3 MATERIALE OG METODE
4.1 Data fra fiskerne
Observa-se que o período que vai de 1930 a 1962 configura um processo de amadurecimento da Psicologia que culminará, em 1962, com a regulamentação da profissão do psicólogo e com a organização dos cursos para sua formação. Durante essas três décadas, a Psicologia vai ganhando espaço nos campos da Educação, da Criminologia, do Trabalho e da Administração, bem como no campo da Clínica. Entre as décadas de 1950 e 1960, criam-se as primeiras associações de Psicologia, organizam-se eventos científicos nacionais e internacionais, os Institutos de Psicologia e suas publicações científicas (como é o caso da Revista de Psicologia Normal e Patológica do Instituto de Psicologia da PUCSP).
O movimento que se observa na área da Psicologia insere-se no âmbito das transformações sociais pelas quais passam o Brasil e o mundo. Após duas grandes guerras, o mundo, agora divido em ocidental e oriental, experimenta uma fase de ouro de sua história (sobretudo o mundo ocidental), com um boom econômico, social e cultural (HOBSBAWN, 1995). Trata-se de um período de tamanho desenvolvimento tecnológico- industrial que transformará rápida e drasticamente a vida cotidiana, tanto dos habitantes dos países mais desenvolvidos como dos menos desenvolvidos, como os países sul- americanos: é o advento do rádio, da televisão, da geladeira, dos discos de vinil, da produção, do consumo, da “pesquisa e desenvolvimento”, em que um “país desenvolvido” típico “tinha mais de mil cientistas e engenheiros para cada milhão de habitantes, mas o
Brasil tinha 250” (HOBSBAWN, 1995, p. 261). É o momento de se enfatizar o “progresso da ciência” e, assim como na Europa e EUA, o Brasil também investiu na formação de cientistas, a partir da criação de órgãos de apoio à pesquisa como o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), em 1951, e a Comissão de Aperfeiçoamento do Pessoal para o ensino Superior (CAPES), também em 1951. Além de associações como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em 1948. É nessa época também, em 1946, que é criada a Universidade Católica de São Paulo que adquire o título de Pontifícia no ano seguinte.
Embora a Psicologia tenha sido reconhecida como profissão em 1962, a partir da década de 1930, ela ganha, nas palavras de Antunes (1997, p.44), “novos impulsos para
seu desenvolvimento, relacionados fundamentalmente à expansão de seu ensino e de sua aplicação”. A expansão da Psicologia, bem como de outras áreas do saber nessa época, insere-se no bojo do ideário liberal da época de 1930, que promulgava a emergência de um “homem novo”, de acordo as com necessidades de uma sociedade industrializada e burguesa em contraposição a uma sociedade de base agrária.
Nesse momento, a Psicologia passa a ser ensinada em cursos superiores de Pedagogia e Filosofia, entre outros. Segundo Antunes (1997), em 1931, a disciplina Psicologia passa a fazer parte do Curso de Aperfeiçoamento de Educadores do Instituto Pedagógico de São Paulo.
Com a criação da Universidade de São Paulo em 1934, a cátedra de Psicologia do Instituto de Educação Caetano de Campos fora incorporada ao curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, sendo Noemi Silveira Rudolfer nomeada para a cátedra, em 1936. Em 1954, a cátedra é substituída por Arrigo Angelini. De acordo com Antunes (1997, p.47), essa cátedra
[...] foi de fundamental importância para a formação de profissionais em Psicologia e de pesquisadores na área, tendo sido fonte de incentivo e de preparação para muitos daqueles que vieram a obter os primeiros registros profissionais em psicologia, assim como constituir-se em parte do grupo pioneiro de docentes dos primeiros cursos após a regulamentação da profissão.
