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Os instrumentos de pesquisa utilizados inicialmente foram os questionários elaborados e aplicados nos trabalhos de Tamayo e Gondim (1996), Tamayo et al (2000) e Oliveira e Tamayo (2004), que deram origem à Escala de Valores Organizacionais, ao Inventário de Valores Organizacionais (IVO) e ao Inventário de Perfis de Valores Organizacionais (IPVO), respectivamente.

Deve-se destacar que a publicação do IVO está incompleta, tanto no formato eletrônico, por meio da base Scielo de pesquisa eletrônica (http://www.scielo.br), quanto no formato gráfico, publicação da Editora Estudos de Psicologia volume 5 (2), p. 289-315, 2000. O questionário completo foi obtido mediante contato com os autores e a ausência dessas assertivas permitiu uma análise apenas parcial, na amostra da empresa A, da relação do fator Domínio no IVO e IPVO.

Além dos dados originais das variáveis dos instrumentos de pesquisa, também variáveis de controle foram acrescidas aos questionários, essas variáveis são: (a) tempo de serviço; (b) sexo; (c) idade; (d) atividade; (e) setor de trabalho; (f) relação de trabalho; e (g) grau de hierarquia.

Uma avaliação inicial da quantidade de itens em cada instrumento de pesquisa, tempo demandado para respondê-los e orientações quanto ao correto preenchimento de cada bloco dos questionários, levou à necessidade de testes piloto para garantir respostas consistentes com os objetivos do estudo e utilização correta dos instrumentos de pesquisa. Além desses aspectos, procurava-se reduzir possíveis resistências dos respondentes no processo, uma vez que a participação na pesquisa foi voluntária.

Adicionalmente, também foi analisada a estrutura dos três instrumentos de pesquisa. Quanto ao instrumento da pesquisa de 2004, decidiu-se pela não utilização da coluna “DESEJÁVEL” (TAMAYO et al, 2000, p. 315), em razão dessa estrutura não ter correspondente nos demais instrumentos utilizados nos estudos.

Como primeira etapa, foram elaboradas listas preliminares contendo o nome dos prováveis respondentes, indicando também a área de trabalho de cada um. Depois disso e com base nessa lista, foi feito contato telefônico com cada uma dessas pessoas, pedindo a participação e explicando os motivos da pesquisa. Além disso, pediu-se que a pessoa solicitasse a outras pessoas que também respondessem os questionários, devido a necessidade de se conseguir uma quantidade mínima de respondentes para o teste piloto.

O processo de convencimento para participar na pesquisa incluiu detalhes quanto ao compromisso de um número mínimo de respondentes, da não necessidade de responder imediatamente aos questionários, em razão do prazo do projeto de trabalho, e da ênfase nas respostas em papel. Ou seja, apesar de alguns questionários seguirem por meio eletrônico, deveriam ser impressos e devolvidos pelos correios no formato de papel, com objetivo de

preservar a identificação dos respondentes de um lado e, de outro, garantir respostas mais verdadeiras.

As primeiras remessas totalizaram 31 respondentes, que corresponde a um grupo de empregados da empresa do teste piloto. Os dados foram digitados em planilha Excel e foram observadas as seguintes características e problemas:

 Alguns respondentes não perceberam a existência de assertivas contraditórias e deram respostas onde uma opção exclui a outra.

 As páginas dos questionários não foram numeradas e, com isso, a impressão sofreu distorções com mistura das folhas.

 O IPVO é extenso e ocupa mais de uma página e não foi reproduzido o cabeçalho com o significado de cada coluna. Essa falha foi percebida nas respostas de alguns respondentes por haverem invertido os valores atribuídos na pagina anterior, ou seja, a seqüência dos valores não se assemelhava aos itens constantes da página anterior.

 As instruções de preenchimento de cada instrumento podem ter sido ignoradas, ou não foram suficientemente claras, pois foram encontradas inversões nas respostas do questionário IPVO.

