• No results found

Todos os pacientes portadores de transtornos alimentares apresentaram algum grau de desgaste dentário. Os resultados de acordo com a severidade acometida por indivíduos encontram-se na figura 24.

Procedência n % Batatais – SP 1 3,33 Brodowski –SP 1 3,33 Canapólis – MG 1 3,33 Dumont 1 3,33 Franca 4 13,33 Orlândia 1 3,33 Passos – MG 1 3,33 Poço – Fundo 1 3,33 Ribeirão Preto – SP 11 36,67

São Joaquim da Barra - SP 2 6,67

Sertãozinho – SP 5 16,67

Taiúva 1 3,33

TOTAL 30 100,00

8,3% 75,0% 8,3% 8,3% grau 1 grau 2 grau 3 grau 4

A prevalência de desgaste dentário em pacientes com BN foi de 75% (n=9), acometendo somente dentina de acordo com a figura 25.

Das oito pacientes com AN-R, foi observado 50% (n=4) de desgaste dentário com severidade grau 2. (Figura 26). As pacientes com AN-P apresentou 11,1% (n=1) desgaste dentário grau 4, 33,3 % (n=3) de desgaste dentário grau 1 e 55,6% (n=5) com desgaste dentário grau 2. (Figura 27).

20% 63% 4% 13% grau 1 grau 2 grau 3 grau 4

Figura 24 – Percentual de desgaste dentário acometidos por indivíduos em pacientes com transtornos alimentares

Figura 25 – Percentual de pacientes com bulimia nervosa em relação à severidade do desgaste dentário.

25% 50% 25% grau 1 grau 2 grau 4 33,3% 55,6% 11,1% grau 1 grau 2 grau 4 20,0% 66,7% 13,3% grau 1 grau 2 grau 4 A superfície dentária mais acometida foi à superfície oclusal/incisal com uma severidade de desgaste dentário em dentina, correspondendo a 66,7% (n=20). Não foram identificados o grau 3 de desgaste dentário (Figura 28).

Figura 26 – Percentual de pacientes com anorexia nervosa tipo restritiva em relação à severidade do desgaste dentário.

Figura 27 – Percentual de pacientes com anorexia nervosa tipo purgativa em relação à severidade do desgaste dentário.

Com relação à superfície vestibular observou-se que 76,7% (n=23) não apresentaram nenhum grau de desgaste dentário e 13,3% (n=4) apresentaram desgaste dentário grau 4. (Figura 29).

De acordo com a figura 30, observa-se uma prevalência de desgaste dentário com comprometimento pulpar de 13,4% (n=4) na superfície lingual.

80,0% 3,3% 3,3% 13,4% grau 0 grau 1 grau 3 grau 4

As informações sobre hábitos alimentares e condições de saúde bucal foram questionadas.

Todos os pacientes relataram tomar refrigerante, sendo que 66,6% (n= 20) só ingerem coca-cola. Com relação ao hábito de tomar suco, a maioria das entrevistadas prefere os sabores mais cítricos como laranja, limão e tangerina, correspondendo a 63,3% (n= 19).

Figura 30 – Percentual de desgaste dentário na superfície lingual/palatina 76,7% 6,7%3,3% 13,3% grau 0 grau 1 grau 2 grau 4

Os pacientes que apresentaram desgaste dentário grau 4, do total da amostra (13%) ingeriam refrigerante coca-cola.

O número de escovações diárias foi avaliado, sendo que a maioria, 33,3%, respondeu que fazia suas escovações em média 3 vezes ao dia, seguido dos que realizam as escovações 4 vezes ao dia (30%), 2 vezes ao dia (16,6%), 1 vez ao dia (6,7%), 2 vezes ao dia (6,7%) e alguns relataram escovar os dentes todas as vezes que comem (6,7%).

Questionou-se, em seguida, se o paciente tinha costume de dormir sem escovar os dentes, da amostra 26,7%, responderam que sim, pelo menos 1 vez na semana, enquanto 43,3% dos entrevistados relataram não deixar de realizar a higiene bucal nenhum dia da semana. (Figura 31).