A disciplina Psicologia na seção de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP esteve sob a responsabilidade de Jean Maugué entre 1935 e 1944. Entre 1945 e 1947, a cátedra fora assumida pelo psicólogo canadense Otto Klineberg. Os três anos de ensino da disciplina eram organizados de acordo com os seguintes conteúdos: Psicologia Geral e Experimental e Escolas e Sistemas em Psicologia, no primeiro ano; Psicologia Social e Psicologia Diferencial no segundo; Psicologia da Personalidade e Psicologia Psicopatológica, no terceiro. A cátedra fora assumida, em seguida, por Annita Cabral, que manteve o mesmo esquema do curso de Klineberg, inserindo no currículo o treino de testes mentais e técnicas projetivas, tendo, Carolina Martuscelli como assistente nesse campo. Interessante notar que, conforme relata Cabral (1950), havia uma
eram requeridas pesquisas sobre atitudes e valores da população local, mediante o uso de métodos como análise de conteúdo, questionários e testes.
Dentre os especialistas estrangeiros que contribuíram para o desenvolvimento do Psicologia Científica no país, pode-se destacar também: Paul-Arbousse Bastide e Claude Lévi-Strauss que, segundo Lourenço Filho (1969), contribuíram para o ensino de Psicologia Social; Emílio Mira y Lopes, na área de Psicologia Aplicada; Betti Katzenstein, com os estudos sobre a psicologia da criança e Aniela Ginsberg, na área de Psicologia Social, sendo que ambas tiveram importante participação na RPNP do IPPUCSP.
A Universidade Católica de São Paulo foi criada em 1946 e elevada à condição de pontifícia em 1947. O IPPUCSP foi organizado em 1950 e inaugurado em 6 de agosto de 1951, sob a direção de Enzo Azzi. Em seu discurso de inauguração, Azzi (1952a) afirma que o escopo do Instituto é pedagógico e que sua finalidade científico-pedagógica aplica-se
[...] a amplos estudos sobre a psicologia da criança, do menino e do adolescente e, por meio do ensino ministrado, apresenta aos educadores os resultados das pesquisas psicológicas modernas pelo que diz respeito à atividade psíquica do homem em geral e ao jovem em particular; além disso, põe os educadores em contato com a metodologia e com todos os meios técnicos dos quais dispõem as disciplinas psicológicas hodiernas para proceder a um conhecimento mais adequado e mais objetivo da alma juvenil. Tende-se, assim, a colaborar na formação de educadores verdadeiramente competentes e cientificamente preparados para enfrentar sua complexa e nobre missão. (AZZI, 1952a, p.184).
Em relação às atividades didáticas, o IPPUCSP contava, em 1952, com os cursos de Psicologia Experimental Geral; Psicologia Educacional, organizada em: Psicologia da Infância e da Meninice, Caracteriologia e Biotipologia, Psicopatologia da Idade Evolutiva, Estudo científico da delinquência infantil e juvenil; Metodologia dos Mental Tests; Problemas de Conduta Humana; do Matrimônio; Psicologia Forense-Criminológica. Além dos cursos, o IPPUCSP oferecia seminários periódicos em que os alunos “sob o guia do
professor, estudam e analisam, através da conversação e da discussão, assuntos especiais sobre os problemas atuais da Psicologia” (AZZI, 1952a, p.185), tais como aqueles oferecidos em 1952: “As doutrinas psicanalíticas”, “O condutismo”, “Psicologia da Aprendizagem”, “Conceitos modernos sobre a personalidade”, “O estudo experimental da percepção na Psicologia contemporânea”, “A orientação educacional e vocacional no Brasil e nos principais Centros Europeus e Norte Americanos” e “As tendências da Psicopatologia e da Psiquiatria contemporânea” (AZZI, 1952b, p.13).
O IPPUCSP contava também com um curso de psicologia experimental com o objetivo de “adestrar os alunos na impostação das experimentações psicológicas”, familiarizando-se com as técnicas de investigação, habituando-se a “recorrer a fontes, a
elaborar sistematicamente uma bibliografia, a fixar o ‘status quaestionis’ de um assunto”, exercitando-se “a redação de uma exposição científica” (AZZI, 1952a, p.185).
