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Fernando Henrique Cardoso - FHC31 é um homem culto, intelectual e um político diplomata, que sabe negociar com opositores e a base aliada. Nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1931. É pai de três filhos e viúvo desde junho de 2008, da antropóloga Ruth Corrêa Leite Cardoso. Neto, sobrinho e filho de militares, Fernando Henrique teve uma educação rígida. Aos três anos de idade já estava alfabetizado e logo aprendeu francês com uma professora particular.

31 Esta pesquisa teve como base de dados principais o texto disponível em http://www.ifhc.org.br/Pagina.aspx?id=6001&mn2=0,

Cursou Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e, antes de se graduar, foi professor da Faculdade de Economia da USP (1952-1953), graças ao sociólogo Florestan Fernandes, de quem se tornou primeiro-assistente em 1955. Também foi assistente do professor Roger Baptiste e analista de ensino da cadeira de Sociologia, da Faculdade de Filosofia da USP, em 1953. Em 1954, foi eleito representante dos ex- alunos, tornando-se o mais jovem membro do Conselho Universitário da USP. Na década de 1960, integrou a direção do Centro de Sociologia Industrial e do Trabalho (Cesit), fundado na USP por Florestan Fernandes e pelo sociólogo francês Alain Touraine (1962)”32. Gradua-se em Sociologia pela USP em 1952. Devido a sua luta pela melhoria do ensino público e pela modernização da universidade, foi perseguido depois do golpe de 1964.

Durante a faculdade, conheceu Ruth Cardoso, em 1948, com quem se casou quatro anos depois. A pedagoga Beatriz Cardoso define o pai como "determinado, organizado e tem uma enorme capacidade de ouvir o ponto de vista alheio"33, irmã do publicitário Paulo Henrique e da bióloga Luciana, também filhos de FHC. A participação do pai na campanha “O petróleo é nosso”, nos anos 50, influenciou o jovem universitário a adotar uma ideologia progressista. Mais tarde participa como secretário da revista “Problemas”, do Partido Comunista.

Além dos filhos, os amigos também consideram FHC, como um senhor cordial, "Cardoso é uma pessoa generosa, cordata e de extremo bom humor", comentou o economista Paul Singer, amigo do presidente, ex-colega do Cebrap34.

Em março de 1964 FHC teve sua prisão preventiva decretada, sob a acusação de atividades subversivas. Fugiu para o Chile, onde trabalhou no Instituto Latino- Americano de Planificação Econômica e Social. Em 1967, lecionou na França e, no ano seguinte, de volta ao Brasil, conquistou a cátedra de Ciência Política da USP, sendo cassado em seguida pelo Ato Institucional (AI) Nº 5. Em 1969, antes de se exilar novamente e dar aulas nos Estados Unidos, FHC colaborou com a fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). No mesmo ano foi aposentado compulsoriamente e teve seus direitos políticos cassados pelo AI-5.

32http://www.arquivonacional.gov.br/memoria/crapp_site/presidente.asp?rqID=32 33http://www.terra.com.br/istoe/biblioteca/brasileiro/lideres/est11.htm

Fernando Henrique foi acusado – segundo o livro "Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura", da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders, editado no Brasil pela Record – de ter recebido ajuda financeira da CIA, por meio de apoio da Fundação Ford, para a criação do Cebrap. O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria".35

O intelectual

Fernando Henrique tem um reconhecido destaque na área acadêmica. Professor emérito da USP, lecionou nas Universidades de Santiago do Chile; da Califórnia (Stanford e Berkeley), nos Estados Unidos; de Cambridge, na Inglaterra; de Paris-Nanterre, na École des Hautes Études en Sciences Sociales, no Collège de France, na França e no Watson Institute for International Studies da Universidade de Brown, nos Estados Unidos36.

Presidiu a Associação Internacional de Sociologia de 1982 a 1986. É doutor Honoris Causa de mais de vinte universidades e membro honorário estrangeiro da American Academy of Arts and Sciences. Possui ainda diversos livros e artigos publicados em todo o mundo. A revista britância Prospect, em 2005, elegeu Fernando Henrique como um dos 100 maiores intelectuais públicos do mundo.

Entre os prêmios recebidos, destaca o “Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional 2000”, o primeiro dos prêmios “Mahbub ul Haq por Notável Contribuição ao Desenvolvimento Humano”, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (2002), e o prêmio “J. William Fullbright para o Entendimento Internacional” (2003).

35 Nery, Sebastião, Tribuna da Imprensa, in

http://www.adital.com.br/site/..%5Carquivos%5CFERNANDO%20HENRIQUE%20CARDOSO%20ERA%20(E%20%C3%89)%2 0ESPI%C3%83O%20DA%20CIA.doc

O político

Sua carreira política iniciou em 1974, quando recebeu o convite de Ulysses Guimarães, presidente do MDB, para coordenar a elaboração da plataforma eleitoral do partido. Quatro anos depois, concorreu ao Senado pelo MDB, elegendo-se suplente de Franco Montoro. O jingle que ritmou sua campanha, foi composto pelo amigo Chico Buarque e dizia “A gente não quer mais cacique/A gente não quer mais feitor/A gente agora tá no pique/Fernando Henrique pra senador!". Em 1983, com a vitória de Montoro para o governo de São Paulo, Fernando Henrique é empossado senador da República por São Paulo, seu primeiro cargo político.

