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Data collection

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Chapter 4: Presentation of empirical findings

4.3 Data collection

A análise dos dados sistematizados no Quadro N.º 47 revela-nos que, dos 39 indicadores que compõem a categoria, 9 apresentam frequências de valores superiores à média da mesma (Χ =3,4). Destes, destaca-se o indicador “são muito escassos”, com 30 respostas, devidas a 8 entrevistados, a que correspondem os valores percentuais de 22,7% e 80%, respectivamente. Os excertos seguintes, resultantes das declarações de quatro entrevistados, dão-nos conta dos pouquíssimos materiais didácticos ao alcance destes profissionais para trabalharem com o público do Ensino Recorrente, até por deficiência organizacional ou funcional de algumas escolas:

(…) Os recursos materiais são muito poucos (…) Se não fosse eu levar de casa, das

minhas coisas... não, não há grande oferta, não há materiais para nós trabalharmos.

(…) (02);

(…) Os que existem são muito poucos! (…) Nenhuns, pois! (…) E se quisermos alguma

coisa que fez-nos falta, ou pedimos na Coordenação, que aí há fichas e há livros, ou então comprar mesmo (...) se quisermos fazer uma coisa nova, temos que ser nós a criar, temos que ser nós a fazer e então nem sempre há tempo para isso.(…) (04);

(...) havia uma série de coisas na sala que nós não podíamos utilizar (…) como jogos,

por exemplo (…) isso era bom. (…) Mas não podíamos utilizar. (…) Porque não nos era permitido utilizar esse tipo de materiais, porque a escola não permitia mesmo. (...) (08);

(…) Não existem muitos recursos, muito pelo contrário, nós quase que fazemos omeletas

sem ovos. (…) Temos o quadro, temos o giz e pouco mais, depois o resto, vamos pedindo à Coordenação e a C. C., com os poucos meios que tem, vai tentando nos ajudar (…) temos muito pouca coisa. (…) (09).

O indicador “foi essencialmente à base de fichas/cadernos”, com 16 unidades de sentido, a que correspondem 12,1% do respectivo total, mencionado por 8 dos entrevistados (80%), é o que detém o segundo valor mais elevado. Reparemos, então, no testemunho de um deles:

(…) o material que eu mais utilizei foram as fichas, ou fotocopiadas das da

Coordenação, ou elaboradas por mim, ou fotocopiadas às vezes de alguns livros, alguns exercícios (…) de resto era a ficha, para aprender mesmo os conteúdos era a ficha. (…)

(05).

Segue-se-lhe, com 10 respostas (7,6%), de 5 entrevistados (50%), o indicador “não havia nada”, reforçando o sentido do primeiro destes indicadores, embora de forma mais radical. Vejamos como um dos entrevistados se exprimiu acerca deste aspecto:

(...) eu tinha dificuldades porque não tinha mesmo recursos. (...) não tínhamos nada (...)

(01).

Continuando a análise, com 8 respostas (6,1%), de 6 inquiridos (60%), apresenta-se o indicador “manuais não existem”, como se traduz da passagem da entrevista de um deles, embora tal facto não constitua em si um “mal”:

(…) Não há manuais no Ensino Recorrente. (…) o professor pode elaborar esses

manuais, juntando textos que vai produzindo nas diversas aulas com os alunos (…) Não há manuais (…) (07).

Segue-se-lhe, com 7 unidades de sentido, o indicador “faço materiais com eles”, resultante dos discursos de 3 entrevistados (30%), tal como o testemunham as palavras deste professor:

(…) utilizávamos muito o cartão de caixas, de frigoríficos e coisas do género (…) para

fazer materiais com eles (…) fazemos cartazes para trabalhar com os alunos (…) (09).

Em igualdade pontual no que respeita à frequência (F=5, ou 3,8%) apresentam-se os indicadores “utilizámos o quadro”, mencionado por 3 professores (30%), e “os materiais que utilizei foram construídos por mim”, referido por 3 entrevistados (30%), assim ilustrado por dois dos inquiridos:

(…) Vou construindo, vou alargando, conforme os temas (…) dentro daquele tema,

temos que procurar adaptar material, ir buscar aqui e acolá e quando não há temos que os arranjar nós (…) temos que o fabricar, que remédio! (…) (07);

(…) E mesmo os mapas dos distritos e dos concelhos de cada distrito e tudo mais, foi

tudo material feito por mim e pesquisado... (…) Foi tudo material feito por mim (…)

(10).