Além das atividades didáticas, a investigação científica também fazia parte do rol de atividades do IPPUCSP que, em colaboração com outros Institutos buscou organizar “cientificamente” o material diagnóstico. Para tanto, o IPPUCSP manteve uma Seção de Estatística psico-pedagógica pois, nas palavras de Azzi (1952a), “o método dos testes,
como aliás, o método experimental em geral, não se concebem sem a elaboração matemática e estatística dos resultados.” (p.185).
O IPPUCSP organizava-se em uma diretoria e uma secretaria, uma biblioteca especializada, o Centro Médico-Psico-Pedagógico, o Centro de Orientação Psicológica, a Seção de Antropofisiometria e Estesiologia, a Seção de Psicomotricidade e Psicotécnica, a Seção de Psicologia Forense-Crimonológica e a Seção de Estatística Psico-Pedagógica. Em 1952, Aniela Ginsberg é contrata pelo IPPUCSP e assume a chefia do Centro de Orientação Psicológica e da Seção de Psicologia Social.
Na época de sua inauguração, o IPPUCSP dispunha de seis salas, uma salinha de espera e uma câmara acústica. Os laboratórios, ainda à espera de receber todos os materiais adequados, ocupavam 4 salas; as outras duas salas eram ocupadas pelo consultório médico e a biblioteca especializada.
Interessante ressaltar que, no tocante às atividades de pesquisa do IPPUCSP, Lourenço Filho (1955) afirma que a PUCSP era, na época, a universidade mais bem dotada de instalações, com material moderno de qualidade e que iniciava um significativo programa de pesquisa. O autor destaca também a clínica psicológica da Faculdade de Filosofia Sedes Sapientae, criada em 1953 e conduzida pela catedrática de Psicologia Educacional, Madre Cristina Sodré Doria. Também, Hildegard Hiltmann (1958), professora de Psicologia da Universidade de Freiburg, na Alemanha, em visita aos Institutos de Psicologia na América do Sul, afirma ser o IPPUCSP, o “melhor e mais
modernamente equipado que a média dos institutos de Psicologia da Alemanha, tanto em matéria de pessoal como em aparelhamento” (p. 341). Hiltmann (1958) destaca ainda o
fato de tanto o IPPUCSP como o IPPUCRS serem influenciados por correntes psicológicas norte-americanas.
Em 1959, foi inaugurada a Clínica Psicológica do IPPUCSP, que buscava contemplar três finalidades: finalidades didáticas, como Clínica Universitária, ministrando o ensino prático e teórico para os alunos do Curso de Especialização em Psicologia Clínica da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Bento; finalidades práticas, que, pelo trabalho em equipe formada por psicólogos39, médicos, pedagogos, trabalhadores sociais, conselheiros morais e outros, atende a população para fins de orientação vocacional, educacional, profissional, vital ou diagnósticos psicológicos, ensino terapêutico, terapia individual ou em grupo, e exames médicos; e finalidades de investigação científica, no campo da Psicologia Clínica.
