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Analisar o circuito produtivo da indústria de cerâmica vermelha existente no Seridó é enveredar pelos diversos processos pelos quais passam os seus produtos até chegar ao consumo final. Para isso, foi imprescindível a realização de pesquisa de campo para identificar a inter-relação que ocorre entre os espaços produtores e os espaços consumidores. De modo geral, o crescimento no número de cerâmicas no Seridó ocorreu após a década de 1980, com a falência de atividades estratégicas para esse espaço, como a cotonicultura. Antes desse período, a atividade oleira restringia-se a unidades de produção manual, que se destinavam a atender o mercado local.

De acordo com dados publicados sobre o setor ceramista no estado do Rio Grande do Norte, nas últimas quatro décadas houve uma expansão significativa desse ramo industrial no Seridó (tabela 2), com destaque para os municípios de Parelhas e Carnaúba dos Dantas.

Tabela 2 - Distribuição das indústrias de cerâmica vermelha no Seridó potiguar

Estado/ Região/ Municípios 1981 NÚMERO DE CERÂMICAS EM ATIVIDADE 1989 2001 2010*

Rio Grande do Norte 70 82 159 -

Seridó 05 10 79 87

Acari 0 01 04 05

Caicó 0 02 03 04

Carnaúba dos Dantas 0 0 14 19

Cerro Corá 0 0 01 01 Cruzeta 0 0 06 06 Currais Novos 0 02 04 05 Equador 0 0 02 0 Ipueira 0 0 01 0 Jardim de Piranhas 0 02 02 01 Jardim do Seridó 03 0 08 06 Jucurutu 0 0 03 02 Ouro Branco 0 0 01 02 Parelhas 01 03 26 30 Santana do Seridó 0 0 03 5

São João do Sabugi 01 0 0 0

São Vicente 0 0 1 1

Fonte: Limaverde (1983); SEBRAE (1989); FIERN; SENAI (2001). Pesquisa de campo (2010).

NOTAS: - O dado existe, mas não foi contemplado pela pesquisa de campo * Os dados referentes ao ano de 2010 resultam de pesquisa de campo

Como pode ser elucidado na tabela 2, houve um crescimento de 690% no número de indústrias de cerâmica vermelha no intervalo entre os anos de 1989 e 2001 na região do Seridó, período que coincide com o processo de reestruturação produtiva que ocorreu nesse território. Entre os anos de 2001 e 2010, o setor de cerâmica permaneceu praticamente estável, fato relacionado aos baixos índices de investimentos realizados nesse setor produtivo que não contemplaram o melhoramento técnico. Os empresários com maior poder aquisitivo investiram basicamente na compra de caminhões para transporte da mercadoria e em outros setores produtivos como o comércio, deixando os investimentos no parque industrial em segundo plano.

Com o aumento no número de empresas desta natureza, ocorre uma apropriação do território sem precedentes, tendo em vista que essas empresas dependem exclusivamente do fornecimento de argila e de lenha para manter sua

linha de produção. Como a região não dispõe de grandes reservas desses materiais, então a alternativa tem sido adquirir matéria-prima e insumo energético em outros municípios do Rio Grande do Norte, e até no estado circunvizinho da Paraíba. A demanda por argila e lenha tem possibilitado o aumento nos fluxos materiais que acontecem agora entre espaços cada vez mais distantes.

Atualmente, a instância da produção referente ao circuito da telha compreende um total de 87 empresas2 que estão distribuídas em 13 (treze) municípios do Seridó, compreendendo Parelhas, Carnaúba dos Dantas, Acari, Caicó, Cerro Corá, Cruzeta, Currais Novos, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Ouro Branco, Santana do Seridó e São Vicente, conforme apresentado no mapa 1 e na tabela 2.

