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No grupo Contrastes a abordagem quanto ao tema trajetória escolar foi empreendida de modo a deixar os/as participantes à vontade para selecionar as etapas da vida escolar que melhor ilustrassem os seus sentimentos em relação a ela. A entrevistadora faz uma proposição imanente com vistas a saber como foi o percurso escolar dos/as jovens até chegarem ao

terceiro ano do Ensino Médio. Com base no olhar deles/as, que demonstravam não saber por onde começar, a pesquisadora complementou “@É muita coisa, né, mas selecionem@” (ls. 144-145).

A proposição imanente tinha o objetivo de estimulá-los a falarem sobre suas trajetórias escolares, entretanto no momento em que estes sinalizaram que as suas histórias eram extensas, a pesquisadora propôs que selecionassem o que seria dito. No momento em que diz “selecionem”, a proposta não se refere às melhores e nem às piores passagens, procuramos deixá-los livres para refletirem sobre o que seria dito segundo seus próprios critérios (ls. 142 – 184):

Y: E um pouco assim::, é:: eu queria que vocês falassem um pouco da vida esco::lar de vocês, como é que foi chegar até o terceiro ano assim? Como é esse percurso assim de (.)? ((se entreolham)) @É muita coisa, né, mas selecionem@.

Tod@s: @3@ ( )

Mf: conta Orpheu a sua história é a mais longa. Y: como que foi chegar no terceiro, terceiro ano Om: ah! até chegar no terceiro ano foi difícil @2@, Tod@s: @2@

Om: complicado Rdm: @foram anos@ Tod@s: @1@

Om: foram cinco anos de dedicação Mf: @2@

Om: tipo quando=eu entrei no primeiro ano eu era um bom aluno e tal, vindo da oitava série, tipo só notão tipo oito, nove, dez assim, até que no primeiro ano até: (3) Julho assim eu só tive nota boa que foram as notas que me passaram, ai no terceiro bimestre eu faltei: mais de 80% do terceiro bimestre (3)

?f?m: @1@

Om: só pra:: fazer merda, ai no quarto bimestre eu só assistia as aulas de química e as outras eu matava, só que tipo a, a nota que eu consegui na prova deu pra mim passar, eu fiquei só de dependência em química, ai quando eu fui pro segundo ano há muito tempo atrás @2@

?f?m: @1@

Om: eu resolvi não fazer a dependência ué e:: levar nas coxas, ai chegou no final do ano eu fiquei em química de novo, ai no dia da prova de recuperação eu matei aula pra ficar com uma mina, quer dizer, eu não fiz a prova pra ficar com a mina, só que eu me esqueci que eu tinha que fazer a prova pra passar, ai eu reprovei, ai eu fui fazer o segundo ano de novo, ai eu assisti três dias de aula aí eu desisti (1), ai todo dia eu saia de casa e vinha pra escola e ficava dando rolê ai pela escola Mf: @2@

Om: e fazendo merda ai foi quando 99% dos professores criaram uma grande (3), uma grande (3) não gostam de mim mesmo

Om: me odiavam assim, só que graças a Deus que todos saíram do Centro de Ensino A já,

( ) mas ai eu passei véi, eu passei o ano inteiro vindo pra escola e não fazendo nada. Ai meu irmão voltou dos Estados Unidos aí pegou no meu pé assim, aí eu contei pro meu pai, né, aí meu pai me largou de mão, falou que eu fizesse o que eu quisesse da minha vida, ai no ano passado eu voltei a estudar, no segundo ano de novo, ai no ano passado eu estudei mais, levei a sério ai eu passei de ano.

Ao falar sobre o seu percurso escolar, Orpheu, jovem preto, se detém a falar sobre o ensino médio, talvez porque esteja aí a sua memória mais recente sobre essa trajetória. Pela sua fala esse foi o período em que suas notas e o seu desempenho nas matérias caíram. Na sua primeira fala enfatiza que até o 1º ano “só tirava notão”, o que demonstra que no Ensino Fundamental ele não teve problemas com notas e reprovação. Talvez tenha preferido falar sobre o Ensino Médio por ter sido o período de maiores dificuldades na sua trajetória escolar.