Interessante notar que, em seu discurso de inauguração, em 24 de agosto de 1959, Azzi (1959) ressalta a particularidade da Psicologia Clínica em relação à Psicologia Patológica ou Psiquiatria ou Psicoterapia, pois a primeira engloba tanto as condutas adaptadas como as perturbações da conduta. Azzi (1959), concebendo o papel do psicólogo de compreender a dinâmica de cada indivíduo, “da personalidade enquanto se ajusta ou se
desajusta como um todo frente a situações percebidas e vividas como um todo” (p.491), segundo suas experiências e valores, afirma que
O papel da Psicologia Clínica é encarar a conduta em sua perspectiva própria, relevar o mais fielmente possível as maneiras de ser e de reagir de um ser humano concreto em contato com uma situação, procurar estabelecer a significação da conduta, sua estrutura e gênese, desvendar os conflitos que a motivam e os mecanismos que tendem a resolver esses conflitos (AZZI, 1959, p. 492)
Entre 1958 e 1961, no intuito de formar profissionais “especializados e cientificamente preparados” no campo da Psicologia, o IPPUCSP - com Enzo Azzi, Aniela Ginsberg, Aydil Macedo de Queiroz e Ana Maria Poppovic, que dirigia a então instituída Clínica Psicológica - em conjunto com a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Bento, organizaram o Cursos de Pós-Graduação em Psicologia Clínica, em 1958, o Curso de Pós-Graduação em Psicologia do Trabalho, em 1961, e o Curso de Especialização Educacional do Excepcional Retardado Mental, em 1961 (AZZI, 1964).
39 Embora não houvesse ainda a figura profissional do psicólogo nessa época, esse é o termo utilizado por Azzi (1959).
Até 1962, o IPPUCSP, com a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Bento, colaborava com as Seções de Pedagogia, Filosofia, Didática e Orientação Educacional, ministrando as disciplinas de Psicologia Científica para os cursos de Filosofia e Pedagogia, Psicologia Educacional para os 2º. e 3º. anos de Pedagogia e para Didática Geral e Orientação Educacional, Noções de Psicopatologia Geral e Psiquiatria, para os cursos de Didática de Pedagogia e Orientação Educacional, Psicologia Social e Técnicas do Exame Psicopedagógico para o curso de Orientação Educacional (AZZI, 1964).
Em 1963, após a regulamentação da profissão de psicólogo (Lei no. 4119, de 27 de agosto de 1962), o IPPUCSP cria seu primeiro curso de graduação em Psicologia e encerra as matrículas dos cursos de pós-graduação (AZZI, 1964, 1966). O curso de Psicologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Bento, com duração de 5 anos acadêmicos, contava com um ciclo comum de 3 anos, que depois se diversificava em curso de bacharelado em Psicologia, curso de licenciatura em Psicologia (bacharelado com disciplinas pedagógicas), ambos com duração de 4 anos, e curso de Psicólogo (2 anos, depois do bacharelado ou licenciatura em Psicologia) com as modalidades de Psicologia Clínica e Psicologia Aplicada ao Trabalho (AZZI, 1963, 1964). As provas vestibulares contavam com estudo psicológico da personalidade e provas de conhecimento em Biologia, Matemática, Português, Inglês, Francês ou Alemão. A Faculdade de Psicologia da PUCSP surge da fusão dos cursos de Psicologia do Instituto Sedes Sapientae e da Faculdade de Filosofia São Bento.
Segundo Azzi (1966), o IPPUCSP possuía três finalidades principais, a saber: o desenvolvimento de pesquisas científicas, nos diversos ramos da Psicologia Geral e Aplicada; de atividades de ensino por meio da realização de cursos especializados sobre Psicologia Geral e Aplicada e ciências afins; e de aplicações práticas da psicologia aos diversos setores da vida humana, principalmente o setor educacional, o clínico e o profissional.
De acordo com o relatório de atividades do IPPUCSP, referentes aos anos de 1965 e 1966, o IPPUCSP organizava-se em três departamentos principais – ensino, pesquisa e psicologia aplicada – e seções auxiliares – secretaria, contabilidade, oficina de manutenção e confecção, publicações (RPNP e outras), biblioteca que contava com uma média de 6000 volumes e 30000 separatas, recebendo em torno de 280 publicações periódicas nacionais e
Nota-se o crescimento desse Instituto entre 1952, quando mantinha 6 salas na Universidade, e 1965, quando já dispunha de 52, sendo 23 para o Departamento de Pesquisa, 21 para o Departamento de Psicologia Aplicada, 2 para o Departamento de Ensino, pois o IPPUCSP utilizava as salas de aula da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Bento, além de muitas das atividades didáticas serem realizadas nas salas dos departamentos de pesquisa e psicologia aplicada.
