Results and Discussion
4.2 DASC experiments with nanofluid and water
“Vivam por mim, já que eu não posso mais viver a alegria de trabalhar com estas crianças e estes adultos, que com sua luta e com sua esperança estão conseguindo ser eles mesmos e elas mesmas.”
Paulo Freire
Os desafios que permeiam a atualidade são muitos. Entre eles, a continuidade da Escola Itinerante, tendo em vista a conjuntura social e política atual do RS. Considerando esta realidade, o MST vem desenvolvendo um conjunto de iniciativas, nas quais reafirma a necessidade de continuar a luta pelo reconhecimento do direito à escolarização para os acampados, reconstruindo a pedagogia e a estrutura organizativa da escola.
A presença das crianças reafirma a continuidade da luta pela terra, sendo elas parte significativa deste processo. Elas ingressam no acampamento junto com suas famílias e nessa luta ampliam a sua participação em todos os espaços, significando-a e construindo novos valores como a solidariedade, o companheirismo e a cooperação, entre outros.
As reflexões feitas apontam limitações no decorrer do processo escolar vivenciado na Escola Itinerante. Estes limites também fazem parte da realidade da escola de modo geral, porém para avançar em nosso projeto de escola, se faz necessário refletir e reconstruí-la constantemente. Neste contexto, reafirmamos o compromisso de construir uma educação comprometida com a classe trabalhadora e elencamos alguns elementos que apontam para esta continuidade.
a) Continuar construindo a Escola em Movimento
Diante das ofensivas sofridas pela Escola Itinerante, faz-se necessário retomar junto às famílias o debate permanente sobre o significado da escola; Estudar os objetivos desta escola, que ensine
para a vida e tenha como centro de suas ações a formação humana, e que, nesse processo, crie condições de continuar existindo.
Atualmente, no RS, acompanham seus pais na luta por Reforma Agrária aproximadamente 500 crianças em idade escolar, bem como muitos jovens e adultos que não tiveram acesso a escolarização em seu tempo próprio. Por isso, é necessário ampliar os horizontes e parcerias e continuar na luta pela escola pública estadual nos acampamentos.
Nesta perspectiva, foi iniciado um diálogo com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Faculdade de Educação (FACED), e o Colégio de Aplicação (CAP), com o objetivo de promover a capacitação e formação de educadores para atuar na Escola Itinerante e, ao mesmo tempo, pressionar os órgãos públicos para garantir a continuidade da Escola Itinerante no RS.
b) Construir processos escolares que contemplem as demandas da atualidade
Apresenta-se neste novo contexto da Escola Itinerante a reflexão sobre a estrutura da escola, possibilitando o debate coletivo para reorganizá-la de acordo com a demanda atual. Neste sentido, precisamos estudar as concepções de educação e reconstruir seu Projeto Político Pedagógico com a intenção de contemplar a organização do trabalho da escola em ciclos de formação humana.
Outro aspecto de relevância neste novo contexto é o da auto-organização dos educandos. Este tópico, além de ter uma distribuição de responsabilidades no planejamento geral da escola, possibilita criar espaços próprios para que eles se organizem e recriem suas próprias formas de trabalho em equipe, planejamento e avaliação.
Inserir a escola na participação do processo de preparação das famílias para a transição da vida do acampamento para o assentamento, torna-se uma necessidade na continuidade da luta pela terra. Criar métodos de trabalho que possibilitem processos concretos nas atividades escolares, desenvolvendo linhas de produção agroecológicas que garantam às crianças envolver-se com o cultivo de diversos tipos de cultura ou criação de pequenos animais, aproximando a teoria e a prática, vivenciando os princípios da agricultura camponesa.
Envolver a escola no embelezamento dos locais de moradia e de lazer do acampamento, desenvolver práticas de reciclagem do lixo, tratamento e preservação das águas, estimular a convivência coletiva, também faz parte dos novos desafios da atualidade.
Organizar processos de cooperação na escola, em vista a alcançar os objetivos projetados pela mesma, garante a formação dos educandos para os processos produtivos cooperados e ampliam a visão crítica sobre as questões sociais da realidade aperfeiçoando também as habilidades técnicas. A prática e a socialização entre os sujeitos fortalecem as vivências organizativas e a formação integral e solidária.
Melhorar os mecanismos de registro da documentação escolar dos educandos é fundamental para a organização da vida funcional da escola, tendo em vista a rotatividade, a imprevisibilidade das transferências para outras escolas e ingressos de novos educandos.