2 Estabelecimentos de produção de cerâmicos vermelhos alocados no Seridó durante a realização da

pesquisa de campo (2010): Parelhas (Cerâmica Telha do RN, Cerâmica F. Silva, Cerâmica São Francisco, Cerâmica Rio de Várzea Cerâmica Azevedo, Cerâmica Maracujá, Cerâmica Esperança, Cerâmica A. O. Costa, Cerâmica Nossa Senhora da Paz Ltda, Cerâmica Dois Irmãos, Cerâmica Santa Amara, Cerâmica Pai e Filhos, Cerâmica Recanto, Cerâmica União I, Cerâmica Santa Rita, Cerâmica São Severino, Cerâmica Ki-barro,Cerâmica Nossa Senhora do Rosário, Associação de Desenvolvimento Comunitário Sussuarana I, Associação Comunitária de Cachoeira, Associação dos Oleiros da Comunidade Cachoeira, Cerâmica Boa Vista, Associação Comunitária dos Moradores do Povoado Santo Antônio, Cerâmica Tavares Ltda, Francisco de Assis Medeiros Cerâmicos, Cerâmica Lucena, Cerâmica São Mateus, Cerâmica C. Oliveira dos Santos, Cerâmica de Mozânio e Cerâmica João Eudes Dantas ME). Carnaúba dos Dantas (Cerâmica Araújo, Cerâmica José Roberto Azevedo, Cerâmica Betel, Cerâmica J.A. Dantas, Cerâmica Chico de Keca, Cerâmica São Francisco, Cerâmica Boa Sorte, Cerâmica Santa Luzia, Cerâmica Nossa Senhora dos Impossíveis, Cerâmica Genilson, Cerâmica Bom Jesus, Cerâmica São José I, São José II e São José III, Cerâmica Nossa Senhora das Vitórias, Cerâmica Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Cerâmica Xique-Xique, Cerâmica Ramada, e Cerâmica Medeiros). Cruzeta (Cerâmica Novo Mundo, RN cerâmica, Cerâmica União I e União II, Cerâmica Cruzeta I e Cruzeta II). Jardim do Seridó (Associação Comunitária da Malhada da Areia, Cerâmica Peruana, M. das Dores de Azevedo ME, Cerâmica Boa Esperança, Associação Comunitária Cacimba Velha e Cerâmica Movanildo). Santana do Seridó (WS de Azevedo Cerâmicas – ME, Cerâmica Espírito Santo Ltda, T. C. de Oliveira Ferreira, Cooperativa dos Ceramistas Industriais de Tuiuiú e Associação dos Oleiros da Comunidade São Bento). Acari (Cerâmica Santo Gabriel, Cerâmica São Sebastião, Cerâmica Acari Ltda, Cerâmica Acauã e Cerâmica Cordilheiras).

Currais Novos (Cerâmica Maniçoba, Cerâmica Povoado Cruz, Cerâmica Currais Novos, Cerâmica

Luciano e Cerâmica Totoró). Caicó (Cerâmica São Francisco, Cerâmica Barra Nova, Cerâmica Boa Esperança e Cerâmica Manhoso). Cerro Corá (Associação dos Agricultores Familiares do Sítio Ipueiras). Jardim de Piranhas (Cerâmica Rio Piranhas). Jucurutu (Cerâmica Aroldo Pereira e Marcos H. de A. Soares). Ouro Branco (Tijolos Mavelinos e Cerâmica Azevedo) e, por fim, São

Mapa 1: Território seridoense produtor de cerâmicos vermelhos Fonte: Pesquisa de campo (2010).

A produção nesse território é bastante diferenciada, sendo possível encontrar áreas com elevada dependência dessa atividade e outras que têm nesse segmento apenas uma complementariedade. Dessa forma, a cerâmica ao longo dos anos foi se estabelecendo como uma alternativa de geração de emprego e renda para milhares de pessoas que encontraram nessa atividade uma forma de garantir o sustento da família.

A maior parte dos estabelecimentos de produção cerâmica está situada em Parelhas e Carnaúba dos Dantas, que concentram sozinhas 56% das referidas indústrias; Acari, Cruzeta, Jardim do Seridó e Santana do Seridó; também se configuram como importantes redutos da produção de cerâmicos vermelhos, enquanto que nos demais municípios há uma pequena quantidade de unidades ceramistas, como bem demonstra a tabela 3.

Tabela 3 - Distribuição das indústrias de cerâmica vermelha no Seridó potiguar

Estado/ Região/ Municípios

NÚMERO DE CERÂMICAS EM ATIVIDADE