A campanha das “Diretas-Já” ajudou a impulsionar a imagem de Fernando Henrique como senador. Além de se destacar na articulação da candidatura de Tancredo Neves à Presidência da República, em 1984. Por indicação de Tancredo, líder do governo no Congresso Nacional, FHC conduziu as mudanças na legislação eleitoral e partidária, que originou nas eleições diretas para a presidência da República.

Em 1985 Fernando Henrique disputou a prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado por 30 mil votos do ex-presidente Jânio Quadros. Um ano depois, reelegeu-se senador com seis milhões de votos, a segunda maior votação no Estado numa eleição majoritária. Atitudes como ter se declarado ateu e sentado na cadeira de prefeito posando de vencedor antes das eleições, pode ter comprometido seu desempenho37.

Líder do PMDB no Senado, FHC participou como um dos relatores do Congresso Constituinte de 1987 e 1988. No fim de 1988, inconformado com a falta de definições do PMDB em relação ao governo do presidente José Sarney e a temas polêmicos da Constituinte, saiu do partido para fundar o PSDB ao lado de Mário Covas, Franco Montoro, José Serra e lideranças vindas de outras agremiações.38

O convite para assumir o Ministério das Relações Exteriores foi aceito em 1992, após o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Em maio de 1993, a pedido do presidente Itamar Franco, passou a comandar o Ministério da Fazenda. A inflação beirava os 30% ao mês e temia-se a deterioração da situação política do país. Contra a

37http://www.terra.com.br/istoe/biblioteca/brasileiro/lideres/est11.htm 38http://www.ifhc.org.br/Pagina.aspx?id=6001&mn2=0

opinião dos que só julgavam ser possível atacar a inflação depois da posse do próximo governo em 1995, conseguiu mobilizar uma maioria parlamentar e amplo apoio de opinião pública a favor do seu plano de estabilização, o Plano Real. Este incluiu medidas drásticas de controle do déficit público e uma reforma monetária que se completou com a entrada em circulação de uma nova moeda, o Real, em julho de 1994”39.

Fernando Henrique ganhou popularidade com o “Plano Real” e se mostrou um forte candidato à presidência. Em 1994, FHC deixou o Ministério da Fazenda para assumir a candidatura à presidência da República pela coligação PSDB-PFL-PTB.

Foi eleito Presidente em 3 de outubro de 1994, em primeiro turno, com 54% dos votos válidos. Como presidente, procurou influenciar parlamentares para que aprovassem a lei que permitiria a reeleição de cargos executivos no Brasil como presidentes, governadores e prefeitos40. Sua habilidade diplomática não ficou concentrada apenas aos parlamentares brasileiros. Fernando Henrique, em seu primeiro mandato, fez 44 viagens internacionais, atitude muito criticada pela opinião pública41.

Durante suas viagens Fernando Henrique fez de tudo um pouco. Em Delmiro Gouveia (AL), colocou chapéu de couro e montou num jegue. Ensaiou passos de forró na feira de Caruaru (PE). Tomou garapa e guaraná Real em Santarém (PA) e "vinho do amor" – um feitiço para amolecer corações – em Poços de Caldas (MG). Jantou arroz-de-carreteiro e vestiu poncho e chapéu de peão no Centro de Tradições Gaúchas de Gravataí (RS). Mas o teste de fogo aconteceu mesmo em Petrolina (PE). O presidente lambeu os beiços com o jantar: buchada de bode”42.

O comportamento descontraído era para criar uma imagem de aproximação e identificação com a população. E a estratégia deu resultado. Com 45 milhões de votos, foi reeleito no primeiro turno em 1998 com 53,06% dos votos. Entra para a história como o primeiro presidente democraticamente eleito desde Juscelino Kubitschek (1956-

39http://www.ifhc.org.br/Pagina.aspx?id=6001&mn2=0

40http://www.terra.com.br/istoe/biblioteca/brasileiro/lideres/est11.htm 41http://www.saphyria.com.br/?a=4011

1961) a completar seu mandato e transmitir o cargo a outro presidente democraticamente eleito”43.

Em 2002, no final do segundo mandato, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi considerado pelas Nações Unidas a autoridade mundial que mais se destacou naquele ano no campo do desenvolvimento humano, recebendo o prêmio “Mahbud ul Haq”. O ex-presidente encaminhou o processo de transição de governo para o futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito nas eleições presidenciais de 200244.

Rotuladas de "neoliberais" e duramente combatidas durante seu governo, suas políticas nas áreas econômica, social e institucional foram em linhas gerais mantidas pela oposição depois que assumiu o governo em 2003.45

Atualmente Fernando Henrique preside o Instituto Fernando Henrique Cardoso, com sede em São Paulo; é presidente de honra do Diretório Nacional do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB); membro da Diretoria do Clube de Madri (Madri); membro da Clinton Global Initiative (New York, NY) e da Diretoria dos Inter- American Dialogue (Washington, D.C.), World Resources Institute (Washington, D.C.) e Thomas. J. Watson Jr. Institute for International Studies, da Universidade de Brown (Providence, RI).