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4. FORSKNINGSMETODE

4.5 Dataanalyse

Em 1991 já tinha sido realizado um estudo por Nicholson (1993), a 92 utilizadores de cão-guia para compreender as reações que estes sentiam com o final da dupla e as razões que conduziam ao fim desta parceria. Um dos custos apontados era o forte vínculo entre o utilizador e o cão-guia (Nicholson, 1993). Se uns compararam a dor da perda com sentimentos fortes aquando da perda de um ente querido, ou aquando da perda da visão, por viverem sós; outros, para quem existem outras coisas valorizáveis como uma vida amorosa estável, filhos, amigos e familiares, um trabalho bem remunerado e interesses de lazer, o fim da dupla pode não ser sentido com a mesma intensidade, nem da mesma forma (Nicholson, 1993).

No entanto geralmente, o vínculo é tão forte que se alarga a toda a família, e aquando da sua morte, acaba por afetar todos. Porém, se o cão-guia morrer já reformado

o choque será menor. Nalguns casos o utilizador pode sentir-se culpado. Parece que acabaram de transferir a sua lealdade para outro cão (Nicholson, 1993). A vida profissional do cão-guia pode acabar por uma de três razões. O mais provável, é o cão trabalhar aproximadamente durante sete anos e depois reformar-se. Na pesquisa, quarenta e nove das parcerias tinha terminado desta forma. Dos outros, 16 cães tinham sido retirados ao utilizador por problemas relacionados ao trabalho do cão, temperamento e relação entre utilizador e cão-guia não satisfatória. Dez cães tinham morrido. Depois de terminar o trabalho, 30 cães continuaram a viver com o dono como um animal de estimação da família, 20 foram realojados pelo utilizador, ficando geralmente com outros membros da família, amigos e colegas de trabalho. Os outros 4 cães voltaram a ser cães-guia, formando uma segunda dupla com outro cego e 11, para ser encontrado um novo lar. Na maioria dos casos, o fim de uma dupla traz consigo algum grau de dor e sentimento de perda. Mas se a substituição for rápida e devidamente dado o acompanhamento psicológico e prático, a transição entre os parceiros vai tornar-se menos stressante (Nicholson, 1993).

Nos Estados Unidos foi realizado um estudo a 11 escolas de cães-guia, para documentar os custos e benefícios económicos associados à aquisição e vida de trabalho útil de um cão-guia. Os custos ao longo da vida de trabalho, aproximadamente de 8 anos, foi estimado em cerca de 40 mil dólares. No entanto, as importâncias iniciais com a educação do cão podem reduzir significativamente os custos sociais e económicos da cegueira para aqueles que são capazes de utilizá-los, valorizando o tempo de vida útil do cão e adiando a dor da perda no fim de uma parceria (Wirth & Rein, 2008).

3.3.6. Conclusões

As capacidades do cão como guia surgiram muito cedo. Mas só a partir da primeira guerra mundial, passou a existir uma oficial preocupação em educar cães-guia para satisfazer as necessidades dos soldados que tinham ficado cegos. A partir daí, baseados na psicologia animal, em vários estudos científicos e em técnicas cada vez mais rigorosas e aperfeiçoadas, os especialistas têm vindo a educar cães-guia para auxiliar na mobilidade da pessoa cega. São tidas em conta algumas condicionantes e

ponderados alguns fatores essenciais, como a raça; extinção de comportamentos e obediência indesejados; e acautelada a boa socialização.

Alguns dos estudos apontados por diferentes autores ao longo das secções do subcapítulo (Carmo, 2013; Whitmarsh, 2005; Min, 2013) mostraram ser possível que o cão-guia tenha implicações psicológicas positivas na qualidade de vida da pessoa cega, motivadas nomeadamente, por uma maior mobilidade, segurança e independência nos trajetos que lhe proporciona, bem como pela aproximação voluntária dos outros, funcionando como um facilitador da inclusão social (Hersh & Johnson, 2008; SNR, 2006; FFAC, 2011). Para algumas pessoa cegas, o cão é entendido como uma opção que pode melhorar consideravelmente a mobilidade e a participação na sociedade, sendo mais adequado a determinados contextos do que a outros. Os benefícios e os custos devem ser ponderados, em conjunto com as restrições (Whitmarsh, 2005; Sá, 2005). Para outras, o cão é visto como tendo limitações, que outras "ajudas de mobilidade" como a bengala, implicitamente não as têm. São custos que estão relacionados com a responsabilidade que envolve ter um cão: cuidados de alimentação, saúde e manutenção, acrescendo o inconveniente de não poder frequentar locais onde não é possível ou conveniente levá-lo.

Concluiu-se que enquanto auxiliar de locomoção, o cão pode ser excelente para uns, mas menos bom para outros, dependendo das reais necessidades. Uns, atribuem mais importância à mobilidade em segurança e à independência; outros valorizam preferencialmente o companheirismo e a confiança, atribuindo ao cão funções psicológicas e sociais positivas.

Foi possível determinar ainda que a contribuição do cão-guia na qualidade de vida da pessoa cega, se fixa em vários domínios. Na maioria dos estudos, os participantes consideraram como fundamental, a mobilidade enquanto um dos benefícios. No entanto, foi possível observar que alguns dos domínios se fundem e que todas as áreas se complementam entre si.

Sintetizando, o cão-guia proporciona uma mobilidade em segurança, realizada de forma mais rápida e independente. A confiança depositada no cão pode aumentar a frequência das saídas de casa, reforçar a autoestima e possivelmente, promover as interações sociais com conhecidos/desconhecidos. Previsivelmente, o desenvolvimento

pessoal em todas estas áreas, marca a reabilitação do sujeito. O sentimento de inclusão social por parte da pessoa cega, pode incitá-la a uma participação mais ativa na sociedade, acabando por se refletir numa vida com mais qualidade e bem-estar físico e emocional.

Depois da revisão da literatura realizada na primeira parte, a segunda parte reporta-se ao estudo empírico. Dos próximos capítulos constam a metodologia, apresentação dos resultados e a discussão e conclusões do estudo.