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5. EMPIRICAL ANALYSIS

5.2 D ATASET

5.2.2 Data adjustments

liberações e conquistas femininas, é estranho que as representações ainda tragam a mulher sem estar executando ação, a mulher decorativa. Isso mostra que o corpo feminino dentro dos moldes da beleza não precisa estar agindo para simbolizar algo. Por si sós, as imagens de mulheres são comercializadas. Tanto que nas duas revistas analisadas existem fotografias em anúncios, como os dois da Figura 21, que trazem a mulher vitrine, sem qualquer referência ao produto, que aquele corpo feminino está servindo de vitrine para vender.

Figura 21: Mulheres ilustrando anúncios

A imagem corporal feminina magra, jovem, sensualizada e sofisticada é o sentido que vários produtos querem carregar para si, por isso, a ausência de referências sobre o que é anunciado, visto que o objeto provavelmente é um elemento de colabora ou fará a consumidora sentir-se mais perto do modelo representativo.

Através desse tipo de representação do feminino, a mulher ilustrativa e os temas que enumeramos nos quadros 7 e 8 (páginas 94 a 95) confirmamos, assim como Morin (1997), as variedades de produtos sendo expostos/ilustrados por meio das mulheres, inclusive a diversidade de conteúdos jornalísticos que dizem respeito a elas. Porém, apesar a incidência de alguns produtos, como cerveja e carros, recorrentes nas representações mediáticas nacionais, nestas revistas eles são somente ocorrências isoladas, não há uma grande quantidade de mulheres ilustrando esses objetos/produtos. Existem mais assuntos relativos produtos de cuidados pessoais, saúde e eventos.

A variedade temática da Pará + mostra que a mulher está ocupando diversos âmbitos sociais, de modo a não se restringir aos produtos estéticos. Assim, traz até o protagonismo feminino em propagandas governamentais. Contudo, é necessário notar que são propagandas geradas em governos que almejam divulgar suas ações diante dos problemas sociais, para assim, conquistar votos.

Também vemos que a Pará + é mais diversificada, abordou mulheres na política, economia, meio ambiente, projetos sociais e culturais, educação, enquanto a Revista YOU trouxe quantitativamente mais temas de festas (casamentos, carnaval, festa de aniversário, baby balada) moda, maquiagem, beleza e nutrição. Entretanto, na revista paraense todas as 5 matérias que falam sobre beleza têm mulheres como protagonistas.

Nessas matérias que estão nas seguintes edições e páginas: “Aprenda a beber água. É essencial. É vida!”, n° 145 e páginas 10 e 11, teremos 3 fotografias, sendo 2 infográficos e 1 mulher; na “Dicas alimentares para um Verão Saudável”, edição n° 146 e páginas 20 a 21, serão 6 imagens, distribuídas entre 3 fotos de comida, 1 de criança, 1 close de uma mão feminina cortando pimentões e 1 mulher tomando água; a “Para emagrecer e ajudar a eliminar as toxinas”, edição n° 150 e páginas 40 e 41, são 5 imagens, sendo 3 com mulheres e o restante mostrando xícaras de chá; “A natureza que faz bem para a boca” na edição n° 152 e páginas 36 a 37, são 6 imagens, divididas em 2 mulheres, 1 close de boca de uma criança e 3 fotos de açaí; e a última matéria “A ‘medicina do futuro’ já faz parte do presente” da

edição n° 153 e nas páginas 38 a 41, traz 7 imagens, sendo 2 mulheres, uma foto de uma médica e a outra é a atriz Angelina Jolie, 1 de um médico, 1 frasco de remédio, 1 faixada de prédio, 1 logomarca e 1 pé de neném. Mostrando que quando as imagens não são de mulheres, são na maioria das vezes de crianças e/ou objetos e alimentos.

Ainda na Pará + têm uma matéria sobre uma comunidade de naturalista, onde não há imagem sensualizando o corpo feminino. Mas, em uma das fotografias é exibido o corpo de uma das personagens da matéria de costas e nua. Um corpo normal, sem tratamento de edição ou iluminação. Porém, mesmo a matéria trazendo personagens reais e distantes do padrão de beleza, apresenta/retrata uma mulher nua, tem uma imagem na qual aparece um corpo masculino nu, mas esse corpo está ao fundo, no primeiro plano dessa fotografia há um outro homem que não é mostrado despido. Então, diante desse quadro podemos fazer alguns questionamentos. Mesmo que aquela mulher tenha sido a única que aceitou a fotografia, a matéria discorre sobre homens e mulheres que vivem daquele modo e só é trazido e exposto o corpo feminino nu?

Não será por ser mais rotineiro vermos mulheres despidas? Afinal, a comunicação mediática veicula constantemente mulheres assim? Podemos refletir que isto revela e ratifica o quanto a mulher é retratada como corpo-objeto, corpo nu, sensual, padrão de beleza e até o corpo despido da comunidade de naturalistas. Essa fotografia não foi capturada por uma premeditação dos editores, repórteres que fizeram a matéria com a intenção de mostrar o corpo feminino. Mas, está inculcado em nós que é normal vermos mulheres nuas ou seminuas nas tramas, anúncios, novelas. É algo tão presente que nem estranhamos, causaria espanto a erotização do corpo masculino nessas proporções que ocorrem com o feminino. Tanto que nas 21 edições das revistas, majoritariamente, são as mulheres que são retratadas com corpos despidos, seminus, e sensualizados. Mesmo as publicações não sendo especializadas em assuntos eróticos, as mulheres retratadas estão em poses sensuais.

Outro destaque sobre os sentidos dos temas veiculados é referente a publicidade e propaganda e a relação que ela estabelece da mulher com o dever de cuidar do corpo por meio de atividades físicas e tratamentos estéticos. Dos 71 anúncios nas Revista YOU, que não são publieditoriais e fazem propaganda de academias de ginásticas, clínicas e equipamentos de tratamento estético e de roupas/marcas, 58 representações visuais são com mulheres. Entre os 13 restantes,

11 são imagens de homens e mulheres, 1 foto é impossível identificar as pessoas e apenas 1 anúncio é feito com homem.

Assim, percebemos que durante todo o ano de 2014, em 9 exemplares e em 71 anúncios sobre academias e espaços para tratamentos estéticos, apenas um é baseado na imagem masculina sozinha. Será que todos os homens não estão interessados em consumir roupas, fazerem tratamento estéticos e se matricularem em academias?

Além de novamente observarmos a vinculação da imagem feminina a esses assuntos, observamos a exclusividade da imagem da mulher em certas temáticas, como roupas, beleza, ginástica. É usada como vitrine para moda, modelo de beleza, e, envolvida nas práticas para esculpir o corpo, como ginástica e tratamentos estéticos.

Aqui cabe lembrar que esses assuntos são considerados como questões superficiais. Isso acarreta em uma depreciação de tais assuntos. Interessante é a contradição disso. Ao disseminar tantas imagens de mulheres vinculadas a assuntos considerados superficiais e também pelo arsenal representativo que faz da beleza algo a ser almejado, conquistado pela mulher que pretende mostrar sua elevação social, sua capacidade de ser bem-sucedida ou realização de sonhos, a desvalorização que aponta como superficiais esses assuntos é paradoxal, diante da depreciação de algo extremamente veiculado e posto como um valor.