3 Methodology
3.2 Data Collection
Para o tratamento e análise dos dados neste estudo recorreu-se ao software SDIS (Sequential Data Interchange Standard) - GSEQ (Generalized Sequential Querier) 4.2 (versão actualizada para window – Fevereiro de 2008) de Bakeman e Quera (1996), pela sua especificidade para analisar eventos múltiplos. Logo, todo o processo de registo dos dados teve por base a linguagem do referido programa.
O GSEQ é um programa de propósito geral que analisa as sequências de comportamento interactivo. Representa, analisa, codifica e recodifica sequências comportamentais parcelares e complexas.
Para a notação dos dados da observação utilizou-se um arquivo com extensão SDS, no qual foram registados os códigos dos comportamentos observados. É importante explicitar a forma de sinalizar o registo da observação, segundo a linguagem própria do programa SDIS -GSEQ:
a) No final do registo duma conduta foi utilizado um ponto final (.), para sinalizar a passagem para a conduta seguinte da mesma sequência.
b) No final duma sequência foi colocado um ponto e vírgula (;). c) No final duma sequência PO e também do registo duma sessão
de observação foi utilizado o sinal (/).
d) Cada sequência recolhida diz respeito a um PO, pois um novo PO implicou a passagem para a linha seguinte.
A título de exemplo do registo, é apresentado a seguir uma das sequências ofensivas do jogo entre o FC Barcelona e o Manchester United, durante a final da Liga dos Campeões, na época 2008/09, a qual termina em golo (Processo Ofensivo é finalizado com eficácia).
Início do Processo Ofensivo (IPO):
Como já foi mencionado anteriormente, o Início do Processo Ofensivo acontece através da recuperação da posse de bola, de forma directa (a bola permanece dentro do espaço de jogo regulamentar; não são cometidas infracções às leis do jogo) ou indirecta (por infracção às leis de jogo da parte do adversário), quando se respeita pelo menos uma das seguintes acções: a) Realiza pelo menos três contactos consecutivos com a bola; b) Executa um passe positivo (permite a manutenção da posse de bola); c) Realiza um remate (finalização).
Na sequência exemplificativa, o Início do Processo Ofensivo dá-se através dum passe médio (entre duas zonas contíguas) em largura (atrasado em relação à linha da bola), com variação de corredor de jogo, com ritmo de jogo rápido (passe rápido), na zona 7 do campograma, num contexto de interacção de pressão sobre o portador da bola e em igualdade numérica.
IPpmlgcv RJr 7 Pig
Fig. 6 Momento de início do Processo Ofensivo
Conduta para o Início do Processo Ofensivo (IPO)
Ritmo de Jogo
Zona do campograma onde se dá o IPO
Contexto de interacção no Centro do Jogo onde tem lugar o IPO
Desenvolvimento do Processo Ofensivo (DPO):
Depois passamos para o critério 2 do Formato de Campo – o Desenvolvimento do Processo Ofensivo – registando os respectivos códigos. O Processo Ofensivo desenvolve-se quando um jogador e colegas de equipa (colectivo) realizam intervenções motoras para manter de forma controlada, em termos táctico-técnicos, a posse de bola e estar em disposição de dar continuidade ao processo ofensivo, para: a) conservar a bola; b) progredir com a bola para a baliza adversária; c) desequilibrar a defesa adversária e tentar marcar golo.
No caso abordado, o Processo Ofensivo desenrola-se, inicialmente, através dum passe curto em profundidade, com ritmo de jogo rápido, na zona 8 do campograma, com o jogador portador da bola sem pressão e num contexto de interacção em igualdade numérica no centro do jogo.
DPpcpr RJr 8 SPig
De seguida, o jogador da equipa observada (EObs) realiza um passe curto em largura (atrasado em relação à linha em que se encontra a bola), com um ritmo de jogo rápido, na zona 8 do
campograma, num contexto de pressão sobre o portador da bola e em igualdade numérica.
DPpclg RJr 8 Pig
No exemplo seleccionado, o Processo Ofensivo continua através duma acção individual (o jogador portador da bola conserva a posse de bola e progride no terreno de jogo, com um ritmo de jogo rápido, a partir da zona 8 do campograma, num contexto de pressão e em inferioridade numérica no centro do jogo.
DPi RJr 8 Pinf
Posteriormente, o jogador que entrou em condução realiza agora um passe médio em profundidade sem variação de corredor, com um ritmo de jogo igualmente rápido, na zona 7 do campograma e num contexto de interacção de pressão e em inferioridade numérica.
DPpmprsv RJr 7 Pinf
Fig. 9 Desenvolvimento do Processo Ofensivo 3
O jogador que recebe a bola entra em drible 1x1 (acção individual) para tentar ultrapassar o adversário directo, com um ritmo de jogo rápido (condução rápida), a partir da zona 10 do campograma, com um contexto de interacção de pressão sobre o portador da bola em inferioridade numérica no centro do jogo.
DPi RJr 10 Pinf
Final do Processo Ofensivo (FPO):
A forma como o Processo Ofensivo é finalizado é a etapa seguinte. Nesta última codificação não serão registados os critérios Centro do Jogo, o Ritmo de Jogo e o Contexto de Interacção no Centro do Jogo. Uma equipa finaliza uma SOF quando concretiza uma das situações presentes no catálogo, apresente um final com eficácia ou não:
Remate fora; Remate dentro;
Remate contra um adversário; Remate com obtenção de golo;
Atingir o quarto ofensivo do terreno de jogo;
Recuperação de bola pelo adversário no quarto ofensivo da equipa observada;
Recuperação de bola pelo GR adversário;
Final por infracção ou perda de bola no quarto ofensivo do terreno de jogo.
Fig. 11 Desenvolvimento do Processo Ofensivo 5
No exemplo apresentado, o Final do Processo Ofensivo acontece através dum remate que termina em golo (Fgl), a partir da zona 10 do campograma.
Fgl 10
A sequência do Processo Ofensivo foi finalizada com eficácia e registada da seguinte forma:
Todas as opções e critérios adoptados no decurso dos processos de construção do instrumento, de observação e de registo das sequências PO realizaram-se no sentido de que o resultado da recolha dos dados amostrais surgisse sob a forma da linguagem SDIS-GSEQ de Bakerman e Quera (1996). Assim, depois de uma análise da qualidade dos dados pudemos submetê-los a uma análise sequencial, utilizando a técnica de retardos ou de Transições (Lag Method).
Fig. 12 Final do Processo Ofensivo
Conduta pela qual acontece o final do PO
Zona do campograma onde se dá o final do PO
IPpmlgcv RJr 7 Pig. DPpcpr RJr 8 SPig. DPpclg RJr 8 Pig. DPi RJr 8 Pinf. DPpmprsv RJr 7 Pinf. DPi RJr 10