Cabe ressaltar que Orpheu, na entrevista narrativa-biográfica, enfatiza que no ensino fundamental sempre tirava notas que variavam entre sete e nove. Só a partir do ensino médio o seu desempenho passou a cair. Considera que a fase do ensino médio é caracterizada pelas descobertas do que o mundo poderia lhe oferecer. Parte do ensino médio é associada a um período “complicado”, “difícil” e que ao invés de três anos, para ele compreendeu cinco. Orpheu viveu a experiência de abandonar as aulas, foi reprovado, ficou em dependência e vive a distorção idade-série. Há na sua trajetória escolar todos os indicadores que compõem o chamado “fracasso escolar”.

Chama a atenção que Orpheu faltasse às aulas, mas não deixasse de ir à escola. Chegou a abandonar o 2º ano, mas não deixou de freqüentar a escola. O espaço escolar está associado não só ao ensino-aprendizagem formal, ao domínio de conteúdos, mas é um lugar onde se encontra os amigos, as namoradas, também é o espaço onde muitas vezes se tem as primeiras experiências com as drogas e com a violência. A convivência nesse ambiente comum proporciona o surgimento de relações afetivas que resultam em trocas culturais e de saberes adquiridos na vida fora do mundo escolar. Para os/as jovens, a escola não se resume à sala de aula, mas a uma gama de relações, experiências e descobertas com as quais nem toda a comunidade escolar está apta a lidar.

Orpheu abandonou o 2º ano e logo foi para São Paulo, onde morou durante quase um ano com o irmão mais velho, que é pastor evangélico e que parece ser referência para este jovem. A ida para São Paulo parece ter sido uma forma de afastá-lo das experiências que vinha realizando em Brasília.

Enfatiza que os professores não gostavam dele, reforçando a idéia de que na escola há um hiato no relacionamento entre alunos/as e professores/as, já que estes/as nem sempre conseguem se aproximar da linguagem juvenil e buscar uma compreensão dos desejos e descobertas. Demonstra estar aliviado porque muitos desses professores já não estão mais lecionando na escola. Orpheu não diz explicitamente porque matava as aulas, mas enfatiza por duas vezes que faltava aula para fazer “merda”, talvez demonstrando que na época achava bom, mas hoje revê a sua atitude do passado como reprovável. Orpheu passa a impressão de que ele não se adequava ao sistema escolar e este não se adequava ao que ele buscava no mundo.

Na trajetória escolar aparecem as figuras do pai e do irmão, dois homens que influenciaram o retorno de Orpheu à escola. O irmão “pegou no pé” e o pai “largou de mão”. Na entrevista narrativo-biográfica Orpheu destaca que ele era super-protegido pelo pai primeiro por ser o filho caçula e segundo porque desde seu parto tem problemas de saúde.

O retorno do irmão dos EUA parece ter sido um incentivo para que Orpheu voltasse a estudar, ainda que tenha sido um processo conflituoso com o pai e com o irmão. Orpheu voltou para o 2º ano e afirma “levei a sério aí eu passei de ano”. O pertencimento étnico-racial e a sua relação com a trajetória escolar não está explícita. Ele não traz na sua fala elementos que nos permitam essa leitura. Nessa trajetória houve conflitos com professores, houve o abandono do ensino formal, mas ele não desistiu de estar na escola. Entretanto, chama a atenção que ele seja o jovem “preto” e o que tenha tido uma trajetória escolar bastante oscilante, o que não pode ser atribuído apenas ao indivíduo, já que essa trajetória também é responsabilidade da própria escola e de variáveis externas a ela.

No segmento a seguir, a pesquisadora faz uma proposição ex-manente para tentar saber se os jovens participantes do grupo freqüentaram outro tipo de escola que não seja pública. A pergunta pode ter induzido os jovens a um tipo de resposta que pressupõe a comparação entre os dois tipos de escola. O objetivo era buscar compreender a influência que os dois tipos de escolas tiveram na trajetória escolar do grupo Contrastes (ls. 192 – 205).

Y: todos vocês sempre estudaram em escola pública? Mf: não.

Y: então, vocês me contem isso também Om: só o ensino médio?

