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Este primeiro encontro realizou-se no início do ano de 2008, teve dois objetivos principais: (1) fazer a apresentação da proposta do grupo e das atividades programadas para o ano de 2008 e fazer a apresentação dos participantes do grupo e (2) fazer uma discussão inicial seguida de um questionário para levantar as concepções prévias dos participantes sobre os organismos vivos e as interações dos fenômenos biológicos.

Na apresentação da proposta sobre as atividades do grupo as pesquisadoras salientaram como seria o desenvolvimento das atividades a partir de dois eixos de trabalho: discussões teóricas em Epistemologia da Biologia e o desenvolvimento de pesquisas individuais por todos os membros do grupo. Foi explicado, também, como que esta produção seria objeto de pesquisa dos trabalhos de doutorado.

Os dados das apresentações dos participantes foram utilizados para construir a caracterização dos sujeitos da pesquisa apresentados no capítulo quatro.

Após o momento das apresentações, iniciou-se uma discussão a partir de duas imagens com algumas fotos. Esta atividade foi elaborada por Meglhioratti (2009) com o objetivo de levantar as concepções iniciais dos participantes do grupo sobre organismo e sobre vida e, também, foi apresentada no inicio das atividades de 2007.

O inicio da discussão ocorreu pela apresentação da primeira imagem (Anexo 1) seguida por duas questões: 1) O que esses seres têm em comum? e 2) Em que eles se diferem? Como essa diferença é possível?

Ao serem questionados sobre o que havia de comum entre os organismos apresentados, as primeiras respostas foram de P03 e P13 de que a semelhança entre eles era a síntese proteica. A partir deste ponto os participantes iniciaram uma discussão do que poderia caracterizar esses organismos como iguais como representado no fragmento:

A07: Material genético. P2 Material genético.

A11: Aquilo ali é um vírus ou uma bactéria? (se referindo à imagem de uma bactéria)

P2: é uma bactéria. É bactéria porque é bacilo, não é?

A11: Se for um vírus, a questão da vida vira outra questão, entendeu? P2: Por quê? (perguntando para A11)

A11: Porque a gente coloca que vírus não é considerado ser vivo. P2: Essa é concepção, é consenso pra todo mundo aqui ou há uma discordância aqui?

A03: Sei que a gente considera que vírus é vida porque se reproduz. A11: mas ele não se reproduz sozinho.

A03: é....

P2: você não saberia classificar?(perguntando para A03) A03: É, não ... multiplicação, a flor se multiplica.

P2: multiplicação é uma coisa em comum também porque mesmo o vírus....

A03: é... se for reprodução, não.

P2: Se for reprodução, não? Por que daí o vírus estaria fora? Precisa de outro.

P1: E o que mais que esses organismos têm em comum?

Após essas considerações os participantes não tiveram mais explicações para essa pergunta o que levou a pesquisadora P2 a levantar a outra questão, sobre o que diferencia esses organismos:

P1: Como que a gente consegue diferenciar? Ou então de que forma eles são diferentes?

A03: Eu acho que complexidade. P2: Em que sentido?

A03: No sentido de tecidos mesmo, células.

P2: Ah, tá! Elementos constituintes, complexidade no sentido de elementos?

A03: É.

P2: Não é no sentido de unicelular, pluricelular.... Que mais que eles diferem?

P2: Então, existem algumas categorias aí que você colocou. E por que essa diferença independente do que é em relação a reprodução, alimentação, a ser fotossintético ou não, por que é possível?

A11: Porque existe uma variabilidade genética. P2: Porque existe uma variabilidade genética?

P1: De que forma será que essas diferenças apareceram? P2: Evolução

P1: Mas de que forma? A02: Mutação.

P2: Seleção.

A03: Barreira geográfica. A03: Combinação gênica.

Em seguida, foi apresentada ao grupo a segunda imagem que continha mais algumas figuras acrescentadas. Neste momento, novamente, foi pedido aos participantes que dissessem o que diferenciava os exemplos apresentados, as dificuldades em estabelecer o que distinguia as imagens direcionou a discussão para o que é ser vivo e sobre os processos de interação como demonstra o fragmento da discussão:

P1: O que há de diferente nesses outros exemplos acrescentados? Ou não. Vocês veem alguma semelhança no que foi apresentado? É diferente? E por quê?

A02: a semelhança é o átomo.

P2: a semelhança é que todos têm átomos? A02: É.

P2: É, talvez os materiais constituintes de alguns. Então, tá difícil de achar semelhança, porque são diferentes, né? A maioria deles, eu não sei se.... Por que vocês encontram uma diferença entre esses elementos?

A13: Uns são vivos

P2: Uns são vivos, outros são matéria morta. Então como vocês determinam isso: o que é vivo e o que é morto?