Em relação ao quadro de pessoal, destacam-se: Enzo Azzi diretor do IPPUCSP e do departamento de ensino e da RPNP, Aniela Meyer-Ginsberg, vice-diretora e diretora do departamento de pesquisas e Ana Maria Poppovic, diretora do departamento de Psicologia Aplicada. O quadro contava ainda com 17 psicólogos, entre eles: Nelson Campos Pires, chefe da Divisão de Psicomotricidade; Maria Inês Longhin Siqueira, chefe da Divisão de Psicologia Clínica; Rosa Maria Stefanini Macedo, chefe da Divisão de Orientação Vocacional; Theo Van Kolck, chefe da seção de Psicologia Religiosa e outros; 6 médicos, como Mauro Spinelli, chefe da Seção de Fonoaudiologia e Carlos de Moraes Passos, chefe da Divisão de Hipnose; 1 professora especializada em Educação de Excepcionais, Genny Goluby Moraes; 3 fonoaudiólogos, Josefina Exemplari, Shirley Paccini e Maria Cássia Saes; 1 filmólogo, Hélio Furtado do Amaral, chefe da Divisão de Psico-Filmologia; 1 estatística, Yadwiga Mielzinska, chefe da Divisão de Estatística; 1 técnico, chefe do Setor Oficina de Confecção e Manutenção; 3 alunos bolsistas da Fapesp; uma secretária da RPNP; uma secretária de redação, um secretário da Diretoria; 6 secretárias e 1 caseira (AZZI, 1966)
Azzi (1966) afirma que o Instituto contava com 47 colaboradores, dentre os quais 33 eram funcionários da universidade, 7 eram comissionados de órgãos oficiais, 4 bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) e 1 do Centro de Aperfeiçoamento do Pessoal do Ensino Superior (CAPES) e 2 assistentes voluntários. Além desses, havia um número considerável de pedido de pessoas de outras instituições para realizarem estágios e pesquisas no instituto que, por falta de recursos, não as pôde receber. Recebia também a colaboração de pesquisadores estrangeiros, como Igor Caruso, da Áustria; John Francis Santos, Anna Kwiatkowska, Fred Keller, James Nazaro e Wayne Holtzman, dos EUA; Joseph Nuttin, da Bélgica; Júlio Queiroz, do México; Fernandes Fonseca, de Portugal, e outros; além de pesquisadores brasileiros de outras instituições, como Noemi Silveira Rudolfer, da USP, José Ribeiro do Valle, da Escola Paulista de
Medicina, e Carolina Mastuscelli Bori, da USP. Na época relatada, o IPPUCSP também ampliava seu plano de intercâmbio científico com centros de pesquisa: da Itália com o Instituto de Psicologia da Universidade de Roma; dos EUA, com Berkeley University, California; Texas University; University of Illinois, University of New York e Notre Dame University; na França, com a Universidade de Paris; e, em Cuba, com a Universidad de Havana (1966, p. 185).
As pesquisas do IPPUCSP atendiam a três eixos temáticos: estudo experimental e clínico de variáveis de personalidade e das relações entre processos perceptivos e característicos da personalidade; estudo da influência de variáveis sócio-culturais na aprendizagem perceptual, características motivacionais e desenvolvimento da personalidade; estudo do condicionamento neuro-fisiológico de problemas específicos de conduta, sobretudo em crianças e adolescentes. A intensa atividade científica do IPPUCSP pode ser percebida pelos 63 artigos científicos publicados ou enviados para publicação, entre os anos de 1964-1965, pelos seus profissionais, sem contar com as inúmeras análises críticas de livros e revistas publicadas na RPNP; além disso, Azzi (1966) relata a participação dos profissionais em 15 congressos realizados tanto no Brasil como no exterior.