Sistematizar e registrar todo o processo pedagógico torna-se uma necessidade a ser resgatada na escola, tendo em vista que os acampamentos sempre serão temporários e possuem uma característica de estar em movimento, pois o que não entra na memória escrita, tão logo se perde.
c) Avançar na formação de educadores no processo escolar
Ampliar a formação política e pedagógica dos educadores que desenvolvem o trabalho nos acampamentos é uma demanda necessária para qualificar o processo de ensino-aprendizado nas Escolas Itinerantes. Sabemos que esse é um trabalho complexo, pois depende de um conjunto de questões, as quais nem sempre estão ao alcance de quem organiza as escolas. Porém, é necessário buscar alternativas viáveis para concretizar e ampliar a formação dos educadores.
Um processo escolar que contemple a formação integral de seus sujeitos depende principalmente da capacidade que os educadores desenvolvem em articular a teoria e a prática e em considerar processos já vivenciados, buscando construir aprendizados novos. A propósito disso, a formação dos educadores deve ser potencializada em vários momentos e de forma permanente.
Estudar, pesquisar, estar sempre em movimento, é responsabilidade de quem educa nos acampamentos. Os coletivos de educadores precisam dar exemplo no estudo.
d) Aprofundar o debate da Escola e seu papel formador no acampamento
Se a “Escola é mais que escola na Pedagogia do Movimento”, não é possível criar processos de ensino aprendizado na Escola Itinerante sem discutir constantemente sobre a sua função no acampamento. É indispensável reconhecer que este deve ser um processo internalizado pela comunidade escolar, pois existe um fator favorável no acampamento: a facilidade de articular as famílias para reuniões, e, neste caso, conversar sobre a educação, combinando melhor os processos a serem construídos junto à comunidade para que cada parte desenvolva o seu papel.
A escola que forma para a vida tem como responsabilidade educar e inserir-se na luta e na defesa do projeto social da classe trabalhadora. Devemos educar na luta e na construção de novos valores, assim, seremos formadores de sujeitos sem perder de vista que educamos pelo exemplo. Por isso é compromisso do educador estar sempre à frente dos processos os quais irão comandar.
Dialogando sobre esse papel podemos referenciar o que diz Shulgin “É pouco conhecer os ideais da classe trabalhadora, é pouco querer construir. É preciso viver os ideais da classe trabalhadora, é preciso poder lutar por eles é preciso poder construir”. (in: A Escola-Comuna, Shulgin, 1924, p. 21-22).
Para compreender a atualidade, a escola precisa estar entrelaçada com o movimento da qual faz parte. Evidenciar suas contradições e nela projetar suas ações é um constante desafio. Significa também um comprometimento maior com processos que estão sendo construídos pela classe trabalhadora.
REFERÊNCIAS
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Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.
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Espaços-tempos de Itinerância: interlocuções entre universidade e Escola Itinerante do MST.
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Itinerante do MST. Santa Maria: Ed. UFSM, 2006.
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GÖRGEN, Sérgio Antônio. Marcha ao Coração do Latifúndio. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2004. MELLO, Marco (org) Paulo Freire e a Educação Popular. Porto Alegre IPOA: ATEMPA, 2008. 264 pag. PISTRAK, M.M Fundamentos da Escola do Trabalho. São Paulo: Expressão Popular, 2000.
Alessandro S. Mariano Jurema de Fátima Knopf Sandra G. Scheeren1
“[...] O acampamento é o lugar do sonho, da esperança e do conflito. Neste contexto, entre tantos desafios, ousa-se aprender a fazer a Escola Itinerante que de seus aprendizados pretende-se forjar a escola do assentamento, a Escola do Campo.”
Maria Izabel Grein
INTRODUÇÃO
Este texto é a síntese do processo de reflexão coletiva sobre a Escola Itinerante no Paraná que, em 2009, completou seis anos de reconhecimento legal.
A Escola Itinerante se efetivou como uma política educacional em que participam de sua gestão o Setor de Educação do MST e a Secretaria de Estado da Educação (SEED), envolvendo, neste período, aproximadamente 4.500 educandos da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, e garantindo o direito à educação a cerca de 8.000 famílias acampadas.
Esta escola tem afirmado o compromisso em realizar a formação em direção à emancipação do ser humano, articulada a um projeto de transformação social. Em sua organização curricular considera as singularidades dos acampados que por meio da luta pela terra almejam viver e trabalhar no campo.
No registro e análise do percurso de construção da Escola Itinerante nos acampamentos do Paraná, buscamos refletir os aprendizados e os desafios deste projeto de escola, os quais iremos tratar nesse texto, organizado em três partes. A primeira apresenta a trajetória histórica da Escola Itinerante. Como se implementou e se efetivou neste estado. Na segunda, trazemos uma reflexão sobre as marcas e significados desta escola que aprende e ensina acompanhando a luta dos Sem Terra. Por último, apontamos os desafios a serem enfrentados para avançarmos no projeto de Escola Itinerante.