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In document Essays on Empirical Corporate Finance (sider 33-38)

O processo comunicativo na Igreja Católica passa por mudanças significativas com o advento das tecnologias da informação. Como pudemos observar ao longo desta pesquisa, a comunicação religiosa ganha um caráter profissional, acompanhada também da formatação da Pastoral da Comunicação (PasCom) no Brasil, o nicho de mercado religioso e, concomitantemente, o despertar do interesse de jornalistas para atuarem nas Assessorias de Imprensa das (Arqui)dioceses. A mediação da comunicação da Igreja com a sociedade é traduzida por profissionais especializados, hoje, denominados como jornalistas católicos.

De fato, em ambas as pesquisas aplicadas aos comunicadores das Dioceses, Regionais e Organismos da CNBB, constatamos que todos os jornalistas professam a fé católica. Ou seja, eles não somente trabalham nas (Arqui)dioceses, mas também são membros ativos nas comunidades paroquiais, o que diferencia a atuação desses profissionais. Podemos chamá-los de “jornalistas especializados” no que diz respeito aos assuntos religiosos. Além do exercício e conhecimento da prática jornalística, eles possuem domínio da linguagem e procedimentos próprios da religião católica. Nisto, reconhecemos o despertar de uma mediação sistêmica que está em processo de consolidação da comunicação midiática na Igreja Católica, atrelada às necessidades de políticas e gestão da informação nestas (Arqui)dioceses.

De um lado, o catolicismo busca aperfeiçoar seu diálogo diante dos desafios apresentados pela internet e mídias digitais sociais. Não temos dúvidas que a Igreja e seus líderes sabem a importância das tecnologias de comunicação no atual contexto de virtualidade. Neste capítulo, iremos apresentar dados de como vem ocorrendo a inserção das mídias digitais na Igreja, a partir do uso das redes sociais nas (Arqui)dioceses. É com base nos resultados da segunda pesquisa que podemos afirmar que o catolicismo passa por uma fase de midiatização. Os ensinamentos da Igreja, as práticas devocionais e até mesmo o contato com o Sagrado ganham um caráter midiático.

Por detrás dessa mudança cultural e comunicacional na religião católica no Brasil, identificamos o despertar de uma possível Igreja Virtual, a partir da unidade entre as (Arqui)dioceses espalhadas nas cinco regiões brasileiras que, aos poucos, estão formando uma grande rede de virtualidade. O resultado dessa migração do fiel para a internet, só vem confirmar a midiatização do catolicismo, que não só reúne a

comunidade em torno do altar nas igrejas, mas, também, a reencontra no ciberespaço, na tentativa de um diálogo contínuo, no qual a comunicação da Igreja vai além dos encontros dominicais.

4.1. A comunicação midiática nas (Arqui)dioceses

Após avaliação dos resultados obtidos na primeira pesquisa realizada em 2011 (ver Apêndice), para a produção de um artigo científico, na qual constatamos o aumento na contratação de jornalistas nas (Arqui)dioceses do Brasil, sentimo-nos motivados a prosseguir com a investigação, agora como proposta desta dissertação de mestrado, buscando ampliar a análise inicial, na tentativa de compreender mais detalhadamente o atual processo comunicativo da Igreja Católica na internet e identificar a utilização da comunicação virtual nesta instituição. Ainda, pretendemos constatar, a existência de possíveis estratégias de comunicação e gestão da informação nestas (Arqui)dioceses, a partir dos dados obtidos com a segunda pesquisa aplicada, em 2012, aos jornalistas das Dioceses, Regionais e Organismos da CNBB. Foi contemplada na coleta a presença das cinco regiões do Brasil, onde estão fixadas as Igrejas locais. Desta forma, a pesquisa possibilitou um olhar em diferentes realidades comunicacionais das (Arqui)dioceses dos estados brasileiros, como podemos observar na tabela:

QUADRO 1

(Arqui)dioceses e Organismos da CNBB x NORTE

Arquidiocese de Manaus (AM)

x NORDESTE

Regional N1 (CE), Arquidiocese de Fortaleza (CE), Arquidiocese de Olinda e Recife (CE), Arquidiocese de Natal (RN)

x CENTRO-OESTE

Diocese de Uruaçu (GO), Diocese de Jataí (GO), Arquidiocese de Campo Grande (MS), Cáritas Brasileira – Secretariado Nacional (DF).

