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4. DATA, THEORY AND METHODOLOGY

4.2 D ATA

Os planos curriculares nacionais - PCN’s - (Brasil, 1998) destacam a importância de a sociedade enxergar novas frentes e posturas diante das ações devastadoras e nefastas provocadas pelo homem no meio. Diante disso, a temática

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Comissão Interministerial para a Preparação da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Educação Ambiental no Brasil. Subsídios técnicos para a elaboração do relatório nacional do Brasil para a Cnumad, 1991, p. 63.

ambiental e a visão integrada de mundo, tanto no tempo como no espaço, tornam- se chaves num processo em que se discutem as componentes naturais e humanas para a compreensão das relações homem x meio.

Nesse sentido, nos PCN’s propõe-se que, ao discutir o tema com os alunos, os professores promovam situações em que os conteúdos relativos aos valores e às atitudes, bem como os procedimentos, estejam presentes no momento das discussões. A esse respeito, Medina (1997, p. 20) destaca que as seguintes ações devem estar presentes:

• enfoque sistêmico - reconhecido não só como teoria acerca da realidade, mas também como teoria acerca da ação;

• multi e interdisciplinaridade – o uso dos esquemas conceituais e metodológicos de cada disciplina contribui para a solução de um problema. Impõe-se como necessidade da prática social e científico-tecnológica;

• resolução de problemas – trazer à tona inquietudes é provocar questionamentos, e a educação ambiental visa exatamente isso, não somente os efeitos mas as origens dos problemas socioambientais, que envolvem questões políticas, éticas, econômicas e ecológicas, e

• tomada de decisões - levar à ação, a partir do conhecimento dos itens anteriores, como parte final de um processo de pensamento que se manifesta na prática e retroalimenta o processo teórico. Da ação resulta na interpretação dos problemas ambientais sintetizada pela ação Æ reflexão Æ ação, que caracteriza a síntese teoria e prática na práxis social transformadora.

Portanto, elucidar os “bens” de que o planeta dispõe, mostrar quais são os seus usos, cuidados e benefícios trazidos à comunidade e procurar desenvolver atitudes a respeito dos desperdícios e dos maus usos desses “bens” é provocar uma posição crítica e mais participativa diante das questões relacionadas à conservação e adequada utilização dos recursos naturais ou não.

Reavaliar valores e atitudes a respeito do meio é buscar uma reorientação, visando, com isso, estratégias que se transformem em ações, decisões – os chamados procedimentos, que visam desenvolver a capacidade participativa, solidária e co-responsável de todos aqueles envolvidos no processo.

Por isso, espera-se que os alunos, ao final do ensino fundamental, sejam capazes de:

• entender que o meio é complexo e integrado, resultado da interação dos fatores físicos, biológicos, sociais e culturais;

• interferir e agir de modo crítico no meio, visando o bem-estar de todos;

• compreender e perceber as relações de causa-efeito que interferem e condicionam a vida no espaço e no tempo, de forma a permitir um posicionamento crítico diante das condições ambientais de seu meio;

• entender a importância de práticas de conservação e manejo dos recursos naturais com os quais interagem, aplicando-os no dia-a-dia, e

• respeitar, apreciar e valorizar os diferentes aspectos e formas de outras culturas, suas populações e seus ecossistemas;

Por outro lado, torna-se igualmente importante nesse processo que o aluno, além do conhecimento das diversas disciplinas, saiba ler e mapear com o mapa, pois será a sua “porta de entrada” para tentar elucidar, questionar, comparar, correlacionar os dados que permitam compreender e explicar as diferentes paisagens e lugares – entender os fenômenos físicos e humanos ocorridos na superfície terrestre e as suas inter-relações.

Essa representação pode também ser denominada também carta, planta ou gráfico; é uma imagem gráfica codificada, simplificada e reduzida da realidade, que representa ou concebe determinado espaço físico, e para absorvê-la é indispensável, no primeiro momento, o domínio da linguagem cartográfica, que é composta por três elementos básicos, segundo Almeida & Passini (1994): sistema de signos, redução e projeção.

Esses aspectos básicos concernentes à ciência cartográfica deveriam ser valorizados no ensino de 10 e 20 graus tanto quanto o próprio domínio do idioma pátrio e da matemática, pois a compreensão das relações entre o homem e o meio, como destacam Joly (1990) e Lacoste (1993), depende do domínio espacial da informação, que é associado à organização e dominação do espaço pelos indivíduos.

Como se sabe também, há uma codificação dos diversos elementos que os compõem e, se não há compreensão destes, o processo de comunicação (idéias, fatos, mensagens, etc.) é inócuo, pois são eles os instrumentos básicos para a comunicação da informação espacial.

É indispensável, para a correta manipulação dos documentos cartográficos, a compreensão do processo representativo, não somente a do perceptivo. De acordo com Oliveira (1977), é necessário que o mapa, sendo uma representação espacial, seja abordado de um ângulo que permita explicar a percepção e a representação da realidade geográfica como parte de um conjunto maior, que é o próprio pensamento do sujeito.

O processo de mapear não pode desenvolver-se isoladamente; deve ser solidário com todo o desenvolvimento mental do indivíduo, de modo a torná- lo leitor crítico e mapeador consciente.

Como destaca Simielli (1999), espera-se que os alunos de 6a a 8a séries sejam capazes de localizar/analisar e correlacionar os fenômenos e que, portanto, tenham condições de fazer aquisições simples, médias e complexas (tabela 3) ao trabalharem com os mapas. As duas etapas iniciais são denominadas níveis elementar e médio de leitura, que se complementarão com a síntese, esta denominada nível complexo, e a terão no final do ensino médio.

Tabela 3 – Aquisições desejáveis para leitura das informações representadas no mapa.

Aquisições simples Aquisições médias Aquisições complexas Conhecer os pontos cardeais;

saber se orientar com uma carta; encontrar um ponto sobre uma carta com as coordenadas ou com o índice remissivo; encontrar as coordenadas de um ponto; saber se conduzir com uma planta simples; extrair de plantas e cartas simples uma só série de fatos e saber calcular altitude e distância.

Medir uma distância sobre uma carta com uma escala numérica; estimar um ponto da curva hipsométrica; analisar a disposição das formas topográficas; analisar uma carta temática representando um só fenômeno (densidade populacional, relevo etc.); reconhecer e situar as formas de relevo e de utilização do solo; saber diferenciar declives e saber reconhecer e situar tipos de clima, massas de ar, formações vegetais, distribuição populacional, centros industriais e urbanos e outros.

Saber utilizar uma bússola; correlacionar duas cartas simples; explicar a localização de um fenômeno por correlação entre duas cartas; estimar uma altitude entre duas curvas hipsométri cas e saber elaborar um croqui.

Fonte: Adaptado de Simielli (1999).