A11: Ah, porque não respira, porque não realiza processos metabólicos.

(...)23

A03: Digamos que os seres vivos seriam assim um processo natural. E os que estão mortos seriam processos que não seria natural.

(...)

P1: Os organismos interagem. E essa interação é com o que? Com o que esses organismos interagem?

A03: Com outros organismos, com fatores abióticos: a água, ar.... P1: A luz

P04: ahh a cadeira....se alguém for lá e interagir com a --- cadeira --- P1: E é a cadeira interfere na sua vida?

A04: Sim.

P1: Ela interfere? A04: não?

P1: Existe diferença de interação, então?

23 Estes parênteses são utilizados para indicar que uma parte da discussão foi retirada da transcrição por não ser significativa como dados, ou por serem conversas paralelas.

A04: Existe. P1- E como que é?

A03: tivemos que criar uma relação bilateral, assim (...)

P1: O que determina um ser vivo?

A11: assim por que respira, por que se reproduz... (...)

P2: Então, por exemplo, pode ter, todas as outras características que vocês falaram: material genético, é... reprodução, é multi... é vou até tirar uma palavrinha ---, é... multiplicação, por conta do vírus. Se tirar respiração não é Ser vivo?

A11: Não.

A11: Não é, estou falando que até hoje não conheço nenhum ser vivo que não respira.

A13- E aí é assim, o conceito de vida, é ele... é um pouco controverso, por que não tem um consenso formado ainda, não é uma coisa não é um conceito pronto. E assim, ainda difere em relação ao tema em que se vai trabalhar, se você tem um conceito de vida que assim é só biológico, então você vai excluir toda parte, é... de vida artificial, e... vai trabalhar só ali na frente com o nível biológico célula e tal. E aí não, você pode pensar num conceito um pouco maior, e aí a gente tem, hoje em dia a gente já trabalha com três conceitos mais abrangentes - já tem três grandes linhas de pesquisa que já trabalham com isso.

P2- e fala sobre eles.

A13- E que mais me chama a atenção é o conceito do Maturana que fala sobre o nível... do metabolismo... mas sem esquecer o lado externo também. Além dos conceitos metabólicos, tem o conceito de interação com isso aí, ele é fechado no ciclo metabólico, mas é aberto pra receber informações. Mas também tem um conceito que é bem interessante que é o de biosemiótica também, que é bem legal, que é o conceito de você entender que é o signo, tudo é signo. Uma cadeira é um signo, a resposta de alguém é um signo, e isso se um organismo consegue absorver esse signo e transformar esse signo, então quer dizer que ele consegue ter uma resposta de signo, isso já existe para o conceito de vida também. Também tem o conceito, também que, que é mais... pra mim é o menos eficiente, que fala sobre a parte de evolução mesmo, é um conceito de evolução, é... um conceito de evolução mas ele mais trabalhadas, assim em outras áreas mesmo.

Após a participação de A13 apresentando algumas considerações de vida por ser tema de sua pesquisa de mestrado, a discussão foi encerrada e os participantes responderam a um questionário que tinha como objetivo buscar as concepções dos participantes sobre aspectos epistemológicos e de ensino dos conhecimentos biológicos e também sobre a formação de pesquisadores. Assim os participantes responderam a quatro questões:

1- Tradicionalmente o Ensino e a Pesquisa em Biologia estão divididos em áreas especializadas tais como: botânica, genética, zoologia e etc. Como você

considera esta divisão? Você teria sugestão de trabalhar o Ensino e a Pesquisa de Biologia de outra maneira? Explique

2- Quais os níveis de organização que você considera importante na estruturação do conhecimento biológico? Qual deles você se interessa mais?

3- Caracterize uma pesquisa e um pesquisador.

4- Como você imagina uma pesquisa teórica em Biologia?

Por meio dos dados coletados e das respostas ao questionário foi elaborado a síntese de significação I:

Quadro 2. Síntese de Significação I

PRINCIPAIS CONCEPÇÕES

Dificuldade para caracterizar os organismos vivos; utilizam listas de características, em especial do nível genético e de sistemas internos dos organismos;

Consideram os fatores externos ao organismo como responsáveis pela diversidade biológica; Apresentam ideias iniciais sobre o papel da interação biológica;

Consideram a organização curricular dividida em disciplinas necessárias, porém, citam a falta de maior integração do conhecimento;

Divergências sobre concepção de níveis hierárquicos: níveis dos sistemas biológicos x organização didática do conhecimento;

Caracterizam um pesquisador pelo seu papel em buscar respostas;

Caracterizam pesquisas em Biologia teórica como estudos de ideias, conceitos e reflexões.