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3.4 Dataansvarlig

Segundo David Tripp (2005), não se sabe ao certo quem criou e impulsionou a investigação- ação, mas, por diversas vezes, o mérito é atribuído a Kurt Lewin. Não obstante há uma teoria, por parte de Deshler e Ewart, que vem contradizer este facto já que, os mesmos sugerem que a investigação-ação “foi utilizada pela primeira vez por John Collier para melhorar as relações inter- raciais, em nível comunitário, quando era comissário para Assuntos Indianos, antes e durante a Segunda Guerra Mundial” (Tripp, 2005, p. 445). Apesar das controvérsias provou-se que Lewin introduziu o termo na literatura e a partir desse momento a investigação-ação foi considerada um conceito geral para quatro processos diferentes “pesquisa-diagnóstico, pesquisa participante, pesquisa empírica e pesquisa experimental” (Tripp, 2005, p. 445). Mais tarde, no final do século XX, constatou-se que a investigação-ação já estava presente em diferentes campos interventivos como na administração, no desenvolvimento comunitário, no ensino, nos negócios bancários e até na agricultura. Atualmente, como sabemos, este modelo já é incluído em muitos projetos de diversas áreas sendo a educação uma delas.

De acordo com Guerra (2000) uma das grandes vantagens da investigação-ação é possibilitar simultaneamente “a produção de conhecimentos sobre a realidade, a inovação no sentido da singularidade de cada caso, a produção de mudanças sociais e, ainda, a formação de competências dos intervenientes” (p. 52). Completando esta ideia Tripp (2005) acrescenta que, nesta metodologia, “Planeja-se, implementa-se, descreve-se e avalia-se uma mudança para a

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melhora de sua prática, aprendendo mais, no correr do processo, tanto a respeito da prática quanto da própria investigação” (p. 446).

É imperativo sublinharmos que na investigação-ação e, ao longo das quatro fases mencionadas por Tripp (2005), existem diferentes modos de operacionalização, pois tanto a escolha do público- alvo como a dos métodos e técnicas podem variar. Por conseguinte, e interpretando a citação de Guerra (2000), podemos afirmar que não há projetos homogéneos uma vez que, de situação para situação, obtêm-se resultados diferentes e os mesmos são interpretados de forma distinta. O importante é garantir que o tipo de investigação que utilizamos seja adequado aos objetivos e práticas a que nos propomos e, por essa razão, o nosso projeto deu preferência à investigação- ação participativa ao invés de somente uma investigação-ação. A primeira, além de contemplar a investigação e a ação acrescenta a participação do público-alvo, o que, no fundo é o fator determinante na nossa intervenção, ou seja, “supone una co-implicación en el trabajo de los investigadores sociales y de la gente involucrada en el programa” (Ander-Egg, 1990, p. 33).

Ander-Egg (1990) acrescenta que o maior objetivo desta metodologia é “promover la participación activa de la población involucrada en la ejecución de un programa, o simplesmente de atividades, que suponen la realización de estúdios com la expressa finalidade de transformar su situación y desatar possibilidades de actuacion latentes en el mismo pueblo” (p. 18). Percebemos, assim, que ao contrário de uma investigação tradicional a investigação-ação participativa revela outros interesses prioritários como consciencializar os intervenientes, modificar atitudes e repensar comportamentos. Reforça-se, novamente, a ideia de que o processo é mais importante do que os resultados, pois o foco recai no providenciar de ferramentas para que o público-alvo possa ser o promotor da sua própria transformação. Com isto, não podemos esquecer que o ser humano aprende através da experiência, ou seja, no final não se trata de envolver as pessoas, mas sim como estas são envolvidas.

Aprofundando melhor este modelo, Ander-Egg (1990) começa por clarificar cada um dos elementos que o constituem. No que concerne à investigação, esta trata-se de um “procedimiento reflexivo, sistemático, controlado y crítico que tiene por finalidad estudiar algún aspecto de la realidad, com una expressa finalidad práctica” (p. 32). Relativamente à ação, “significa o indica que la forma de realizar el estudio es ya un modo de intervención y que el propósito de la investigación está orientado a la acción, siendo ella a su vez fuente de conocimiento” (p. 32). Por fim, a participação prevê “una actividad en cuyo proceso están involucrados tanto los investigadores (o equipo técnico) como la misma gente destinataria del programa, qui ya no son

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considerados como simples objetos de investigación, sino como sujetos activos que contribuyen a conocer y transformar la realidade en la que están implicados” (p. 32). Sendo objetivos, o mais importante neste escrutínio de ideias é compreendermos que tanto o investigador como a comunidade, na IAP, estão implicados no processo de intervenção e quanto maior for a pluralidade de ligações (investigador e outros pares), mais enriquecido será o projeto assim como as experiências do público-alvo.

É, também, importante que compreendamos a principal finalidade da IAP: “tranformación de la situación-problema que afecta a la gente involucrada” (Ander-Egg, 1990, p. 35). A mesma alicerça-se no pressuposto de que “el pueblo – actuante y pensante – es el principal agente de cambio y que éste será más viable si la gente tiene mejor comprensión de su situación, de sus posibilidades de cambiarla y de las responsabilidades que ello comporta” (Ander-Egg, 1990, p. 36).

A IAP exige profissionais altamente reflexivos, politizados e participativos na sociedade. É necessário um compromisso constante entre o investigador e o público-alvo de modo a não existir um “eu” ou um “tu”, mas sim um “nós”. Adotando esta metodologia, e para que consiga assegurar o sucesso do seu projeto, o investigador deve ter em consideração alguns elementos, no seu plano de investigação, como por exemplo a resposta a certas questões: O que investigar (que assunto se pretende abordar), porquê (qual a relevância do tema), para quê (quais as intenções/objetivos), como (metodologia e técnicas) e onde (onde intervir). Ao decidirmos implementar o nosso projeto, tendo por base a investigação-ação participativa, já sabíamos o que almejávamos e estas questões foram, cuidadosamente, respondidas tanto ao longo da investigação/intervenção como no decorrer deste relatório.