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Data analysis

6. DISCUSSION

6.2 Methodological considerations

6.2.2 Paper I

6.2.2.2 Data analysis

Em relação ao perfil dos usuários estudados na Amostra 2, aos quais foram aplicados questionários, foram encontrados predominantemente pacientes do sexo masculino; resultado similar ao observado na Amostra 3. Esses dados se aproximam de outros trabalhos que apresentam proporção de sexo semelhante (FURTADO; ARAÚJO JÚNIOR; CAVALCANTI, 2004; GUEDES et al., 2014; MORAIS; MELLEIRO, 2013; SELEGHIM et al., 2010, 2013). Apesar disso, esses dados divergem na literatura, sendo observados serviços com prevalência de pacientes do sexo feminino (GUEDES; HENRIQUES; LIMA, 2013; OLIVEIRA et al., 2011; SILVA et al., 2013; SOUZA et al., 2011).

Essa diferença de dados pode ser atribuída às próprias diferenças regionais dos locais de estudo, como o perfil socioeconômico da população masculina em comparação à feminina; o nível de escolaridade observado em cada sexo; a procedência dos usuários dos serviços; o turno de coleta de dados nas pesquisas, considerando que há mais mulheres que homens que cuidam de casa exclusivamente e, desta forma, há maior frequência de homens durante a noite e mulheres durante o dia; entre outros fatores.

Em ambas as amostras, a faixa etária com maior frequência em atendimento foi entre 30 e 59 anos, seguida pela faixa de 18 a 30 anos, sendo a menos frequente a de 10 a 18 anos; e as médias de idade de 40 e 36,1 anos. A comparação com outros dados da literatura é um tanto dificultada, já que cada estudo apresenta categorizações diferentes para esta variável e nem todos apresentam os valores mínimo, máximo e média. Outros trabalhos obtiveram dados similares, com média de idade entre 39,32 e 43,85 anos, e mínimo de idade de 5 dias a 94 anos (GUEDES et al., 2014; OLIVEIRA et al., 2011; SOUZA et al., 2011).

No que se refere à escolaridade, os dados da Amostra 2 apontaram que a maior parte dos usuários possuía ensino médio completo, seguido por ensino fundamental incompleto, sendo analfabetismo o segundo nível de estudo menos frequente. De forma análoga, um trabalho apresentou 37% de pacientes com segundo grau completo e 29,1% com primeiro

137 grau incompleto (COSTA; CAMBIRIBA, 2010). Outro estudo ainda observou 42,7% de usuários com mais de 10 anos de estudo (correspondente a, no mínimo, ensino fundamental completo), 46,1% com tempo de estudo menor ou igual a 10 anos (equivalente a ensino fundamental incompleto) e 11,2% que não estudaram (analfabetos) (GUEDES; HENRIQUES; LIMA, 2013).

No que se trata da ocupação dos sujeitos entrevistados na Amostra 2, a considerável maioria deles afirmou ser empregada ou autônoma, seguida de estudantes, aposentados e desempregados. Esse resultado foi superior em qualidade quando comparado ao de pesquisa realizada em Fortaleza, Ceará, que percebeu menor número de empregados/autônomos (64,2%), de estudantes (8,9%) e de aposentados (8,9%), além de número bastante superior de desempregados (18%): 16,33% a mais (GUEDES; HENRIQUES; LIMA, 2013). Esse dado reflete o maior acesso à educação básica e aumento do nível de escolaridade da população atendida na unidade de saúde, especialmente no âmbito do Distrito Federal.

A respeito da procedência dos pacientes, a Amostra 2 apresentou a maior parte deles oriunda do Guará, seguido pelo Recanto das Emas, Ceilândia e Planaltina, Samambaia, Riacho Fundo, Santa Maria e Taguatinga. Na Amostra 3 foram encontrados pacientes vindos principalmente da Ceilândia, seguida pelo Guará, Samambaia e Taguatinga. Dessa forma, nota-se que entre as oito primeiras regionais com maior frequência nas duas amostras, as regiões Guará, Ceilândia, Samambaia e Taguatinga coincidem como origem de grande parte dos usuários que procuram o serviço analisado. Uma pesquisa observou que 12,6% dos usuários residem em 26 outras regiões que não as de abrangência pelo serviço em que procuraram atendimento (GUEDES et al., 2014). Outro trabalho concluiu que 25,2% dos pacientes atendidos em um município eram procedentes de outros (OLIVEIRA et al., 2011).

O Hospital de Base do Distrito Federal é referência em trauma e cirurgias para o Distrito Federal e entorno, sudoeste de Minas Gerais, norte e nordeste de Goiás e sudoeste da Bahia, uma área de abrangência consideravelmente grande, já que é um hospital de gestão estadual.

Porém, é importante analisar que as áreas citadas como procedência de maior parte dos usuários possuem suas próprias regionais de saúde e, ainda assim, o Hospital de Base é acessado por demanda espontânea para outras especialidades que não as de referência (trauma e cirurgia). A região do Guará possui o Hospital Regional do Guará – HRGu, referência para geriatria, além de três Centros de Saúde, CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) e outros dois Postos de Saúde. A regional da Ceilândia constitui-se do Hospital

138 Regional da Ceilândia – HRC, tendo como unidades vinculadas 12 Centros de Saúde, duas Unidades Básicas de Saúde, uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA, entre outros serviços. A região de Samambaia conta com o Hospital Regional de Samambaia – HRSam, além de uma Unidade de Pronto Atendimento – UPA, quatro Centros de Saúde, quatro Clínicas da Família e dois CAPS AD. E Taguatinga, por sua vez, possui o Hospital Regional de Taguatinga – HRT, além de quatro Centros de Saúde, quatro Clínicas da Família, três Unidades Básicas de Saúde e dois CAPS (um para transtornos mentais e um álcool e drogas) (SES, 2015).

Um dos fatores que propicia esse contexto provavelmente é a insuficiência e ineficácia na oferta de saúde pelos serviços de atenção básica (AZEVEDO; BARBOSA, 2007; DAL PAI; LAUTERT, 2011) e mesmo dos Hospitais Regionais de referência para cada região. Além disso, é notável a atribuição de maior legitimidade desses serviços de alta complexidade perante a população, em função de diversos fatores, como a maior oferta de recursos tecnológicos, confiança nos profissionais, segurança quanto à qualidade da assistência prestada, satisfação com o atendimento e acessibilidade geográfica (AZEVEDO et al., 2010).

Cabe ressaltar que durante a pesquisa para redação desta discussão houve dificuldade em encontrar certos dados a respeito das regionais do Distrito Federal e as unidades de saúde de referência. A Secretaria de Estado e Saúde do Distrito Federal possui um domínio online (SESDF, 2015) no qual as regionais são listadas e apresentadas, mas não há uma descrição clara das áreas de abrangência delas. Sendo assim, pode-se considerar que a dificuldade de acesso a essas informações por parte da população é ainda maior, ou seja, outra razão para o cenário descrito é o próprio desconhecimento da população acerca da rede de referência para o atendimento em saúde.