Rdm: tá, vou contar

Mf: não, não chega Orpheu, a sua história já é longa o suficiente. Cm : é pra falar desde o Jardim I assim?

Tod@s: @2@

Rdm: tipo des:de pequeno assim, de muleque, eu estudava em colégio particular

Jgm: desde novinho? Cm : desde novinho mesmo Tod@s: @6@

Há entre os/as jovens um incômodo por não saberem ao certo a qual período escolar devem se referir. Ao mesmo tempo em que há também uma negociação entre eles/as para definirem a partir de que ponto começar a falar. Assim, eles são levados a falar sobre suas trajetórias segundo critérios estabelecidos por eles mesmos.

Rides, jovem branco, passou pela experiência de estudar em escolas públicas e particulares, o que lhe permite fazer uma comparação entre os dois tipos de estabelecimentos. Estudou em uma escola particular em Taguatinga, Região Administrativa (RA) localizada a aproximadamente 25 Km da Rodoviária do Plano Piloto. Estudou em uma escola pública no Guará, RA localizada a aproximadamente 15 km da Rodoviária do Plano Piloto. Ao falar sobre ter ido de uma escola particular para uma pública, identifica que foi “totalmente diferente e estranho”, identifica dois tipos de realidades. Ainda que não explicite as diferenças percebidas, se positivas ou negativas, ou ambas, demonstra que a mudança lhe trouxe alguma reflexão comparativa sobre os dois tipos de escola (ls. 206 – 227):

Rdm: ai eu comecei a estudar no Madre Blandina, depois eu mudei de Taguatinga eu fui pro Guará (.), no Guará eu fiz a terceira série (2) no Centro 5, ai foi a primeira vez que eu fui pra uma escola pública, eu achei totalmente diferente e estranho, né porque tipo (4)

Mf: @1@

Rdm: é:: que eu estava acostumado com uma realidade, aí eu entrei em outra assim do nada. Ai depois eu fui pro Rogacionista, ai eu fiquei da quarta série até::

?m: @quase virou padre@

Rdm: na oitava no Rogacionista. Lá no Rogacionista era divertido. Mf: @legal, né?!@

Rdm: Legal, e:: na sétima série você vai descobrindo o que você vai ser, né, então tu vai vendo que véi que você (1), se tu é bagunceiro tu vai ser bagunceiro até:: o terceiro ano. Se tu for nerd, tu vai ser nerd até o terceiro ano (1)

Om: eu era nerd na sétima série Rdm: ma::s eu tirava boas notas

Mf: isso não é verdade não, eu era burra @2@

Rdm: e passei tranqüilo, eu nunca fiquei de recuperação ou alguma coisa do tipo. Ai pro fim do ano eu fui pro Sagrada Família (3), ai entrei no mundo da ( )

Tod@s: @2@

Quando retornou à escola particular não identificou a escola como diferente ou estranha, mas apenas como divertida. Usar esse termo pode implicar em uma avaliação positiva sobre a escola, como um espaço prazeroso. Além de serem escolas particulares, as escolas onde Rides estudou são escolas religiosas que também têm alguma diferença em relação a escolas particulares leigas.

Rides identifica que em determinada fase escolar houve uma mudança de postura em relação ao estudo. A 7ª série é identificada como uma fase de transição, de descobertas e de tomada de decisões sobre que tipo de postura será adotada até a conclusão do Ensino Médio. Quando Orpheu interfere afirmando que era “nerd” na 7ª série demonstra implicitamente discordar da observação de Rides, na medida em que embora fosse “nerd” na 7ª série, o seu percurso no Ensino Médio foi cheio de dificuldades. Indo contra Orpheu, Rides destaca que nunca ficou em recuperação ou coisa parecida, uma história bastante diferenciada daquela vivenciada por Orpheu, que reprovou, abandonou o 2º ano e ficou em dependência.