Imediatamente a seguir, com 4 respostas (3%) surgem-nos os indicadores “recorri aos materiais da concelhia” e “usava alguns manuais do 1º Ciclo”, mencionados, respectivamente, por 3 e 2 entrevistados, a que correspondem os valores percentuais de 30% e 20%, respectivamente. O extracto de uma das entrevistas, que se transcreve, ilustra o último destes indicadores:

(…) escolhia todos os manuais que tinha e eu procurava em casa alguns que se

adaptassem para cada situação. (…) Do 1º Ciclo. (…) Sim, utilizava alguns. (…) Sim. Depende, depende dos textos. Nada que fosse muito acriançado. (…) (02).

Com frequências de valores já abaixo do da média (F=3, o que corresponde a 2,3%) surgem-nos os indicadores “utilizámos cartolinas” (3 respondentes, ou seja, 30%), “utilizei o vídeo” (2 respondentes – 20%) e “adapto os materiais que eu própria fabriquei quando recebi formação acerca da construção de materiais” (1 respondente, ou 10%), sendo este último assim expresso pelo entrevistado que o produziu:

(…) há anos atrás, estivemos em Lisboa a trabalhar nesse sentido. Produzir materiais e

produzimos bastantes (…) Temos que adaptar porque as realidades são diferentes e o professor do Ensino Recorrente tem que ter sempre isso presente. (…) um material que não serve para este aluno, para o aluno A, serve para aluno B... (…) (07).

Já com valores bastante mais baixos que o da média, apresentam-se, com 2 respostas (1,5%), os indicadores: “utilizei a Internet”, “utilizei livros”, “o que há são lápis, borrachas, cadernos”, “adaptávamos de manuais para crianças” (todos devidos às respostas de 2 entrevistados – 20%), “cheguei a levar manuais do 2º Ciclo”, “utilizei o computador” e “os materiais audiovisuais são muito importantes e necessários quando se trabalha com adultos” (mencionados por 1 respondente, ou 10%).

Os últimos indicadores apresentam todos 1 unidade de sentido (0,8%), tendo cada um deles origem no discurso de 1 só entrevistado (10%). Os recursos didácticos a que os protagonistas aludiram ter recorrido são díspares, desde os mais tradicionais (“era à base de textos”, “como era trabalho individual, era mais o papel e o lápis”, “ia muitas vezes buscar histórias da biblioteca da escola”, “utilizei também dicionários”, “utilizávamos os manuais na perspectiva da cópia e do ditado”), aos que mais pontos em comum têm com as vivências dos adultos (“recolhemos panfletos”, “cheguei a utilizar os folhetos de publicidade dos supermercados para dar os preços das coisas porque são muito apelativos”, “usei os cheques” e “levei uns «tickets» das compras”).

As tecnologias de informação e comunicação são, também, referenciadas como constituindo um recurso didáctico às quais o professor que lecciona no Ensino Recorrente deve ter acesso, conforme deixam perceber os indicadores “na escola onde eu estava, tinha acesso ao vídeo, à televisão e mais nada” e “o computador é muito importante, mesmo para os formandos que não sabem ler”. Aliás, as tecnologias de informação e comunicação são apontadas não só como recurso, mas como estratégia e constituem, por si sós, uma área disciplinar (TIC), pelos que estes indicadores não só se reforçam mutuamente, como se interligam.

1.5.4.2. Mobiliário

Ainda na categoria dos recursos materiais/equipamentos, detenhamo-nos no que os entrevistados referiram quanto aos equipamentos afectos/usados pelo Ensino Recorrente (Quadro N.º 48).

QUADRO N.º 48

RECURSOS MATERIAIS/EQUIPAMENTOS

Subcategoria: Mobiliário

EQUIPAMENTOS N.º UN.

SENTID. %* ENTREVIS. N.º %

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