26,7% 16,7% 6,7% 6,6% 43,3% 1 vez/semana 2 vezes/semana 3 vezes/semana todos os dias nenhuma

A preferência dos pacientes sobre o tipo de cerdas das escovas dentais foi questionada, no qual a maioria 73,3% (n= 22) preferia cerdas macias. Já 26,6% (n= 8) referem preferir escovas dentais com cerdas médias.

Em relação ao movimento utilizado para escovar a superfície vestibular dos dentes, ou seja, 50% (n= 15) dos pacientes responderam que costumam utilizar movimentos circulares, enquanto 33,3% (n= 10) realizam o movimento de trás para frente/frente para trás e somente 16,3% (n=5) utilizam movimentos de cima para baixo/baixo para cima.

Figura 31 – Percentual de pacientes que deixam de realizar higiene bucal antes de dormir

Investigando sobre hábitos bucais, como, ranger os dentes, morder objetos, roer unha, mascar chiclete, morder língua e lábios, a maioria dos pacientes, isto é, 86,6% (n= 26) afirmaram ter um ou mais hábitos bucais e apenas 13,4 (n= 4) relataram não ter nenhum tipo de hábito bucal.

Foram analisados os seguintes fatores associados com os diferentes graus de desgaste dentário: ingestão de coca-cola, guaraná, sprite, fanta; consumo de sucos sabor laranja e limão; ocorrência de refluxo e vômito; presença de hábitos bucais: ranger os dentes, apertar os dentes, morder lábios, roer unha e morder objeto, sendo que não houve diferença significativa (p>0,05) para ocorrência de desgaste dentário na superfície vestibular e lingual. Embora o fator ranger os dentes tenha sido significativo (p=0,04).

Porém, com relação ao desgaste dentário na superfície oclusal, os fatores ranger e apertar os dentes apresentaram significância (p=0,02 e p=0,01 respectivamente).

6

6

DDIISSCCUUSSSSÃÃOO

6.1 TRANSTORNOS ALIMENTARES

Os transtornos alimentares tornaram-se, nos últimos 15 anos, alvo de intensas pesquisas dado o grande aumento de sua incidência na população jovem, principalmente nos adolescentes. Atualmente já se descreve o que poderia ser chamado de comportamento de risco para desenvolver um distúrbio alimentar. Em geral, os pacientes com BN, AN ou TCAP, muito antes da doença estabelecida, já apresentavam alguma alteração emocional e do comportamento.

As complicações clínicas dos transtornos alimentares são variadas e estão relacionadas principalmente com a perda de peso corporal e com os métodos compensatórios utilizados pelos pacientes. Apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes para essas doenças, um atraso importante entre o início dos sintomas e o tratamento ainda é comum. Sendo assim, o diagnóstico precoce desses distúrbios, assim como de suas complicações clínicas nem sempre são possíveis. O tratamento das complicações deve ser realizado concomitante ao acompanhamento psicoterápico e nutricional, necessitando de uma equipe multidisciplinar para o manuseio mais adequado e satisfatório dessas condições clínicas.

Segundo ZÁRATE; RODRÍGUEZ172, em 2000, é necessário vincular as distintas áreas de saúde para entender melhor sobre os transtornos alimentares e abordá-lo integralmente, não só como um sintoma isolado de outras enfermidades ou como uma mera curiosidade médica e sim, como uma síndrome bem definida.

Estudos na década de 80, nos EUA, revelaram que a anorexia nervosa era a terceira doença crônica mais comum entre adolescentes do gênero feminino (10 a 20 mulheres para 1 homem), só perdendo para asma e obesidade. Quanto à bulimia nervosa afetava 1 a 5% desta população, sendo também mais freqüente na mulher na proporção de 1:2. (FISHER; GOLDEN; KATZMAN64, 1995).

De acordo com a APA10, em 2000, a prevalência de anorexia nervosa variava cerca de 0,3 a 3,7% e a prevalência de bulimia nervosa cerca de 1,1 a 4%.

Com o aumento de casos de TAs, criaram-se ambulatórios de saúde específicos para esse tipo de tratamento (TEIXEIRA NETO161, 2003).

O tratamento de pacientes portadores de transtornos alimentares constitui-se um grande desafio para os profissionais da área de saúde em geral (SILVA; SANTOS146, 2006).

6.2 CONTRIBUIÇÃO DA ODONTOLOGIA PARA O ATENDIMENTO DE