4 STUDY 2
4.3 DATA COLLECTION
Uma vez que a evapotranspiração de referência (ETo) representa um índice climático da demanda evaporativa, o Kc (coeficiente de cultura) varia, essencialmente, de acordo com as características da cultura, traduzindo, em menor escala, a variação dos elementos climáticos (FREVERT, et. al., 1983). Este fato possibilita a transferência de valores de Kc de um local para outro e de um clima para outro. O coeficiente de cultura pode variar de
acordo com a textura e o teor de umidade do solo, com a profundidade e densidade radicular e com as características fenológicas da planta. Entretanto, o conceito de Kc tem sido usado, extensivamente, para estimar a necessidade real de água de uma cultura particular por meio de estimativas ou medições de ETo (SEDIYAMA et. al., 1998).
Várias fontes recomendam valores de Kc para um amplo elenco de culturas anuais e perenes e as principais incluem os manuais 24 (DOORENBOS & PRUITT, 1977) e 56 (ALLEN et al., 1998) da FAO. Os dados de Kc indicados nessas publicações, tem ampla aceitação mundial, sendo a melhor alternativa quando valores locais não estejam ainda disponíveis. No Brasil, Albuquerque (2002) sistematizaram, por região, valores de Kc de algumas culturas anuais e Marquelli et al. (2001) apresentaram coeficientes de cultura para as principais hortaliças.
Em uma revisão do manual da FAO para a estimativa das necessidades de água dos cultivos, Allen et al. (1998) recomendam a adoção do método de Penman- Monteith como padrão para a estimativa da evapotranspiração de referência (ETo). Nessa publicação, os autores apresentam novos valores de coeficientes de cultivo para diferentes culturas e propõem um método de aproximação dos coeficientes de cultivo, em que apenas três valores de Kc médio (para os estádios inicial – Kc inic., intermediário – Kc int. e final – Kc fin.), seriam utilizados para determinar graficamente a variação do Kc ao longo do ciclo da cultura.
Allen et al. (1998) recomendam, ainda, que os valores de Kc e de duração dos estádios da cultura apresentados sejam ajustados por meio de experimentos para cada região, de acordo com a variedade plantada, condições climáticas e as técnicas de cultivo utilizadas. Como exemplos desses experimentos citam-se os realizados por Rodrigues & Souza (1998), com a cultura do melão na região costeira do Piauí e Bezerra & Oliveira (1998) com a cultura da melancia na região costeira do Ceará.
O abacaxizeiro (Ananás comosus L.) é uma planta com necessidades hídricas relativamente reduzidas, se comparado com outras plantas cultivadas. A sua adaptação a condições de deficiência hídrica decorre de uma série de características morfológicas e fisiológicas típicas de plantas xerófilas, tais como: a) a capacidade de armazenar água na hipoderme das folhas; b) capacidade de coletar água eficientemente,
incluindo o orvalho, por suas folhas em forma de canaleta; c) capacidade de reduzir consideravelmente as perdas de água (transpiração) por meio de vários mecanismos.
A demanda de água do abacaxizeiro varia ao longo do ciclo da planta e, depedendo do seu estádio de desenvolvimento e das condições de umidade do solo, pode ser 1,3 a 5,0mm.dia-1. Um cultivo comercial de abacaxi exige em geral uma quantidade de água equivalente a uma precipitação mensal de 60 a 150mm. A faixa ideal de precipitação anual, para que ocorra sucesso na exploração da cultura, situa-se entre 1.000 e 1.500mm bem distribuídos, tornado-se necessária à irrigação nos locais onde tal situação não é alcançada.
A bananeira (Musa sp L.) é uma planta de regiões tropicais e subtropicais, cujo centro de origem é o continente asiático, exigente em água nos períodos de estiagens com temperaturas e evaporações elevadas. Sendo uma cultura permanente, as necessidades hídricas totais da banana são elevadas e as anuais variam de 1.200mm nos trópicos secos. Dentre as fruteiras produzidas no Estado do Ceará, a bananeira se destaca entre as mais cultivadas sob irrigação, principalmente pelo seu potencial de produção ao fator água, além da grande importância alimentícia, social e econômica (ALVES, 1999).
O mamoeiro (Carica papaya L.), dicotyledonae, caricaceae - tem como origem provável uma região entre noroeste da América do Sul e sul do México (América Tropical). O mamoeiro é uma das fruteiras mais cultivadas nos países de clima tropical, sendo o Brasil o maior produtor mundial, com 1,4 milhão de toneladas por ano, que representa 25,8% da produção total (FAO, 2001).