x SUL

Diocese de Toledo (PR), Diocese de Guarapuava (PR), Arquidiocese de Maringá (PR), Arquidiocese de Porto Alegre (RS).

x SUDESTE

Arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), Diocese de Petrópolis (RJ), Diocese de Volta Redonda (RJ), Regional O2 (MG e ES), Cáritas Regional (MG), Arquidiocese de Mariana (MG), Arquidiocese de Pouso Alegre (MG), Arquidiocese de Montes Claros (MG), Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), Diocese de Uberlândia (MG), Arquidiocese de São Paulo (SP), Diocese de São José dos Campos (SP), Diocese de Barretos (SP), Diocese de Santo André (SP), Diocese de Piracicaba (SP), Arquidiocese de Aparecida (SP).

Fonte: dados do pesquisador, 2012.

A presença de comunicadores profissionais, como identificado na pesquisa anterior, vem confirmar uma mudança significativa no processo da comunicação institucional da Igreja. Por um lado, essa iniciativa dos bispos de contratar jornalistas para a gestão dos conteúdos e manutenção dos veículos de comunicação das (Arqui)dioceses, pode representar um avanço no que diz respeito à profissionalização no campo religioso. Vale lembrar que muitas dessas atividades de comunicação religiosa em rádios, TVs, jornais e revistas eram realizadas, quase na totalidade, por voluntários e pessoas sem formação acadêmica específica. Por outro lado, a presença dos leigos e colaboradores nas comunidades paroquiais tem papel importante na vida e missão da Igreja. Mas, aos poucos, esse cenário vem ganhando uma nova ambiência, na simbiose entre o voluntariado, que continua tendo sua importância, e os profissionais com formação, que entram em cena para contribuir na gestão das diferentes áreas administrativas e funcionais das (Arqui)dioceses, com destaque para o setor da comunicação midiática, sendo esta uma nova realidade para a Igreja Católica no Brasil e no mundo.

Entre os dados da primeira pesquisa, merece destaque a incidência na utilização das mídias sociais digitais, apontada por 63% dos entrevistados, como ferramenta agregada aos trabalhos de comunicação, inclusive pelo fato de 97% das (Arqui)dioceses participantes possuírem seu próprio site. Diante destas principais constatações traçamos, como proposta deste estudo, investigar de que maneira a Igreja vem gestando sua comunicação na internet. É confirmada a presença destes veículos midiáticos na instituição católica, além da constatação do aumento do número de jornalistas atuando nas (Arqui)dioceses. Agora, temos como escopo desta pesquisa verificar como o virtual pode contribuir para a comunicação religiosa e qual o impacto das mídias sociais na cultura comunicacional da instituição católica. Quando determinamos verificar o impacto, estamos considerando a inexistência de qualquer atividade virtual por parte da Igreja, num período de, aproximadamente, dez anos atrás.

Na primeira etapa do questionário aplicado aos jornalistas, tivemos a intenção de constatar algo simples, porém necessário para este estudo: o uso do e-mail na rotina profissional e como um meio de contato entre as Dioceses e a comunidade (público- alvo). Justamente, antes de questionar os profissionais sobre a utilização de outras mídias sociais, como facebook, twitter, blogs, youtube, shype, detivemo-nos em saber de

que forma o uso do correio eletrônico mudou e vem mudando a atividade de comunicação da Igreja Católica. Sobre o uso do e-mail como meio de interatividade entre a Diocese (Arquidiocese) e sua comunidade, 66% (23) dos entrevistados consideram importante a ferramenta. Em contrapartida, 29% (10) veem a utilização da correspondência eletrônica como algo necessário, apenas, para o momento. Outros 6% (2) acreditam não ser nada relevante o uso do e-mail. Dentro da rotina de trabalho, os jornalistas católicos, sendo 80% (28), classificam como diária e intensa a utilização do correio eletrônico. Geralmente, nestes casos, o e-mail é direcionado para a comunicação com o público interno e externo. No caso dos assessores de imprensa, o foco do contato está na mídia externa e com as fontes para a divulgação de notícias. Outro dado que destacamos é resultado da seguinte questão:

TABELA 4

Questão 5 - Você considera que a sua atividade profissional se

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