O Departamento de Ensino do IPPUCSP, em colaboração com a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Bento, tinha por objetivo tanto formar bacharéis e licenciados em Psicologia, como organizar cursos de aperfeiçoamento, extensão universitária, mesas redondas, seminários especializados etc. O curso de bacharelado em Psicologia, de duração de 4 anos, em sistema semestral, fundamentava-se em uma formação filosófica, fornecendo aos alunos uma complementação filosófica necessária para a compreensão e valoração dos problemas psicológicos; uma formação biológica, para se estudar o comportamento animal e humano e proporcionar um treinamento metodológico; uma formação sócio-antropológica, para uma “compreensão ampla do comportamento
social do homem e suas implicações” (AZZI, 1966, p. 219) e; uma formação estatística, “indispensável quer na pesquisa quer no setor de aplicação, com a preocupação principal
do estudo de técnicas diretamente ligadas aos objetivos psicológicos” (AZZI, 1966, p.219). O IIPUCSP também mantinha o curso de Fonoaudiologia (Logopedia e Audiometria), realizado em 2 anos. A exemplo da experiência realizada em 1961, em um
organizou em 1966 um Curso de Especialização em Retardamento Mental, em colaboração com a Faculdade São Bento, a Federação Nacional das APAES e a Associação Brasileira para o estudo científico da Deficiência Mental, com apoio financeiro da CADAME, do Ministério da Educação e da Cultura, com o objetivo de “formar técnicos de alto nível,
capazes de transmitirem, em outros cursos, os conhecimentos adquiridos, de formar professores de crianças retardadas mentais e de dirigir e orientar a organização de serviços dedicados à criança excepcional” (AZZI, 1966, p.224).
O Departamento de Psicologia Aplicada tem como objetivo a “aplicação prática da Psicologia aos diversos setores da vida humana, sobretudo o educacional (e escolar), clínico e profissional”; colaborar com o Departamento de Pesquisa, pela realização de investigações científicas, e com o Departamento de Ensino, ao ministrar um ensino prático e treino profissional. Os atendimentos na clínica são feitos para diagnóstico psicológico, orientação e aconselhamento psicológico, seleção profissional, psicoterapia individual e de grupo, ensino corretivo e terapêutico e exames especializados e orientação vocacional. Entre 1964-1965 foram atendidas 1957 pessoas.
O IPPUCSP contou com três publicações: a RPNP, a partir de 1955; as monografias, publicadas esporadicamente como separatas da RPNP; e a Studia
Psychologica Psychopatologica, que tem início em 1966, com uma seleção de obras e monografias psicológicas. Entre 1952 e 1954, o IPPUCSP publicou, como separata da Revista da Universidade Católica de São Paulo, o Boletim do Instituto de Psicologia Experimental e Educacional.
Segundo Azzi (1966, p. 232), a RPNP, principal publicação do IPPUCSP, editada trimestralmente, publica “além de crônicas, documentações, análises bibliográficas, etc. [...], artigos originais de autores nacionais e estrangeiros que encerram fatos novos para a
especialidade e se submetem às normas de ética profissional e científica ditadas pelo IP”. O diretor da RPNP era Enzo Azzi, a secretária R. M. Garcia de Alcaraz; a comissão de redação era composta por Enzo Azzi, Aniela Ginsberg, Nelson de Campos Pires e Carlos de Morais Passos.
Nos primeiros 11 anos de existência da RPNP, Azzi constata que foram publicados 340 artigos originais, dentre os quais 240 eram de colaboradores brasileiros, 20 italianos, 16 norte-americanos, 11 suiços, 8 franceses, 5 espanhóis, 4 portugueses, 3 alemães, 3
argentinos, 2 ingleses e 8 de outras nacionalidades (canadense, húngaro, australiano, mexicano, venezuelano, belga, holandês e escandinavo). Em relação às seções de resenhas,