 Os casos de respostas em branco em alguns itens do IPVO podem ter sido por causa da formatação do instrumento, uma vez que a diferenciação de um item para outro não

foi destacada adequadamente e o processo de impressão tanto pôde se dar por uso de máquina copiadora como de impressora.

 Nas instruções do questionário da Escala de Valores Organizacionais, alguns respondentes usaram apenas os valores citados no exemplo das instruções.

 A possibilidade de os respondentes não terem lido as instruções, ou não entendido os itens, foi levantada porque, apesar da orientação de que apenas um ou dois itens são os valores supremos de uma organização, alguns respondentes usaram a pontuação máxima para várias assertivas.

 Outros respondentes utilizaram apenas três pontuações para atribuir a importância dos valores no instrumento da Escala de Valores Organizacionais.

 Somente os itens do instrumento de Escala de Valores Organizacionais estavam numerados de forma seqüenciada.

 Alguns respondentes deixaram vários itens em branco ou não responderam a todos os instrumentos de pesquisa, especialmente os da Escala de Valores Organizacionais.

 Durante a fase de digitação, foram percebidos alguns outliers sem testes estatísticos, na medida em que a pontuação atribuída aos itens nos instrumentos de pesquisa foi igual em todos os itens.

 Na devolução das respostas, um grupo de respondentes enviou uma mensagem manuscrita informando não haverem gostado dos instrumentos e, por meio de contato telefônico, confirmaram que os instrumentos são longos, cansativos, confusos e que responderam apenas por terem assumido o compromisso.

Assim, foi realizada a primeira análise de outliers, a qual resultou em seis casos que deveriam ser excluídos da amostra inicial dos 31 respondentes. Além disso, diversas alterações de formatação foram procedidas, tais como: paginação dos instrumentos; numeração de todos os itens dos questionários, formatação com realce para cada item dos instrumentos; cabeçalho em todas as páginas; instruções detalhadas de cada instrumento, com a retirada dos exemplos, para evitar que os respondentes pudessem ser sugestionados.

Depois dessas alterações, foram distribuídos questionários entre 20 respondentes a diferentes grupos de trabalho da mesma organização do teste piloto, com esclarecimentos quanto aos objetivos da pesquisa, mas sem acrescentar detalhes quanto ao processo anterior.

Os dados desse segundo grupo foram adicionados aos dados do primeiro grupo e, novamente, foram encontrados problemas semelhantes quanto a distribuição de pontuação no instrumento da Escala de Valores Organizacionais. Com isso, calculou-se a quantidade de outliers com a inclusão e a exclusão desse instrumento de pesquisa. Os resultados apontaram que a manutenção do instrumento Escala de Valores Organizacionais, aumentava os casos outliers, tendo-se optado por excluí-la da pesquisa.

Essa decisão encontra apoio no trabalho de Porto (2005, p.99 e 106) ao considerar que “é difícil e entediante para os respondentes” e que “os indivíduos podem responder

uniformemente a um grande número de valores” o que exige cuidado especial na elaboração das instruções. Tal cuidado foi seguido, mas não foi capaz de reduzir as dificuldades. Ademais, esse instrumento de pesquisa demanda um elevado grau de abstração, dificuldade extra relatada pelos respondentes.

Assim e conforme recomendação de Becker (1999) para que os pesquisadores usem instrumentos válidos e já aplicados com sucesso no passado, como demonstrado nas pesquisas de Tamayo et al (2000) e Oliveira e Tamayo (2004), bem como diante dos resultados do teste piloto, decidiu-se trabalhar apenas com o Inventário de Valores Organizacionais (IVO) e o Inventário de Perfis de Valores Organizacionais (IPVO).

Deve-se ressaltar que os próprios autores da Escala de Valores Organizacionais destacam que ela foi desenvolvida em base exclusivamente empírica, sem uma teoria que justificasse a sua estrutura (OLIVEIRA e TAMAYO, 2004, p.133), por ter sido construída unicamente a partir de um levantamento de valores. Os demais instrumentos de pesquisa têm fundamentação na teoria de valores culturais e na teoria de valores pessoais. Esse aspecto também contribuiu para a decisão de não empregá-la neste trabalho.