3 Conceptual framework based on paradox and effectuation theory
4.3 Data Analysis
Nesta seção, será estabelecida a contextualização de uma Instituição de Ensino e os aspectos que a caracterizam, tendo em vista que consiste no objeto de análise do presente estudo.
4.4.1 Conceito e Características de uma Instituição de Ensino
Como o objeto de estudo da presente pesquisa consiste em uma Instituição de Ensino Preparatória para Concurso, torna-se relevante compreender o que significa uma I.E. e suas características.
Inicialmente, Brito (2000) afirma que a tentativa de transferir para as Instituições de Ensino a imagem de outras empresas leva certamente ao fracasso e sinaliza que características específicas dessas organizações não permitem compará-las à grande maioria das organizações existentes na sociedade. Isso porque, segundo a autora, as Instituições de Ensino não vendem produtos ou oferecem serviços tangíveis, mas sim propagam o ensino e o conhecimento, que se apresentam como fatores impossíveis de mensurar, mas que lhe conferem uma posição de excelência dependendo do conhecimento adquirido por seus alunos.
Entende-se por Instituição de Ensino a organização que contemplar uma filosofia que permeie valores relacionados à excelência do ensino e aos meios de sua promoção, além da importância dada às pessoas, ao aprendizado contínuo e ao comprometimento das demandas do local e do país onde está inserida (MARCELINO, 2004).
Nesse sentido, a Instituição de Ensino deve definir, primeiramente, a sua missão, cuja formação significa a primeira e mais abrangente escolha estratégica desse processo e que, dada a sua importância, não pode ficar reduzida a uma mera declaração formal.
Segundo Marcelino (2004), essa filosofia de atuação visa à definição de objetivos estratégicos, exeqüíveis e consistentes com as orientações estratégicas emanadas pela direção da Instituição de Ensino, adotando como regra fundamental uma gestão eficaz, concentrada em objetivos, programas, projetos e metas, de modo a favorecer o aproveitamento das oportunidades relevantes, a neutralizar ou a reduzir ameaças conjunturais e a orientar o processo gerencial. Com referência aos programas e projetos, trata-se de uma carteira de iniciativas específicas a serem desenvolvidas, visando alcançar condições essenciais para o êxito da estratégia. Esses projetos podem ser de cunho social, como, por exemplo, responsabilidade social e ambiental. Todavia, para este autor, devem ser constituídos poucos projetos, mas de grande impacto.
Tachizawa e Andrade (1999) consideram que, além desse entendimento acerca de uma Instituição de Ensino, devem-se também conhecer outras características inerentes a ela, tais como: a) missão; b) processos internos; c) concorrentes; d) órgãos normatizadores oficiais; e e) ramo de atividades. Na missão, procura-se explicitar a finalidade peculiar que diferencia a Instituição de Ensino de outras de seu tipo. Nesse sentido, é definida como o fim mais amplo que uma Instituição estabelece para si mesma. Quanto a processos internos, relacionam-se os produtos principais, complementares, substitutos e produtos concorrentes.
Com relação aos concorrentes das Instituições de Ensino, procura-se identificar sua origem, características, pontos fortes, pontos fracos, a segmentação de mercado e a inovação de serviços educacionais, fatores estes que são considerados e avaliados com relação à análise dos concorrentes. Os órgãos normatizadores oficiais exercem funções regulatórias com influência direta sobre o comportamento da Instituição. Visam posicionar a Instituição de Ensino em relação ao quadro institucional vigente no contexto do macroambiente no qual o setor e, conseqüentemente, a Instituição de Ensino se inserem. Por fim, o ramo de atividades visa identificar o tipo de setor econômico a que a Instituição de Ensino sob estudo pertence, como decorrência natural da aplicação dos elementos de análise anteriores.
características específicas que as distinguem das demais organizações, objetivos múltiplos e dificuldade de mensuração dos seus resultados, apontados como fatores diferenciadores e dificultadores de sua gestão. Enquanto seus dirigentes tentam lidar internamente com as questões relacionadas a essas duas especificidades, o ambiente a sua volta está em processo de mudança e transformação (MARCELINO, 2004).
