Uma vez caracterizada a contaminação, foi realizada uma Fase sequente do trabalho que consistiu numa Análise Quantitativa de Riscos (AQR) com o intuito de:
avaliar os riscos específicos do local para a saúde humana e ecossistemas, considerando o actual uso do terreno;
permitir uma ferramenta de decisão quanto à técnica de remediação a adoptar.
A AQR foi realizada segundo a metodologia Risk Based Corrective Action (RBCA), desenvolvida pela American Society for Testing and Materials (ASTM). Esta metodologia está conforme com o referencial de Ontario adoptado neste caso de estudo (MEE,1997), e baseia-se no estabelecimento de uma relação entre uma fonte de contaminação e um receptor, através de uma via de exposição (Fonte→Trajecto→Alvo).
A AQR foi aplicada para os compostos cujos resultados analíticos que ultrapassavam os valores de referência utilizados, isto é , os constantes na Tabela 3 do referencial de Ontario (MEE, 2004). No Quadro 4.7 são apresentados as concentrações máximas detectadas no solo para esses compostos, e respectivo valor de referência considerado.
Quadro 4.7 – Identificação dos compostos que ultrapassaram os valores de referência Amostra Composto Máxima concentração detectada (mg/kg) Valor de referência11 (mg/kg) F21 (4,4m) Berílio 2 1,2 F2 (2,5m) Zinco 650 600 TPH C10-C16 150 TPH C16-C22 1700 TPH C22-C30 21000* F13 (2,0m) 1700 TPH C30-C40 3300
* - o valor corresponde à soma das fracções C10-C40, este valor é assumido como o valor disponível para
cada uma das cadeias
No caso dos TPH C>10-C40, foi feita uma duplicação das cadeias em alifáticos e aromáticos, para uma análise correcta de acordo com as diferenças físico-químicas e toxicológicas para cada uma delas. Como as análises laboratoriais não estão detalhadas por cadeias, considerou-se, um cenário bastante conservador. Assim, para cada fracção de TPH foi considerada uma concentração equivalente à total (21000 mg/kg).
Não foi necessário proceder à AQR para os compostos analisados nas águas subterrâneas, uma vez que nenhuma amostra analisada ultrapassou os valores de referência constantes na Tabela 2 (MEE, 2004), não constituindo, pois, um risco para os receptores considerados à frente enunciados. Por outro lado, no momento em questão, não se disponha de mais informações sobre outras captações na zona envolvente.
Antes de iniciar o cálculo do risco específico do local foi elaborado o modelo conceptual, que se encontra ilustrado na Figura 4.14.
Figura 4.14 – Representação do modelo conceptual do local (adaptado de URS, 2006).
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- segundo a Tabela 3 do “Soil, Ground Water and Sediment Standards for Use Under Part XV.1 of the Environmental
De acordo com o modelo conceptual, foi considerado o seguinte cenário: os trabalhadores da instalação são os potenciais receptores;
a via de exposição dos contaminantes aos trabalhadores é por inalação de vapores provenientes do subsolo em espaço interior e exterior;
o período de exposição dos receptores ao contaminante corresponde ao horário de trabalho dos trabalhadores (8 horas).
Não se consideraram cenários como a instalação de poços de captação de água numa zona industrial, uma vez que a zona se encontra abrangida pela rede de abastecimento de água pública.
Para o cenário construído foram assumidos pressupostos conservadores para o cálculo do risco, tais como:
a consideração de uma exposição de trabalhadores no interior de espaços reduzidos, tais como escritórios e gabinetes ou pequenos armazéns;
a consideração de concentrações máximas detectadas de TPH C>10-C40, zinco e berílio, para todo o volume de solos afectado.
Com base no cenário estabelecido, procedeu-se ao cálculo do Índice de Risco para os compostos considerados, segundo o critério de toxicidade cancerígena.