Bezerra et al. (2001), trabalhando com a cultivar Sunrise Solo, utilizando o método do balanço hídrico até a fase de floração da cultura, no município de Fortaleza - CE, encontraram valores médios de evapotranspiração do mamoeiro, variando de 2,3mm dia-1, na fase inicial, até 6,8mm dia-1, no 88º dia após o plantio. Os valores de Kc revelaram-se diferentes em função dos métodos de estimativa da ETo utilizados. Para o método de Penman-Monteith, o coeficiente de cultura variou de 0,41 (fase inicial da cultura) a 1,16 (início da floração) e, para o método do tanque Classe A, de 0,40 a 1,20. Os valores médios foram de 0,74 a 0,75 para a fase inicial, e de 1,09 a 1,12 no início da floração, para o primeiro e o segundo métodos, respectivamente.
As informações sobre a cultura da mangueira (Mangifera indica L.), ainda são bastante preliminares no Brasil como em outras regiões produtoras no mundo. A
maior disponibilidade dessas informações reside na escolha do método de irrigação e na época de aplicação e suspensão de água (CUNHA et al., 1994; PÓVOA, 1996; SOARES & COSTA, 1995; COELHO et al., 2000).
Pelo coeficiente de cultura (Kc), e conhecendo-se a ETo de um pomar de mangueiras, pode-se estimar a ETc, e assim determinar a lâmina de irrigação a ser irrigada. Em Petrolina, pode-se adotar os valores de Kc de 0,44 para a floração, 0,65 para a queda de frutos, 0,83 para a formação do fruto, e 0,84 para a maturação do fruto (SILVA, 2000).
A necessidade de água do meloeiro (Cucumis melo L.), do plantio até a colheita, varia de 300 a 550mm, dependendo das condições climáticas, ciclo da cultivar e sistema de irrigação. Miranda & Bleicher (2001) trabalhando com o uso do lisímetro de pesagem e tanque Classe A na região litorânea do Ceará encontraram os seguintes coeficientes de irrigação (Ki) para as diferentes fases da cultura: 0,13 (inicial), 0,13 a 0,68 (crescimento), 0,68 (intermediária) e 0,55 (final).
Miranda et al., (1999), observaram valores de Kc-inicial de 0,21; Kc- intermediário de 1,21 e Kc-final de 0,98; para a cultura do melão plantado na região litorânea do Estado do Ceará. Em relação às recomendações da FAO, observaram-se menores durações dos estádios fenológicos e maiores valores de Kc-intermediário e Kc-final, o que mostra a importância da realização de estudos regionais de determinação da evapotranspiração e de coeficientes de cultivo.
Em geral as necessidades hídricas anuais da cultura da uva (Vitis spp.) variam entre 500 e 1.200mm, dependendo do clima, da duração do ciclo fenológico, do cultivar, da estrutura e profundidade do solo, do manejo cultural, da direção, espaçamento e largura das fileiras e da altura da latada (DOORENBOS & KASSAN, 1994). Allen et al. (1998) citam valores de coeficientes de cultura (Kc) inicial, médio e final da uva iguais a 0,30; 0,85 e 0,45, respectivamente.
Teixeira et al. (1999) determinaram a evapotranspiração de referência (ETo), a evapotranspiração da cultura (ETc) e Kc da uva, em todas as fases do ciclo produtivo, no período de 03/06 a 11/09/1994, em Petrolina, PE. A ETc acumulada foi 503mm, com valor médio de 4,2mm d-1 e variação diária de 2,8 a 7,0mm. Os valores de Kc variaram de 0,65 a 1,15.
De acordo com Ávila Netto (2000), o consumo de água da videira, cultivar Itália, irrigada por gotejamento no Submédio São Francisco, determinado pelo método do balanço de água no solo, no período de 13/05 a 11/08/96 (da poda à colheita dos frutos), foi 333,6mm. O consumo médio diário foi 3,6mm sendo que no subperíodo de maior demanda transpiratória da vegetação este valor foi 4,33mm. Os valores do Kc oscilaram de 0,49 a 0,74.
Conceição (2001) apresenta valores de Kc que podem ser empregados para a cultura da videira, caso não existam valores específicos para as condições locais: poda- brotação 0,4; brotação-florescimento, 0,6; florescimento-compactação, 0,8; compactação- maturação 1,0 e na maturação-colheita, 0,8.
Uma dificuldade no uso dos coeficientes de cultura na fruticultura é a pequena disponibilidade de dados para as diversas espécies cultivadas.