No próximo segmento Rides, novamente, estabelece uma comparação, dessa vez entre o ensino fundamental e o ensino médio, percebendo esses dois níveis de ensino como bastante diferenciados, exigindo um tempo de adaptação entre um e outro. Com um grau de dificuldade menor do que aquele relatado por Orpheu, Rides também diz que essa mudança foi difícil e atribui essa dificuldade à sua postura mais relaxada em relação aos estudos. Há a percepção de que a dificuldade é pessoal e não algo que provém da escola (ls. 228 – 244):

Rdm: é e lá também (.) porque (.), tipo, o ensino fundamental pro ensino médio é totalmente diferente, até tu acostumar assim foi meio foda, mas tipo relaxei também ((alguém abre a porta))

Mf: caraca!! (1) Que pessoal chato.

Rdm: lá em casa meu pai sempre exigiu muito assim de estudo sacou (.), a média da escola é sete, e ele exigia sete e meio, a média era cinco aí ele pedia seis é pouco, hoje em dia não mais, hoje em dia (.) ele relaxou, mas até o ano passado era um saco. E eu acho que o ano passado foi bem (.) perturbador, porque eu vacilei pra caralho, mas mesmo assim eu passei de boa. Esse ano eu entrei aqui no Centro de Ensino A@2@, descobri que a escola é engraçada @não dá pra você fazer muita coisa aqui@, mas é tranqüilo aqui tem professores bons, mas também tem muitos professores ruins, os alunos, tem muita gente boa, mas tem muita gente chata também, tem o Orpheu aqui do meu lado, cara! como é chato. Mas é bem legal, e interessante, o terceiro ano tá ai, a gente só bagunça, to preocupado, né?

Mf : e feliz, né? Rdm: é.

Rides se refere ao pai como alguém que o acompanhava nos estudos até antes de ele chegar ao 3º ano. Assim como anteriormente comentamos o caso de Orpheu, o pai de Rides é

mencionado como alguém que deixou de acompanhá-lo em uma fase dos estudos. Observa-se que os dois jovens mencionam os pais e que estes já não acompanham os estudos dos filhos com a mesma cobrança que era feita no Ensino Fundamental.

Rides fala sobre a atual escola como um lugar “interessante”, diz estar preocupado com o fato de estar no 3º ano e só ter bagunça, mas ao mesmo tempo responde afirmativamente à pergunta da colega sobre se ele está feliz. Nesta escola, Rides consegue perceber que existem professores bons e ruins, alunos “gente boa” e “gente chata”. A escola descrita tem um equilíbrio não descrito anteriormente.

O fato de ter transitado em escolas públicas e particulares faz com que Maitê, uma jovem branca, tenha a dimensão das diferenças existentes entre os dois tipos de escolas. A escola particular é apresentada como um espaço onde as pessoas são muito diferentes, trazendo outras preocupações que não aquelas encontradas na escola pública. Maitê não destaca quais seriam essas preocupações, como podemos observar no segmento a seguir (ls. 245 – 274):

Mf: eu estudei, eu comecei estudando em escola pública, lá (2), lá na Escola de Normal de Brasília, que fica lá na W3 Sul, estudei lá até (1) a segunda série, ai depois eu fui para escola particular, e primeiro eu fui pro Santa Rosa né? Primeiro que o choque de escola pública pra escola particular é muito grande, as pessoas são muito diferentes e tals, as pessoas estão preocupadas com outras coisas, elas fazem outras coisas e (.) é muito diferente. Então eu fui para e tals, eu, eu não consegui me acostumar com a escola até a sexta série, só que eu fiquei lá, eu fiquei no Santa Rosa até a sexta série, e foi na sexta série que eu comecei a fazer amigos. Só que daí (.) na sétima série eu fui pro INEI que é pior ainda, é mais diferente ainda do que escola pública né, então, tipo é um choque muito maior, eu não (.), eu acho que (.) a melhor coisa que fiz foi estudar na escola pública, porque quando você estuda em uma escola como o INEI assim e tals (.) você vê que (.) as pessoas ñ, não têm muito interesse assim, idéia na cabeça, eu acho que elas não sabem o que, que acontece no mundo ao redor delas, sabe.

?m: é.

