Este estudo foi desenvolvido com base numa amostra de 45 empresas em relação às quais se obtiveram 68 questionários. A diferença entre o número total de empresas e o número de questionários está relacionada com o instrumento de recolha de dados que, para além de um questionário genérico na primeira parte, apresentava ainda uma escala – Fatores de Gestão SHST – a qual era dirigida ao conjunto dos colaboradores associados à área de SHST em cada empresa60.
As organizações envolvidas no estudo são empresas prestadoras de serviços no sector da construção industrial em Portugal. A maior parte destas empresas atuam num âmbito nacional e não regional dada a reduzida dimensão do mercado português, bem como a reduzida dimensão do próprio País. Deste modo, este indicador não foi considerado um fator diferenciador.
Por outro lado, este rótulo - empresas prestadoras de serviços no sector da construção industrial - aplica-se a empresas de âmbito e carácter bastante diverso intervindo em diferentes aspetos do processo de construção.
O gráfico 1 oferece-nos uma representação baseada no código de atividade económica das
empresas participantes. Estes grupos foram criados com base nos primeiros dois dígitos da tabela da Classificação das Atividades Económicas - CAE61 de modo a facilitar a leitura dos dados.
60 Para uma descrição detalhada do modelo de inquirição e metodologia utilizadas recomendamos uma leitura ao capítulo 3.
61 Agrupamento por Secção vs Divisão (primeiros 2 dígitos de acordo com Tabela CAE_Rev 3 do DL 381/2007, 14 de Novembro.)
Gráfico 1- Distribuição das empresas participantes por área de atividade62
Este gráfico permite-nos então verificar que, dentro da heterogeneidade significativa na composição das empresas inquiridas, existem três grupos aglomeradores63: o grupo C associado a atividades de “Indústrias Transformadoras”(Divisão 25, 26 e 33) (n=18) 40%, o grupo F que incluí empresas associadas à “Construção” (Divisão 41, 42 e 43) (n=22), representando cerca de 48,89%, e, por fim, o grupo E + N que reúne as empresas associadas a atividades de “Suporte” (Divisão 38, 77 e 81) (n=5) 11,11%.
No grupo C “Indústrias transformadoras” encontramos empresas associadas à fabricação de produtos metálicos (exceto máquinas e equipamentos), empresas da área de metalomecânica e afins (manutenção industrial, decapagem e pintura industrial) e, por fim, empresas da área de reparação, manutenção e instalação de máquinas e equipamentos.
No grupo F “Construção” encontramos empresas associadas à promoção imobiliária (desenvolvimento de projetos de edifícios) e construção de edifícios, empresas de Engenharia Civil e, por fim, empresas com atividades especializadas de construção civil (instrumentação, eletricidade, isolamentos, montagem de andaimes).
No grupo E + N “Suporte” encontramos empresas de recolha, tratamento e eliminação de resíduos, valorização de materiais (Limpezas industriais), empresas com atividades de aluguer de equipamentos.
62 Para a visualização da tabela referente a este gráfico, por favor, consulte o Apêndice C, Tabela I. 63 Para uma visualização das empresas por CAE, por favor, consulte a Tabela I do Apêndice C
Estas empresas contam na sua maioria, 57,8% (26 casos), com mais de 81 funcionários ,podendo ser enquadradas no grupo de empresas de média dimensão enquanto que as pequenas empresas, com menos de 30 funcionários, correspondem a apenas cinco casos, 11,11%. Tendo em conta os sectores de atividade envolvidos, podemos com alguma segurança afirmar que o volume médio de colaboradores é explicado por grandes núcleos operacionais de profissionais ligados a atividades de execução.
Gráfico 2- Distribuição das empresas participantes por número médio de colaboradores
Por outro lado, verificou-se ainda que cerca de 64,4% das empresas têm mais 50% dos seus colaboradores com um vínculo sem termo à empresa enquanto apenas 6,7% refere que menos de 10% dos seus colaboradores são internos. Estes valores diferem pouco dos valores associados ao volume de colaboradores a prestar serviços nas instalações dos clientes – ver Tabela 13.
Tabela 13- Distribuição das empresas participantes por colaboradores internos e colaboradores a prestar serviços nas instalações dos clientes
% média colaboradores internos na organização
% média colaboradores que prestam serviços nas instalações
dos clientes N % N % <10% 3 6,7 4 8,9 10-20% 4 8,9 2 4,4 21-50% 9 20,0 6 13,3 51-70% 14 31,1 13 28,9 >70% 15 33,3 20 44,4 Total 45 100,0 45 100,0
A análise ao número médio de colaboradores na área de SHST revela que apenas 10 empresas (N=45) têm apenas um colaborador nesta área, a maioria (n=19) possui entre 2 a 3 colaboradores enquanto que o volume de empresas com 10 ou mais colaboradores nesta área é de apenas 8,9% (n=4). A análise à Tabela 14 – abaixo - permite-nos ainda verificar que independentemente do número de colaboradores na área de SHST, o volume médio de colaboradores internos nesta área tende a ser inferior a 10%.
