem ao uso direcionado à segunda pessoa e tendo a concordância verbal com a terceira, excluindo o paradigma verbal exclusivo da segunda pessoa do singular ou do plural. Ainda no que diz respeito ao uso da segunda pessoa, nota-se atualmente que, em muitos dialetos, o uso do “tu” não desapareceu por completo, o que se vê é uma variação livre de uso entre concorrentes entre este o pronome “você”, fazendo com que, ao usar o “tu”, este pronome venha a perder o morfema “s”, que é a marca exclusiva de concordância da segunda pessoa do singular, emergindo, assim, o morfema nulo que gera a mesma concordância que ocorre ao usar o pronome “você”, ou seja, tanto o uso do pronome “tu” quanto o “você” geram uma concordância com a terceira pessoa do singular. Já no tocante ao uso de “vós”, este parece ter sido completamente excluído no uso cotidiano do PB, fazendo emergir o uso quase exclusivo do pronome “vocês” para a segunda pessoa do plural. Além disso, no paradigma 2, o pronome da primeira pessoa do plural “nós” está em variação com a expressão “a gente”, que, por sua vez, leva o verbo à concordância com o morfema nulo característico da terceira pessoa do singular.
PESSOA/NÚMERO PRONOMES PARADIGMA 1 PARADIGMA 2 PARADIGMA 3
1ª p.sing Eu am-o am-o am-o
2ª p.sing Tu Você/Tu ama-s ama-Ø - ama-Ø - ama-Ø
3ª p.sing Ele/Ela ama-Ø ama-Ø ama-Ø
1ª p.plural Nós A gente ama-mos ama-Ø ama-mos ama-Ø - ama-Ø 2ª p.plural Vós Vocês ama-is ama-m - ama-m - ama-m
Segundo Duarte (1996), o uso do segundo paradigma estaria restrito à língua escrita e à fala da geração mais velha, além de coexistir com o paradigma 3 (DUARTE, 1996; CAVALCANTE E DUARTE, 2008), no qual existem apenas três formas distintas, geradas pela substituição completa do pronome de primeira pessoa do plural “nós” pela expressão “a gente”.
O mais interessante é que as grandes mudanças nas estratégias de pronominalização em direção a tornar o preenchimento da posição de sujeito a opção não marcada em PB, possivelmente desencadeada pela redução do sistema de flexão verbal, começa a gerar efeitos não somente na fala, tradicionalmente considerada mais permissiva quanto ao fenômeno de variação e mudança gramatical, mas também na escrita. (BARBOSA, DUARTE E KATO, 2005; DUARTE, 2007)
É necessário entender, porém, que o PB ainda permite a ocorrência de sujeitos nulos em contextos específicos, a saber: em construções com o expletivo nulo (predicados que exprimem fenômenos naturais); em casos de referência indeterminada sendo o sujeito nulo genérico possivelmente uma idiossincrasia do PB), em coordenações com sujeitos correferentes (contexto que favorece o sujeito nulo mesmo em línguas que não o admitem) e em respostas do tipo “sim” ou “não” (HOLMBERG, NAYUDU E SHEEHAN, 2009).
Dessa maneira, o vasto conjunto de estudos sociolinguísticos em PB sobre o tema chama atenção para a existência de contextos específicos para a disseminação de sujeitos realizados por pronomes plenos, como (i) casos de referentes acessíveis, principalmente quando os antecedentes se encontram em posição de sujeito e quando não há material linguístico interveninente entre a expressão anafórica e o começo da oração que a contém, (ii) contextos não enfáticos ou não contrastivos, (iii) orações coordenadas não iniciais, e (iv) a terceira pessoa (do singular e do plural, mais especificamente a primeira), a única pessoa do discurso que, curiosamente, parece não estar sendo afetada significativamente com a redução na morfologia flexional, apresentando consistentemente índices mais elevados de ocorrência dos sujeitos nulos em comparação com as outras pessoas (DUARTE, 1996).
Contudo, existem pesquisas da área (NICOLAU, 1995; CABANA, 2004) que apontam para uma mudança que não afeta a todos os dialetos de uma só vez,
sendo o dialeto mineiro possivelmente uma notável exceção no que diz respeito à substituição de formas pronominais nulas por plenas.
Muitos autores (KATOP, 2000; HOLMBERG, NAYUDU E SHEEHAN, 2009) concordam que tais evidências sugerem que o PB tem-se tornado uma língua de sujeito nulo inconsistente, ou parcial, dado que categorias nulas são ainda licenciadas em nosso sistema linguístico, porém em condições mais restritas do que em línguas de sujeito nulo mais consistente como o PE, o espanhol e o italiano.
Desse modo, um estudo em Psicolinguística experimental sobre o