Para obter o Índice de risco foi necessário calcular a concentração de exposição a vapores provenientes do subsolo, para tal foi utilizado o modelo Johnson & Ettinger. Uma vez que neste trabalho não se pretende analisar em detalhe os modelos associados à AQR, sugere-se, como referência, a consulta do guia “User’s Guide for Evaluating SubsurfaceVapor Intrusion Into
Buildings” (EQM, 2004).
Uma vez calculadas as concentrações de exposição, a fase seguinte consistiu em estimar a dose, que foram calculados através de modelos definidos no “Risk Assessment Guidance for Superfund
Volume I Human Health” (EPA, 1989).
No Anexo 2 encontram-se identificados os dados de entrada necessários para o cálculo do Índice de Risco.
No Quadro 4.8 apresentam-se os Índices de Risco obtidos para os compostos analisados, conforme o cenário acima identificado. Estes valores foram calculados segundo as fórmulas mencionadas no capítulo 3.4 Toxicologia.
Quadro 4.8 – Resultados do Índice de Risco por composto para o cenário considerado Trabalhador, exposição em interiores (inalação de vapores) Composto
IRC IRNC
Valor de referência 1x10-5 1
Berílio Não volátil Não volátil
Zinco Não volátil Não volátil
4,7x10-2 TPH alifático C10-C16 Não cancerígeno
2,0x10-1 TPH aromático C10-C16 Não cancerígeno
TPH alifáticoC16-C22 Não cancerígeno 4,5x10 -4
2,1x10-3 TPH aromáticoC16-C22 Não cancerígeno
TPH alifáticoC22-C30 Não cancerígeno Não volátil
TPH aromáticoC22-C30 Não cancerígeno Não volátil
TPH alifáticoC30-C40 Não cancerígeno Não volátil
TPH aromáticoC30-C40 Não cancerígeno Não volátil
3,1x10-1 Total TPH Não cancerígeno
(Fonte: URS, 2006)
Tal como se pode observar no Quadro 4.8, não foi considerado existir risco cancerígeno, uma vez que os compostos com potencial risco cancerígeno (berílio e zinco) não se encontram disponíveis para a via de exposição considerada, isto é a de inalação. Quanto ao Índice de Risco não cancerígeno, pode-se considerar que o risco é aceitável uma vez que não excedeu o valor de referência considerado.
Os resultados da AQR indicam, segundo os pressupostos e cenário de exposição considerados, não haver risco inaceitável para os receptores.
As conclusões da AQR são válidas para as seguintes premissas:
o cenário contemplado é exclusivamente industrial, não sendo os resultados aplicáveis para o uso residencial do terreno;
assumiu que a contaminação não se encontrava à superfície e, portanto, não existia contacto directo nem transporte de partículas. Por outras palavras, assumiu-se que o subsolo contaminado se encontra a uma profundidade mínima de 20 a 30 cm, ou que o solo se encontra adequadamente pavimentado;
não foi detectada contaminação da água subterrânea, para a situação considerada.
Caso os pressupostos acima referidos se alterem, tais como o uso da água ou uso do solo, deverão ser efectuados estudo complementares.
Em resumo as principais conclusões dos resultados da fase de avaliação detalhada foram as seguintes:
Solos
As amostras de solos analisadas indicavam uma contaminação associada a cadeias longas de hidrocarbonetos (predominantemente de óleos pesados) e de metais pesados (zinco e berílio). Esta contaminação localizava-se em redor de parte do sistema de drenagem de águas pluviais e do separador de hidrocarbonetos.
Águas subterrâneas
As concentrações de hidrocarbonetos no ponto de controlo das águas subterrâneas, situado por baixo da zona mais afectada, a 17 m de profundidade, apresentavam vestígios de hidrocarbonetos (PAHs). Ainda assim, todas as concentrações detectadas estavam muito abaixo das concentrações das Guidelines de Ontario consideradas.
No que respeita a Análise Quantitativa de Riscos os resultados não indicaram a existência de um risco inaceitável para o cenário considerado de uso industrial ou comercial do local.