Tabela 14 - Distribuição das empresas por número médio de colaboradores da área de SHST e % média de colaboradores internos em SHST
% média de colaboradores internos na organização na área de SHST Total <10% 10-20% 21-50% >70% Nº médio de colaboradores da área SHST 1 10 0 0 0 10 2-3 15 2 0 2 19 4-5 2 1 2 1 6 6-10 4 1 0 1 6 >10 2 0 0 2 4 Total 33 4 2 6 45
Quando se procurou compreender as políticas de recrutamento no que se refere à qualificação dos colaboradores, verificou-se que, das 45 empresas inquiridas, 95,6% (n=43) das participantes desta investigação afirmam que o responsável de SHST da empresa onde trabalham possui qualificações académicas nesta área, enquanto que nos restantes 4,4%, os responsáveis, embora
desenvolvam as funções, não possuem uma qualificação específica para o cargo64. Estes dados revelam que a quase totalidade das empresas assume como importante a qualificação do seus colaboradores para a coordenação da área.
Por outro lado, a análise à percentagem de colaboradores da área de SHST com qualificações nesta área revelou que 4,4% das empresas não possuem qualquer colaborador com qualificações, 53,3% possuem entre 1 a 25% dos colaboradores com qualificações, 2,2% possuem cerca de 26 a 50% dos colaboradores, 2,2% cerca de 51 a 75% e, por fim, 37,8% possuem entre 75 a 100% dos colaboradores com qualificações na área.
Estes resultados parecem indicar que se as empresas apostam na contratação de profissionais qualificados para desenvolver as atividades de coordenação, tal parece não se verificar ao nível operacional onde se verifica a existência de um volume de trabalhadores sem formação específica na área. Para uma representação visual por favor consulte o gráfico 3.
Gráfico 3- Distribuição das empresas participantes por % de colaboradores da área SHST com qualificações em SHST
A análise ao volume de anos de existência da área de SHST com staff efetivo revelou que apenas em 11,1% (n=5) esta terá sido criada há menos de um ano enquanto que em 48,9% das empresas (n=22) este staff SHST efetivo existe há mais de 7 anos.
A análise à Tabela 15 permite-nos obter uma visão resumida destes valores sendo possível realçar a implementação desta área nas empresas inquiridas, embora faça parte de um passado recente, conta já na maioria dos casos, 7 anos de existência ou mais.
Tabela 15 - Distribuição das empresas participantes por tempo de existência de staff SHST N % % Acumuladas <1 ano 5 11,1 11,1 1-2 anos 3 6,7 17,8 3-4 anos 7 15,6 33,3 5-6 anos 8 17,8 51,1 >7 anos 22 48,9 100,0 Total 45 100,0
Quando se procurou verificar como é efetuada a gestão das atividades de SHST verificou-se que 25 empresas utilizam apenas serviços internos, 12 apenas serviços externos, 7 utilizam em simultâneo serviços internos e externos e apenas 1 empresa utiliza serviços interempresas. Curiosamente, quando se procurou identificar a data de obtenção da Certificação em Segurança e Saúde no Trabalho (Occupational Health and Safety Assessment Services – OHSAS 18001), verificou-se que a maioria das empresas (n=25) não a possuem.
Como se pode verificar, pelo gráfico 4, esta certificação foi obtida há mais de 7 anos em apenas 13,3% das empresas (6 casos), enquanto que em 15,6% (7 casos) esta foi obtida entre 4 a 7 anos e em apenas 2,2% há menos de um ano (1 caso).
A análise ao volume de acidentes com baixa ocorridos nos últimos 3 anos revela uma frequência bastante elevada. Neste sentido, verificou-se que em apenas 5 empresas (11,1%) não foram verificados qualquer acidente. Em 26,7% dos casos os inquiridos reportaram a existência de 10 acidentes ou mais na empresa onde trabalham que conduziram a uma paragem do trabalhador devido a baixa médica – ver Tabela 16.
Tabela 16 – Distribuição de empresas participantes por número de acidentes com baixa médica ocorridos nos últimos 3 anos
Frequências Percentagens Percentagens Acumuladas
Valid 0 5 11,1 11,4 1 5 11,1 22,7 1-3 5 11,1 34,1 4-7 8 17,8 52,3 8-10 9 20,0 72,7 >10 12 26,7 100,0 Total 44 97,8 Missing 9 1 2,2 Total 45 100,0
Através da análise da Tabela 17 podemos verificar uma diminuição no número de empresas sem acidentes (6,8%) e um acréscimo do número de empresas com mais de 10 acidentes de 26,7% para 50,0%.
Tabela 17 – Distribuição de empresas participantes por número de acidentes registáveis ocorridos nos últimos 3 anos (com e sem baixa médica)
Frequências Percentagens Percentagens Acumuladas
Valid 0 3 6,8 6,8 1 2 4,5 11,4 1-3 6 13,6 25,0 4-7 9 20,5 45,5 8-10 2 4,5 50,0 >10 22 50,0 100,0
Total 44 100,0
Missing 9 1
Total 45
A questão 13 “Quais os índices médios de sinistralidade laboral nos últimos 3 anos? (anos de
2009, 2010 e 2011) Índice de Frequência – If; Índice de Incidência – Ii; Índice de Gravidade - Ig”
da primeira parte do questionário não foi considerada na análise estatística porque o tipo de respostas dos inquiridos não foi unânime, não permitindo assim efetuar a sua análise estatística. Como fator de melhoria de apresentação do mesmo tipo de questão em instrumentos de estudo futuros, dever-se-á adicionar a fórmula específica para cada índice, não deixando assim ficar qualquer margem para dúvidas na seleção da mesma por parte dos inquiridos.