Mf: E depois de lá eu fui pra uma escola pública, que cara! @foi a escola 912@

Cf: @2@

Mf: que foi a que lançou, que o Roriz lançou. @A escola era um inferno!@

Tod@s: @1@

Mf: tinha umas janelas enormes que não impedia aluno nenhum de pular, tinha dois andares, aluno (.) do segundo andar que pulava pro primeiro, jogava bombinha, jogava papel com fogo, era uma bagunça, nego saia pulando muro, do lado tinha uma invasão, ai o povo saia pulando muro e tals, lá era muito comum vê gente traficando essas coisas assim, tipo é um choque tremendo

Cf: dentro da sala de aula.

Maitê teve dificuldades para fazer amizades na escola particular, destacando que em cinco anos de escola não tinha conseguido ter amigos/as, o que significa não ter afinidades, ou a possibilidade de compartilhar experiências com seus pares. Quando Maitê reflete sobre as preocupações dessas pessoas e diz ter passado cinco anos sem estabelecer laços afetivos de amizade na escola, demonstra também que as preocupações deles/as não eram as suas.

Ao falar sobre a sua mudança para outra escola particular, Maitê destaca que o choque em relação à escola pública foi ainda maior do que o sofrido na primeira mudança. Maitê demonstra estar atenta ao seu meio social, atenção que ela não percebe existir entre as pessoas das escolas particulares nas quais estudou. Avalia que estudar na escola pública foi sua melhor experiência.

Maitê fala especificamente sobre uma escola, inaugurada por Roriz (ex-governador do Distrito Federal), e destaca que “era um inferno”. Associa diretamente a figura do ex- governante aos problemas educacionais vivenciados naquele período. A metáfora do inferno dá a dimensão de como a escola era ruim.

A descrição da escola não é positiva e evidencia a invasão da escola pelo tráfico bem como pela violência contra a escola. Destaca que a estrutura física da escola era inadequada favorecendo atos de vandalismo, sendo esta a violência da escola contra os/as alunos/as. Assim como foi um choque mudar da escola pública para a particular, considera ter sido um choque mudar de uma escola particular para essa escola pública.

Maitê destaca a precariedade da escola para receber os/as alunos/as. A falta de infra- estrutura, a falta de professores e outras deficiências daquele ambiente demonstram a falência de uma escola recém inaugurada e dá a dimensão da falta de compromisso do governo com a educação pública (ls. 275 – 298).

Mf: @até porque dentro da sala de aula até@, e lá não tinha professor, simplesmente não tinha assim sabe, a mais da metade dos professores não tinha

Cf: não tinha computador lá

Mf: não tinha, não tinha biblioteca, a biblioteca só era um vazio assim, a sala de artes não tinha luz, não tinha nada a sala de artes.

Jgm: a biblioteca só tinha gibi.

Mf: @não tinha nem gibi, não tinha nem a bibliotecária na biblioteca@, Tod@s: @2@

Mf: tinha lá a sala de computação, mas não tinha nada na sala de computação, e não tinha professor né.

Mf: CEF 07 na 912. ah! Aí lá, nos anos que eu estudei lá era uma bagunça geral, tinha alunos de todo o entorno de Brasília, eram os alunos da 113, os alunos da Gisno que tinham ido pra lá, tinha alunos de 20 anos na oitava série que eu estava acostumada assim, eram os meu amigos e tals, alunos de 20 anos na oitava série. Ai eu fiquei lá só até o meio do ano porque minha mãe viu que não ia dar certo, porque não tinha professor, acho que eu fiquei sem professor de, de, física, lá eu não tive professor de física e nem de química. Ai minha mãe me mandou aqui pra 104, que os meninos já são mais (2) playboyzinhos e tals, aquela mania de riqueza, que não tem ninguém sabe? Aquela mania de grandeza e tals.

Ao ressaltar que a escola recebia alunos/as de todo o entorno é como se Maitê quisesse destacar que aquela escola foi planejada para um determinado tipo de aluno/as, que não eram aqueles/as que moravam no Plano Piloto. Maitê destaca a distorção idade-série, como uma realidade próxima. Se na escola particular não tinha amigos/as, nesta escola tinha amigos de 20 anos estudando junto com ela. A figura da mãe aparece como alguém que se preocupa e vai buscar outra condição educacional para a filha. Maitê justifica que mudou de escola porque não havia professores.

A mudança para outra escola também pública traz à Maitê uma realidade também