Sob o ponto de vista das Instituições de Ensino de caráter privado, segundo Tachizawa e Andrade (1999), estas apresentam determinadas características que precisam ser consideradas, consistindo em: a) termos qualitativos (porte, tipo de cursos oferecidos, qualificação do corpo docente e demais peculiaridades intrínsecas); b) ausência de grande diversidade entre as tecnologias educacionais e de processos utilizados pelas Instituições; c) existência de barreiras legais e governamentais à entrada de novas Instituições; d) elevada regulamentação estatal/governamental; e) competição básica, via lançamento de novos cursos, em busca de novos clientes (alunos); f) significativo volume de investimentos e de capital para entrada no setor; g) produto gerado – alunos – detentor de alto conhecimento; h) a diferenciação entre as Instituições de Ensino se dá no tocante à finalidade para a qual estão preparando seus alunos, bem como à qualidade e às especificações didático-pedagógicas, e sua demanda é por demais dependente da taxa de crescimento da população estudantil; e i) detenção de significativo controle sobre o setor, por parte das Instituições de Ensino já instaladas, em sua área de atuação, com domínio dos fornecedores/docentes da região.
Para Tachizawa e Andrade (1999), entende-se também por Instituição de Ensino a organização vista sob um enfoque sistêmico, ou seja, composta por fornecedores, clientes internos, produtos e mercado. Por fornecedores, entendem-se as I.E.s agentes que fornecem recursos à Instituição de Ensino na forma de bens, serviços, capital, materiais, equipamentos e demais recursos, que, por sua natureza, constituem os insumos necessários às suas atividades internas. Nesse contexto, também figura o professor, detentor do conhecimento a ser transmitido ao aluno, como principal fornecedor (colaborador ou parceiro) da Instituição de Ensino. Os clientes internos são representados pelos funcionários e, principalmente, pelos alunos/estudantes. Por produto, compreende-se o resultado de uma série de atividades realizadas internamente, como os resultados do que os alunos aprendem e pesquisam. Mercado é subentendido como o conjunto de clientes externos, constituídos pelas organizações, sejam elas governamentais, públicas ou privadas, que irão absorver os profissionais instruídos e preparados pela Instituição de Ensino.
Além das características mencionadas anteriormente, Tachizawa e Andrade (1999) apontam que as Instituições de Ensino se constituem, ainda, como: a) um complexo que
comporta cultura, estrutura, professores e funcionários, com suas respectivas atividades, e a interação entre elas e os alunos; e b) uma metodologia de ensino-aprendizagem e o projeto pedagógico que se entende pela estrutura curricular aplicada e reconhecida pelos órgãos reguladores de ensino.
Para melhor vislumbrar as características inerentes à Instituição de Ensino, segue a figura 5, ilustrada abaixo:
Figura 5: Características inerentes à Instituição de Ensino Fonte: Tachizawa e Andrade (1999)
Cabe salientar ainda que, especialmente nas instituições privadas no ensino brasileiro, há intensa intervenção do governo, que exerce considerável pressão sobre as atividades das Instituições de Ensino. Apesar da aparente autonomia que lhe são conferidas por meio do dispositivo legal, toda a normatização que envolve os padrões de qualidade, adotados como únicos em todas as regiões do país – os programas curriculares; os preços das mensalidades nos estabelecimentos privados; as atividades de pesquisa e extensão, entre outros aspectos –, é imposta pelos Órgãos Regulamentadores (BRITO, 2000).
Segundo a autora, diante desse panorama, observa-se a intensa dicotomia com que as Instituições de Ensino se deparam. De um lado, atender às exigências legais impostas, melhorando a qualidade de seus cursos, seguindo padrões de qualidade de outras Instituições de Ensino do mesmo segmento. Por outro, elas têm que desempenhar um papel que supra as expectativas da sociedade, no que se refere ao seu papel social, econômico e cultural,
legitimando, assim, suas ações no local onde atuam.
Diante do contexto exposto, percebe-se a necessidade da profissionalização e da preocupação com a gestão na Instituição de Ensino e, portanto, a importância que deve ser dada à formação e ao desenvolvimento de estratégias.
Na etapa seguinte, será apresentado o método de pesquisa utilizado neste estudo, e serão descritos a estratégia de pesquisa escolhida, os critérios para seleção do caso, a unidade de análise, o detalhamento das etapas da pesquisa e a forma como os dados serão analisados e interpretados.
5 MÉTODO DE PESQUISA
O conceito de pesquisa, segundo Cooper e Schindler (2003), consiste em qualquer investigação organizada, executada para fornecer informações a problemas. Os mesmos autores acrescentam, ainda, que as pesquisas em Administração são investigações sistemáticas que fornecem informações para orientar as decisões empresariais.
A seguir, são abordados os aspectos metodológicos utilizados no desenvolvimento da pesquisa. São apresentados: escolha do método (seção 5.1), estratégia de pesquisa (seção 5.2), unidade de análise (seção 5.3), detalhamento das etapas da pesquisa (seção 5.4) e análise e interpretação dos dados (seção 5.5).